Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




E então, bate bate coração

por Maria Dulce Fernandes, em 06.05.19

Não creio que seja novidade para alguém o estado clínico de Iker Casillas, guarda-redes espanhol ao serviço do FC Porto, que sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante o treino. Felizmente Casillas está bem, está estável e com o problema cardíaco resolvido, mas outros houve, com o músculo mais debilitado, que não foram tão afortunados.
Algumas situações têm prognóstico muito reservado. Em outras menos graves, recorre-se a pacemakers e ao novíssimo HeartMate3, por exemplo, restando a solução do transplante com compatibilidade comprovada para aqueles casos considerados inviáveis do ponto de vista imunitário.
Um transplante bem sucedido e o paciente poderá viver alguns (vários) anos com o seu novo coração.
Como me foi dado a aprofundar recentemente que “não há comportamento humano que não tenha origem biológica”, poderei inferir que o órgão transplantado poderá ter um comportamento errático, por conflitos de informação no código genético existente no DNA e RNA? O dogma central da biologia sintetizará o código comportamental existente num músculo estranho à sua essência? Será pertinente cogitar que o paciente passaria a viver com dois códigos genéticos distintos, o que o tornaria na mítica quimera?
Claro que Hollywood pensou nisto tudo desde os primórdios, com o monstro de Frankenstein possuidor de um músculo em processo de decomposição reavivado por um desfibrilador trovejante, mais humano do que muito músculo pulsante. Poderemos considerar o transplante do Prometeu Moderno, como o primeiro transplante de coração de que há narrativa, ficcionada que seja, em que o comportamento tem origem biológica, apesar de se focar essencialmente mais na mecânica do que na química do processo da criação.

Menosprezando os muitos entraves e obstáculos que todas as “logias” possam colocar, é legítimo cosiderar que suturar um coração e vê-lo palpitar dentro de um peito clinicamente morto será o primeiro passo para um complexo de Deus?
Cogito ergo sum, ou então não.


22 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 06.05.2019 às 02:14

https://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_(genetics)#Humans
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 10:22

É exactamente o que eu queria dizer

"Another way that chimerism can occur in animals is by organ transplantation, giving one individual tissues that developed from a different genome. For example, transplantation of bone marrow often determines the recipient's ensuing blood type"
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 08:02

Sim, Dulce, houve tempos em que se julgava que os sentimentos, as emoções, inclusive o Amor provinham do coração. Mas julgo que essa teoria já foi rejeitada.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/1299456/
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 10:12

Ah, Pedro... a ciência não explica a doçura das pelpitações após um beijo quente...
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 10:17

Isso é verdade! Tinha um Professor de Bioquimica que tentava avaliar tudo sobre o ponto de vista quimico. Eu dizia-lhe que não havia Tratado de Quimica que se comparace a um Poema:


"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"


Imagem de perfil

De Corvo a 06.05.2019 às 11:01

Amor é como um canteiro de erva bem tratado com desvelo e cuidados, que cresce verdejante e pujante, um regalo ver-se.
Mas se calha passar por ali uma vaca fo...lixa tudo.
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 11:18

Então Corvo... e outros bovinos de género, não ?
Imagem de perfil

De Corvo a 06.05.2019 às 12:06

Bovinos, não sei. Agora uma cabra também faz lindo serviço, ai lá isso faz.

Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 12:36

Quer-me parecer que o problema aqui não é o gado em si, seja bovino ou caprino, Corvo. É tão somente e apenas o género
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 11:24

Probabilidades de 50/50 ?
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 12:57

Sob o ponto de vista...and so on
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 08:12

Sim. Nos transplantados, o DNA das células miocárdicas são consideradas non self pelo sistema imunitário do organismo receptor. Daí a necessidade de se fazer terapia imunossupressora após transplante
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 10:13

E após a terapia, o coração transplantado continua com o código genético original, certo ?
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 11:12

Sim. Embora os genes activos de uma célula do miocárdio sejam diferentes daqueles de uma célula da derme, por exemplo ( diferenciação celular). Excepto quando não existe ainda diferenciação celular - as chamadas células estaminais multipotentes que podem dar origem a qualquer tipo de célula.

Aliás em termos genéticos compartilhamos muitos genes com outras espécies animais. Por exemplo o DNA do chimpanzé é 98% semelhante ao humano. A Grande diferença resulta na actividade ( sobreactividade, subactividade) dos genes numa e noutra espécie ( ex: gene "a" é muito mais activo no humano do que o gene "a" no chimpanzé)....
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 11:27

Dependendo do humano e do chimpanzé
Imagem de perfil

De Corvo a 06.05.2019 às 12:17

E de qual chimpanzé?
Se for do bonobo duvido muito que o gene humano seja mais activo, sobretudo, uma vez que se fala aqui dele, dessas coisas do coração.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 06.05.2019 às 13:04

Umas das caracteristicas curiosas do ser humano é que não sabemos bem o que somos , nem quem somos....a nossa plasticidade comportamental é múltipla....somos capazes de compadecermo-nos com outros animais, humanizá-los, inclusive e até, cúmulo dos cúmulos, somos capazes de acreditar que não somos humanos...Licantropia clinica por exemplo....na volta existe livre arbitrio
Imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.05.2019 às 13:17

Livre arbítrio? Onde é que eu ouvi isso ?
Ah! é verdade, não existe!
Somos todos Pavlovianos, de um ou de outro modo...

Também chegamos ao cúmulo de acreditar que somos humanos e isso é bem pior

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D