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Dos comendadores

por jpt, em 19.05.19

Placa-de-Comendador-peq_4.jpg

(A propósito das imensas críticas aos comendadores que vou lendo nesta época, até os dizem “cadastrados”)

Eu sou comendador. Em Maputo, no dia 1 de Julho de 1997, foi-me entregue a medalha. Eu gostei. A república, que é uma democracia, coisa sine qua non para esse meu gosto, assim reconheceu o mérito de um trabalho colectivo e condecorou os que compunham a equipa. E saí com a caixa das insígnias também pensando que alguns dos homens da minha família antes haviam passado pelo mesmo. E também gostei disso, pensai o que quiserdes.

No dia seguinte era o meu aniversário, então o 33º. Ao chegar ao trabalho a minha secretária deu-me os parabéns por isso. Espantei-me, “como sabe que faço anos?”. “A sua mãe já telefonou” – ainda não havia telemóveis em Moçambique. Sentei-me e telefonei-lhe: “Bom dia mãe, muitos parabéns” – pois são as mães que devem ser abençoadas nestes dias – “Bom dia meu filho, muitos parabéns”, “Como está? Como está o pai?”, “Já o vou chamar” – estaria ele, naquela alvorada, ainda nos seus preparos matinais. “Mãe, espere, espere, tenho uma boa notícia para lhe dar”, avancei, ufano, crente que ela gostaria de saber da novidade, ainda para mais recaindo neste traste benjamim, “o que foi, filho?”. “Mãe, fui condecorado…”. Ela reagiu, atrapalhada, “Ó João, desculpa, eu pensei que estava a falar com o Zé”. Magnífico momento, muito me ri com o quão certeira esteve ela, a haver condecorados na sua prole seria aquele mano-velho – mas já não sei se o nosso outro irmão terá gostado tanto da história, o primogénito ainda para mais … E ficou para sempre, se nem a minha mãe me via comendador para quê quaisquer devaneios?

A vida voou, e 18 anos depois regressei à Pátria Amada. Passara 15 anos a leccionar sem ter o cuidado de interromper para fazer um doutoramento. Decidi fazê-lo e candidatar-me a uma bolsa de estudos da FCT. Seria muito difícil obtê-la: poucas vagas; muitos candidatos, e muito bem preparados; as minhas limitações intrínsecas. Os concursos são muito objectivos, a classificação implica a ponderação de muitos itens quantitativos, e isso é bom. Mas mau para mim, com um percurso profissional algo excêntrico, e assim parco em itens quantificáveis naqueles formulários. O que era grave, pois todas as décimas de ponto contam naqueles concursos. Um dia, durante a complexa preparação da candidatura, de súbito lembrei-me: “sou comendador”, e de que as comendas dão um bónus na avaliações nos concursos públicos. Logo confirmei isso com uma magnífica minha antiga directora. E telefonei para a FCT pedindo informações. Reenviaram-me para um outro serviço público, e cheguei à fala com uma senhora doutora, seca ao telefone. Expus a situação, “eu tenho uma comenda”, “e sou candidato a uma bolsa”, “Sim?” veio de lá uma voz algo mais adoçada, “É um concurso público e o formulário não tem onde integrar este item”.  Deu-me uma pausa, um longa hesitação, depois comigo trocou dizeres que nada mais foram do que gaguejo, surpreendido, pois nunca pensara naquilo. E célere culminou num “Pois, lamento mas não está previsto”, e arrumou-me assim.

Assim, nem a glória na família. Nem um pequeno empurrão na busca de uma modestíssima bolsa de doutoramento … Ou seja, a comenda não é utilitária. De nada me valeria ir ali à Place Flagey ou passear-me aqui em Schaerbeek num “bom dia, sou o comendador Teixeira”, a ver se puxo a brasa à minha sardinha. Ou ao consulado, a ver se me convidam para o 10 de Junho, aos pastéis de nata (“oh, j’aime bien les pásteis de nâtá” suspiram as belgas que conheci, e eu furibundo a pensar “como raio se diz alfarroba em francês?” ou, se em versão hard, “e trouxa de ovos?”). Ou até à feira da agricultura da CAP e do Nuno Melo, ali ao Cinquantenaire. Nem mesmo à secção do BE de cá, “olá, sou o camarada comendador, vim para apoiar a Marisa Matias”. Ou escrever ao João Gonçalves, “a Aliança não quer o apoio do comendador Teixeira?”. Todos pensariam o óbvio, “o homem não está bem”. E cada um reagiria à sua maneira, mais ou menos piedosa.

Dito isto, ser comendador não é vantagem. As pessoas, eleitoras, andam zangadas connosco. Mas nós não somos qualquer problema. Se fossem clarividentes zangar-se-iam era com os “fazedores de comendadores”. Nos quais votam e se aprestam a revotar. E estão iradas com o meu colega Berardo. Di-lo o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, a Pessoa Muito Importante Marques Mendes, entre outros. E até lhe querem tirar as comendas. Porquê? Porque não encenou a peça, não coreografou a dança, não entoou a melodia encantatória, a ladainha da patranha, julgada necessária para que se mantenha o rumo tal e qual. Nele assim não se viu a fuga da amnésia, o trinado da humildade, o rap da complexidade, o minuete da tecnicidade. Nada, não ofereceu nada, nenhum remanso. E, nisso, demonstrou, com inegável rusticidade - essa bela qualidade castrense - o quão os desprezava. Aos “fazedores de comendadores”. E aos seus eleitores.

O colega merece é um Grão-Colar.


57 comentários

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De Sarin a 19.05.2019 às 15:57

Tens razão, Pedro.
Ainda bem que, por aí, deixou de andar uma sanha contra Berardo e não contra os outros... isso de as pessoas embarcarem no coro assim de supetão é um bocado desagradável de ouvir.
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De jpt a 19.05.2019 às 17:58

Obrigado, responderei à boa vontade que ambos expressam num comentário autónomo ...
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De Sarin a 19.05.2019 às 18:47

Os parabéns são genuínos.

Ainda não tenho opinião formada sobre esta questão da dívida de Berardo - até porque ainda não percebi se é dívida ou fiasco das garantias que lhe aceitaram.

Sobre os títulos honoríficos, sou descrente do sistema de atribuição porque o acho demasiado aleatório. Aquilo que deveria ser um agradecimento da Nação por serviços relevantes tornou-se num carrossel mais para exaltação dos Presidentes do que para exaltação dos visados - há comendadores que apenas são noticiados no Diário da República, e dos quais a Nação reconhecida nada sabe.

E o que digo ao Pedro é sequência do que a ele lhe li antes.
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De jpt a 19.05.2019 às 21:39

Sobre a dívida de Berardo são contas de outro rosário. Há mais "berardos" que não estão a ser falados. Insisto, o importante é perceber não só o "sistema" mas também as práticas que constituem o sistema que conduziram àquilo. Daqui a uma semana há eleições europeias, o Partido Socialista tem uma lista de candidatos: pelo menos três deles, e em lugares elegíveis, fizeram parte do governo de Sócrates - que conduziu a esta situação, de modo vigoroso: Leitão Marques, o Marques cabeça de lista, e Silva Pereira, o braço direito de Sócrates. Não é óbvio que interessa demonizar Berardo?
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De Sarin a 19.05.2019 às 21:47

No meu postal "só por causa das coisas...", ou melhor, nos comentários, falo um pouco disso.

Não me parece que seja apenas o PS a sacudir culpas e responsabilidades, jpt; penso, e não sou dada a teorias da conspiração, que Berardo atravessa mais lojas do que essas montras iluminadas.
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De Vorph Valknut a 19.05.2019 às 23:10

O caso Berardo envolve muita gente, sobretudo ligada ao PS de Sócrates. Parece-me que Berardo serviu de testa de ferro nas politicas do eixo: Sócrates-BES (Ricardo E.S. Silva)-PT-BCP ( Paulo Teixeira da Cruz)

Também podemos considerar que ao falar-se apenas de Berardo não se dá espaço a que se fale novamente de Sócrates e na sua famiglia socialista, em vésperas de eleições.
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De Sarin a 19.05.2019 às 23:15

Sobretudo, mas não apenas.

E o ser atirado às feras assim solto e sozinho deve-se ao que te disse: não lhe perdoam a falta de verniz. Pensaste que ironizava, mas não :)
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De Vorph Valknut a 20.05.2019 às 00:02

Berardo surgia em tudo o que era revista cor de rosa....até teve um breve relacionamento com a modista Fátima Lopes....e o "estilo" era o mesmo de hoje.

Para que as pessoas saibam um pouco de pensamento politico de Joe Berardo, e seguinda as pistas de Clara Ferreira Alves, que com ele privou, sobre a admiração do madeirense pelo austríaco, deixo:

"Os negros terão de ser ensinados pelos brancos antes de terem o direito de partilhar o poder”.

http://visao.sapo.pt/opiniao/arquivo-morto/2019-04-11-Quando-Joe-Berardo-portugues-do-ouro-queria-os-brancos-a-ensinar-os-negros

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De Sarin a 20.05.2019 às 09:02

Caramba, Pedro, mas não percebes mesmo nada das dinâmicas sociais?! Dinheiro e poder, e a necessidade de lustrar os mesmos - na falta do brilho de berço e na ausência de verniz adquirido, o derradeiro polimento das luzes da ribalta.

Já os reis aturavam os burgueses porque eram eles quem tinha o dinheiro. Comerem à mesma mesa (e não raras vezes pagando a conta) não significava serem reconhecidos como nobres.

A menos que entendas que revistas cor de rosa são atestado de qualquer coisa que não promoção social em certas realidades.
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De Vorph Valknut a 20.05.2019 às 09:43

Sarin, em se caindo em desgraça os vicios passam a ser vistos ao microscópio e as virtudes ao telescópio, seja-se um Berardo, um Espirito Santo, ou um Rei Juan Carlos -vê a quantidade de anedotas e programas de humor que se fizeram sobre o segundo....a capela, etc.

Qualquer um que caia em desgraça torna-se motivo de regozijo e de um anedotário.

Nada de novo. Não vejo no caso Berardo uma campanha burguesa de classes, nem tão pouco embarco nessa tua visão neomarxista.
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De Sarin a 20.05.2019 às 11:11

Desde que aprendeste essa palavra, usa-la como se não houvesse amanhã! Olha que há... não cantam, mas há vários.
Até porque, esta "minha visão", como lhe chamas, a ser -ista, seria "Aquilinista", pois já Aquilino Ribeiro assim o escrevia sobre os reis e as vaidades.

Portanto, consideras normal este súbito e unânime coro contra Berardo... está bem.
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De Vorph Valknut a 20.05.2019 às 11:51

Depois daquela audição parlamentar, sim. Como acho normal que no final desta semana se fale noutra coisa qualquer.
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De Vorph Valknut a 20.05.2019 às 00:04

Ronaldo também não tem grande "verniz" e perdoa-se-lhe muita coisa.
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De Sarin a 20.05.2019 às 08:33

Estás realmente a comparar o mundo empresarial e da finança com o de um atleta de alta competição? Estás a confundir a percepção da sociedade e o mecanismo de construção dos ídolos?
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De Sarin a 20.05.2019 às 09:03

Não. Isto é o pretexto.
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De jpt a 20.05.2019 às 04:35

Sim, se falarmos de uma estrutura nacional. Não tanto se falarmos do que este caso Berardo traduz: o PS de Sócrates, que está no poder e se recandidata, conduziu este processo, no qual o então PM (sistematicamente sufragado pelas elites do seu partido e por cerca de 95% dos seus militantes) foi força condutora. Não dá para esquecer isso.
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De Sarin a 20.05.2019 às 09:56

Mas também não dá para ignorar que há tessituras transversais, jpt.


https://www.google.pt/amp/s/www.publico.pt/2019/01/24/economia/noticia/auditoria-cgd-equipa-santos-ferreira-controla-topo-banca-1859133/amp

A atenção sobre umas não deve ofuscar a atenção sobre outras. E sobre este tema pouco está ainda esclarecido.
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De Vorph Valknut a 19.05.2019 às 23:01

https://sol.sapo.pt/artigo/654902/mulher-de-silva-pereira-e-mais-tr-s-juntam-se-a-socrates-na-operacao-marqu-s-

https://observador.pt/especiais/arquivamento-silva-pereira-e-mulher-foram-investigados-por-receberem-mais-de-112-mil-euros-de-santos-silva/

https://www.cmjornal.pt/exclusivos/detalhe/ex_mulher_de_ministro_suspeita_de_lavar_dinheiro_de_socrates


É curioso como Silva Pereira, até no falar, tem os trejeitos do sr. Sócrates. O PS não aprendeu abolutamente nada. Continuam soberbamente a ser incapazes de uma avaliação minimamente critica, deles mesmos, revelando uma arrogância, uma falta de decoro e de proporcionalidade das circunstâncias perante os portugueses e o país.

Bem sei, mas sei também o ditado de Sólon:

As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos e são rasgadas pelos grandes.

E depois temos, noutros lados, estes:

https://www.google.com/amp/s/www.cmjornal.pt/mundo/amp/ministra-da-defesa-e-chefe-militar-holandeses-demitem-se-apos-relatorio-de-acidente

Mas para os curiosos deixo aqui:

https://www.google.com/amp/s/observador.pt/2015/03/10/apanhados-os-politicos-que-andaram-com-os-impostos-as-costas/amp/

Bem sei. Também sucede noutros países. Mas neste, que é o meu, somos só 9 milhões e muitos menos politicos.
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De jpt a 20.05.2019 às 04:39

Silva Pereira é apenas um dos mais próximos de Sócrates. Insisto no que sempre digo, os da elite socialista ou foi cúmplice ou foi cpnivente, e assim continuam. E julgo que devemos tratá-los, mesmo pessoalmente, mesmo nas simples caixas de comentários de um blog, como isso. E sem particulares ademanes traduzindo uma qualquer respeitabilidade que não merecem. Com toda a certeza que me está a compreender.
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De jpt a 19.05.2019 às 21:47

Quanto aos comendadores que são apenas "conhecidos no Diário da República". Mas exactamente, isso é bom, e é isso que procuro - de modo risonho mas não irónico - explicitar no texto do postal. É um reconhecimento estatal, possivelmente compartilhável com a família, com os amigos próximos, com o meio profissional mais circundante. Ponto final parágrafo no assunto. Não dá para mais. E é isso mesmo que é o reconhecimento estatal (societal, por esse modo) de algum mérito havido.

Se o mérito é extraordinário - um militar que se destaca em heroísmo numa missão de paz internacional, um polícia ou bombeiro particularmente dadivoso, um cientista ou artista de enorme distinção, etc. - então não só o grau desse reconhecimento é maior (o tal grão-colar, o tipo de condecoração) e a atribuição basto divulgada. Mas isso é outro registo - nem todo o mérito é (d)aqueles ... se vão da lei da morte libertando". E esse mérito comum deve ser reconhecível, e reconhecido.

Depois sim, há o pacote de trastes que a gente vai elegendo. E os outros, consociados com esses, que vão conseguindo trepar na administração pública. Mas isso não são os condecorados, são os condecoradores.
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De Sarin a 19.05.2019 às 22:20

Permita-me discordar: se em meu nome, porque cidadã desta república, agradecem a alguns meus concidadãos, eu agradecia celebrar os seus feitos, exactamente porque não sou muito dada a epitáfios- exceptuando alguns poemas e a canção dos King Crimson.
Não é por curiosidade, é porque os bons ofícios não têm que ser metafóricos. Não falo da eventual pompa nem das honrarias, mas do mérito, o tal "serviço relevante" - que até poderia ser publicitado como de anónimo, há que respeitar o RGPD.

Mas, como disse antes, tenho um problema sério com os rituais presidenciais com ademanes de realeza - e condecorações decididas em gabinetes sem intervenção dos pares deixaram-me sempre um bocadito desconfortável. Enfim, o processo de decisão e seus agentes.
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De jpt a 20.05.2019 às 04:41

Eu não me oponho a que isso seja publicitado, noticiado. Nem há uma oposição a isso. O Estado não tem estas práticas de modo clandestino. Não há é grandes parangonas (excepto se as pessoas são muito conhecidas ou se acontece, a posteriori, algum escândalo que as envolve).
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De Sarin a 20.05.2019 às 10:28

Não pretendi atribuir clandestinidade ao processo - Há substanciais diferenças entre clandestinidade, discrição, falta de transparência e falta de comunicação.
No que reporta ao Estado, desejo a maior transparência e a melhor comunicação.

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