Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




E onde é que o PR me coloca?!

por Helena Sacadura Cabral, em 12.06.16
Eu sei que há frases infelizes e momentos menos bons. Sobretudo, quando se improvisa. Esta distinção que o PR resolveu fazer entre povo e elites deixou-me, confesso, um bocado abalada.
Explico-me. Estudei sempre em escolas e Universidade públicas. Nesta última tive durante cinco anos direito a uma bolsa distribuída aos melhores, de cerca de 1200 alunos da instituição. 
Dei explicações para pagar aquilo a que a esta não chegava. Fui "sebenteira" - isto é, fazia as sebentas que os professores não faziam - para ter direito aos livros grátis. Tomava os eléctricos de operários às 6 horas da matina para ter direito a uma viagem de retorno sem pagar. 
E sem quaisquer férias, durante todo o curso, ofereceram-me um emprego uma semana depois de o terminar, que aceitei cheia de orgulho.
Depois de tudo isto, alguém me clarifica onde é que o Presidente me coloca, depois das afirmações que fez? Vê-me como povo ou como elite? 
Eu sei que sou povo e me identifico com ele, continuando a trabalhar aos 80 anos para manter a minha dignidade e independência, mesmo depois de tudo o que me tiraram. Mas não esperava que, alguma vez, o homem que chefia os destinos do meu país criasse em mim a dúvida sobre "quem" sou, só porque tive a ambição de tirar um curso superior e de muito ter labutado por ele!

 


13 comentários

Sem imagem de perfil

De BELIAL a 12.06.2016 às 16:14

A regra confirma a excepção.

Creio que poucos duvidam que é uma portuguesa excepcional, a todos os títulos.

Eu não duvido.
Tenho a certeza.
Sem imagem de perfil

De xico a 12.06.2016 às 16:51

Cara Helena (permita-me a familiaridade). De acordo com o dicionário o Povo é o Conjunto dos habitantes de uma nação ou de uma localidade. Logo a Helena é Povo.
De acordo com o mesmo dicionário, elite é O que há de melhor e se valoriza mais (numa sociedade). Logo a Helena é, sem qualquer dúvida, a Elite.
Quando a Elite interpreta o sentir do Povo, como disse Marcelo, presta um serviço a esse Povo. Prestar serviço ao Povo é dever da Elite, como deve ser o dever do Príncipe.
Não tenha vergonha de ser Elite porque estará sempre no interior do coração do Povo. Tenho a certeza.
Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 12.06.2016 às 17:57

Xico
O problema é que me sinto muito bem entre o povo e bastante mal entre o que se chama de elites. Para estas, apaixonadas pelo seu próprio umbigo tenho muito pouca paciência. e às vezes pena, confesso!
Por isso não apreciei a distinção feita por Marcelo. Eu sou uma privilegiada que se esforçou por ter voz activa na sociedade que tal me permitiu. E que essa voz é a retribuição que posso e devo dar.
Ele não sei "quem" é. Parece-me elite. Mas não tenho a certeza. Só sei que o PR não deve fazer esta distinção cultural, se quer ser o PR de "todos" os portugueses!
Sem imagem de perfil

De gty a 12.06.2016 às 23:09

A HSC é o exemplo de alguém que pertence àquela "classe média antiga" (para copiar um termo que ouvi há pouco tempo e onde se inclui muita aristocracia de província) com tudo o que isso implica em termos de cultura, visão do mundo, acesso a informação, etc. No seu caso, os rendimentos eram menores do que o habitual, mas isso não faz da HSC menos "encaixável" nas élites e principalmente nas portuguesas. É que apesar dos seus méritos pessoais falhou - pelo menos parcialmente - onde as élites portuguesas falham: na transmissão de valores morais às gerações mais novas.
Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 13.06.2016 às 10:36

gty
Depreendo do seu comentário que seja um exemplo de valores morais na educação das "suas" gerações mais jovens.
O que me surpreende, confesso, pela falta de delicadeza que uma parte do seu comentário revela...
E, que eu saiba, os "valores" de que fala, são transmitidos pelos pais - e não só pela mãe -, pela família e pelas pessoa que se vão cruzando connosco.Pessoas como o como o gty, claro!
Sem imagem de perfil

De gty a 13.06.2016 às 16:54

Minha Senhora,

Afianço que - tanto quanto saiba - nunca me cruzei com qualquer pessoa da sua família.
Quanto aos meus defeitos, que são os comuns do país mais alguns da minha lavra (todos perto do imperdoável) bem como qualidades que algum dia me vier, com espanto, a achar, tento-os impor o mínimo possível a quem quer que seja.



Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 14.06.2016 às 02:34

A frase é sua
" É que apesar dos seus méritos pessoais falhou - pelo menos parcialmente - onde as élites portuguesas falham: na transmissão de valores morais às gerações mais novas.
Em que parte é que o senhor considera que eu falhei na transmissões desses valores, se nunca se cruzou comigo ou com os meus? E com que autoridade é que se permite afirma-lo se me não conhece de lado nenhum?/
Sem imagem de perfil

De josé Neto a 12.06.2016 às 22:07

Excelentíssima Senhora

Não pretendo comentar a sua reação ao discurso do Presidente da República no dia 10 de junho.
Apenas quero salientar que o que ele afirmou é uma evidência histórica; basta ter presente o que se passou na transição entre Sancho II e Afonso III, na crise de 1383 - 85, em 1580 e, por aqui me fico, para não citar exemplos mais recentes.



Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 13.06.2016 às 10:08

Jose Neto
As evidências históricas . justamente por o serem - não necessitam ser relembradas, a não ser que se tenha com isso alguma finalidade positiva. Não foi o caso!
Sem imagem de perfil

De Vento a 13.06.2016 às 00:01

Eu percebi o que o PR pretendeu dizer. Na realidade as "elites" neste país sempre coçaram para dentro. E não se pode confundir o clientelismo que se instalou com a percepção que se tinha sobre povo. Sim, também existiu gente do povo que se juntou a este movimento dito de elite.

Porém, as verdadeiras elites que neste país foram geradas são aquelas que, compreendendo os anseios do povo e conseguindo projectar a nação que neles habitava, não possuíam os meios nem a posição para liderar aqueles que entendiam deviam ser líderes de si mesmos. E ser líder de si mesmo não significa necessariamente o individualismo. Mas coesão com individualidade.

Encontramos tais personalidade e elites nos mais diversos meios sociais, em particular escritores, que conseguiram dar voz aos que não tinham, mesmo quando suas vozes foram perseguidas e as tentaram calar.

Aconteceram algumas excepções, uma dessas excepções leva por nome Adriano Moreira. Mas também tivemos Norton de Matos e outros mais.
Sem imagem de perfil

De Jorg a 13.06.2016 às 09:20

Estimada D. Helena, sinceramente coloca-a a fora das etiquetas recitadas pelo nosso afectuoso e verboroso PR (ainda que em defesa de Marcelo se possa dizer que tinha ao lado o Capatraz da Geringonça a segurar em chapéu de chuva, intimidação que não raramente induz muito destrambelho de verve...)
E é aí, fora desse arrebanhado, que reside a esperança de melhoria..
Imagem de perfil

De Diogo Noivo a 13.06.2016 às 18:56

Cara Helena, revejo-me no teu excelente texto. Percebo a dúvida e a indignação, que julgo serem inteiramente justificadas. Porém, entendi as palavras do Senhor Presidente da República como um acto de contrição muito pessoal. Uma espécie de nova declinação da "política de afectos".
Imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 14.06.2016 às 02:46

Os afectos podem resolver problemas familiares mas não resolvem os problemas do pais. So os empatan com estas distinçoes sui grneris. É pena!

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D