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Em nome de que vida?

por Teresa Ribeiro, em 17.02.16

eutanásia.jpg

 

Como é óbvio, para quem defende a eutanásia e o suicídio assistido, o que está em causa é o direito a acabar com o sofrimento, quando é reconhecidamente atroz e irreversível. Quem é contra, defendendo o princípio da inviolabilidade da vida, certamente não o ignora. Então porque há-de invocar invariavelmente o recurso aos cuidados paliativos como uma alternativa, sabendo que nos casos limite, em que a questão da eutanásia e do suicídio assistido se colocam, a medicina não consegue reduzir o sofrimento para níveis suportáveis?

Não posso respeitar quem recorre a argumentos falaciosos para defender o seu ponto de vista. Quem se opõe à legalização da eutanásia deve ter coragem para assumir que o que defende pode ser de uma tremenda crueldade para alguns. 

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26 comentários

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De Catarina a 17.02.2016 às 16:02

Teresa, tem razão.
Mas seguindo essa mesma lógica, quem defende a eutanásia tem de saber que o sofrimento ser "atroz e irreversível" é impossível de determinar objectivamente e muitas vezes nem será nesses casos que a eutanásia ocorre (penso em doenças do foro psicológico, ou em pressões de familiares, para dar 2 exemplos apenas).
Assim, os defensores da eutanásia deviam ter coragem de admitir que o que advogam é a possibilidade legal de ajudar a morrer.
Concordo: Mais coragem é precisa de ambos os lados da discussão.
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De Teresa Ribeiro a 17.02.2016 às 16:17

Há casos, Catarina, em que os médicos conseguem determinar o grau de sofrimento. Se assim não fosse como poderiam estabelecer a medicação que se administra contra a dor? É claro que o sofrimento psicológico é bem mais difícil de determinar. Mas é por isso que as regras que enquadram essas práticas têm que ser muito rigorosas e o escrutínio total.
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De Luís Lavoura a 17.02.2016 às 16:53

"o sofrimento ser "atroz e irreversível" é impossível de determinar objectivamente e muitas vezes nem será nesses casos que a eutanásia ocorre"

A Catarina tem toda a razão.

Convem, porém, distinguir entre eutanásia e suicídio assistido, que são coisas substancialmente diferentes. No segundo caso, não se coloca muito a questão de saber se o sofrimento é atroz e irreversível ou não; as pessoa têm a liberdade de se suicidar, e (em minha opinião) os outros devem ter a liberdade de as ajudar, mesmo que não esteja comprovado que há ou que haverá um sofrimento atroz e irreversível.

"pressões de familiares"

O facto de as pessoas poderem fazer disparates sob pressão de familiares não implica que as devamos proibir de fazer esses disparates. As pessoas têm a liberdade de fazer montes de disparates, da mais diversa natureza, e indubitavelmente por vezes fazem-nos sob pressão; mas nem por isso são interditadas de os fazer.
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De ali kath a 17.02.2016 às 16:42

fica mais barato contratar marginais par tiro na nuca
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De RAA a 17.02.2016 às 16:46

Não merecem respeito nenhum, de facto. Não por serem contra a eutanásia, mas por esconderem as verdadeira razões por que o são, razões que se prendem com a religão que professam.
Como não têm coragem de o assumir, pois ser-lhes-ia dito que pretendem impor a terceiros as suas íntimas convicções, com desprezo pelo sofrimento alheio, enredam-se nas tais falácias, enchem a boca de ética e de 'cientificidade', mas não se eximem em chamar 'cúmplices' (isto é, 'criminosos') a quem se propõe a essa nobre missão de ajudar a morrer quem não tolera sofrer mais. Foi o que fez, miseravelmente, a mais do que lamentável Laurinda Alves, no último Prós & Contras.
Por isso, não (me) merecem respeito nenhum.
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De Kat a 18.02.2016 às 10:41

Aplauso. Resume-se a um pensamento simples, mas inconfessado - "Eu sou contra a eutanásia porque matar é pecado." É-me absolutamente incompreensível uma perspectiva tão redutora sobre a Vida Humana - subjugada aos parâmetros de uma hipotética autoridade espiritual supostamente superior. Como dizia o outro, graças a Deus que sou ateu.
Cumprimentos
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 11:28

Não concordo totalmente consigo.
As pessoas têm o direito de ser contra a eutanásia (ou seja o que fôr) por razões religiosas, e têm o direito de não expôr essas razões. Tal como têm o direito, por exemplo, de ter opiniões políticas que as beneficiariam pessoalmente, mas não expôr esse benefício.
Agora, o que acho inaceitável é pessoas apresentarem argumentos inconsistentes, intelectualmente desonestos, falaciosos. Como por exemplo este argumento tolo de que o suicídio assistido deve ser proibido porque as pessoas se poderiam querer suicidar sob pressão de familiares.
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De RAA a 18.02.2016 às 12:35

Caro Luís Lavoura,

as pessoas têm o direito de não expor as suas convicções religiosas, concordo consigo. O que me parece ilegítimo é quererem condicionar os outros, crentes ou descrentes.

Pessoalmente, sou contra o aborto (salvo nas excepções previstas), e não tem nada que ver com religião, porque sou ateu, embora com formação católica. Sou a favor da autodeterminação individual, com todos os limites éticos que envolvam terceiros. O que não tolero é ser condicionado em nome do que para mim é uma tontice: deus ou o pai natal, tanto faz.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 17:42

E não se trata só dos doentes com cancro em fase terminal, mas de todos aqueles para quem a vida se tornou insuportável.
Em 2004 vi o filme 'Mar Adentro', que me emocionou de uma forma para além de todas as palavras.
Li também os livros 'Cartas do Inferno', do Ramón Sampedro e 'Querido Ramón', da Ramona Maneiro, a amiga que o ajudou a morrer.
Sempre tive o maior respeito pelas pessoas que se suicidam e continuo a pensar que é muito egoista e cruel recusarmos ajudar a partir aqueles que o querem fazer.
Mesmo que os amemos muito, ou talvez por isso mesmo.
Antonieta
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 11:30

Sempre tive o maior respeito pelas pessoas que se suicidam e continuo a pensar que é muito egoista e cruel recusarmos ajudar a partir aqueles que o querem fazer.

Bem falado!
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 12:04

Não li esses livros, Antonieta. Só vi o filme e foi um murro no estômago. Todos os que do alto da sua superioridade moral invectivam contra quem defende a legalização da eutanásia e suicídio assistido deviam vê-lo. Porque se há algo que observo nestas pessoas é que quando discutem este assunto não gostam de falar sobre casos concretos. Percebo, é mais simples defender o conceito da inviolabilidade da vida, tão elevado, do que assumir a defesa da interdição daqueles actos de misericórdia nos casos em que o sofrimento físico e/ou psicológico dificilmente se consegue imaginar.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 14:40

não gostam de falar sobre casos concretos

É como as pessoas que são contra o aborto, também não gostam de falar de casos concretos.

Isso tem uma explicação. Na perspetiva católica, os pecados podem sempre ser perdoados (na confissão, por um padre). Nunca deixam de ser pecados, mas podem sempre ser perdoados. Então, um caso concreto não interessa nada, porque pode sempre ser perdoado a posteriori. Na perspetiva católica, os pecados são sempre pecados e os casos concretos de pecados são apenas coisas que podem ser perdoadas, mas que não alteram o estatuto do ato como pecado.

É como o Marcelo Rebelo de Sousa muito bem exprimiu em relação ao aborto: é proibido, mas pode-se fazer, mas continua a ser proibido. Assim no catolicismo os pecados são sempre proibidos mas podem sempre fazer-se, porque o padre confissor se encarregará, a posteriori, de os perdoar se achar que eles devem ser perdoados.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 15:44

E não é que concordo consigo, Lavoura?!
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De RAA a 18.02.2016 às 12:47

Outra coisa: a minha posição sobre a eutanásia só contempla doenças terminais. Não inclui 'depressões' ou coisa parecida. Mas creio que isso é também uma cortina de fumo levantada pela Igreja; não me parece que quem esteja de boa-fé nesta discussão quando fale de eutanásia se esteja a referir a outra coisa que não seja a degenerescência patológica física irreversível.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 15:51

Identifico-me com o que disse, RAA, relativamente aos dois aspectos que salientou: o perfil dos casos que para os defensores da eutanásia fazem sentido (que exclui as depressões e situações afins) e a má fé de quem argumenta contra, equiparando depressões a doenças terminais e atribuindo aos seus oponentes a mesma falta de critério.
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De João de Brito a 17.02.2016 às 18:54

Tenho ouvido dizer a especialistas que os cuidados paliativos de qualidade são sempre capazes de aliviar as dores insuportáveis, sejam elas físicas ou psicológicas.
Se isso não é verdade, o caso muda de figura.
Ainda assim, custa-me aceitar que alguém colabore num suicídio assistido.
É que não é só a irreversibilidade da dor que está em causa.
Também se pode pôr em causa a irreversibilidade da decisão.
E essa possibilidade, para mim, basta para impedir qualquer tipo de colaboracionismo.
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De Carlos Duarte a 18.02.2016 às 11:17

Isso sobre os cuidados paliativos e no que diz respeito à dor física é largamente verdade - na dor psicológica o caso mudar de figura por motivos evidentes.

No entanto, da mesma forma que não defendo o suicídio (não é o a capacidade ou o direito das pessoas se suicidarem, é defender o acto em si - i.e. fez bem em suicidar-se), não posso aceitar que se defenda a eutanásia com fim em si mesmo.

A Sociedade tem o dever de defender os seus valores fundamentais, incluindo o direito à vida. Da mesma forma que é quase consensual que é legítimo tentar evitar que alguém se suicide (e é ilegal incitar o acto), também é legítimo que se evite esse mesmo suicídio por entreposta pessoa. Ao permitir a morte assistida o que a Sociedade como um todo diz é que é legítimo desistir daquela pessoa. É legítimo deixar de tentar aliviar o seu sofrimento de outras formas. É legitimo, no fundo, deixar sofrer porque a pessoa pode sempre, por vontade própria, acabar com o sofrimento. É o extremo do individualismo.

Quando se fala na necessidade de existir um acompanhamento das pessoas mais velhas que vivem sozinhas em locais isolados, para as enquadrar na sociedade, está-se a falar de mitigar o seu sofrimento. Se se abrir a porta para a morte assistida essa obrigação deixar de fazer sentido - as pessoas sentem-se sozinhas e estão fartas da sua vida? O Estado ajuda-as a acabar com isso e com elas próprias no processo.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 12:15

É legítimo deixar de tentar aliviar o sofrimento de outras formas, quando se percebe que não se consegue aliviar o sofrimento de outras formas. E este - e só este - é que é o ponto, Carlos Duarte.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 11:33

a irreversibilidade da decisão

As pessoas fazem muitas coisas irreversíveis na vida.

Podem por exemplo fazer uma vasectomia (homens) ou laqueação das trompas (mulheres), que são irreversíveis mas não são proibidas. Pode-se também abortar, que é irreversível mas não é proibido.

O facto de uma determinada decisão ser irreversível deve-nos fazer meditar bem nela. Não nos deve levar a proibi-la por lei.
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De Luís Lavoura a 18.02.2016 às 11:36

os cuidados paliativos de qualidade são sempre capazes de aliviar as dores insuportáveis

Pois são. Uma prima minha morreu com cancro após ter passado três semanas em coma induzido. Não tinha de facto dores. A utilidade disso é que pode ser questionada.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 12:07

João de Brito: Medite sobre alguns dos casos que vieram a público de pessoas que decidiram acabar com o seu sofrimento pedindo ajuda e tente imaginar como será viver nas circunstâncias descritas. Encontra facilmente no google. Tente pôr esses casos em si e depois interrogue-se sobre se há limites para a dor.
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De ali kath a 17.02.2016 às 19:48

hoje só quem leva derto tipo de vida, tem doenças terminais com custos pessoais e sociais
tenho 85, 4 erros médicos graves, mas dominei os factores comportamentais.
de tal modo que amigos e familiares saudáveis não tiveram os mesmos cuidados e lixaram-se
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De lucklucky a 18.02.2016 às 08:39

Mais uma vez eufemismos.

O que se está discutir é o apoio dos Contribuintes ao "suicídio assistido".
Um cínico diria que os contribuintes poupam mas não é o que discuto, é uma questão de obrigar pessoas que não concordam com o suicídio assistido.

Pessoalmente ao contrário do Aborto que é feito contra a vontade do interessado - a criança e só nos casos em que a vida da mãe em risco há conflito de interesses proporcional- não considero que tenho direito a apoiar a intervenção pela força - O Estado é sempre força -contra o suicídio de alguém que o queira fazer. Independente de ser por motivos de sofrimento terminal ou outro, posso criticar a solução, tentar convencer, mas pára aí.
Também pára aí obrigar pessoas que não concordam com o suicídio assistido.

Ou seja quem se quer suicidar que o faça em privado. Com protecções legais e regras de protecção cumpridas.

"Quem se opõe à legalização da eutanásia deve ter coragem para assumir que o que defende pode ser de uma tremenda crueldade para alguns."

Esta frase é especialmente especiosa, como se não existisse o risco da crueldade de obrigar alguém a suicidar-se por pressão social e da consciência do peso que provocam aos outros.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2016 às 12:11

Luís Lavoura, já o disse aqui, mas não me importo de repetir: é claro que uma lei sobre questões tão sensíveis tem que ser muito bem regulamentada para prevenir comportamentos criminosos.
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De Manuel a 19.02.2016 às 14:10

E não defendo nem sou contra a eutanásia. Acho que ninguém tem argumentos suficientes para contrariar a vontade de outra pessoa, mas esta questão, tal como outras, não se fica pelo respeito pela liberdade dos indivíduos.
Entendo que este tipo de questão entra no domínio da antropologia cultural e social de um povo e como tal o que eu defendo é que seja feita uma consulta popular através de um referendo, mas de um referendo limpo.
Já se falou em referendar e em não referendar esta questão, o que também leva-me a perguntar: para quê referendar e depois não respeitar as regras do referendo?
No referendo ao aborto ganhou o sim, mas perdeu a adesão à questão, que foi muito inferior a 50% da população, não cumprindo assim com a principal exigência para validação de um referendo: taxa de adesão superior a 50%. Então, a taxa de adesão, na melhor da hipóteses, talvez tenha rondado os 25%. Sabemos que o numero de recenseados é superior a 9 Milhões, mas imagina-se que o numero real de eleitores seja +/- 8 Milhões e votaram apenas +/- 2 Milhões. Ou seja: optou-se por uma consulta popular para legislar, ou não, uma matéria; para no final legislar-se independentemente da validade dessa consulta. Transformaram assim um Referendo num Plebiscito e se calhasse, não me surpreendia nada que até transformassem um não num sim.
E porque digo que transformaram um referendo num plebiscito?
Porque num plebiscito apenas tem como fim consultar a opinião da população sem obrigação de se fazer lei, enquanto que num referendo é colocar o poder de decisão nas mãos da população para fazer-se lei ou não, consoante o seu resultado. Ora, se permitimos que +/- 25% da população escolha uma nova convenção social, também podemos aceitar facilmente que 10% o façam, ou 5%, ou 0,5% ... e daqui a pouco tínhamos uma ditadura no poder. Não, não podemos aceitar isso. Não vamos estar aqui a ser comandados pelos interesses de um punhado de gente nem somos fantoches no meio das guerras de interesses entre meia dúzia de pessoas que se julgam donos e senhores da vontade e da identidade de todo um povo.
Portanto, o que eu defendo é um referendo sobre a questão e que só se altere alguma coisa caso esse referendo cumpra com as suas regras. Mais, até defendo que deviam aproveitar e juntar a esse referendo novamente a questão do aborto.

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