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Duas faces do autoritarismo

por Paulo Sousa, em 05.11.19

aqui falei sobre o paralelismo entre o Chega e o Livre, dois dos recém-chegados ao Parlamento. Acrescento aqui algumas notas pessoais sobre a forma como estão ligados.

Estes dois novos partidos são, um à esquerda e outro à direita, equidistantes do centro moderado. Cada episódio que protagonizam gera ondas de indignação. Os simpatizantes do Chega levam as mãos à cabeça com as performances parlamentares de Joacine Katar Moreira e por seu lado sempre que André Ventura usa da palavra os apoiantes do Livre rasgam as vestes. Este pingue-pongue mediático entre André e Joacine é um jogo de ganho duplo, por se repetir sempre o efeito multiplicador de notoriedade que é benéfico aos dois.

Tal como as duas faces de Janos, estes dois novos partidos são as faces do que poderiam ser dois governos igualmente autoritários, racistas e de dedo em riste. Os assuntos que abordam assentam em preconceitos e trazem sempre proibições e penalizações na segunda frase. Pela indignação que geram, tentam dividir o público entre bons e maus, modernos e retrógrados, decentes e alucinados.

Apesar desta simetria permito-me antever um maior crescimento do Chega. Espero que nunca venha a conseguir atingir a meta assumida de se tornar o maior partido português, mas já ouvi relatos de que nos cafés os clientes pedem para aumentar o volume para ouvir o André Ventura e ao mesmo tempo, imagino, que o mesmo público peça exactamente o contrário quando chega a vez da Joacine Katar Moreira discursar.

Será que o arrojo de Rui Tavares não o tornou refém da sua deputada? Que motivo poderá alegar no dia em que desejar que o partido transmita uma mensagem através de frases claras e escorreitas? Quem não simpatiza com o Livre poderá dizer que isso nunca acontecerá, pois o que o Livre deseja mesmo é esconder o seu ideário atrás de uma quase intransponível cortina comunicacional. Enquanto que André Ventura acumula o papel de fundador e único protagonista do Chega, Rui Tavares remeteu-se a figura secundária do partido que criou, o que não cola com a sua imagem de maratonista solitário.

André Ventura cria por vezes a sensação de que está a representar o boneco que desenhou à medida de um nicho de eleitorado sem representação política, que identificou e adoptou. Parece ter feito como as empresas que recorrem ao marketing para adequar a sua oferta ao mercado a que se dirige. O teor da sua tese de doutoramento é bem mais moderado do que tudo o que agora defende e isso alimenta esta ideia.

Apesar de haver quem ache este partido assustador, não posso deixar de me rir sempre que me lembro do mote do seu programa político intitulado “70 medidas para reerguer Portugal”. Quando é que Portugal esteve erguido? Que período histórico serve de referência a esta ambição? Na minha terra diz-se nesses casos: Não estejam a gozar com a miséria!

Seja qual for a evolução que venham a ter no futuro, nesta fase de lançamento ambos os projectos, o Chega e o Livre, beneficiam da existência um do outro. O que dos dois crescer menos arrisca-se a ficar para a história como o fertilizante do seu rival. O meu palpite é que será o Chega a ultrapassar o Livre.


30 comentários

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De Cristina Torrão a 05.11.2019 às 12:52

“70 medidas para reerguer Portugal” é uma colagem a Trump ("make America great again"). Trump é o ídolo e mentor deste tipo de políticos (nos quais se inclui Bolsonaro) e uma das suas estratégias é precisamente invocar um passado glorioso que desapareceu e eles pretendem recuperar. Claro que nunca dizem qual o período histórico que serve de referência. Mas esta ideia de "já fomos grandes e queremos tornar a ser" cola.
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 13:40

Trump, ou um qualquer outro americano, ainda pode acenar com uma grandeza não muito distante, agora dizer isto aos portugueses é ridículo. Se dissesse que os descobrimentos portugueses não seriam possíveis com esta constituição seria mais factual.Mas no fundo ele também saberá que não estamos habituados a levar a sério as mensagens políticas e por isso, aceito, foi preguiçoso no slogan.
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De Cristina Torrão a 05.11.2019 às 18:11

Paulo, o slogan de Trump é também totalmente demagógico por uma simples razão: houve algum momento da História em que os EUA não foram grandes? Trump tenta passar essa ideia: foram grandes, deixaram de ser, mas, com ele, tornarão a ser. Mas quando é que os EUA deixaram de ser grandes?

E, já agora, com Trump em fim de mandato, estão maiores?
Tudo tretas.
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 21:27

Atenção Cristina, não pretendo ser advogado de defesa do senhor Trump mas a importância global que a China assumiu nos últimos anos retitou, por exclusão de partes, a hegemonia americana que era inquestinável desde o colapso do comunismo. Quem votou nele simpatizou com essa ideia especialmente depois de ter sentido na algibeira a deslocalização do epicentro da industria para oriente. A actual capacidade militar, económica e cultural dos EUA é indesmentível, mas também o é a sua trajectória descentente no palco global.
Em fim de mandato os rednecks seus apoiantes deverão estar satisfeitos porque o seu mandato coincide com um crescimento económico assinalável e que também terá sido notado nas respectivas algibeiras.
Aliás, o impeachment que agora se iniciou, a ser bem sucedido, o que está longe de estar assegurado, só irá fraturar ainda mais a sociedade americana. Nesse cenário de impeachment bem sucedido, esses mesmos rednecks que nos últimos dois anos estão financeiramente mais desafogados, ficariam para sempre ofendidos com os democratas e com a imprensa. O Trump arriscava-se a ser um novo Elvis. O melhor era mesmo derrota-lo nas urnas.
Agora maiores, maiores... só mesmo se a Dinamarca aceitasse voltar a vender território aos EUA
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De Vorph Valknut a 05.11.2019 às 23:30

"A actual capacidade militar, económica e cultural dos EUA é indesmentível"

Paulo, no final ganha quem tiver o pau maior. Ou seja os EUA.
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De Cristina Torrão a 06.11.2019 às 18:34

Espero bem que a Dinamarca não o faça.
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De Paulo Sousa a 06.11.2019 às 19:52

Tinha graça se o PM alinhasse na piada e respondesse que aceitavam, não vender mas trocar pela Califórnia ou pelo Texas...
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De Anónimo a 07.11.2019 às 15:46

Não lhes chame redenecks, diga mesmo deploráveis como disse quem perdeu as eleições.

WW
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De Anónimo a 07.11.2019 às 02:17

Não é bem assim, o desemprego desceu, a economia e os salarios aumentaram e por isso segunda uma sondagem desta semana ele vai voltar a ganhar e ate aumenta a votação... é que o povo está farto dos discursos do marxismo cultural... que na prática são bem mais demagógicos.....
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De Cristina Torrão a 07.11.2019 às 12:34

A demagogia, em política, tornou-se insuportável. Os políticos não estão interessados em resolver problemas, apenas em ganhar eleições. O "nosso" Costa é um bom exemplo, embora, comparando com outros, relativamente inofensivo. Mas só relativamente...

Num tempo com tanta crise, tanto conflito e tanto problema para resolver a nível global, isto pode mesmo dar para o torto. Enfim, um mundo de humanos, feito à medida humana... No final, teremos aquilo que merecemos.
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De Anónimo a 07.11.2019 às 15:43

O nosso actual 1º responde pelo novo conceito de vida - quem perde ganha !

WW
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De Anónimo a 05.11.2019 às 13:06

'Reerguer Portugal' é cópia (ou faz parte da cartilha) da trumpice 'We will be América again' e de outras exaltações bolsadas pela mesma à la mode actual.
A tese de licenciatura é sobre a temática do que estava a dar a fruta da época.
Como não temos a miséria/recessão generalizada dos anos 20 do século passado
há que inventar estas banalidades.
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 13:50

A tese da licenciatura reforça a teoria de que ele está mesmo a representar para o seu público-alvo. De facto todos os políticos representam, mas essa será uma incongruência relevante que, a confirmar-se, cria um sério problema aos seus críticos, especialmente ao seu, nesse caso, ex-simétrico Livre que assim fica sozinho no clube dos partidos com discurso racista.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 18:03

O discurso racista do Livre? É por a Joacine ser negra da Guiné? E se ela fosse uma loirinha da Ucrânia dizendo o mesmo, mesmo gaguejando, era considerado um discurso racista?
Em tempos idos, os alentejanos ou eram grandes agrários ou eram comunistas. Bastava ser alentejano, gago, ou a falar como só eles falam (sem o tás a ver ou o bisto-lo) para ser logo considerado um 'este é alentejano'.
Agora, defendendo os imigrantes, não distinguindo negros e não negros, que até podem resolver problemas de falta de mão d'obra não qualificada, para terem uma vida melhor, e por os ucranianos, kasovares e outros daqueles lados, que já nos trem resolvido o problema nos anos 90, mas tinham mais que fazer e lá foram prá sua terra, é considerado um discurso racista?
Quer dizer, racista, ou melhor, por o conceito de raça ter acabado (somos todos da raça humana), são aqueles que, agora, privilegiam imigrantes negros. Desta não se lembraria Alfred Rosenberg.
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De Luís Lavoura a 05.11.2019 às 14:49

André Ventura cria por vezes a sensação de que está a representar o boneco que desenhou à medida de um nicho de eleitorado sem representação política, que identificou e adoptou. Parece ter feito como as empresas que recorrem ao marketing para adequar a sua oferta ao mercado a que se dirige.

Não vejo grande mal se Ventura estiver a representar. Seja de forma convicta ou apenas por marketing, ele está a dar voz a algumas preocupações e posições políticas que precisam de a ter. Isso é perfeitamente legítimo.
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 21:40

Em que parte do meu texto descortinou a acusação de ilegitimidade?
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De Anónimo a 06.11.2019 às 09:14

Em nenhuma. Eu disse que é legítimo, não disse que Você dissesse que é ilegítimo.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 22:09

O André Ventura parece ser alguém designado pelo regime para simplesmente amortecer os protestos. Precisamos de um "partido de extrema direita" antes que a extrema direita apareça sem controlo disseram os mentores do regime...

É claro que esta ideia maquiavélica esbarra com os desastres de um regime que se fosse assim maquiavélico não os teria cometido provavelmente.

lucklucky
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 22:42

O Chega é, sem dúvida, uma válvula de escape do regime.
Se for um falso racista... menos mal, ainda assim julgo-o pelo seu discurso e por isso considero-o racista.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 20:15

Tenhamos a paciência de esperar quatro anos - aqui ao lado, Abascal teve de esperar menos...


JSP
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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 22:35

Desde o dia das eleições que nos andam a preparar para dois anos de estabilidade e depois... não se sabe. Vamos ver.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 22:03

Mais uma vez não se liga ao que as palavras significa.

"Estes dois novos partidos são, um à esquerda e outro à direita, equidistantes do centro moderado."

Equidestantes?!

Centro moderado ? Onde se viu tal coisa.
O "centro" é também extremista. Record de dívida, record estado, record de espionagem, nem a PIDE sabia tanto sobre nós.


lucklucky

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De Paulo Sousa a 05.11.2019 às 22:39

Moderado por conceito político, tem razão. Por calo da vida, e sobre o que são moderados e extremistas acrescento que é sempre possível piorar.
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De Vorph Valknut a 05.11.2019 às 23:28

Excelente reflexão
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De Jameson a 08.11.2019 às 13:10

Confesso que não votei livre, nem votei chega... porque fui preguiçoso e não fiz aquilo que deveria ter feito... ler o progrma eleitoral de cada um. Se fosse hoje, depois de ler, provavelmente votaria chega.
Infelizmente chegamos a um ponto em que eu digo isto a coberto de um pseudónimo, porque se o dissesse num canal de televisão, ou numa página de jornal, com a minha fotografia, era logo injuriado de racista, retrógrado, nazi ou analfabeto.
Foi a isto que chegamos... liberdade? Liberdade hoje em dia é sermos livres de pensar como a sociedade metoo# quer que nós pensemos.
Chego à conclusão que votar nos livres não é mais que um voto beto, um voto das tias e dos queques... fica bem, sei lá!
E porquê? Porque quem lê aquele programa eleitoral fica aterrado com a inocuidade do mesmo. Que vazio de idéias e principalmente de estratégias para cumprir as fracas idéias que contém.
E sinceramente... já que a palavra racismo passou a ter um significado tão simples, tão fácil... bem mais racista e limitador da liberdade democrática que o programa do chega. Agora vou ler o programa do chega e acabo a pensar que concordo com mais do que aquilo que achava ser possível. E por muito que se tente limitar o homem, o certo é que, ao contrário do livre e principalmente do pan, ele consegue dar idéias sobre como atingir as metas que propõe.
Sobre a palavra reerguer... acho que se está a interpretar o sentido exato da palavra. Provavelmente aquilo que se queria dizer era propor aos portugueses esperança. Como aquela esperança que tivemos após o 25 de abril... que saiu furada. E voltou a surgir quando entramos na UE... e voltou a sair furada. O reerguer é isso mesmo. Reerguer a esperança de finalmente mudarmos para melhor.
E sinceramente, só vejo um caminho.... largar os metoos#, politicamente corretos e colocar o dedo na ferida.
Fala-se que o chega difunde as conversas de café... e daí? São precisamente essas conversas que expõem os problemas que as pessoas passam e gostariam se ver resolvidos. E até hoje ninguém lhes deu voz.
Agora chega este comentador desportivo e fala... Fala como eu falo com a minha mulher, ou com os meus amigos. E partilha os problemas que os políticos profissionais não partilham. Porque não convém, porque não fica bem, porque se o disserem vão acusa-los disto e daquilo.
Mas o certo é que a msg dele passa, ele próprio tem capacidade de argumentação e raramente fica sem resposta.
E para acabar... racista? Xenófobo? Extrema direita? Aconselho principalmente os jornalistas a voltarem à escola. Às aulas de português e de história, para compreenderem o que é a extrema direita e o racismo. É que aquilo não tem nada de extrema. Sim, é de facto mais à direita do que estamos habituados... mas não é extrema.
Mas hoje, tudo o que não é esquerda, é extrema direita, certo?
E com esta esquerda é simples... ou pensas como eu, ou és um Hitler analfabeto e estúpido, que nem devia ter o direito de abrir a boca.
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De Paulo Sousa a 08.11.2019 às 21:23

Há um senso comum disfarçado de bom senso por de trás do crescimento que antevejo para o Chega. O seu comentário traduz bem esse sentimento, que além de outras coisas tem uma vertente de afronta e também de “Toma” do Zé Povinho do Bordalo dirigido ao regime e aos seus donos. Como disse no texto, não subscrevo mas agradeço-lhe o comentário.
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De Jameson a 08.11.2019 às 22:35

Concordo... o busílis da questão é mesmo isso.... o povo português é o Zé Povinho, não é o Pacheco Pereira, nem o Fernando Rosas. O povo português é composto por pessoas normais, que não tiveram oportunidade de tirar mestrados ou doutoramentos, que se estão a marimbar para as teses e para os pensamentos intelectuais. São pessoas que batalham todos os dias e acabaram por ver num André Ventura o seu megafone. O português normal é aquele que partilha a opinião do homem sobre os ciganos, sobre a pena de morte ou sobre a castração química. Mas o português normal, que concorda com ele não é racista, nem xenófobo... É apenas isso... normal. E o português normal pela primeira vez identifica um político a concordar com ele.
Mas alguém duvida que no meio de 230 deputados ninguém concorda com algumas coisas que ele diz? Claro que concorda, mas não fica bem aplaudir. E porquê? Porque se tenta injetar diariamente o fantasma da extrema direita. Por isso, o povo ganha empatia com ele. Prevejo que o chega vá crescer, porque vai, por muito que doa. E vai porque é o único que se aproxima do povo.... e lá vão os intelectuais criticar e apelidar isto de populismo. Não. Populismo é colocar uma máscara e fazer de conta que aquilo que o chega defende é um atentado.... apenas e só para ganhar pontos na comunicação social, a mesma comunicação social minada por politiquices parciais e interesses de certos grupos... gerida por betos privilegiados que só viram ciganos na televisão e nunca tiveram vizinhos de cor diferente da sua. Cujos papás sempre lhes permitiram os luxos, os erasmos e as cunhas para bons empregos.

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