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Elegância

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.10.19

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O futebol português é cada vez menos notícia pelas boas razões. E até passaria despercebido, de tão mau que é a nível interno, não fossem os seus actores, os que actuam dentro mas também os que andam pelos balneários e pelas televisões, apostarem em dar nas vistas.

Compreende-se que alguns tendo o tamanho da Betesga acreditem possuir um ego maior do que o Rossio, mas ainda assim há limites que não deviam ser ultrapassados.

O treinador do F.C. Porto até podia ter toda a razão contra a arbitragem do jogo com o Marítimo, o que eu duvido porque já se tornou habitual só se queixar dela e do anti-jogo quando perde pontos; só que as  suas declarações deviam levar a uma tomada de posição da Liga de Clubes e dos adeptos.

A linguagem de carroceiro e o estilo azeiteiro do fulano não constituem nada de novo. Os presidentes de alguns clubes, incluindo do meu, por vezes também se esforçam bastante. Mas o à-vontade com que o treinador do FCP o faz regularmente envergonha muita gente honrada e educada adepta do clube do Norte.

Sei que não é caso único, e em Macau também temos quem, sendo mais velho e com muito mais responsabilidades sociais e profissionais, teime em se colocar no mesmo patamar de cada vez que lhe colocam um microfone à frente.

Desconheço se será um novo padrão. Sinal de mau gosto é com toda a certeza. E será sempre um mau exemplo para um desporto que tem milhões de apaixonados, muitos deles crianças, em todo o mundo. Bem podem falar de fair play, de respeito, do futebol como escola de virtudes. O que ultimamente se vê é apenas disto.

A forma como depois alguns alunos e os seus pais falam com os professores e se comportam nas escolas, ou a linguagem que se ouve dentro dos autocarros, entre os miúdos que vão ou vêm das aulas, é apenas um reflexo do que disse o treinador do FCP alto e bom som. A frase mereceu acolhimento na primeira página do mais lido jornal desportivo português.

Por esta e outras é que o futebol se assume cada vez mais como um desporto destinado a gente ordinária, trapaceiros e arruaceiros. E isto é triste.


46 comentários

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De kika a 31.10.2019 às 14:33

A linguagem utilizada nas TVs e jornais já há muito que me choca .
Imagino em casa desta criatura . Excelente exemplo para os
mais novos mas , estes já estão habituados é certo. Leituras
com conteúdos do mais baixo nível nas escolas. Vale tudo.
Coitados dos pais que se esforçam para dar uma boa educação aos
seu filhos. Portugal virou um espaço sem regras , um país de terceiro mundo.
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De kika a 31.10.2019 às 14:51

Linguagem imprópria é violência para pessoas normais...
Portugal é um país cada vez mais violento e ninguém se importa com isso.

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De Diogo Moreira a 31.10.2019 às 14:40

O postal parecia que ia focar a atenção a quem vive de mãos dadas com o futebol, mas eis que faz uma viragem brusca e se foca num treinador - mais em concreto, no que os órgãos de comunicação social truncaram num discurso de um treinador.

Ora, não é novo o fenómeno de ‘bitaites’ ou ‘soudbites’ de artistas cuja vida é principescamente paga por clubes de futebol. Nem sequer os insultos são coisa inaudita - desde brincadeiras ‘racistas’ com conguitos, à erudição “um vintém é um vintém, e um cretino é um cretino”.

O que é novo é o domínio quase por completo da informação desportiva reduzindo-a ao mundinho do futebol, como se não houvesse vida para além deste desporto. Televisões floresceram como cogumelos (5 SporTv, não sei quantas novas agora só para a Liga dos Campeões), programas de debate (ou combate? ou só má-língua?) diários em várias televisões, mesmo aquelas que se querem dizer respeitáveis (SIC Notícias, TVI24, RTP3)... Ufa! Uma antevisão de um jogo qualquer tem honras de conferência de imprensa em directo, um jogo é debatido à exaustão durante toda a semana (ou até ao próximo jogo) e a, tudo isto, vai havendo sempre cobertura por parte de jornalistas.

Ora, as declarações que li do Sérgio Conceição diziam muita coisa (com que se pode concordar ou não) e ele termina a afirmar que está focado na equipa e que não se importa com críticas nas redes sociais em bom calão. E foi o calão que teve direito a honras de capa, completamente descontextualizado, a dar a entender o inverso do que foi dito.

Que os intervenientes do mundinho do chuto na bola se comportem como os miúdos que são, ainda vá que não vá. Eu esperava mais dos jornalistas.
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De o cunhado do acutilante a 31.10.2019 às 16:15

O Diogo Moreira estaria coberto de razão quando diz "domínio quase por completo da informação desportiva reduzindo-a ao mundinho do futebol, como se não houvesse vida para além deste desporto."
Digo estaria porque efectivamente há mais desporto para além do futebol, não fosse um pormenor que faz toda a diferença. Dinheiro! muito dinheiro!
Para todos sem excepção! Imprensa, escrita e visualizada, dirigentes, jogadores, empresários, pais e restantes familiares dos artista da redondinha rolando, para todos menos para mim que tenho de desembolsar a notinha quando, à doença não estou imune, vou ver o jogo.
De resto; afoga-te Ceição! O teu desespero é a minha felicidade.

Empoleirado no meu galho,
miro o mundo aos tropeções.
O Lage rindo do belo fado,
e o Ceição no muro das lamentações.
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De Anónimo a 31.10.2019 às 14:47

Completamente de acordo!
No entanto, já veio o Pintinho Costinha, publicamente a dar-lhe todo o apoio.
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De Anónimo a 31.10.2019 às 14:57

Há professores de educação física, nas escolas públicas e são muitos, pagos com o dinheiros dos impostos dos contribuintes, que usam esta mesma linguagem nojenta e até mais ofensiva para com crianças e adolescentes. Os pais ficam calados porque como têm que deixar os seus filhos durante horas entregues a energumenos, têm medo de retaliações. Inspecções precisam-se e não são inspectores coorporativistas que desses já se conhecem os resultados.
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De Anónimo a 31.10.2019 às 15:14

Não concordo em nada com os modos do treinador do FCP , apesar de ser adepto.
Outro assunto , é o que o autor deste artigo foca, que é a questão do uso de linguagem mais popular, nos meios de comunicação social.
Se for ver os nossos vizinhos espanhóis , franceses, etc.. Não tem qualquer problema em usar palavras como "merda" , e outras da mesma familia nos meios de comunicação social, filmes etc.. São piores gentes por isso?
Na minha opinião muito pelo contrário , são muito mais genuínos, relaxados..
Isso de usar termos muito politicamente correctos, é típico portugues da capital e escandalizar-se com tão pouco.
Qualquer pessoa que percorra um pouco Portugal, e não pense que Portugal é apenas Lisboa , ve que de modo geral , a gente muito educada da capital, é por outro lado muito traiçoeira na tradução dos seus reais pensamentos. Quantas vezes vemos as senhoras exclamando um "sim, querida .. muito gira querida" , e dali a dois segundos maltratar a mesma pelas costas, tudo uma falsidade.
Se for para outras partes, poderá ouvir o que não quer, e talvez um palavrão inofensivo, mas terá uma certeza, aquela pessoa disse lhe o que lhe ia na mente, sem papas na lingua , sem falsidades, sem duplos sentidos.
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De Manuel Luis a 31.10.2019 às 15:24

Boa tarde...
O autor tem toda a razão, e se o treinador do FCP disse aquilo que disse, que eu não ouvi, mas tomo-o por certo, nomeadamente aplicando o termo "c..." lamenta-se profundamente.
Mas lamento que um presidente de um clube grande tenha agarrado o pescoço de um associado e dito palavras que não são próprias para este espaço e no entanto não li neste blog, mas desmintam-se se estou errado, tamanha indignação por quem se assume tão sensível, mas, pelos vistos, só com alguns, com o Conceição de certeza!
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De Anónimo a 31.10.2019 às 15:46

A forma como depois alguns alunos e os seus pais falam com os professores e se comportam nas escolas, ou a linguagem que se ouve dentro dos autocarros, entre os miúdos que vão ou vêm das aulas, é apenas um reflexo do que disse o treinador do FCP alto e bom som."

Corretíssimo! Hoje deixou de haver limites; tudo vale.... até quando?
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De Anónimo a 31.10.2019 às 17:38

Sou portista e sócio do FCP e não me revejo neste tipo de linguagem. Independentemente das condições do relvado do estádio do Marítimo, o que é evidente é que a equipa, excetuando o jogo na Luz, joga muito pouco e não tem capacidade para dar a volta aos resultados negativos. Já se percebeu, desde a época passada, que o treinador Sérgio Conceição não serve pois o futebol praticado não presta. Como parece que agora se juntam os palavrões, não há muito mais a dizer. Está na altura de se começar a pensar noutra alternativa para treinador.
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De Anónimo a 31.10.2019 às 17:53

Lembro que uma pessoa Ferro Rodrigues do PS foi promovido a segunda figura do Regime depois de dizer que se estava a "c...." para uma lei, neste caso do segredo justiça.

Foi certamente uma mensagem a sua promoção.

lucklucky
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De V. a 31.10.2019 às 18:52

que o futebol se assume cada vez mais como um desporto destinado a gente ordinária, trapaceiros e arruaceiros.

Eu acho bem. Está nada mais nada menos do que no lugar correspondente ao tipo de sentimentos que promove — adequadíssimos ao seu público-alvo.

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