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Para nós, saloios, começa a ser difícil compreender a política europeia. Diziam-nos que este era um momento decisivo, com as negociações do Brexit, dos planos da pólvora para a zona euro e da sempre excitante distribuição de fundos comunitários. Subitamente, temos duas potências fora de combate. Em Itália, os dois partidos vencedores das legislativas conseguiram chegar a um acordo de governo e tinham maioria no parlamento, mas o Presidente da República (escolhido pelo parlamento anterior) vetou um ministro, levando o primeiro-ministro designado a sair de cena. Está agora a ser negociado por este presidente não eleito um governo não eleito chefiado por um quadro do FMI e que os principais partidos eleitos recusam. Os partidos populistas que venceram as eleições perguntam-se para que serve o voto e prometem torpedear tudo o que mexer antes de novas eleições, enquanto as taxas de juro implícitas da dívida italiana continuam a aumentar. A imprensa de Roma está furiosa com os jornais alemães, que passaram a semana a dizer cobras e lagartos dos populistas italianos e das suas tendências anti-democráticas. O líder da Liga Norte já insinuava ontem que as eleições antecipadas serão um verdadeiro referendo sobre a participação da Itália no euro. Como se isto não bastasse, em Espanha, o PSOE parece ter escolhido o caminho da eutanásia, promovendo uma moção de censura que aparentemente conduz a eleições numa altura em que o Ciudadanos lidera as sondagens com quase 30%, estando os socialistas apenas na terceira posição. Não se percebe a estratégia, mas é previsível que a Espanha esteja entretida na crise durante os próximos meses, quando se discutirem fundos comunitários. Enfim, o directório franco-alemão da UE está a ser contestado pela fronda liderada pelo grupo de Visegrado, que contesta a política migratória de Macron-Merkel e promete resistir a qualquer tentativa do directório de misturar fundos com migrações. A cereja em cima do bolo é a guerra comercial com os Estados Unidos, que continua a fermentar nos bastidores, dirigida sobretudo à Alemanha, por causa do respectivo excedente da balança corrente, mas que acabará por atingir todos os países. Ah, e esqueci-me do Brexit, que também está a correr bem.


13 comentários

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De Sarin a 28.05.2018 às 12:53

Por uma vez na História recente teremos os homens certos nos lugares certos nas horas certas?

Sobre a Itália, confesso que ando perdida - uma data de anos para perceber aquela república de cidades-estado; e quando finalmente achava que tinha percebido Vitório Emanuel, vêm os gajos do Norte e dão-me cabo da compreensão.
O Brexit continua impávida mas não serenamente estagnado, e as estagnações raramente têm direito a cabeçalhos.
Preocupa-me o braço-de-ferro com os EUA, que não passa apenas pelos acordos comerciais... mas talvez nos passe ao lado, a nós UE, a possibilidade de demarcação, a possibilidade de coesão numa União pelo que realmente nos é comum - o espaço que habitamos. Pela cultura iremos lá se nos federarmos.

Os fundos de coesão estão a ser discutidos - mas não faz muito sentido discuti-los se não se discutir que coesão, ou então temos apenas mais do mesmo e que para Portugal será menos.


Mas sabe, Luís Naves? É muito mais agradável falar de BdC e do SPC - é um tema em que alguns podem de facto decidir e os outros influenciar.
E depois, há um perdão concedido por bancos intervencionados e, com sorte, no meio da discussão ainda descobrimos como e porquê.
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De Meister Von Kälhau a 28.05.2018 às 13:54

"o PSOE parece ter escolhido o caminho da eutanásia, promovendo uma moção de censura"

O partido Cidadãos retirou o apoio parlamentar e exige eleições

A sentença do caso Gürtell, que considerou o depoimento de Mariano Rajoy como pouco credível, deixou o primeiro-ministro espanhol encurralado e sob forte pressão para se demitir, incluindo no interior do seu próprio partido.

Rajoy, que ainda no meio da semana tinha obtido uma importante vitória política com a aprovação do Orçamento do Estado, viu o seu sonho de governar até 2020 ruir com a sentença do caso de corrupção que abalou o PP e levou à condenação do antigo tesoureiro do partido Luis Bárcenas a 33 anos de prisão. Se o desfecho já era expectável, Rajoy certamente não esperava era ser nomeado na sentença, com o juiz a colocar em causa a palavra do chefe do governo, ao considerar "pouco credível" a sua alegação de que nunca teve conhecimento da corrupção no partido.

https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/corrupcao-no-pp-deixa-rajoy-encurralado

Ainda bem que existem uns que agem, lixando-se, para as eleições!


"Portugueses e gregos vivem «à custa dos alemães"

http://www.tvi24.iol.pt/economia/alemanha/portugueses-e-gregos-vivem-a-custa-dos-alemaes

Que disseram os romanos quando se criticavam os gregos?

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De Justiniano a 28.05.2018 às 17:00

Não sei o que disseram os Romanos, nem sei se interessa uma vez que, como dizia o Asterix, são doidos!!
O que sei é que à época foi até aventado um plano para a saída da Grécia do Euro!! Tinham tudo para o fazer (incluindo um referendo, apoio BCE para a transição...etc) mas a comédia prevaleceu!!
Não vou comparar a Grécia com a Itália. É incomparável! A Itália sobreviveria a uma moeda própria (o excedente comercial italiano comprova-o), a Grécia, seria Grécia, mas mais pobre. Muito mais pobre!!
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De Meister Von Kälhau a 28.05.2018 às 19:09

Caio Justiniano, mas a Itália irá ver-se grega mais cedo que tarde com a Liga Lombarda! O Norte dos Alpes e a sua vontade de calcar com a bota.
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De Justiniano a 29.05.2018 às 10:40

Mestre Vlad, os gregos ajudam a perceber que as grandes civilizações não subsistem sem serem acarinhadas e nutridas pelas gerações subsequentes. É como na bola, a massa associativa acarinha, sempre, a equipa. E aqui está a alusão ao Sporting!!
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De Justiniano a 28.05.2018 às 14:08

Por aqui vamos juntando tábuas!! Os progressistas, em velocidade de cruzeiro, deslumbrados, e sem que ninguém se lhes oponha!!
Há-de correr tudo bem, se Deus quiser!!
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De Luís Lavoura a 28.05.2018 às 14:59

Tudo isto são consequências de a União Europeia não ser, como deveria, um Estado federal, mas sim uma união de Estados.
Enquanto a União Europeia não passar de uma união de Estados, ou seja, enquanto não tiver uma governação independente e com legitimidade própria, estará sempre refém dos altos e baixos nas políticas internas dos seus Estados membros.
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De Meister Von Kälhau a 28.05.2018 às 17:10

As nacionalidades conquistam, não abdicam.

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De Justiniano a 29.05.2018 às 10:28

Mais uma Lavourada. Ofereço-lhe, caro lavoura, constrangido, este comentário. Creia-me, sinceramente, com lamento e pesar!!
Nem sei por onde começar!! Vcmcê tem uma noção contingente e fungível de Povo (o demos como diziam os gregos). O Lavoura é uma criatura ahistórica, daltónica e coxa!!
O Lavoura corresponde, ética e biologicamente, ao que os antigos designavam por gebo!!
E nada disto que lhe digo pode ou deve ser tomado por insulto, porquanto se trata, simplesmente, e em modo reduzido, de um retrato impressivo do seu comentário.
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De JS a 28.05.2018 às 18:06

Muito bom L. Naves. Mas há sempre várias formas de perceber esta União Europeia. Nomeadamente a da classe política, no poder, em Portugal....

Outra forma de ver esta UE será a de este "recusado". (Tal como a seu tempo pintores hoje justamente admirados o foram....).
"... Savona said in an interview that the EU economic model is a continuation of the 1936 Nazi “Funk plan”, whereby Germany would submit the economies of the rest of Europe to its whims, with the only difference that the EU does that via democratic means....".
Só duvida disto quem quer, ou quem está também envolvido.
...
Será uma mensagem subliminar, para o actual PR em Portugal, isto que muito bem escreve?. "... Está agora a ser negociado por este presidente não eleito um governo não eleito chefiado por um quadro do FMI..."
Ou será "wishful thinker, wishful thinking, wishing, wishing well"?.
Parabéns.




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De Sarin a 28.05.2018 às 21:06

Ainda se a UE o estivesse a fazer por meios democráticos, pronto, seria o que a maioria desejaria.

Mas a UE é gerida por uma série de gente nomeada por outra gente nomeada, e o Poder Executivo é afinal exercido por uma matrioska infindável.
Como se passa, aliás, com o Poder Executivo em Portugal - nunca ninguém foi eleito. Somos é mais directos nas nomeações.
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De lucklucky a 29.05.2018 às 14:45

Haha santa ignorância histórica.

Quem critica o "modelo economico da UE" quer é criar MEFO's em ainda maior escala. Que a UE já cria ou então o BCE não estaria a comprar dívida.

https://en.wikipedia.org/wiki/Mefo_bills

Todos querem caminhar para Venezuela, imprimir e imprimir dinheiro. Depois queixem-se...
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De Vento a 28.05.2018 às 18:07

Excelente ironia.

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