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É fazer as contas, como dizia outro

por Rui Rocha, em 06.06.16

Fazendo umas contas por alto, um ano tem cerca de 250 dias úteis. Se tivermos em conta que o direito a férias remuneradas corresponde a 22 dias por ano, sobram coisa de 228 dias úteis para trabalhar. A redução do horário de trabalho na função pública para 35 horas semanais corresponde a menos 1 hora de trabalho por dia. Isto é, o empregador Estado acaba de somar aos 22 dias úteis de férias normais mais uma "dispensa" equivalente a cerca de 28 dias por ano (1 hora x 228 dias de trabalho / 8 horas diárias de trabalho = 28,5). Exacto. É o que acabaram de ler e que repito para o caso de não ter ficado claro: é de uma medida equivalente a um acréscimo de 28 (vinte e oito) dias de férias anuais para cada funcionário público que estamos a falar.


50 comentários

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De Ssalgueiro a 07.06.2016 às 07:03

Não é preciso ser Prémio Nobel da Economia para fazer bem contas. Um Prémio Nobel da Literatura também as fez.

José Saramago – Apontamentos
50 milhões de diferença
14 de Maio de 1975

"Imaginemos um português dos nossos, sem característica especial, pessoa comum. Ganha ele um ordenado que, por comodidade, suporemos ter um valor de 100. Por diversas razões, todas explicáveis, embora nem todas aceitáveis, as suas despesaa montam a uma importância cujo valor representaremos por 120. É claro como água que este homem é um homem endividado. Vai porém vivendo sem dar muita atenção ao que lhe acontece, porque ao canto da arca ou na conta do banco tem uma reserva de dinheiro que começou por ser confortável e hoje o é menos, Se este português é inconsciente, todos os meses irá buscar 20 ao mealheiro para pagar tudo aquilo para que os 100 não chegaram. Quando a reserva se acaba, é possível que o nosso homem se decida a pedir emprestado: resta saber se encontrará um ingénuo que a tal se preste, se lhe aparecerá um usurário para quem ainda haja perspectiva de usura, ou se, muito simplesmente, a solução não estará em um tiro na cabeça.
Dirão os leitores que este quadro, tão explícito não traz qualquer novidade, pois é exatamente desta maneira que vive a maior parte dos portugueses. Será, ou melhor, bem sabemos que é. E também sabemos que um português maior, chamado Portugal, se encontra em situação muito semelhante, para não dizermos igual. Na verdade, conforme tem vindo a ser abundantemente explicado, o cidadão Portugal, entre o que produz e o que come, encontra, ao fazer as suas contas anuais, uma diferença de 50 milhões de contos, Bonita soma temos de concordar!
Este distraído ( não ousamos chamar-lhe inconsciente) Portugal produz, com o seu trabalho, um valor a que chamamos 100. Muito ou pouco, seria bastante se não consumisse 150. O pior é que consome mesmo. E então que faz ele? Vai às reservas, claro. Com elas paga a divida que está entalada entre a produção e consumo, e assim vai vivendo.
Pergunta-se porém: até quando viverá? Até ao momento de partir o mealheiro e não sair um tostão. Resta-lhe o recurso de pedir emprestado, naturalmente. Pedir emprestado não é vergonha nenhuma, sobretudo quando se pede para produzir. Mas este Portugal, se chegar ao tal ponto, não pedirá para produzir, uma vez que também não conseguia produzir aquilo que precisava: pedirá para sobreviver, e basta. E onde estará o ingénuo para emprestar? Desenganemo-nos: em questões de dinheiro não há ingénuos internacionais. Quanto aos usurários livre-nos deles quem puder. Que fica pois de sobra? O tiro na cabeça.
Conclua-se daqui o que deve ser concluído. Ou carecemos do essencial, ou desperdiçamos no supérfluo. Se é o essencial que falta, trabalhemos mais para produzir mais. Se é o supérfluo que nos esgana, corte-se no supérfluo. O mais certo, contudo, é que tenhamos de produzir mais e de cortar nas bagatelas e no luxo. Por que se espera? Irá o país suicidar-se, gastando os últimos centavos em perfumarias machas ou fêmeas? Ou enfim acordamos deste sono ambulante?"

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