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A 18 de Junho de 1116, o papa Pascoal II emitiu a bula Fratrum Nostrum, em resposta a queixas do bispo de Coimbra, ordenando que fosse restituído à igreja de Coimbra tudo o que lhe tinha sido tirado, inclusive a igreja de Lamego que fora concedida à igreja do Porto. Esta bula foi enviada aos arcebispos de Toledo e de Braga, aos bispos de Tui e de Salamanca e à «rainha D. Teresa».

06 - Bula Fratrum Nostrum emitida pelo papa Pascoa

Bula Fratrum Nostrum emitida pelo papa Pascoal II em 18 de Junho de 1116

Foi este um reconhecimento oficial do título real de D. Teresa, ou apenas um tratamento especial dado à filha do «imperador Afonso» (Adefonsi imperatoris)? Tudo indica que este fosse um tratamento habitual entre os portucalenses. A nossa historiografia realça os últimos três a quatro anos da regência de D. Teresa, ou seja, a partir do momento em que os barões portucalenses entraram em conflito aberto com ela e, nos últimos dois, o próprio filho. No entanto, D. Teresa regeu cerca de dezasseis anos sobre o Condado Portucalense, a maioria dos quais em perfeita sintonia com os seus barões. Estes reconheciam-lhe a competência, a «rainha» exercia um controlo total sobre o território, mediando conflitos, dando opinião, ouvindo, fazendo alianças, retribuindo lealdades, castigando quem a infligisse e afirmando-se com grande autoridade.

Além disso, os barões terão admirado o comportamento de D. Teresa à altura do ataque a Coimbra, a 7 de Julho desse mesmo ano de 1116. Na sequência de uma investida almorávida, caíram os castelos de Santa Eulália (concelho de Montemor-o-Velho) e de Miranda do Corvo, enquanto o de Soure foi abandonado e incendiado pelos próprios habitantes, que se refugiaram em Coimbra. Os sarracenos fizeram então grande mortandade ao redor das muralhas desta cidade e D. Teresa terá mostrado coragem, aguentando o ataque, sem fugir, embora estivesse acompanhada dos filhos (D. Afonso Henriques, o mais novo, tinha à volta de oito anos).

Em vários documentos régios e particulares, num período compreendido entre 1105 e 1126, com destaques para as cartas de doação ou de escambo, D. Teresa surge com o título de rainha: «Tarasia regina». Alguns destes documentos exibem mesmo o selo real de D. Teresa em redor da cruz de Cristo.

02 - Carta de doação da igreja de Soure a D. Gon

Carta de doação da igreja de Soure a D. Gonçalo Pais bispo de Coimbra (1109-1127) datada de 10 de Outubro de 1111. Pode ler-se numa passagem assinalada no centro, em baixo: "Ego Tarasia Regina".

10 - Carta de doação de Souto Seco e Pombeiro, d

Carta de doação de Souto Seco e Pombeiro datada de Janeiro de 1126. 
No fim do documento, observa-se o selo real com os dizeres "Tarasia Regina" (Teresa Rainha). 
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Gavetas.
 

11 - Pormenor do selo real de D. Teresa no final d

Pormenor do selo real de D. Teresa no final da carta de doação de Souto Seco e Pombeiro, Janeiro de 1126.

12 - Carta de confirmação dos foros concedidos

Carta de confirmação dos foros concedidos à Sé de Viseu, datada de Maio de 1123. Também aqui se encontra assinalada a passagem: "Ego Tarasia Regina".

13 - Carta de doação do castelo de Soure à orde

Carta de doação do castelo de Soure à ordem dos Templários, 29 Março 1128. Mais uma vez, o selo real de D. Teresa.

Relembremos que D. Afonso Henriques agiu exactamente da mesma maneira. À semelhança de sua mãe, começou a usar o título de «rei», antes de este ser oficializado por seu primo D. Afonso VII e pela Santa Sé. Além disso, ainda antes de assumir o governo do Condado Portucalense, D. Afonso Henriques era tratado por (e assinava como) «infante», título dado a filho de rei (o que continuou a fazer, depois da Batalha de São Mamede, em 1128, até à Batalha de Ourique, em 1139). Ora, sabemos que seu pai, D. Henrique, permaneceu conde até à sua morte. O título só se justificava por sua mãe ser rainha.

A página do Facebook Lisbon’s Heritage (de onde copiei os documentos) chegou a colocar a questão: Terá Sido Portugal Fundado Por Uma Mulher?

Talvez seja ir longe demais. Afinal, apesar do título de «rainha», D. Teresa regeu sobre um condado. Por outro lado, ela marcou indubitavelmente a independência em relação a sua meia-irmã D. Urraca, a única herdeira do imperador D. Afonso VI. Recusou-se terminantemente a prestar-lhe vassalagem, assim como ao sobrinho (depois da morte de D. Urraca, em 1126). Mesmo não aceitando D. Teresa como a fundadora de Portugal, temos de admitir que, muito mais do que o conde D. Henrique, ela foi a preparadora do caminho que seu filho haveria de percorrer.

Teresa, Bermudo e Urraca.JPG

Miniatura medieval representando D. Teresa, ao centro, com sua filha Urraca Henriques e o genro Bermudo Peres de Trava. Manuscrito gótico do mosteiro galego de Toxosoutos.


20 comentários

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De Vorph Valknut a 18.06.2019 às 11:05

Não sei se foi aqui, ou noutro lado, que o li. Mas Afonso VII permitiu, em 1143, o uso, por D. Afonso Henriques, do titulo de rei apenas porque, por esse altura, o monarca espanhol se atribuia o titulo de Imperador da Hispânia, o que na prática obrigava a vassalagem de todos os reis peninsulares, incluindo D. Afonso Henrique.

Outros afirmam que D. Teresa, em virtude das alianças com o Reino da Galiza, ameaçava o projecto, em curso, da "independência" por uma excessiva aproximação aos interesses daquele Reino, que colidiam com os de Castela e Leão, na pessoa do Imperador Afonso VII. Desta forma tornava-se imperioso o seu afastamento ( como sucedeu mais tarde com Leonor Telles).

Interessante seria também saber o papel desempenhado pelos arcebispos de Braga, que perdiam progressivamente poder politico e clerical para a Cidade de Santiago de Castela e como desta rivalidade se reforçou o projecto da independência portuguesa....a Cristina que me elucide
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De Cristina Torrão a 18.06.2019 às 11:46

Olá, Pedro.
Talvez tenha sido aqui que leu sobre a razão de permissão, por parte de D. Afonso VII, do título real do primo. É verdade que os reis de Navarra e Aragão concordaram em prestar vassalagem ao "imperador" e ele terá pensado que o facto de Afonso Henriques ser rei não impediria o mesmo. Isto para dizer que, na minha opinião (e de alguns historiadores), a Conferência de Zamora não pode ser assinalada como o momento da independência de Portugal. Rei e Reino, sim; independência, é duvidoso (embora Afonso Henriques se sentisse independente, mas a verdade é que tentou, por todos os meios, obter a confirmação oficial da Santa Sé).

O afastamento de D. Teresa é um assunto complicado. D. Teresa sentia-se com direito à Galiza, embora não se saiba bem por que razão. Pode ter a ver com um pacto secreto que o seu marido D. Henrique firmou com o cunhado D. Raimundo, quando o sogro apontou o infante Sancho como herdeiro. Nesse pacto, Henrique dizia ajudar Raimundo a apoderar-se dos reinos do sogro (depois da morte deste) e, em compensação, o cunhado dava-lhe a cidade de Toledo, ou a Galiza. Raimundo morreria pouco depois e este pacto é pouco considerado na nossa História. O facto, porém, é que D. Teresa se sentiu com direito à Galiza, depois da morte do pai). A Galiza era um reino e seria plano dela tornar-se rainha da Galiza, incluindo o condado Portucalense nesse reino. Os barões portucalenses só começaram a sentir-se incomodados, quando ela iniciou a relação com Fernão Peres de Trava, tendo este, como seu irmão Bermudo, muita influência no condado. No fundo, era isto que os barões não aceitavam. E, tendo Afonso Henriques atingido a maioridade, não descansaram enquanto não substituíram a mãe por ele. Note-se que passaram alguns anos até D. Afonso Henriques concordar em se ligar aos barões portucalenses, contra sua mãe.

Não penso que se possa comparar D. Teresa a Leonor Telles. A situação é completamente diferente. D. Teresa sempre mostrou a sua vontade de independência em relação a Leão e Castela, a sua única ambição era o reino da Galiza, penso que para assim justificar o seu título de «rainha», sem precisar de mais confirmações. Antes da sua relação com Fernão Peres de Trava, este talvez fosse um sonho que ela achava difícil de alcançar, mas, ao lado da mais poderosa família galega, julgou o seu objectivo muito perto.

Quanto a Braga e Santiago de Compostela, sim, houve bastante conflito, sobretudo, ao tempo do arcebispo compostelano Diego Gelmírez (ao tempo de D. Teresa). D. Afonso Henriques teve, a seu lado, um grande arcebispo, D. João Peculiar, que tudo fez para tornar a Igreja portuguesa independente. Até é legítimo dizer que, sem ele, nos bastidores, Afonso Henriques não teria alcançado o seu objectivo.
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De Vorph Valknut a 18.06.2019 às 14:09



É por esta disponibilidade, de alguns autores, que gosto de entrar no Delito. É aliás, esta particularidade, que o distingue de outros blogues, cujos autores, anafados, ditam, mais do que falam, para públicos vazios, ou para assistências aquiescentes.

Sempre a aprender. Obrigado, Cristina, e claro obrigado ao Grão Mestre, Grau 33, Pedro Correia
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De Anónimo a 18.06.2019 às 11:22

Independentemente de Portugal ter sido fundado por uma mulher ou não, é verdade que as mulheres têm muito maior importância na cultura e na sociedade portuguesas do que na cultura e sociedade dos países do Norte, como a Alemanha ou a Inglaterra, os quais países são muito mais "machistas" na sua cultura.
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De Vorph Valknut a 18.06.2019 às 14:36

?????

Nas sociedades germânicas eram "frequentes" as mulheres soldados, costume anedótico nos povos peninsulares. Aliás, muito mais tarde, os movimentos organizados sufragistas femininos principiam em Inglaterra, um povo germânico, quer na origem, quer no idioma.

Leia a condição da mulher no Estado Novo

https://www.wook.pt/livro/a-cada-um-o-seu-lugar-irene-flunser-pimentel/10708366
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De Cristina Torrão a 18.06.2019 às 18:38

Caro Anónimo, como sempre, não é boa ideia generalizar. É um facto que haver duas mulheres a determinar os destinos de um território vasto, como o da Península Ibérica, em inícios do século XII, é um fenómeno único. Mas, também nesse século, posso dar o exemplo de duas mulheres que se destacaram, uma na Inglaterra e outra no território hoje conhecido como Alemanha.

Temos o caso de Matilde de Inglaterra, que, depois da morte de Henrique I, lutou pelo trono inglês contra o seu primo Estêvão, numa guerra civil que durou quase vinte anos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Matilde_de_Inglaterra

Na Alemanha, temos a monja beneditina Hildegard de Bingen, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica, poetisa, dramaturga e escritora. Apesar de, pouco depois da sua morte (em 1179) começassem as peregrinações ao seu túmulo, ela só foi canonizada em 2012 (um dos processos mais demorados do Vaticano), adquirindo ainda o título "Doutora da Igreja", título dado, salvo erro, a apenas cerca de trinta personalidades (incluindo Santo António de Lisboa e Santa Teresa de Ávila).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hildegarda_de_Bingen

Ainda em Inglaterra, temos o exemplo único da rainha Isabel I, imortal, um símbolo por excelência. Poucos monarcas, fossem homens ou mulheres, adquiriram a sua importância histórica.

Penso que, em termos de machismo, não haverá grandes diferenças entre os países europeus.
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De Vorph Valknut a 18.06.2019 às 22:54

https://www-history-com.cdn.ampproject.org/v/s/www.history.com/.amp/news/dna-proves-viking-women-were-powerful-warriors?amp_js_v=0.1&usqp=mq331AQFKAGgAQE%3D

An elaborate Viking Age grave in Sweden holds the remains of a decorated female warrior from the 10th century, providing the first archaeological evidence that women held high-status positions in Viking culture.
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De Corvo a 18.06.2019 às 13:48

Bom dia, Cristina.
Mas uma vez que o nascimento de Portugal foi como rezam os documentos que a senhora apresenta, para mim não restam dúvidas que a História está enganada e o Fundador da nossa Nação não foi o filho, e sim foi efectivamente D. Teresa.
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De Cristina Torrão a 18.06.2019 às 18:42

Com D. Teresa há o problema de não ter regido sobre um reino. Mas ela definiu o caminho, sim, o filho aprendeu muito com ela. Em determinação e ousadia ele era muito parecido com ela.
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De V. a 18.06.2019 às 22:15

Como nunca devíamos ter deixado de pertencer a Leão — e como não é a quem se deve tal façanha mas de quem é a porcaria da culpa, não sei se querem mesmo reescrever a história no feminino
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De Cristina Torrão a 19.06.2019 às 12:36

A História não precisa de ser reescrita no feminino, mas a tradição de séculos anulou o papel de certas mulheres, ou criou mitos falsos à sua volta, e penso que é interessante esclarecer.
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De Vorph Valknut a 19.06.2019 às 12:56

Interessante seria saber o papel, de bastidores, das consortes das figuras de poder masculinas, que moldaram as suas politicas, para o bem, e para o mal:


Ex: Elena Ceaușescu….

Interessante seria sabermos se os violentos o foram por desafeto.




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De Cristina Torrão a 19.06.2019 às 18:22

Outro dia falou-se nisso, no facebook, o assunto era o facto de os ditadores serem, normalmente, narcisistas e houve uma comentadora que chamou a atenção para o facto de que, muitas vezes, as consortes eram mais cruéis do que eles. Acredito. Penso que foi dado o exemplo de Elena Ceaușescu.

Apesar de eu gostar de destacar o papel das mulheres na História, não quer dizer que pense que nós sejamos melhores do que vocês. Na verdade, acho que não haverá grande diferença. Há tempos, num blogue, a autora citava uma atriz, num certo filme de Hollywood já um pouco antigo (esqueci-me quem e onde). A citação era, mais ou menos: «se fossem as mulheres a mandar, não haveria guerras, pois nenhuma mãe deseja a morte do seu filho». Discordo totalmente! Logo me surgem duas razões (haverá mais): primeiro, há de facto mães que desejam a morte dos filhos (até os matam); segundo, mesmo que não desejem a morte do seu filho, como é com os filhos das outras?

As mulheres também são capazes de crueldade, têm igualmente ambição de poder e são corruptas. E também há mulheres narcisistas. A única razão porque gosto de destacar o papel de certas mulheres é por a História, na nossa sociedade patriarcal, não lhes ter feito justiça. É só isso.


Tenho a certeza de que seria fascinante analisar a infância dos líderes violentos.
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De Vorph Valknut a 19.06.2019 às 19:23

Cristina, há também uma teoria que defende terem sido as sociedades, pré-históricas, matriarcais...os primeiros deuses, mulheres, simbolos de fertilidade, contrariando a visão pariarcal da origem das religiões....

Quanto às mães não desejarem a morte dos filhos, basta "visitarmos" a familia dos mártires por Alá, e falarmos com as orgulhosas mães.


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De Cristina Torrão a 19.06.2019 às 19:40

É um exemplo.
Mas nas "nossas latitudes" também há mães cruéis.
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De Vorph Valknut a 19.06.2019 às 21:26

Claro que sim. Há mães que não se importam de sacrificar os filhos por uma vida que nunca tiveram. E dos seus sonhos criam pesadelos.
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De V. a 20.06.2019 às 01:03

A História não precisa de ser reescrita no feminino, mas a tradição de séculos anulou o papel de certas mulheres, ou criou mitos falsos à sua volta, e penso que é interessante esclarecer.

Claro que sim. Sempre achei que o papel das mulheres tem sido o mesmo do que os homens. Eu estava só a (tentar) fazer uma piada.
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De Cristina Torrão a 20.06.2019 às 11:54

Desculpe, V. Ainda pensei que o seu comentário fosse de facto irónico, mas como não tinha a certeza...
Por vezes, é difícil fazer essa distinção, neste mundo virtual, sem mímica.
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De Anónimo a 19.06.2019 às 14:27

Obrigado e continue com esta série de post's sobre a história de Portugal.

WW
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De Cristina Torrão a 19.06.2019 às 18:24

Eu é que agradeço as suas palavras de incentivo.

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