Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Eleições decisivas?

por Luís Naves, em 25.01.15

A Grécia vota hoje e as sondagens indicam uma provável vitória da extrema-esquerda, o que muitos analistas em Portugal consideram um evento que abre caminho a uma mudança drástica na Europa. Muitas análises que tenho lido revelam puro desejo dos autores. Sempre que um pequeno país da União Europeia votou contra os planos dos grandes, a consequência foi uma nova votação ou uma negociação que levou esse país a sair das políticas que o eleitorado rejeitava. Basta ver durante dez minutos o que se diz nas televisões mais influentes (BBC ou CNN) ou ler os jornais estrangeiros para compreender que nada de importante vai mudar na Europa, talvez nem sequer na Grécia.

Se o Syriza vencer, haverá uma negociação para os dois lados salvarem a face e Atenas terá de aceitar a estratégia das grandes potências, ou seja, o princípio de que sem reformas não há dinheiro. Isto é válido para a Itália e para a Espanha, é válido para Portugal e para a Grécia. Os membros da zona euro vão continuar a controlar as contas públicas e a reduzir as dívidas, vão aprovar todas as reformas estruturais necessárias à modernização das suas economias. A dose de austeridade foi excessiva na Grécia? Claro. Isso é reconhecido por todos os intervenientes, mas os europeus acham que estão a fazer a sua parte, pagaram os resgates e há ajudas disponíveis, nomeadamente o estímulo monetário do BCE ou os fundos europeus. A Grécia é que se endividou de forma irresponsável e terá de aceitar as condições dos empréstimos ou escolher sair do euro, caminho que representa uma calamidade bem maior do que os actuais sacrifícios. É assim que a Europa do norte vê a questão e não compreendo o argumento de que, no caso das exigências gregas serem rejeitadas, está em causa a democracia. Seria viável sobrepor a vontade dos gregos à da opinião pública dos países credores? Afinal, o governo alemão também responde perante os seus eleitores e enfrenta os seus próprios desafios populistas, precisa de ter extremo cuidado com as cedências que está disposto a fazer.

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

Sem imagem de perfil

De Vento a 25.01.2015 às 00:33

Também não vejo que os resultados das eleições gregas possam agravar mais a situação, quer a vivida na Grécia quer nos restantes membros da UE. Quando muito estas só podem provar que na Grécia ainda existe quem queira pagar o preço que tiver que pagar por pensar por sua cabeça também. Bruxelas, em vão, pretendeu fazer crer que esta Europa tinha de ser governada por cabeças tipo SarkoMerkel.

Mas eu também não necessito esperar pelos resultados na Grécia para saber que esta Europa já mudou. E mudou da seguinte forma:
1 - Obrigou à Flexibilização do Pacto de Estabilidade;
2 - Obrigou a Irlanda a rever-se nas reivindicações gregas;
3 - Obrigou a UE a acreditar que a ruptura da Grécia será conduzir cada estado desta Europa para as mãos de oportunistas. Por isso mesmo vimos a campanha que vimos em torno dos "beligerantes"

A estratégia alemã, que visava evitar partilhar o enriquecimento que adquiriu a ocidente para poder prosseguir sua política expansionista para leste, que
é sua ambição ancestral, foi sancionada pelos actos que também, com os outros, provocou na Crimeia e na Ucrânia. E a alternativa para poder manter-se à tona é uma coesão efectiva com todos sem esquecer a necessária relação, de todos, com a Rússia.
A Grécia se estiver entregue a si mesma tem uma saída que colocará em perigo as relações geopolíticas. Deste isolamento poderá resultar um alinhamento à China e à Rússia, o que cairá que nem ginjas neste momento.
Resta saber como jogará os EUA face a este real cenário.
Sem imagem de perfil

De João a 25.01.2015 às 02:48

Afinal em que mundo vivemos? A Grécia, endividou-se de forma irresponsável e mais irresponsável, foi, quem lhe emprestava dinheiro, sem saberem se tinham como o pagar. A Alemanha foi bárbara, fez atrocidades, não só na Alemanha, como em muitos países da Europa e no fim, para sair do caos onde se meteu, todos se juntaram, para salvar os alemães. Nasceu o plano Marshall e com ele, a Alemanha tornou-se no que é. Porque razão, quem mata e martiriza, tem planos de recuperação e os que foram irresponsáveis na governação, ao seu povo resta-lhes a repressão e sofrimento? Assim sendo, entre o nada ter e a luz ao fundo do túnel que venha a luz.
Sem imagem de perfil

De Perna Traçada a 25.01.2015 às 12:04

Aprecie-se ou não José Rodrigues dos Santos como escritor - e não é isso que releva para o caso - as reportagens que tem feito na Grécia, apontando a corrupção a todos os níveis e a quantidade de espertezas gregas que por lá abundaram e abundam, com muitos safando-se e enchendo-se à conta do estado grego e do seu endividamento, compreendo que aos alemães (ou filnadeses ou... ) não agrade sustentar tal estado de coisas. Isto não invalida obviamente o desemprego, a miséria e todas as desgraças que atingiram inocentes.

Depois de Soares ter anunciado o messias Hollande e ter declarado a sua preferência a vitória de Tsypras (um locutor - agora chamado jornalista - da TVI costuma chamar-lhe Tripas...) aguardo de perna traçada, mas com curiosidade, os próximos episódios.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.01.2015 às 17:29

Quem são os alemães para imporem algo a alguém? Quem é a senhora Merkel para ameaçar todos e mais algum? Que lição deram os alemães ao mundo? Eles mataram, sacrificaram, violaram, roubaram e no fim, todos lhes deram as mãos para hoje, estarem onde estão. Se ninguém lhe desse as mãos como estavam hoje? Corruptos, há-os na Grécia, em Portugal, em Espanha.......... e que culpa têm os cidadãos destes países, desses corruptos proliferarem e da justiça, nada fazer para os banir? Têm culpa, em pôr sempre os mesmos e foi perante isso que a Grécia, farta de gente sem escrúpulos e sem nada de nada, hoje optaram por outra via. Oxalá venha por bem!...
Sem imagem de perfil

De Perna Arquitraçada a 27.01.2015 às 22:41

Não havia necessidade de se alongar tanto para deixar perceber que aprecia a bandalheira grega. E já agora que culpa têm os actuais eleitores alemães do que fez Hitler? Beneficiaram do plano Marshall? E também beneficiaram de o seu país ter sido devastado por loucos nazis? Têm a mesma culpa que nós temos do que fizeram os colonizadores...

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D