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Eleições gregas II

por Luís Naves, em 20.01.15

A esquerda europeia defende que os países credores devem pagar a dívida dos endividados, mas essa possibilidade tem sido recusada por países como Alemanha, Finlândia ou Holanda, que pensam estar a pagar a factura dos resgates. Se houvesse perdão de dívida, dizem os credores, não haveria mais reformas e o problema era apenas empurrado com a barriga, pois assim garantia-se a manutenção de modelos de sociedade fracassados.

Desde que a crise começou, a Grécia já recebeu ajudas de 380 mil milhões de euros, incluindo perdas privadas de 100 mil milhões de euros e 240 mil milhões emprestados pela troika, o que inclui dinheiro português. Isto salvou os bancos alemães e franceses, é um facto, mas a dívida foi criada pela irresponsabilidade dos governos gregos e as reformas exigidas em troca destes empréstimos foram sendo adiadas devido a vários momentos de alta instabilidade política na Grécia.

Muitos comentadores argumentam que a Alemanha tem sido a maior beneficiária da crise das dívidas soberanas e que houve perdão de dívida aos alemães, nos anos 20 e depois da II Guerra. Têm razão, mas o primeiro argumento esquece que não haveria euro sem os alemães (a valorização do franco suíço mostra o que estaria a acontecer se o marco existisse). O segundo argumento é mais subtil e esquece o contexto do perdão de dívida no pós-guerra. A criação da República Federal da Alemanha foi uma decisão política e visou conter o então gigante soviético. Uma Alemanha pobre teria sido o palco ideal da Guerra Fria. Esta questão estratégica está ausente no caso da Grécia.

Em notícia recente e mais entusiasmada, onde era bem visível o desejo do redactor, dizia-se que a votação grega podia mudar a Europa. A ingenuidade mistura-se com o desconhecimento do funcionamento da União Europeia, que não se altera com uma votação nacional: não resiste a cinco segundos de reflexão imaginar que a opinião pública alemã mudava por causa dos eleitores gregos. Os países defendem os seus interesses e é para isso que servem os governos. Os países do norte da Europa não vão aceitar de um dia para o outro a ideia de pagarem a dívida dos seus parceiros da zona euro.


2 comentários

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De cristof a 20.01.2015 às 15:30

Uma frase que entusiasmou a minha juventude :os ricos que paguem a crise , não resiste a uma analise mais cuidada mas tẽm animado muitas manifestaçôes de adeptos de frases ocas. A realidade foi o que se vai apercebendo agora com as declarações do DDT e apaniguados; como sabem bem os gregos com as tesouradas nos empregos e orçamentos a pagar as imbecilidades dos seus governantes.
Pelo que vejo de longe temos beneficiado dos governantes estaveis que temos tido, na era após bronca.
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De l.rodrigues a 20.01.2015 às 15:40

"Os países defendem os seus interesses e é para isso que servem os governos."

Extraordinária afirmação.

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