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Em favor de quotas

por João André, em 27.02.20

Este penso rápido do Pedro lembra-me um problema: numa sociedade igualitária, onde toda a gente tem as mesmas oportunidades e não há descriminação de nenhum tipo (não vou listar as diferentes possibilidades, são demasiadas), porque razão não temos uma sociedade menos dominada por homens brancos?

No título tenho a palavra "quotas". Durante muito tempo me perguntei se são boas ou más. Já fui contra, a favor, contra de novo, indecidido e agora sou francamente a favor (deixei passar provavelmente mais umas estações e apeadeiros nestas reflexões e este é um estado de espírito actual). Para falar em quotas tems que começar com uma pergunta: são os homens brancos mais capazes que mulheres e homens não-brancos? Deixo de lado as subdivisões de escandinavos, mediterrânicos, eslavos, etc e tal. Fiquemo-nos pela cor aproximada da pele.

Creio, espero que correctamente, que a esmagadora maioria das pessoas responderá com um sonoro NÃO! Então fica novamente a pergunta: porque não estão tais pessoas igualmente representadas em cargos superiores? Porque não têm o mesmo nível de educação (eu sei que mulheres até têm maior probabilidade de ter cursos superiores que os homens, mas iso apenas amplifica a minha questão)? Porque razão existe tal diferença salarial entre pessoas com a mesma educação e responsabilidades e experiência quando a única diferença é um cromossoma ou o tom de pele? E não falo apenas de Portugal, naturalmente, falo de todo o mundo.

A resposta é, para mim, óbvia: o racismo e machismo existem, estão vivos e muito bem de saúde. Não falo de racismo ou machismo pessoal, onde os indivíduos pensam que o outro é de facto inferior só por ser mais escuro ou ser mulher (embora o machismo seja muito mais aberto). Todos nós os teremos um pouco, mas isso será um resquício da nossa evolução, que favoreceria os nossos grupos (tribos), os quais durante a maior parte da nossa história eram constituídos por pessoas parecidas connosco. A suspeita de estrahos estará entranhada no nosso código genético, mas não é inultrapassável, longe disso. Penso que o racismo e machismo são essencialmente estruturais e legados de um passado onde eram claros, abertos, assumidos e até marcas de honra. Li esta semana que Churchill sugeriu o lema "Keep England White" em 1955, o que se não é suficiente para manchar a imagem do estadista, certamente dá uma nova perspectiva e um período tão recente. Isso só demonstra como séculos de história terão deixado uma sociedade tão entranhada de homens brancos que abrir as portas a outros se torna difícil.

Repito: não é uma questão de racismo ou machismo pessoal. Duvido que na maioria dos casos alguém que escolha um homem branco em deterimento de outro tipo de candidato no papel igualmente qualificado o faça por esses motivos. Será normalmente por questões de ter um perfil pessoal mais adequado, ou algo do género. Em inglês refere-se a isso como "better fit" e é aquilo que normalmente se chama de "similarity bias", ou seja, uma preferência por pessoas semelhantes a nós. Numa sociedade onde os homens brancos dominaram, isso significa que a preferência, mesmo que não intencional, será por outros homens brancos.

Para mim a solução passa por quotas, mas não nas direcções das empresas ou nos cargos mais altos seja de onde for. Tem que ser em todos os níveis em carreiras de todos os tipos, públicas ou privadas. Só assim se elimina essa tendência de escolher alguém semelhante ou, pelo menos, se colocam outras pessoas para a equilibrar o suficiente. Funcionaria? Não sei, mas é a melhor solução que imagino, já que a igualdade de oportunidades já falhou completamente. Haveria muitas outras medidas a tomar, mas apenas falo desta.

Há um benefício adicional: assumindo que a percentagem de pessoas com talento será idêntica independentemente de cor ou sexo, isso significa que num mundo onde os homens brancos são favorecidos, haverá muitos profissionais que estão subvalorizados. As empresas que praticarem alguma discriminação em desfavor de homens brancos poderão colher benefícios inesperados ao pescar num mar essencialmente livre de outros pescadores.


34 comentários

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De Vento a 27.02.2020 às 21:35

"são os homens brancos mais capazes que mulheres e homens não-brancos?". Padrinho, parece-me que não, bem pelo contrário.
Os brancos aparentam ser menos capazes que os pretos (não conheço não-brancos. Só conheço brancos, pretos, amarelos, mestiços e ameríndios).
Parece-me, porque não consigo encontrar um branco em nenhum parlamento e governo africano, em particular esses governos africanos que passam a vida a mandar bitaites sempre que um polícia nacional se vê obrigado a dar uns safanões, e verifico que esses países estão bastante desenvolvidos.

O caso português é bastante expressivo: veja o que os brancos fizeram e fazem de Portugal. Para mim, devíamos rever o modelo de contratação governativo.

Na questão do machismo, eu concordo com a estrutura democrática africana. É bastante mais aberta e transparente; e um gajo pode ter mulheres a dar com um pau. Portanto, sou favorável ao machismo de expressão africana.
A europa dos brancos passa a vida com processos de assédio e piropos e um gajo que tenha que trabalhar para poder entregar os seus impostos para os banqueiros franceses e alemães não pode perder tempo com essas coisas. Assim nunca mais se paga a dívida. Se não perdêssemos tempo em tribunais a dívida já estava paga e não seria necessário discutir-se a eutanásia, porque os cientistas iam receber dinheiro a potes e a malta ia viver jovem, feliz e saudável eternamente.
Em conclusão, o sistema africano é bem mais produtivo porque não se perde tempo com questões dessa natureza. Um africano pode ter bué da mulheres e já não precisa de andar aos piropos e aos assédios.

Por isto que vai vertido e pelo que mais deveria ter sido exposto, eu sou favorável à importação do modelo africano para revitalização da sociedade, da economia e para se acabarem as desigualdades vigentes. Veja bem que um tipo agora na europa branca só pode trabalhar se existir o mesmo número de mulheres e homens. Isto está mal, pois se uma mulher engravidar e tiver que ficar em férias de parto ainda vão obrigar os homens a parir para que a paridade se mantenha. A economia está fraquinha e não vai com contratações.

Por último, no futebol sou favorável ao modelo estratégico-táctico do Flamengo. O Flamengo tem um ataque mais certeiro, agressivo, mortífero e eficaz que uma mulher em sala de audiência de divórcio. Portanto, não sou favorável às quotas no futebol. Quotas, só mesmo as que se pagam para os clubes de nosso coração.
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De Zeca a 27.02.2020 às 22:09

"Deixo de lado as subdivisões de escandinavos, mediterrânicos, eslavos, etc e tal."
Porquê? Para criar a ilusão de que a sua teoria é defensável?
Podemos deixar outras características de lado e considerar outras como relevantes de modo a dar argumentos a outra teoria.... Rigor pretende-se.
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De João André a 27.02.2020 às 22:19

Porquê? Porque me apetece e porque é por aí que está o problema.

Você é daqueles trolls que pega nos pormenores mais insignificantes que conseguir para poder ignorar o ponto da discussão?
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De Zeca a 27.02.2020 às 23:19

"Porque me apetece e porque é por aí que está o problema."
Era o que esperava: porque me apetece. E porque parte do princípio que é aí que está o problema, isto é, parte do princípio de que é verdade o que quer demonstrar.
É preciso um espírito mais científico, mais cartesiano. Chamar troll é fraco argumento.
"pega nos pormenores mais insignificantes" É verdade. Mas é assim o método científico. Não se pode desprezar o mais ínfimo pormenor.
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De marina a 27.02.2020 às 22:32

mas na Índia , na China , em Angola , em Marrocos e por aí fora , onde a maioria da população é não branca , os boss são brancos ? não pois , não? e os brancos andam chateados por isso , a clamar por quotas ? não , pois não?

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De João André a 27.02.2020 às 22:41

Olhe que entre os esquimós as focas queixam-se a sério...

O seu comentário tem cabimento?
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De xico a 27.02.2020 às 23:50

Dando de barato a questão de saber o que é um branco e tendo em conta a velha e obsoleta classificação racial em negros, brancos e amarelos, onde é que raio descobriu que os marroquinos ou os indianos não são maioritariamente brancos?
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De marina a 28.02.2020 às 09:54

já olhou para o seu 1º ministro ? é branquinho ? ou para o Maomé VII de Marrocos ? é branquinho ? podem estar bronzeados , de facto...
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De Anónimo a 27.02.2020 às 22:51

João André, tenho algo a dizer sobre o conteúdo do seu "post" mas vou deixar isso para amanhã: é que V. vai ter muito com que se entreter, se eu até nem for bruxo, perante o que escreveu... força aí!
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De M. Alves a 27.02.2020 às 23:26

Li, não me lembro onde, que a haver quotas, deve informar-se quando uma pessoa ocupa um lugar se foi seleccionada por mérito ou pelas quotas. Para haver transparência. Eu concordo.
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De João André a 28.02.2020 às 09:37

Eu não. Não defendo que alguém incompetente seja colocado numa posição, ante que favorecimento seja dado a certos grupos, mas só quando os indivíduos são já vistos como competentes.

Veja as coisas assim. Se para chegar a uma posição for necessário ter um valor de 100 (não importa em que medida), qualquer pessoa que tenha esse valor pode ser considerada. O que proponho é que a pessoa que tenha um valor de 105 possa ser favorecida sobre outra que tenha 107 ou 110 de forma a respeitar uma quota. Caso a quota já esteja garantida, não há necessidade. Se a disparidade for de 105 para 130 ou 150, por exemplo, nesse caso não faz sentido esse benefício, por outro lado, tal pessoa tão excepcional não deveria ter sido colocada na posição só nessa altura.

Outro ponto: a maior parte dos estudos indica que os processos de avaliação raramente identificam os melhores candidatos. Mesmo ignorando esta parcialidade que referi acima, outras parcialidades existem. Todas juntas acabam por beneficiar certos candidatos (tipicamente os mais semelhantes a quem escolhe) mesmo quando os parâmetros objectivos indiquem que não há razão para o fazer.

Conheço muitos casos desses e tenho a certeza que V. também. Mas não vou por aí porque a amostra de qualquer indivíduo (minha ou sua) não é representativa.
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De Elvimonte a 28.02.2020 às 00:16

Vamos ao contexto: está a falar do continente africano, do continente asiático, do continente europeu, do continente americano, ou de outro qualquer?

Pretende também quotas continentais, definidas pela cor da pele ou através de qualquer outro critério? Quais as percentagens de negros, brancos, asiáticos, etc. por continente? Discrimina ainda por alturas, peso, idade ou outros?

E porque não interrogar-se sobre a cor das peúgas dos homens, ou o tipo de cuecas das senhoras e, já agora, de uma vasta variedade de objectos conectados com os restantes outros 70 géneros, os quais deixo a cargo da sua imaginação?

E porque não interrogar-se se existem estudos descriminados que apontem as causas da real diferença salarial entre géneros (e, claro, não me estou a referir a géneros alimentícios, nem aos géneros dos substantivos, adjectivos, pronomes e outras delícias gramaticais, nem aos géneros dos seres constituintes da flora, alguns designadamente invaginantes)?

Tinha ainda muitas mais interrogações para colocar, mas o pan-europeísmo e a tolerância repressiva não me deixam. Valha-nos Kalergi e Marcuse.



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De João André a 28.02.2020 às 09:39

Vou discriminar no futuro contra qualquer indivíduo de nome Elvimonte para cargos de gestor de contas de cães no banco de futuros da República da Taprobana.

Decisão minha e absoluta e garantida de ser perfeita. E sem olhar a cores ou sexo.

Você gosta de desconversar não? Eu referi casos claros de discriminação história. São claros e inegáveis por qualquer pessoa honesta. Se quiser disparatar sobre peúgas vá falar para a parede.
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De Elvimonte a 28.02.2020 às 16:00

"porque razão não temos uma sociedade menos dominada por homens brancos?"

Esta sua questão inicial envolve, desde logo, uma premissa que não é verdadeira.

As sociedades dos continentes asiático e africano não são dominadas por homens brancos. São, respectivamente, os homens asiáticos e africanos que dominam. E, no continente asiático, há exemplos muito localizados de modelos matriarcais, onde a função do homem é meramente decorativa.

E tudo isto pelas mesmas razões que as sociedades dos continentes europeu e americano são dominadas por homens brancos. Simples e evidente: à partida, são os números demográficos que assim o ditam.

Quantos homens brancos foram presidentes de países africanos, desde a sua descolinização? Quantos homens brancos foram ministros, deputados, juízes durante a vigência dessas presidências? Já se colocou essas questões?

É por isso que tenho que voltar a perguntar, por uma questão de rigor:

Pretende também quotas continentais, definidas pela cor da pele ou através de qualquer outro critério? Quais as percentagens de negros, brancos, asiáticos, etc. por continente? Discrimina ainda por alturas, peso, idade ou outros?

Discrimine à vontade, mas de preferência com rigor e com números. Na discriminação preconceituosa, já vi que temos em si um mestre.



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De Justiniano a 28.02.2020 às 09:04

O João André labora num profundo equívoco de tão anestesiado pela sua imprudente soberba!! (Instilada, sobretudo, pelos falsos profetas de turno)
O João pretende a instituição da distopia racista e sexista, da excepcionalidade dos privilégios étnicos e sexuais. Fazer germinar a semente da atomização da sociedade, portanto.
Os exemplos históricos de discriminação "positiva" étnica têm acelerado a distopia racista. Multiplicando o ressentimento étnico e alimentando as tensões raciais.

Não lhe vou explicar como nascem as Nações, como se agregam em unidade e instituem o Estado. Nem como se desagregam e morrem. Haverá Nações por nascer e por morrer.
Acontece-me, a mim, ter hoje a responsabilidade de não deixar os meus filhos sem a sua Nação.
O João pretende ficar com o que restar do Estado e prescindir do que o instituiu, a Nação Histórica. O Estado justificar-se-á a si próprio de forma puramente utilitária, como um prestador de serviços e administrador de um território.
Isto parece-me demasiado desalmado.
Invista o seu tempo a gizar políticas públicas de educação que possam elevar as competências e conhecimentos e retirar da pobreza as pessoas de pele mais escura e de pele mais clara!! Seduza todos à partilha da Nação Portuguesa, em igualdade jurídica. E, sobretudo, não os induza ao ressentimento que alimente o espaço identitário para que nesta terra nasçam várias Nações.
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De João André a 28.02.2020 às 09:40

«O João pretende a instituição da distopia racista e sexista»

Se a pretendesse propunha que não se fizess nada. Ela já existe. Basta olhar para os números. Negá-lo é ser-se desonesto.

O resto do que escreveu é uma salganhada que nem merece atenção.
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De Justiniano a 28.02.2020 às 13:15

Caro João André, recomendo-lhe um interessante e esclarecedor texto de Arturo Pérez Reverte

https://www.xlsemanal.com/firmas/20180909/perez-reverte-tontos-peligrosos.html
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De Paulo Sousa a 28.02.2020 às 09:46

Se procurássemos um ponta de lança para a selecção nacional de futebol não escolheríamos um obeso estrábico com uma hérnia discal. Mas se a selecção nacional de futebol representa o país porque é que os amblíopes, os albinos e os tuberculosos não tem direito a estar representados?
Estas questões são naturalmente retóricas mas questiono-me se as medidas que pretendem forçar a entrada de minorias pouco representadas nos conselhos de administração, por exemplo, não deveriam obrigar a entrada de mulheres nas obras, nas minas e nos campos de combate? Afinal são os homens que mais sofrem acidentes de trabalho, os que mais morrem nas guerras, os que mais sofrem de alcoolismo e que mais dormem nas ruas. Será machismo querer equilibrar estes factos?
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De João André a 28.02.2020 às 10:00

Vou ignorar a parte inicial. Não referi quasiquer outros grupos. Nem referi religiões. Seria mais digestível se eu me tivesse debruçado sobre o anti-semitismo?

No futebol tenho apenas um reparo: aquilo que as jogadoras de futebol da selecção nacional feminina recebem deveria ser exactamente o mesmo que os homens recebem. É exactamente a mesma função: representar o país.

No teu último ponto: por essa lógica as mulheres não deveriam ter recebido o direito ao voto. Eram os homens quem mais votava (claro), quem mais fazia leis (obviamente) e quem mais pagava impostos (sem dúvida). Porque razão haveriam as mulheres de votar?

Se não se abrir a porta às várias profissões, quem as domina acabará sempre por as cumprir mais.
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De Paulo Sousa a 28.02.2020 às 12:38

Se preferires ignorar à priori as questões retóricas que apresento é porque de facto criam desconforto no que que defendes. Se eu defendesse o que aqui defendes procuraria desmonta-las.
Deixando de lado as questões retóricas, defendo que quando se procura resultados de qualidade só os mais capazes reúnem condições para serem escolhidos. Excepções a este critério necessariamente baixaram o nível de qualidade final.
É totalmente idiota excluir alguém de uma selecção que busca resultados de qualidade pela cor da sua pela, seja rosada, acastanhada, amarelada ou avermelhada. Abdicar desta lógica para dar preferência a uma minoria ou a uma maioria pode ser legítimo desde que se assuma o critério e que se aceite o nível final será inferior.

Sobre a remuneração dos jogadores importa clarificar que as diferenças de remuneração entre homens e mulheres têm muito mais relevo nas equipas onde jogam do que nas selecções nacionais, e isso não acontece em resultado de nenhum lobby misógino, mas apenas porque existe uma procura relevante pelos espectáculo de futebol de alto nível e a audiência do futebol masculino é esmagadoramente maior que do futebol feminino. Acredito, e isso tem acontecido, que a audiência do futebol feminino tem aumentado o que por sua vez gera receitas suficientes para aumentar as suas remunerações.

O critério que defendes, a representação do país, não é razoável porque deixaria os atletas de outras modalidades indignados. Como é que se pode explicar, se não pela reduzida audiência gerada, ao português Sandro Baessa desde há dois dias campeão do mundo de 400 mt de pista coberta de atletismo adaptado que não receba o mesmo que o Nelson Évora? E estou a incluir eventuais contratos de publicidade.

A minha posição sobre esta e outras questões desta natureza não é de repúdio, mas apenas de procura de um critério claro que as justifiquem. Só assim poderemos explicar às gerações futuras o porquê destas medidas. Quando eu encontrar esse critério e essa justificação passarei a defendê-las. Até lá coloco questões.
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De João André a 28.02.2020 às 13:20

Ignorei-as porque as primeiras são irrelevantes. Podes discordar, claro, mas parece-me óbvio porque o são: se eu não refiro deficiências, porque razão referir isso? Poderias ter-te mantido com a questão da cor de pele.

E sim, tens razão: se os 30 melhores jogadores portugueses forem todos negros ou mulatos ou asiáticos ou indianos, porque razão haveremos de forçar a inclusão de brancos? É verdade e a minha posição, apesar de eu não o ter dito claramente, deveria ter sempre ressalvas.Se dois amigos, homens brancos, criarem uma micro-empresa juntos, terão que contratar uma pessoa de uma minoria e uma mulher para estarem de acordo com as regras? Certamente que não. Este tipo de situação teria de ter razoabilidade na sua implementação. Como em todos os casos. Não o disse explicitamente porque não me pareceu que fosse necessário. Provavelmente enganei-me.

O caso dos desportos tem uma outra vertente extra: na maior parte das situações há uma métrica 100% objectiva para julgar a qualidade da equipa ou indivíduo. Sejam golos, pontos, distância, tempo, etc. A selecção de atletas para selecções obedece a critérios subjectivos, obviamente, mas o resultado dessa selecção não: é uma métrica clara. Não se passa o mesmo numa entrevista de emprego.Quanto à remuneração tens razão. Por isso não falei nas equipas em si e fiquei-me pela selecção. Será razoável que a selecção A feminina receba menos que a masculina quando cumprem o mesmo papel (representar Portugal no seu desporto)? Nem sei quanto receberão, parece-me apenas uma questão de princípio.

E sim, tens também razão no que diz respeito ao desporto paralímpico. Esses atletas deveriam receber o mesmo apoio que os restantes. Porque não? Porque razão há-de o Manuel Silva, recordista nacional de salto à vara que vai de vez em quando às grandes competições receber mais que a Sara Pereira que vence medalhas nos 800 m nos Jogos Paralímpicos? (nomes inventados, note-se). Se representam o seu país, devem receber o mesmo apoio. Se se distinguirem, podem e devem receber prémios, mas à partida devem receber o mesmo.

Quanto ao que recebem nos seus clubes, tenho a noção que se o futebol feminino (para ficar por aqui) recebesse mais apoios de clubes e federações e televisões, acabaria por encurtar brutalmente a sua distância em termos de vencimentos relativamente ao masculino. O Sporting já deu o exemplo (dá o exemplo?) ao colocar a sua equipa feminina a jogar no Estádio José de Alvalade. O Lyon oferece exactamente as mesmas condições de treino à equipa feminina que à equipa masculina. Também lhes paga muito melhor que as restantes equipas e também é por isso que são campeãs.

O caminho faz-se caminhando e não se chega ao destino num só dia, nem no futebol, nem no atletismo nem na sociedade. Mas convém ter ideia de por onde se quer ir. Há muitas outras soluções possíveis: dar licenças de paternidade a homens, por exemplo, é das melhores coisas que se pode fazer, dado que os homens ficam mais receptivos a dificuldades que as mulheres têm. Haverá muitas outras medidas que se podem tomar. Mas sempre com razoabilidade na sua aplicação.

Até lá, as questões são sempre bem vindas, claro. Continua a colocá-las
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De Justiniano a 28.02.2020 às 14:34

Perdoem-me, carissimos, a intromissão.
Mas, enfim!!!! Quedo-me profundamente intrigado com o João André.
Estará o João André emaranhado num novelo de aporias para as quais não tem solução, e ainda assim se redobra no convite a que participemos nessa jornada bem aventurada da construção do joelho, em cima do cotovelo!
Surpreende-me, também, o afã destitutivo ou o monumental desprezo que verte ante princípios jurídicos que deveriam ser sagrados, não poupando nada à santidade da cruzada de acabar com a maldade. Não se apercebe, nem cede a mínima reserva de dúvida, que a sua construção nos poderá conduzir à catástrofe! Que esse caminho para a putativa justiça será trilhado sobre as ruínas da justiça! Que ao invés de chegar ao céu, escava para o inferno!
Que o que pretende evitar se multiplicaria em potencia!!
E o que mais perplexidade me produz é a forma cândida como responde aos obstáculos que se colocam à sua construção.
Queimar antes de ler e depois logo se vê, com razoabilidade, boa vontade e tal e caminhando lá chegaremos!!
Parece-me pouco


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De M. Alves a 29.02.2020 às 15:40

"aquilo que as jogadoras de futebol da selecção nacional feminina recebem deveria ser exactamente o mesmo que os homens recebem."
Para isso, elas deverão atrair a mesma quantidade de público e despertar o mesmo entusiasmo entre os adeptos. O mesmo entusiasmo ... parece-me difícil. A mesma quantidade de público já me parece mais fácil: a polícia de choque que se vê a enquadrar as claques poderia ser utilizada, com mais proveito, a canalizar espectadores, quer eles quisessem ou não, para os jogos femininos. À bastonada.
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De Jorge a 29.02.2020 às 21:53

Futebol feminino. Acho piada. Mas eu alguma vez pagaria o mesmo por um bilhete que o que pago para ver futebol masculino? Quantas pessoas pensam a este respeito como eu? É que o espectáculo, com homens ou mulheres a jogarem, não é o mesmo. Como se pode pagar o mesmo a jogadores e jogadoras? Se as receitas são diminutos, compensam-se as mulheres com dinheiro dos impostos?
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De Luís Lavoura a 28.02.2020 às 10:44

a solução passa por quotas, mas não nas direcções das empresas ou nos cargos mais altos seja de onde for. Tem que ser em todos os níveis em carreiras de todos os tipos

Isso transformaria o mundo num pesadelo de falta de liberdade, com controleiros a controlarem, a todos os níveis, quantas mulheres é que havia e a quantas mulheres era dado emprego.
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De João André a 28.02.2020 às 13:20

Já cá faltava o argumento da liberdade.

O salário mínimo é falta de liberdade?

A escolaridade mínima obrigatória é falta de liberdade?

O uso de cintos de segurança é falta de liberdade?

Mude o CD. Ou o MP3.
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De Anónimo a 29.02.2020 às 22:47

"Já cá faltava o argumento da liberdade." O mais importante de todos. De facto faltava.
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De Vento a 28.02.2020 às 11:42

João, compreendo o sentido de sua reflexão e até mesmo as boas intenções que a direccionam.
Porém existem questões que importa abordar:
as sociedades nunca se alteraram por via administrativa ou até mesmo pela repressão. Os governantes e as leis, nesta matéria, nunca foram e não são veículos de reformas, pois as sociedades têm vindo a ajustar-se naturalmente.

O movimento de mulheres britânico que preconizou o direito ao voto para elas só encontrou força em suas reivindicações quando se associou ao movimento operário e combateu em conjunto a escravidão laboral também emergente da industrialização que outrora se verificou nessa ilha.
Pretendo com este ponto referir que a força transformadora destes movimentos nunca tiveram como base sociológica a igualdade mas, isto sim, a oportunidade.
Faço a distinção entre igualdade e oportunidade para poder referir que uma oportunidade é uma opção, aceita-a quem a quer, e a igualdade é uma imposição. A igualdade imposta subverte em toda a linha o conceito de oportunidade.
A igualdade entre homem e mulher é um mito tomado do paternalismo outrora combatido e que agora se pretende ressuscitar para induzir artificialmente uma pseudo-igualdade. Pseudo, na medida em que a lei nunca foi geradora de igualdades mas, isto sim, uma forma de reprimir aqueles que se lhe opõem.
Assim, o feminismo muito propagado pelas Catarinas, Costas e outros mais nada mais é que uma habilidade eleitoralista que na prática se tem revelado destituído de qualquer sucesso.

Usando o anteriormente expresso, o mesmo se aplica para qualquer outra forma dita inovadora em qualquer outro campo, seja ele racial e/ou cultural.

Por outro lado, o sentido da oportunidade permite aceder pela diferença às aspirações comuns. A igualdade é tornar artificialmente comum o que é diferente.
A questão racial torna-se uma identidade, logo comum, quando esta se traduz em uma mesma cultura, um mesmo projecto social e inserido numa mesma nação. Pretendo com sito dizer que é substancialmente diferente alguém de qualquer raça nascido na Europa sentir-se naturalmente integrado, pois dispõe das mesmas oportunidades de acesso ao ensino, cultura... daqueloutros que da mesma raça se venham inserir neste contexto mas com a cultura, ensino e tradições que em si mesmo já carregam.

Portanto, a situação das quotas é mais um artificialismo administrativo-legal para fazer parecer que tendo-se leis a igualdade acontece.

Em conclusão, acontece que as sociedades revelam que não são os mais talentosos que sobressaem, mas os que melhores esquemas enredam para garantir-se a si mesmo.
Exemplo: o governo PS à sombra das "gruas" que o sustentam para que todos eles não percam as migalhas que de Bruxelas os sustentam. Mas isto também existe nos demais sectores, incluindo no empresarial privado e do estado.
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De João André a 28.02.2020 às 13:23

«as sociedades nunca se alteraram por via administrativa»

Fim de escravatura.

Permissão de casamentos interraciais.

Direito de voto às mulheres.

Permissão de estudos para as mulheres.

Permissão de divórcio para as mulheres.

Fim do trabalho infantil.

Todos estes pontos foram a certa altura introduzidos por via administrativa em um ou mais países do mundo, frequentemente contra a vontade local. Em alguns casos por via de repressão (fim da escravatura no sul dos EUA, deu numa guerra).
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De Vento a 28.02.2020 às 14:11

1 - O fim da escravatura não surgiu por via administrativa, mas por um conjunto de circunstâncias que levaram a ratificar por lei o que já se tinha manifestado. E, como bem referiu, nos USA houve uma guerra: guerra da secessão. O fim da guerra não terminou de imediato com a escravidão em certos estados e Lincoln teve ainda um percurso estreito a percorrer, até que foi morto. 10 dos 15 estados esclavagistas do sul não lhe deram um único voto.

2 - O mesmo se aplica para a permissão da casamentos inter-raciais, pois esta ocorreu porque a sociedade já praticava essa união. Não foi uma imposição legal, foi uma regulação por lei sobre o que já ocorria.

3 - O direito de voto foi exactamente o que referi no meu comentário, uma associação de interesses em torno da mesma oportunidade e não em torno da igualdade.Permissão de estudos para as mulheres e permissão de divórcio para as mulheres insere-se no mesmo contexto. Sabendo-se, por exemplo, que a mulher de uma classe mais elevada já possuía direito à instrução.

Portanto, falamos de direito e direito de oportunidade e não de igualdade na forma que hoje se expressa.

Fim do trabalho infantil: o trabalho infantil ainda existe.
Porém onde ele deixou de existir foi oferecido um período de carência e apoios por parte do estado até que se legislou.

Mas a questão era outra: igualdade ou oportunidade? A igualdade não foi e não é atribuída por lei nem por quotas. Era este o ponto.

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