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Elogio da crónica

por Pedro Correia, em 23.11.20

 

1

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Tenho pena que as crónicas estejam a desaparecer das páginas dos jornais. Habituei-me desde muito novo a ler alguns dos melhores cronistas da imprensa portuguesa – numa época em que a crónica era um género imprescindível.

Lia textos do Pedro Alvim, do Rodrigues Miguéis, do Baptista-Bastos, do Carlos Pinhão, do Abelaira, do O’Neill e da grande Alice Vieira sempre com uma ponta de deslumbramento. Era uma prosa diferente da escrita impessoal das notícias: paginada de modo especial e com um tom coloquial que não se vislumbrava noutros locais dos periódicos – estabelecendo um clima de convivência quase íntima com o leitor. Através dos anos, fui mantendo o meu interesse pela crónica, frequentando diversos autores – de Miguel Esteves Cardoso a Pedro Mexia, passando por Ferreira Fernandes e António Lobo Antunes.

Vou também praticando o género, sempre que posso: é a disciplina jornalística que mais se aproxima da literatura. Tenho pena de vê-la à beira da extinção, substituída pelo comentário anódino e sensaborão ou pela fatigante “análise” política que muitas vezes não é mais do que um mero piscar de olho a “fontes” de circunstância. Esquecendo por completo o leitor.

Ao menos no Brasil o género está bem vivo e recomenda-se. Há mesmo quem reclame por lá a paternidade brasileira da crónica, que gerou verdadeiros autores de culto – de Rubem Braga a Luís Fernando Veríssimo, de Carlos Drummond de Andrade a Arnaldo Jabor, de Nelson Rodrigues Millôr Fernandes, de Fernando Sabino a Roberto Pompeu de Toledo. É um prazer ler o português revigorado destas crónicas brasileiras, de ontem e de hoje.

 

2

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Nos anos 50 e 60, os cronistas no Brasil eram uma tribo calorosa e solidária, como relata Humberto Werneck, organizador da excelente colectânea Boa Companhia: Crónicas, editada em 2005 pela Companhia das Letras. A tal ponto que, quando chegava a crise de inspiração, a mesma ideia servia de mote a diferentes cronistas forçados à rotina diária. Fernando Sabino, que escrevia em O Jornal, do Rio de Janeiro, relata o episódio da queda de um edifício na cidade, que originou uma troca de impressões à mesa de um bar com Rubem Braga (cronista do Diário de Notícias, também do Rio) e Paulo Mendes Campos (que mantinha uma crónica no Diário Carioca). No dia seguinte, “por coincidência”, as três crónicas tinham estes títulos: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.

Melhor ainda é outro episódio que dois deles protagonizaram. Rubem, com falta de ideias, solicitou sem cerimónia uma crónica “emprestada” a Fernando Sabino, que foi à gaveta e passou-lhe a história de um garoto que pedia esmola para comer uma sopa, por um cruzeiro, numa casa de pasto. Intitulava-se O preço da sopa. O outro publicou-a alterando três pormenores: o garoto foi a um restaurante, a sopa custou cinco cruzeiros e a crónica passou a chamar-se simplesmente A sopa. Uns tempos depois, chegou a vez de Sabino pedir idêntico favor a Rubem Braga, que entendeu devolver-lhe a história da sopa. Que lá voltou a ser impressa, com a assinatura de Fernando Sabino e dois novos ingredientes: a sopa já custava dez cruzeiros e o título era Esta sopa vai acabar. E acabou mesmo...

Fragmentos deliciosos de um tempo que parece tão irremediavelmente distante do nosso.


44 comentários

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De Tiro ao Alvo a 23.11.2020 às 13:13

Esqueceu-se de Vasco Pulido Valente, ou não apreciava as suas crónicas?
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 13:28

Vasco Pulido Valente escrevia, no essencial, comentário político. Foi um cronista bissexto.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 13:46

Mas esqueceu-se do Manuel António Pina...
🌾🍁
Maria
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 14:42

Ter-me-ei esquecido de vários. A lista não pretende ser exaustiva, Maria.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 15:58

Eu sei, Pedro, a lista seria interminável... Lembrei-me do Pina, porque gostava muito dele e estive a ler algumas há dias, a propósito do aniversário do seu nascimento.
Tenho muitos livros de crónicas e alguns cronistas só os conheci em livro (a Lispector e o Nelson Rodrigues, por exemplo).
De outros, retirava-as de jornais e revistas e coleccionava-as: tenho muitas dentro de livros e caixas de DVD, é interessante encontrá-las e lê-las ao fim de muitos anos.
🌾🍁
Maria
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De Anónimo a 23.11.2020 às 14:42

Esqueceu-se do Fernão Lopes,ou também não aprecia as suas crónicas?
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 14:48

Esqueci-me de ti. O Grande Cronista Anónimo.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 14:54

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De Anonimus a 23.11.2020 às 13:59

Por outro lado os jornais estão repletos de crónicas disfarçadas de notícias.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 14:43

Os jornais estão cheios de opiniões anónimas. E de opiniões disfarçadas de notícias.
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De Anonimus a 23.11.2020 às 15:38

Que estejam cheios de opiniões, é para o lado que leio melhor.
Anónimas, pseudónimas, o que seja.
Agora, substituir o velho "quem, quando, o quê, onde (não me lembro do resto)" por crónica opinativa é que não é muito correcto. Mas os jornais aceitam jogar pelas regras das redes sociais, ao invés de promover a diferença. Talvez por isso, nem facebook, nem Público.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 15:42

São seis perguntas básicas, por esta ordem:
O quê?
Quem?
Quando?
Onde?
Como?
Porquê?

Lamentavelmente, muitos jornalistas 'soi disant' profissionais desconhecem estas regras básicas da escrita noticiosa. Ou não as aplicam, o que vem a dar no mesmo.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 16:25

"Porquê?" não me parece que seja boa pergunta. Dá azo a muitas interpretações, potencialmente erradas. Tipo:
- Descrição sem "porquê": o rei morreu; a rainha morreu pouco depois.
- Descrição com "porquê": o rei morreu; a rainha, devido ao desgosto, morreu pouco depois.
Ora, a rainha pode ter até ficado muito satisfeita pela morte do rei e ter morrido de outra causa qualquer que não o desgosto.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 17:08

Porquê é a pergunta essencial.

Um exemplo: porquê haverá gente como você, que persiste em comentar sob anonimato?
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De Anónimo a 23.11.2020 às 17:23

Há muito boas razões para o anonimato.
As pessoas podem ter chatices no emprego se os patrões encontrarem certas opiniões delas nas redes sociais.
Há também clientes, conhecidos, familiares, alunos ou professores, e outras relações que podem chatear uma pessoa por opiniões dela que encontrem por aí.
Mesmo muitas pessoas que não parecem ser anónimas na realidade são-no, porque usam um pseudónimo. Isso inclui até autores ilustres, por exemplo Elena Ferrante.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 20:15

Temos, portanto, vários "porquês" aqui.
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De Anónimo a 25.11.2020 às 10:23

É dificil. tempos houve em que notícias, crónicas e comentários eram feitos por jornalistas e cronistas com espírito de rigor, missão, e ética, e linhas/orientações editoriais consequentes, no primado da procura de alguma verdade.
Hoje os grupos de media são controlados por interesses diversos, e aplicam linhas editoriais ao serviço dos respectivos.
O resultado é superficialidade, censura, "cherry-picking" e activismo disfarçado.
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De Pedro Correia a 25.11.2020 às 11:23

"Interesses diversos" nos órgãos de informação sempre houve, valha a verdade. A questão é evitar o afunilamento. Ou seja, impedir que todos acabem por convergir na mesma direcção, o que põe fim ao pluralismo na chamada comunicação social (expressão que detesto).
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De Anónimo a 23.11.2020 às 14:58

Como seria hoje uma crónica do Baptista-Bastos sobre o Ventura.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 15:35

Bastos era cronista, além de repórter - e escritor. Foi ele quem me ensinou a diferença entre o "artigo de fundo", a coluna e a crónica.
Hoje confunde-se tudo, chamando-se crónica a qualquer textículo de opinião.
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De Carlos Sousa a 23.11.2020 às 15:20

Sabiduria de matuto

Doutô, cum sua licença;
Cada quár diz o que sabe,
eu vô dizê o que sei.
Seu criado é anarfabeto
num intende dos decreto
das manha que tem a lei.

Tem medo, pra que negá,
dos castigo da justiça
da pena dos iscrivão.
Infrento inté prijuízo...
s'é de perdê o juízo
mió perdê a questão.

Seu doutô sai piquinino
pra istudá na cidade,
a gente fica no mato.
Disinvorve a intiligença,
quando vorta tem sabença
pra passá bolo num rato.

Nói não pudemo istudá.
Vivemo na sujeição
dessa madrasta: a pobreza!
Se arguma coisa sabemo
é somente o qui aprendemo
nesse livro: a natureza!

Porém, doutô, nós matuto,
samo pão da mesma massa
qui fizero vasmicê.
A diferença mardita
é as lêta qui tão iscrita
qui a gente óia e não lê.

Muitas coisa a gente aprende
cum ocilo do Divino,
sem percisá de istudá.
Leve in vista os passarin:
quando crece sai do nin...
quem l'insinô a vuá?

Meu Siridó. José Praxedes Barreto

Sei que isto não se enquadra na crónica, mas é um tipo de escrita que também me deixa saudades.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 15:35

Enquadra-se. De algum modo vem ao encontro do que escrevi.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 15:46

Em resposta ainda à caríssima leitora Maria: Manuel António Pina - que muito admirei - era cronista, sim. Além de notável poeta.
Ele foi no entanto, essencialmente, um colunista. Na medida em que era titular de uma crónica paginada em coluna, durante anos, no Jornal de Notícias.

Na altura do seu falecimento publiquei aqui este texto:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4886274.html
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De Anónimo a 23.11.2020 às 16:34

Então, não me diga! Que não fez a tropa esta-se a esquecer do cronista Frei Jerónimo Román.
Imperdoável !




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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 23:25

E havia o Luiz Pacheco, de quem você devia gostar.
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De V. a 23.11.2020 às 17:51

Há mesmo quem reclame por lá a paternidade brasileira da crónica

Mas claro evidentemente! E o humor também dizem que foram eles que inventaram, pff, como não. E a felicidade, who else: mais ninguém é miserável e cheio de si ao mesmo tempo senão eles.

Abanar o cu avenida abaixo também foram eles que inventaram, essa está estabelecida.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 18:49

"Abanar o cu avenida abaixo"
Pudera com aqueles aviões todos que andam por lá....
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De Anónimo a 23.11.2020 às 18:47

Haviam cronicas boas quando haviam jornalistas que escreviam livre e
apaixonadamente aquilo que pensavam, o que lhes ia "lá dentro" fielmente, e nos prendiam por isso mesmo à sua escrita. Agora neste tempo só há poetas e trolhas a escrever e essa gente nunca pode botar no papel aquilo que pensa. Podiam até ser "levados"! Então resulta essas cronicas/empada, recheadas de "não sei quê, sensaboronas e que nunca atingimos o que o elemento quis transmitir... é como um grande quadro abstrato com meia dúzia de sarrabiscos; tem tanta arte que a gente nem a vê!
Os directores dos jornais deviam ser penalizados por admitirem todo o tipo de gente a passar por jornalistas...
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De Anónimo a 23.11.2020 às 23:11

Sou trolha e já fiz muitas crónica com tijolos decorativos e quando estou inspirado assobio poesia deliciosa como uma empadinha recheada de pura contemplação.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 23:24

Cuidado com os assobios. E com os piropos, que agora estão criminalizados.
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De Anónimo a 24.11.2020 às 17:28

Trolha de quê? trolha é uma espécie de funil com o tubo um pouco mais largo, mas de encher o fumeiro, os enchidos de carne. Mas nunca ouvi que uma trolha assobiasse poesia! Há de tudo em Portugal!! Haja Deus...
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De Orlando Tavares a 23.11.2020 às 18:52


Creio que terá sido Baptista-Bastos que um dia disse que a crónica é uma disciplina superior do jornalismo. O Manuel António Pina dizia que as crónicas de jornal duram um dia e morrem. Se há que as colocar em livro escolhem-se umas, outras ficam pelo caminho, «se calhar as mais puras», para citar Pina.
Sempre gostei de crónicas de jornal. O meu avô comprava «O Século» e lembro-me de aos domingos ler as crónicas de Francisco Mata.
Nos anos 60, o «Diário de Lisboa», todos os dias publicava uma crónica. Aí li: Pedro Alvim, Joaquim Letria, Fernando Assis Pacheco, Eduardo Guerra Carneiro, José Carlos de Vasconcelos, Afonso Praça, outros que agora não lembro.
Mais tarde, não poderei esquecer as crónicas de José Saramago em «A Capital» e no «Diário de Lisboa» e não poderei deixar de lamentar que António Lobo Antunes tivesse deixado de publicar as suas crónicas em livro.
Desconheço os motivos, mas é uma pena!
Atitude contrária teve Mário de Carvalho que, recentemente, publicou algumas das suas crónicas em livro.
Dos cronistas de hoje, apenas posso referir Ferreira Fernandes, o resto desconheço ou não leio.
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 20:17

Cumprimento-o pelo testemunho que aqui nos traz. Revejo-me em grande parte no que escreveu.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 21:55

Gosto muito das crónicas do livro Ouro e Cinza, do Paulo Varela Gomes, crónicas que nunca cheguei a ler nos jornais.
🌾🍂
Maria
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De Pedro Correia a 23.11.2020 às 23:22

Sempre gostei das crónicas dele também. Como gosto também muito do Jorge Silva Melo. E fui coleccionador das crónicas do João Bénard da Costa - excelentíssimo cronista, um dos melhores de sempre.
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De Anónimo a 23.11.2020 às 23:54

Também gosto desses dois :-)
Aliás, tenho as Folhas da Cinemateca do João Bénard da Costa dedicadas ao Bergman; e se a memória não me falha, estão lá algumas folhas escritas pelo seu editor, que eu também lia sempre no Expresso.
🌾🍂
Maria
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De Pedro Correia a 24.11.2020 às 00:37

Sim, o Manuel Fonseca. Outro excelente cronista. Daqueles que escrevem cada crónica como se fosse o capítulo de um romance.
A crónica - para o ser de facto - implica sempre um certo confessionalismo, algumas obsessões temáticas e a narração de uma pequena história. O Manel (tal como acontece com o Ferreira Fernandes, por exemplo) vai-nos contando fabulosas parcelas do romance da sua vida em cada crónica onde narra a infância e a juventude numa Angola que já não há.
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De Anónimo a 24.11.2020 às 21:14

O cronista António Pigaffetta !!
O mundo nunca mais foi o mesmo!

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