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Delito de Opinião

E depois da Crimeia?

Luís Menezes Leitão, 16.03.14

 

Seguramente que, no final do dia de hoje, Putin dirá que a Crimeia já cá canta e agora seguir-se-á o resto, ou seja, o leste da Ucrânia, a Transnístria, e se calhar até territórios dos estados bálticos que lhe permitam o acesso terrestre a Kaliningrad, a antiga Königsberg. Já alguém disse que o mal da Europa era ter demasiada história para tão pouca geografia. Eu digo que neste momento o mal da Europa é ter-se transformado numa plutocracia, em que os mercados são reis e senhores e os governos estão nas mãos do poder financeiro. Foi por isso que a resposta pífia da Europa ao avanço russo passou apenas por ameaçar a Rússia com sanções económicas. Putin ri-se das sanções económicas. Não só é a maior parte da Europa que está dependente do gás russo como, ao contrário do que sucede no ocidente, Putin não se deixa influenciar pelo poder financeiro. Pelo contrário, os milionários russos sabem que só serão milionários enquanto Putin quiser. Basta ele não querer para que surja qualquer acusação criminal que lhes tirará a fortuna toda, se não forem mesmo atirados para a prisão. É por isso que a Europa nada pode contra Putin. Quanto aos Estados Unidos, desde a presidência de Obama que voltaram a um cíclico isolacionismo, o qual já pagaram muito caro em ocasiões anteriores. Já a ONU, será naturalmente paralisada pelo veto russo. Putin tem assim o caminho livre para reconstituir o império russo. Resta saber se será o único. Depois da vitória russa, será que a China não encarará isto como um precedente que lhe permita avançar também para Taiwan? Quando se começa a ceder, nunca se sabe onde as cedências param.

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