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Delito de Opinião

Dormir... talvez sonhar

Maria Dulce Fernandes, 16.11.25

O sono, esse tratante descontrolado que controla o bem estar psíquico de todos nós, ultimamente não quer nada comigo. O Morfeu pisca-me o olho, mas rapidamente bate em retirada e passadas duas ou três horas, acabou a dormida.

Não é nada que não fizesse parte das minhas rotinas laborais, dormir quatro ou cinco horas de quando em vez, mas agora tornou-se numa contumaz e pérfida insónia, que invade o meu descanso, me assalta e rouba todo o sono que traga comigo.

Ir ao médico… uma urgência está fora de questão, porque não tenho queixas de insónia no processo, não me conhecem, não medicam a longo prazo. A médica de família (um luxo relativamente recente) assiste-nos bianualmente, e como tal, nunca me queixei desta insónia, que eu atribuo talvez a uma fase de TEPT mais pertinaz. De qualquer modo, a privação do sono afecta muito mais do que poderia imaginar e, depois de familiares e amigos azucrinarem a pouca sanidade que ainda me resta, marquei uma Consulta do Sono.

Experimentar não custa e para alguma coisa serve o seguro de saúde, grande rombo no orçamento mensal que, não fora o rápido e desenfreado avançar da idade, já estaria há muito na reciclagem dos produtos tóxicos.

Recebi a resposta que aqui publico, de um conhecido centro hospitalar privado.

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Todos sabemos que a saúde está pela hora da morte, que as listas de espera são infinitas para os utentes da saúde pública e que no privado não é melhor, porque há também listas de espera, algumas com mais de seis meses, para exames como cintigrafias ou ressonâncias magnéticas  por exemplo. É quase como fazer compras nos supermercados: sentamo-nos com paciência com quatro ou cinco sites abertos, e vai-se acrescentando ao carrinho os artigos de que necessitamos, conforme estiverem em promoção. No caso dos hospitais privados, vamos marcando por datas e proximidade, activando  a mais próxima e cancelando as demais.

Este email é triste e anedótico. Mas é assim, é a saúde que temos.

Deixar arrastar a situação é abrir a porta a alguma depressão insidiosa que por aqui ande à espreita. Vou tentando tudo o que tenha consulta do sono e que não seja no Porto ou em Viseu… e daí não sei. Pode ser que uma mudança de ares me fizesse bem.

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