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Delito de Opinião

E a crise no Sporting também parece importante

Luís Naves, 28.05.18

Para nós, saloios, começa a ser difícil compreender a política europeia. Diziam-nos que este era um momento decisivo, com as negociações do Brexit, dos planos da pólvora para a zona euro e da sempre excitante distribuição de fundos comunitários. Subitamente, temos duas potências fora de combate. Em Itália, os dois partidos vencedores das legislativas conseguiram chegar a um acordo de governo e tinham maioria no parlamento, mas o Presidente da República (escolhido pelo parlamento anterior) vetou um ministro, levando o primeiro-ministro designado a sair de cena. Está agora a ser negociado por este presidente não eleito um governo não eleito chefiado por um quadro do FMI e que os principais partidos eleitos recusam. Os partidos populistas que venceram as eleições perguntam-se para que serve o voto e prometem torpedear tudo o que mexer antes de novas eleições, enquanto as taxas de juro implícitas da dívida italiana continuam a aumentar. A imprensa de Roma está furiosa com os jornais alemães, que passaram a semana a dizer cobras e lagartos dos populistas italianos e das suas tendências anti-democráticas. O líder da Liga Norte já insinuava ontem que as eleições antecipadas serão um verdadeiro referendo sobre a participação da Itália no euro. Como se isto não bastasse, em Espanha, o PSOE parece ter escolhido o caminho da eutanásia, promovendo uma moção de censura que aparentemente conduz a eleições numa altura em que o Ciudadanos lidera as sondagens com quase 30%, estando os socialistas apenas na terceira posição. Não se percebe a estratégia, mas é previsível que a Espanha esteja entretida na crise durante os próximos meses, quando se discutirem fundos comunitários. Enfim, o directório franco-alemão da UE está a ser contestado pela fronda liderada pelo grupo de Visegrado, que contesta a política migratória de Macron-Merkel e promete resistir a qualquer tentativa do directório de misturar fundos com migrações. A cereja em cima do bolo é a guerra comercial com os Estados Unidos, que continua a fermentar nos bastidores, dirigida sobretudo à Alemanha, por causa do respectivo excedente da balança corrente, mas que acabará por atingir todos os países. Ah, e esqueci-me do Brexit, que também está a correr bem.

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