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Aventureirismo russo na Ucrânia e na Crimeia em 2014 vira-se contra Putin

 

Andaram alguns ao longo do ano a glorificar as extraordinárias façanhas militares do musculado czar do Kremlin, que decidiu anexar a Crimeia numa grosseira violação da Carta das Nações Unidas e enviar mercenários russófilos para o leste da Ucrânia, em manifesta colisão com os princípios do direito internacional, e afinal confirma-se hoje que essa arrogância bélica apenas se destinava a camuflar um gigante com pés de barro.

A queda abrupta do preço do petróleo - principal produto de exportação russa e fonte de 68% das receitas do país - originou a depreciação progressiva do rublo, que vale hoje só 50% do que valia no início do ano em relação ao dólar. A situação é crítica, alerta o banco central russo. "A economia russa caminha rapidamente para o colapso", sublinha o editorial de hoje do El País.

 

Não sei o que a Rússia possa ter ganho ao anexar a Crimeia. Mas sei o que já perdeu.
Está mais isolada diplomaticamente. Sofre sanções que lhe são impostas pela comunidade internacional.
Vê agravar-se os problemas económicos do país, que importa 60% do que come, ao iniciar um braço-de-ferro com os países membros da União Europeia e da NATO.
Arrisca-se a perder os melhores parceiros económicos, que estão precisamente na Europa Ocidental.
Vê aumentar exponencialmente os focos de turbulência nas suas zonas fronteiriças - nada mais natural, pois quem semeia ventos colhe tempestades. Nem a fiel Bielorrússia se sente tranquila perante o expansionismo russo, já para não falar da China, que nunca deixou de alimentar sérias suspeições nesta matéria.
E, acima de tudo, desenterra velhos fantasmas da História numa réplica anacrónica do pior da Guerra Fria. Precisamente todos aqueles fantasmas que ninguém desejaria ver desenterrados, a ocidente ou oriente dos Montes Urais.

 

tumblr_m07vfr4Zc31qd65vgo1_400[1].jpgOs russos não diversificaram o tecido económico, têm uma agricultura que não supre as necessidades alimentares da população e uma indústria em grande parte anquilosada (excepto a indústria de armamento). Estão demasido dependentes das exportações de petróleo e gás natural para manterem a tímida taxa de crescimento económico que vêm registando.
Ora o fornecedor precisa dos clientes: se estes partirem em busca de outros mercados resta-lhe venderem a energia a si próprios.

 

Moscovo tem tudo a perder se abrir uma guerra energética com a UE aproveitando o facto de parte significativa do continente europeu depender (em cerca de 30%) do abastecimento do seu gás. Esta factura é essencial na economia russa.
Essa guerra dará origem, nomeadamente, à exploração em larga escala das vastas reservas naturais de gás norte-americanas que provocará uma redução drástica do preço deste combustível nos mercados internacionais. Quem acabará por ganhar, além dos EUA, são os actuais produtores concorrentes da Rússia, nomeadamente a Argélia, já hoje a principal fornecedora de gás a países como Portugal.

É uma guerra perdida de antemão, como alerta Larry Elliott, editor de economia do Guardian.


A geopolítica servia-nos de chave para a interpretação do mundo até ao fim da Guerra Fria. Hoje nada se entende de essencial no capítulo das relações internacionais sem conhecimentos elementares de geoeconomia. Como Putin começa a aprender por amarga experiência própria. E o conjunto da população russa também.


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