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Elefantes Brancos

por Francisca Prieto, em 19.05.16

As redes sociais têm sido um suporte insuperável na missão de trazer à tona episódios embaraçosos que a nossa memória selectiva já tinha atirado para o subconsciente há séculos e que agradeceríamos que por lá permanecessem. É certo e sabido que, mais cedo ou mais tarde, alguém nos adiciona a um velho grupo da faculdade e que, de repente, desatamos a ser identificados em fotografias onde nos apresentamos de franja, camisa com chumaços e rosetas estampadas nas bochechas.

Mas se é verdade que há coisas que preferíamos esquecer, também é verdade que há momentos que merecem ser relembrados.

Hoje, quando me dei conta de que andava a circular pelo facebook de sombrero mexicano, mão na anca e cara de quem já tinha dado conta de um par de tequilhas, rendi-me à nostalgia e ingressei numa viagem no tempo à Meca dos finalistas universitários – Cancún.

sombrero.jpg

A viagem há-de ter sido idêntica à de tantos outros finalistas, mas, para além dos episódios previsíveis, ficou-me na memória a relutância em comprar um sombrero. Enquanto todos os colegas escolhiam o seu exemplar, entre várias cores e modelos, alguma coisa me dizia que importar sombreros não era a melhor ideia do mundo. Tinha muita graça no local, mas não conseguia vislumbrar qualquer utilidade para um chapéu daquelas dimensões, à chegada a Lisboa. Vieram-se a confirmar os meus piores temores logo à entrada do avião, quando cinquenta viajantes tentavam, em gestos épicos, arrumar cinquenta sombreros nas bagageiras.

Depois desta aventura fiz várias outras viagens e, sempre que me sentia a ceder à tentação consumista que nos invade em terras estranhas, lembrava-me do episódio dos sombreros e resistia estoicamente.

Até que uns anos mais tarde, em Banguecoque, dei de caras com um cozinheiro de madeira maciça com uns quarenta centímetros de altura, que resolvi que era imprescindível para decorar a cozinha da nossa casa nova. Não me ocorreu que depois da visita à capital, íamos em périplo para Puket, Ilhas Pi-Pi e Krabi. De maneira que, após o entusiasmo inicial, andei a rogar pragas ao malfadado cozinheiro que foi arrastado por terras tailandesas, entre ventos e intempéries, durante mais de duas semanas. Mas o pior é que ainda hoje, volta não volta, dou com o raio do boneco numa qualquer arrecadação, de onde nunca saiu porque era um mono tão grande que nunca coube numa bancada de cozinha.

Voltei assim aos bons hábitos de viajar com pouca bagagem e de, sobretudo, não me lançar em compras estapafúrdias. Isto, claro, até me ter lembrado de comprar um poncho peruano. Dos genuínos.

ponche.jpg

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3 comentários

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De Anónimo a 19.05.2016 às 07:42

O que eu gosto de ler os seus textos, Francisca, sempre tão positivos e com sentido de humor.
Nas minhas poucas viagens, a coisa mais incómoda que comprei foi uma buzouki, que não cabia em nenhuma mala e que afinal nunca aprendi a tocar... mas era, e ainda é, linda.
Gostei muito de a "ouver" há tempos na rtp-2.
:-) Antonieta
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De Xica Smart a 19.05.2016 às 08:51

Eu, eu, e eu... é fácil tirar uma pessoa do feicebuque, mas muito díficil tirar o feicebuque que nasceu com ela.
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De Leonor a 20.05.2016 às 21:32

imagino o mono cozinheiro ... hahahahahahahaha

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