Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Então e os outros?

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.17

 

pedro ferraz da costa fiscaliza tap.jpg

"Acho extraordinário que seja possível deitar pela janela fora dezenas de milhares de milhões de euros e ninguém preste contas sobre o que é que aconteceu. O que é que o Banco de Portugal andou a fazer durante estes anos todos? Porque é que os senhores que saem, depois de não terem conseguido tomar conta dos recados, depois já podem voltar? Porque é que há esta dança de cadeiras e ninguém assume responsabilidades em relação a assunto nenhum? O que é que nos garante que não vai voltar a acontecer?"

"Porque é que neste caso [CGD], que custa ao erário público milhares de milhões, não se pode saber?"

"Ameaça ao regime? Pobre regime se depende só disso. Era uma ameaça aos ladrões."

"Como é que é possível pensar que uma tão grande parte da população aceita que uma parte importante dos impostos, que paga com esforço, seja para cobrir coisas que ninguém sabe bem o que é que foi? Lança-se suspeições sobre tudo no geral. Eu não acredito que todas as pessoas se portem mal. Agora, acho que é muito útil saber-se que, quando se tem determinados lugares, se pode ser responsabilizado pelo que se faz. Em Portugal, temos muita dificuldade em sair deste bom rapazismo, onde ninguém diz mal de ninguém, ninguém critica, porque ‘amanhã também posso precisar’. É um ambiente péssimo."

 

Alertado pelo título de uma notícia do Observador, fui ler a entrevista de Pedro Ferraz da Costa ao ECO (economia online).

Há muitos pontos em que estou em clara divergência com Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Conselho Directivo do Fórum para a Competitividade, mas não posso deixar de concordar com ele quanto às transcrições que acima faço.

Distâncias à parte, aquilo para que o entrevistado chama a atenção não constitui nada de novo. Em causa estão factos cujo conhecimento está ao alcance de qualquer cidadão minimamente interessado, factos que ciclicamente se repetem, de tal forma que ao fim de quatro décadas de democracia são quase que assumidos como se fossem normais. Só assim, aliás, se compreende que se continuem a fazer as coisas como sempre se fizeram, nunca se percebendo muito bem quem se quer ou se está a proteger nesse modo de assim fazer. A começar pelas comissões parlamentares de inquérito que não raro só servem para o espectáculo mediático.

E embora não deixe de ser preocupante que se tenha chegado ao ponto de ser um patrão, num país de tantos trabalhadores, a fazer tais afirmações e a colocar as interrogações que todos a nós próprios há muito devíamos ter formulado, importaria não restringir o âmbito dessas questões ao universo da CGD. Eu também quero saber, e todos devíamos querer saber, quem foram, quem são, os tipos (não vou ao ponto de lhes chamar "ladrões") que beneficiaram com as moscambilhas da PT, do BES, do BANIF e de todas essas empresas que andando paredes-meias com o Estado e com alguma maltosa que andou, e que ainda anda, alguns de forma dissimulada, pela política e os partidos, beneficiam das negociatas, dos esquemas e dos empréstimos, não prestando contas a ninguém, sendo permanentemente desresponsabilizados e dando cabo dos milhões que depois sobram para os portugueses pagarem.

É fundamental saber, até para que no futuro não haja governantes a incluírem em comitivas oficiais empresários em situação de insolvência.


16 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.02.2017 às 08:16

Concordo com o texto, só um pequeno reparo. Acho que devemos todos lutar contra a descriminação e o preconceito. Afirmar: "E embora não deixe de ser preocupante que se tenha chegado ao ponto de ser um patrão, num país de tantos trabalhadores, a fazer tais afirmações..." Que ponto é este em que um patrão não se pode preocupar com o país? Que um patrão não pode ser honesto? Que um patrão não tenha consciência cívica e política e se preocupe como bem comum. Esqueci-me que os patrões são todos uns exploradores e sanguessugas. E como vivem de lucro, essa coisa que destroi toda a moralidade, só olham para o seu umbigo e roubam tudo e todos o mais possível. Já era altura de sermos um bocadinho mais inteligentes.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 28.02.2017 às 08:57

Tem razão quanto ao reparo que faz, perfeitamente legítimo, mas o sentido que quis dar ao texto não foi o que resulta da sua interpretação. Nem sou dos que parte do princípio que os patrões não podem ter esse tipo de preocupações ou não podem ser honestos.
O que me espanta é não ver manifestações de sindicatos e de trabalhadores (e não apenas do grupo da CGD) a pedirem essa transparência e o apuramento de responsabilidades com a mesma veemência com que o fazem noutras situações. Mea culpa.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 28.02.2017 às 08:47

Folgo em vê-lo mais interessado no que vale a pena esmiuçar e a esquecer as estatísticas do que pode ser apenas uma forma de nos distrair.
Sem imagem de perfil

De Jorg a 28.02.2017 às 09:03

Estes dados das moscambilhas que menciona terão de ser objecto de devido controlo e tratamento estatístico por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira- sei lá, ponham isso nas mãos de um "time" dos lacaios do Ralha - com apeso atestando autorizada publicação!!

E olhe que isso representa, "p'ás pessoas" coisas importante: acaba o excesso de zelo no despejo de famílias com dívidas ao Fisco e deixa-se de tanto autuar quem não pagava portagens na auto-Estrada...



Sem imagem de perfil

De Einzeturzende Neubaten a 28.02.2017 às 10:00

Sejamos claros. O regime não se consegue limpar a ele próprio, pois este está enquinado um todos os seus poros. Este regime político só se limparia através de alguém que viesse de fora. Alguém que já tivemos por cá em 1926. Essas mesmas forças que foram obrigadas a reagir devido ao que se passa hoje com os partidos políticos.

Recordo ainda os casos PANDUR e submarinos que na Alemanha resultaram em condenações e por cá raspas
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 28.02.2017 às 14:47

"Enquinado"?
Isso não existe.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 28.02.2017 às 15:50

Tem razão! Veja, contudo, se o resto existe.

https://www.youtube.com/watch?v=ri0XTnxvJLE

Esta gravação data de 7 de Janeiro de 1949 e pertence ao Arquivo Sonoro da Emissora Nacional
Sem imagem de perfil

De JSC a 02.03.2017 às 19:18

Acho que ninguém duvida que o Salazar foi o politico mais sério e integro de Portugal desde que há memória.
Sem imagem de perfil

De Einzeturzende Neubaten a 28.02.2017 às 10:31

Mas em que ficamos, afinal? Viveu - se ou roubou- se acima das nossas possibilidades?
Sem imagem de perfil

De BELIAL a 28.02.2017 às 12:38

Ladrão que rouba a ladrão, tem cem anos de perdão".

"Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não"

A grei é volúvel, como os que mandata - são.
Sem imagem de perfil

De BELIAL a 28.02.2017 às 12:46

A "GASOSA" DAS ELITES (jmtavares). E é isto, minhas senhoras e meus senhores: https://www.publico.pt/2017/02/28/politica/noticia/a-gasosa-das-elites-portuguesas-1763489
Sem imagem de perfil

De BELIAL a 28.02.2017 às 12:54

"Ó abreu dá cá o meu"

"O Dinheiro

O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo...
Todo ele, aquele todo...
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
Tlim!
Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E só dizer-lhe: «Aí vai...»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
Tlim!
Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas...
Tlim!
Ora...

Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
(Tlim!)
Pois não!"

João de Deus, in 'Campo de Flores'
Sem imagem de perfil

De sampy a 28.02.2017 às 13:28

"importaria não restringir o âmbito dessas questões ao universo da CGD".

Quando a única coisa que interessa à geringonça é EXCLUIR o universo da CGD do âmbito dessas questões.

O autor destes posts acaba sempre por pôr a nu (mesmo que involuntariamente) a velhacaria socialista.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 28.02.2017 às 16:53

E o senhor aponta, indignado, a nudez dos outros, não se dando conta de estar com as ceroulas, pelos artelhos...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.02.2017 às 16:30

"...Como é que é possível pensar que uma tão grande parte da população aceita que uma parte importante dos impostos, que paga com esforço, seja para cobrir coisas que ninguém sabe bem o que é que foi?..."


A população não tem voz.
Só o complexo Político-Jornalístico tem voz e todo o Poder se passa e exerce nesse domínio.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D