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É um tiro até às legislativas

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.05.19

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Há muitas formas de olhar para os resultados das eleições europeias de ontem, mas independentemente das leituras mais ou menos enviesadas que cada um faça consoante a cor da lente que utilize, há alguns factos que me parecem indesmentíveis.

Começando pela abstenção, que tanta celeuma tem provocado, dir-se-á que o que aconteceu confirma a tendência dos últimos anos, agora com a agravante de que se verificou um alargamento do universo eleitoral. Recorde-se que em 1999, 2004, 2009 e 2014 a percentagem de votantes por referência aos cadernos eleitorais foi, respectivamente, de 39,93%, 38,6%, 36,77% e 33,67%. Se este ano a taxa de votantes se tiver fixado nuns míseros 31,4%, isso só significa que o problema persiste sem solução à vista com os actuais partidos e actores, sendo manifestamente insuficientes os apelos do Presidente da República ou dos líderes políticos para que ocorra uma inversão da tendência.

A abstenção em Portugal é de há muito superior à média europeia, sem que os partidos se preocupem verdadeiramente com isso, e voltou a sê-lo. Os portugueses só querem saber da Europa se daí lhes vierem dividendos. Reflexo do espírito dos tempos e do mercantilismo político e moral.

E se há quem tenha ficado em casa para protestar contra o actual estado de coisas, fazendo campanha por uma abstenção ainda superior à verificada, não me parece que daí se retire, ou se tenha retirado, qualquer benefício. Esses vão continuar a falar sozinhos ainda que inundem as redes sociais de invectivas ao regime, aos políticos ou à macrocefalia urbana e litoral.  

Quanto aos resultados obtidos, embora houvesse quem quisesse que os portugueses mostrassem nas eleições europeias um cartão amarelo, laranja ou vermelho ao Governo, assim antecipando a formação de uma onda que culminaria nas legislativas de Outubro próximo, o certo é que são o Governo e António Costa que saem reforçados. 

Com uma abstenção maior ou menor, visto que com o seu aumento é a legitimidade de todos os partidos que fica penalizada, e não apenas a dos partidos no poder, a leitura que houver de ser feita tem de cingir-se aos números. E, quanto a estes, é incontestável que foi o PS o grande vencedor das eleições. Qualquer que seja o critério utilizado. Não vale a pena inventar. Se em 2014 a vitória do PS ainda tinha sido “poucochinho”, em 2019 mais do que duplicou a diferença em relação ao segundo mais votado (PSD). Se antes a diferença era de cerca de 4 pontos, ontem fixou-se em quase 11,5%. Será difícil transformar isto numa derrota, mas daqui até uma maioria absoluta vai um longo caminho. 

Por outro lado, se Pedro Marques era uma má escolha para cabeça-de-lista, e eu considero que não era a ideal por diversos motivos (políticos e de estilo do próprio candidato), então as dos partidos da oposição foram um desastre completo. A escolha de Paulo Rangel era natural que tivesse o resultado de ontem. Não mudei um milímetro de opinião sobre o que dele pensava em 2010. E o resultado voltou a ver-se nas urnas. Há coisas que não se disfarçam. A gente não é estúpida. Rui Rio pode, pois, começar a fazer as malas para largar o barco em Outubro, se não quiser ser atirado borda fora, mais a sua tralha, a que herdou e a que levou para lá, pois que ou me engano muito ou o banho vai ser ainda maior. 

Nuno Melo, um político empenhado e que deixara boa imagem no Parlamento nacional antes de rumar a Bruxelas, optou por mudar o registo. Sempre que possível cavalga a onda populista e hortícola, cometendo algumas gaffes pelo caminho para poder ir dando o braço à líder do CDS/PP, cujo discurso, cada vez mais histriónico, correndo ao sabor do que ouve nas feiras e desfasado da realidade, só podia dar bons resultados junto das velhinhas que saem da missa dominical ou frequentam os convívios da linha do Estoril. Os ataques ad hominem contra António Costa nos encontros quinzenais não lhe trouxeram quaisquer proveitos e deram-lhe cabo de uma imagem em tempos moderada e sensata. Se o CDS/PP ainda não consegue voltar a caber todo num táxi, pelo menos já pode dividir um Uber com o PAN. Isto é, enquanto este não precisar de mais espaço para acomodar todos os vadios e descontentes que legitimamente vai recolhendo. Ao contrário do PAN, cujo resultado se pode considerar espectacular (de 1,72 sobe para 5,08%), e que poderá vir a ser consolidado com a eleição em Outubro de pelo menos mais um deputado, ao CDS/PP não se vislumbra grande futuro com a actual direcção. Os sinais de exaustão são evidentes. A sua bancada parlamentar já pouco se distingue da do PCP em falta de imaginação e veterania.

Nas eleições de 2009, PSD e CDS somavam 40,07%. Em 2014, coligados na Aliança Portugal, os dois partidos atingiram 27,73%. Este ano, pese embora o aumento de quase um milhão e meio de eleitores e o desgaste dos partidos do governo, os dois partidos não passaram de 28,13%. Isto deve querer dizer alguma coisa.

Quanto ao BE duplicou a sua votação (de 4,56% para 9,82), aproximando-se dos valores de 2009 (10,72). Foi bom, duvidando eu que este valor possa de algum modo ter confirmação em Outubro. O mais provável é vir a ser penalizado nas legislativas pela diminuição da abstenção, pelo voto útil e pelo “caso Robles”. A memória ainda está fresca.

Em descida acelerada rumo ao abismo está a CDU. Passar de 12,69% para 6,88% é obra, constituindo mais um sinal do esclerosamento do discurso do partido (os tais de Verdes só existem para a fotografia), como que a provar que não é por lá porem uns “jovens” que se disfarça o “centralismo democrático”. Os vícios são incorrigíveis. O PCP continua a pensar que é possível mudar o povo em vez de mudar o seu discurso, as suas políticas e os seus rostos. Os vícios transportam-se de geração em geração. É indiferente ouvir Jerónimo, Bernardino ou João Ferreira. Com lentes embaciadas e riscadas, bem podem colocar umas armações tipo “Ray Ban”, mais modernaças e coloridas, que o resultado é o mesmo. Vêem o que viam antes, os resultados são medíocres, e atirar as culpas para os outros só serve para se enredarem ainda mais no discurso madurista. 

Os restantes partidos e forças políticas concorrentes continuam a ser quase inexistentes. Registe-se o desastre eleitoral do Aliança, cujo futuro poderá vir a ser decidido nas legislativas, talvez de todos os resultados o menos previsível atento o resultado obtido pelo PAN. 

Quanto aos restantes concorrentes mostraram a sua inexpressividade, admitindo-se que alguns figurões, entretanto, a esta hora já tenham descido à terra e regressem às suas vidas sem mais traumas.

Uma nota final: uma reedição dos resultados europeus do PS e do PAN, depois do Verão, pode baralhar as contas de uma nova “Geringonça”. Convém ter em atenção o que entretanto poderá acontecer.

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15 comentários

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De Luís Lavoura a 27.05.2019 às 14:41

o PAN, cujo resultado se pode considerar espectacular (de 1,72 sobe para 5,08%), e que poderá vir a ser consolidado com a eleição em Outubro de pelo menos mais um deputado

Mais um??! Se o PAN obtiver nas legislativas as mesmas percentagens que obteve ontem, alcançará 5 deputados (3 por Lisboa e 2 pelo Porto), ou seja, mais 4 que atualmente.
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De Sérgio de Almeida Correia a 27.05.2019 às 14:46

Convém contar com outras variáveis. Isso não é “copy & paste”, Lavoura.
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De Luís Lavoura a 27.05.2019 às 15:28

Não há grandes variáveis mais, Sérgio de Almeida Correia. Em Lisboa tem-se um deputado por cada 2,1% dos votos. (De facto, se se tiver muitas vezes isso, o número de deputados sobre ainda mais depressa.) O PAN teve ontem, salvo erro, 6,37% dos votos em Lisboa. Isso faz três deputados, independentemente de quaisquer outras variáveis. É como ginjas.
Se não acredita, veja os resultados das legislativas de 2015, no distrito de Lisboa. A PAF e o PS obtiveram 18 deputados cada, com 34,7% e 33,5% dos votos respetivamente. Ou seja, basta 1,9% dos votos por cada deputado. O BE e a CDU obtiveram cinco deputados cada, com 10,9% e 9,8% dos votos respetivamente; menos de 2% dos votos por cada deputado. Finalmente, o PAN elegeu um deputado com menos de 2% dos votos.
Ou seja, é quase linear: 1,9% dos votos = 1 deputado. E o PAN obteve ontem 6,79% no distrito de Lisboa. São três deputados só por esse distrito, sem espinhas. É tiro e queda.
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De António a 27.05.2019 às 14:56

Foram umas eleições justas. Ganhou o mais votado e é assim a democracia. Não aprecio particularmente os resultados, e aprecio ainda menos o estado de negação de alguns perdedores, mas em geral não esperava muito diferente. Gostei da derrota de Santana Lopes, duvido que lhe cresça a humildade, mas agora ficou sem poiso. Gostei da votação do Basta!, só pecou por excesso. Tive alguma pena do fraco resultado do Iniciativa Liberal, acho que um partido liberal com uns deputados faz falta em Portugal. Bom trabalho do Bloco, o PCP devia aprender com eles, tem gente nova mas persiste em não se renovar. Rui Rio ainda vai terminar a carreira no PS, e para bem do PSD era bom que se despachasse. Assunção Cristas enferma do mesmo mal de Rio, não sabe que partido tem nas mãos. O PAN é uma agremiação de lunáticos, mas é muito eficaz, e dada a inexistência de outros “verdes” tem por onde crescer.
Quanto a Costa, estou um pouco como os que disseram que até o Rato Mickey venceria Trump - pelos vistos na oposição não há ninguém à altura do Mickey.
Finalmente, a abstenção. Que miséria. Que fossem a favor ou contra a UE, mas que fossem votar. Começa a ser uma vergonha a falta de civismo. Parece que eleições livres são um sacrifício? Esperem até não as ter.
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De Luís Lavoura a 27.05.2019 às 15:36

Que fossem a favor ou contra a UE, mas que fossem votar. Começa a ser uma vergonha a falta de civismo.

Concordo com o resto do comentário, mas discordo desta frase.

Suponha uma eleição para determinar quem é o melhor jogador de futebol do mundo. É evidente que há pessoas que não se interessam por futebol, outras interessam-se mas não sabem avaliar cada um dos jogadores. Para essas pessoas, votar em consciência quem é o melhor jogador do mundo não faz sentido, é difícil e, na melhor das hipóteses, votarão ao calhas.

Votar no melhor partido para o Parlamento Europeu é, quer queiramos quer não, para muita gente mais ou menos a mesma coisa que votar para o melhor jogador de futebol do mundo. Podem ter a vaga ideia de que Messi e Ronaldo são muito bons, mas não sabem qual deles é o melhor, muito menos podem afirmar se não haverá outros tantos que, se calhar, até seriam melhores que esses dois.

Ora bem: quem não sabe votar, quem não se interessa por votar, mais vale que não vote. Vivemos num país livre (felizmente!!!) e as pessoas não podem ser obrigadas a gostar de política, a entendê-la, a estudá-la, a percebê-la. E se não gostam, se não entendem, se não estudam, se não percebem, então é preferível que não votem. Mais vale não votar do que votar ao calhas, ou votar naquilo que o vizinho nos manda fazer.
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De António a 27.05.2019 às 18:30

Lavoura, isto não é o melhor futebolista do mundo, é o Parlamento Europeu. Ali nascem leis e directivas que afectam 300 milhões de pessoas. Quem é que nós lá queremos a representar Portugal. Enquanto temos algum poder.
Não aconselho ninguém a votar “ao calhas”, mas a verdade é que normalmente aquilo em que votámos não é o que nos servem no prato. Costa ia acabar com a austeridade. Passos Coelho ia baixar impostos.
Mesmo não sabendo, há o voto em branco. Se todos os abstencionistas tivessem votado em branco o PS tinha 11%.
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De Vento a 27.05.2019 às 16:18

É óbvio que nestas eleições europeias também estava em causa um cartão à governação.
Em termos percentuais, e face à taxa de abstenção, o muito poucochinho com que Costa tem brindado os socialistas pode por analogia ser comparado à referência que se estabelece entre a dívida e o PIB. O valor nominal da dívida importa, e se esta se mantém conclui-se inequivocamente que foi o PIB que aumentou e não a dívida que diminuiu. É esta a questão subjacente ao resultado do PS. Nada de novo, como era de esperar de Costa após o alinhamento aos ditames do sindicato de Bruxelas.

Varoufakis tinha razão. E a história está a confirmar esta verdade. Serve isto como mote para abordar a outra questão muito mais relevante e importante que a orgânica interna eleitoral. No seu início, os partidos da geringonça fizeram crer que um dos aspectos estruturantes desta congregação seria precisamente a acção contra a ortodoxia bruxeliense que há muito, e em particular em relação a Portugal, vinha a despir o seu tecido social e económico através de medidas que visavam única e exclusivamente o resgate à banca francesa e alemã, as mais comprometidas com os descalabros das finanças públicas e privadas de muitos membros da União, isto é, aqueles que tinham sido seleccionados para se renderem a uma situação passiva de consumidores. Tendo sido alvo de imensos subsídios que alinhavam com o propósito em causa.

Sendo o PS um dos principais responsáveis no acolhimento das referidas políticas, muito deste se esperava no sentido de inverter a situação e limpar a mancha da referida responsabilidade. Mas isto não fez. Costa, faltando-lhe em imaginação o que lhe sobra em habilidade, cola-se à ortodoxia de Bruxelas e leva a que os restantes geringonceiros demonstrem que o seu sentido de estar bem como o sentido de Estado e responsabilidade para com os cidadãos, a par com o PS, é meramente oportunista e está aí para servir a família e familiares e corporações.
Não faltou o discurso demagogo e farturante em torno de feminismos e lgbtísmos para encobrir a verdadeira realidade que se esconde debaixo de um tapete político falacioso, e que se espelha na miséria e nos miseráveis que a cada dia ocorrem na nação e que em termos gerais representam cerca 30% da população a quem os mais básicos instrumentos de sobrevivência lhes falta. Se se adicionar a estes os que vivem com a água pelo nariz, cujo balão de oxigénio é o crédito, constataremos que Costa é o governante do Poucochinho, miseravelmente poucochinho, e que é também natural que a política em torno da habitação passe somente por atender à especulação imobiliária, fomentando as tendas na calçada.

Concluir-se-á também que, ainda que inadvertidamente, serão os eleitores europeus a contribuir para as mudanças necessárias a operar quer em Bruxelas quer em Portugal.
Se algo nestas eleições ficou demonstrado é que até para mudar de rumo dependemos dos outros. E isto é muito infantil.
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De Anónimo a 27.05.2019 às 17:28

O que importa referir é que a direitalha foi derrotada e bem derrotada. Os portugueses não querem a direita no poder.
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De António a 27.05.2019 às 20:31

Há quem se contente com pouco.
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De Anónimo a 27.05.2019 às 20:51

Os circos necessitam de mudar o esquema das "actuações", mudando de "animais"........

Por enquanto só "O Grande Elias & Famiglia", Circo La Rose ainda tem plateia !

A.Vieira
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De António a 27.05.2019 às 22:20

Eu acho que quem usa expressões como "direitalha" e "esquerdalha" deve ser propenso a usar outras do mesmo jaez, como "gajedo", "pretalhada", "paneleiro", coisas assim.
Tenho muito respeito pela direita e pela esquerda. A "direitalha" de Hitler e a "esquerdalha" de Estaline metiam respeito, e quem pensou que eram assim uma "coisalha" saíu-se mal.
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De Vorph Valknut a 27.05.2019 às 17:32

Pergunto se as eleições não deveriam ser invalidadas caso a soma da abstenção, branco e nulos superassem os 60%? Ao Presidente, nestes casos, deveria caber o Direito de formar Governo. Que legitimidade pode haver, num governo, quando menos de 40% vão votar?
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De Sérgio de Almeida Correia a 28.05.2019 às 05:59

Pedro, estamos a falar de eleições europeias...

De qualquer modo, enquanto as regras forem estas não se pode fugir. A legitimidade formal mantém-se, essa não sai diminuída.

E referendar a democracia não me parece solução.
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De António a 28.05.2019 às 13:41

Não sei não, Pedro, o caso é que as pessoas não foram impedidas de votar. Talvez se todas essas abstenções fossem votos em branco o caso fosse diferente. Desde logo, como postou o jpt, as percentagens seriam outras. Talvez cantar vitória com 10% dos votos fosse menos fácil. Era decerto um quadro menos ambíguo.
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De Anonimus a 27.05.2019 às 18:46

Quando o Cavaco foi eleito Presidente deram-se 1001 cambalhotas matemáticas para justificar não ser o presidente de todos os portugueses. Era a abstenção, eram os nulos, afinal no fim ninguém queria o Cavaco.
Mudam-se as vontades.
Votar, sempre, nem que seja no símbolo das Caldas da Rainha.

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