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E que tal ter férias em Caracas?

por Pedro Correia, em 18.04.19

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Foto: Tiago Petinga/Lusa

 

Ia escrever sobre o tema, mas afinal o texto já estava escrito. Aqui, pelo Eduardo Louro.

Incluindo a frase de remate, que desvenda bem esta tola sociedade consumista em que nos tornámos: ao toque de qualquer sineta alarmista, largos milhares atropelam-se para conseguir um lugar na bicha, precisem ou não precisem. 

«Já estive ontem na fila e atestei, mas como ontem ainda acabei por gastar uns 20 euros, hoje venho atestar outra vez...» 

A esta gente, que atesta o depósito depois de o ter já atestado, recomendo uma semana de férias no "paraíso" venezuelano. Onde tudo falta, excepto ao recluso do Palácio de Miraflores, e as filas são gigantescas, quase sempre para nada obter. Porque nada há lá para consumir, a começar pela água e pela luz.

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4 comentários

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De Anónimo a 18.04.2019 às 19:52

O Pedro Correia sempre pronto para fazer valer a sua ideologia, ideologia essa que deixa o país no caos em 2 dias , sem gasolina nas estações de serviço.
O neoliberalismo que vive no meio de folhas de excell levado ao extremo como se pode comprovar amiúde seja no "estado" ou em empresas privadas onde o supérfluo é rei e o básico / essencial visto como luxo.

WW
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De Pedro Correia a 18.04.2019 às 20:17

Ideologia têm vocês, os fanáticos radicais.
E são escravos dela.
Todos os venezuelanos - começando por quase toda a elite do regime - trocariam já, se pudessem, o miserável quotidiano em que vivem pelo "neoliberalismo" europeu.

Quanto às gasolineiras, como deduzo que você despertou só agora, informo-o que esse problema já foi resolvido.
Aqueles que circulam com o depósito atestado, podem atestá-lo as vezes que quiserem - por mais absurdo que isso seja.

Se vivessem na Venezuela de Maduro, que você parece idolatrar, não tinham gasolina. Nem medicamentos. Nem comida. Nem luz. Nem água. Nem internet para escrever prosa anti-liberal.
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De Carlos Gonçalves a 19.04.2019 às 01:42

O anónimo tem razão quando diz que a greve lançou o país num caos ao fim de dois dias E é muito curioso que aparentemente a tenha sentido como um movimento hostil ao poder, como uma "ideologia" que não é a sua (que é a de "esquerda") e contra os trabalhadores em luta pelos seus interesses.
E muito respeitosamente, acho um pouco manco e redutor que a mencione a propósito de episódios que são, apesar de tudo, periféricos em relação ao seu significado. Acho extraordinário que apenas a "esquerda" tenha intuído esta ameaça...
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De Pedro Correia a 19.04.2019 às 08:25

Em primeiro lugar, o "anónimo" não é anónimo.

Em segundo, quem trouxe a "ideologia" à baila foi o não-anónimo.

Em terceiro, não houve "caos" algum. Houve um alarmismo potenciado pelas redes sociais, típico dos dias actuais: cada um que dispara uma mensagem acentua o alarmismo da mensagem precedente, para ser mais lido e comentado por sua vez.

Houve, sim, o exercício do direito constitucional à greve. Verificado o incumprimento de normas legais que regulam esse direito, foi decretada a requisição civil dos grevistas para manutenção dos serviços mínimos - sem a qual, aí sim, se registaria o "caos" que vocês invocam.

Menos de 48 horas depois, o conflito estava solucionado com um acordo entre as partes - que são do sector privado - com o Governo a funcionar como mediador, como lhe compete, tratando-se de um sector estratégico da economia nacional.

Descontado o alarmismo potenciado pelo factor que mencionei atrás, todos puderam ir às suas vidas, gozando de uns tranquilos dias de feriados religiosos. Incluindo os mais fervorosos laicistas da nossa praça. Incluindo todos aqueles que, tendo o depósito do carro cheio, decidiram passar absurdas horas em filas junto de bombas de gasolina para atestarem o que já estava atestado.

Em quarto lugar, se vocês chamam "caos" ao que aqui ocorreu, dando um uso desproporcionado à palavra face ao sucedido, como definiriam aquilo que se passa todos os dias, há vários anos, num país como a Venezuela?

Em quinto e último, votos de boa Páscoa.

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