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Eleições em França

por Luís Naves, em 06.12.15

A Frente Nacional de Marine Le Pen deverá ter hoje um resultado histórico na primeira volta das eleições regionais francesas. O centro-direita liderado pelos republicanos é favorito em sete das 13 regiões, mas a extrema-direita pode conquistar pelo menos uma região, isto pela primeira vez (a segunda volta será dia 13). Ostracizada durante décadas, a FN é agora uma das três maiores forças partidárias, provavelmente a segunda. Usando feroz demagogia, este e outros grupos nacionalistas estão a transformar a paisagem política da própria Europa.

Em Portugal, é ainda mal compreendido o descontentamento dos eleitores europeus, a islamofobia e a sensação de crescente divórcio que tantos franceses sentem em relação às suas elites políticas e mediáticas. Os votantes da FN pensam que os líderes da França vivem numa realidade paralela. Muitos destes eleitores descontentes enfrentam diariamente choques culturais com vizinhos muçulmanos, consideram que o país tem um grave problema de identidade e que a linguagem política se transformou numa forma de negação. O avanço da extrema-direita é sintoma de mudanças mais profundas a decorrer em toda a Europa, em reacção ao fosso entre eleitores e eleitos criado pela União Europeia. Este distanciamento é reconhecido por todos, mas não parece ter soluções pragmáticas, o que acentua a ideia de cinismo dos dirigentes.

A recente crise das migrações dividiu ainda mais a UE e está a radicalizar o discurso dos populistas. Políticos e comentadores aderiram rapidamente à ideia de abertura de fronteiras, classificando as cautelas como xenofobia, mas os média não viram as próprias reportagens, onde se relatava que dois terços dos migrantes não eram refugiados, que a proporção de famílias era baixa, que as regras de segurança europeias não estavam a ser cumpridas nas fronteiras externas. A crise migratória acentuou a ansiedade dos descontentes, sobretudo nos países com maiores comunidades muçulmanas. Segundo indicam as sondagens, a FN pode igualmente ter subido mais de quatro pontos percentuais após os ataques terroristas de Paris.

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5 comentários

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De lucklucky a 06.12.2015 às 05:26

"em reacção ao fosso entre eleitores e eleitos criado pela União Europeia."

Mais uma vez poeira para o olhos ao não falar do papel indissociável do jornalismo da política e do estado das coisas. É aliás maior força para estarmos onde estamos.

Não tem que ver directamente com a UE e a distância é irrelevante.
Tem que ver com países onde o jornalismo usa uma linguagem de obfuscação e faz os políticos não cumprir a lei. Lei da imigração e outras, principalmente as ligadas ao crime violento vs politicamente correcto vs gangs locais vs intimidação religiosa.
O jornalismo "de referência" vê-se como cavaleiro que não se suja com coisas mundanas para falar exclusivamente de projectos políticos.
Quanto mais grandiosos melhor.
O povo é bom para ser usado como arma de arremesso, mas ninguém se interessa pela vida do dito.

Hoje por exemplo estão todos reunidos pela ficção do aquecimento global que já tirou milhares de milhões de riqueza às pessoas na Europa. Aquecimento Global que não seria mais que uma teoria entre outras não fosse o jornalismo.

O fosso é um abismo cultural entre o "povo" e as elites politicas-jornalistas que se dedicam a desenhar castelos no ar e a usarem níveis de newspeak que em alguns casos fariam um comunista ficar orgulhoso.
Boa parte do povo foi chamado de xenófobo, racista durante as mais de duas décadas em França.
Quando se vai para esse tipo de retórica é bom que não haja bases do outro lado e o argumento se sustente. Se essa retórica deixa de funcionar porque as pessoas começam a ver no dia a dia que os xenófobos e os racistas até têm alguma ou muita razão os diques rebentam e tudo muda.
E estão a rebentar.
Pois só a FN falou de assuntos que eram proibidos nas redações dos jornais e TVs.
Assuntos que hoje estão bem presentes.
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De JSP a 06.12.2015 às 11:27

"Usando feroz demagoga".
Reconhecendo que não sou particularmente dotado, mesmo assim há aqui qualquer coisa que me escapa...
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De cristof a 06.12.2015 às 15:57

Ter um holandinho como presidente até a mim me deprime. Continuar a apostar na deriva anglosaxonica de acantonar as pessoas por "coltura" vai dar o que tem dado; aqui a DGS emitiu umas instruções de tratamento e alimentação que deviam mercer uma resposta firme de todos os que dão valor a liberdade.
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De Luís Lavoura a 07.12.2015 às 09:44

estes eleitores descontentes enfrentam diariamente choques culturais com vizinhos muçulmanos

Eu gostaria de saber qual a natureza desses choques culturais, e quem tem culpa deles.

É que eu frequento bastantes vezes estabelecimentos comerciais de muçulmanos, e cruzo-me frequentemente na rua com muçulmanos, e nunca tive qualquer choque cultural com eles.
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De Luís Lavoura a 07.12.2015 às 09:47

a proporção de famílias era baixa

Que significado atribui o Luís Naves a esse facto?

A mim parece-me natural que, sendo o dinheiro escasso e a viagem tecnicamente difícil e perigosa, não se ponha toda uma família a migrar para a Europa. Acho natural que primeiro vão uns (em princípio os homens) membros da família e só mais tarde os restantes.

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