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Dois anos é muito tempo

por Pedro Correia, em 25.01.17

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Lembram-se? Faz hoje dois anos. O Syriza venceu por escassa margem a eleição legislativa na Grécia e foi quanto bastou para a Europa mediática - cada vez mais dissociada do pulsar real das sociedades - se erguer em hossanas ao suposto novo Ulisses que resgataria o povo helénico de todas as humilhações.

Por cá, o Jornal de Notícias concedeu uma rara manchete "editorializada" a um tema internacional proclamando: "Grécia - o princípio do fim da austeridade". O Público foi menos sucinto mas ainda mais crédulo no seu título garrafal da primeira página: "Grécia vira a página da austeridade e deixa Europa a fazer contas".

 

Numa interminável cascata verbal, sucediam-se as efusões de júbilo. "Pela Grécia passa a salvação da Europa", celebrava Ana Gomes. "Terminou a austeridade pura e dura na Grécia", sentenciou Freitas do Amaral. "A Grécia renasceu hoje", entusiasmou-se José Castro Caldas. "A Europa vai ter de ceder", ameaçava Nicolau Santos.

O pintor Leonel Moura, fazendo "análise política" pela via da estética, apontou como causa do triunfo eleitoral da esquerda radical grega "a boa imagem de Tsipras, reforçada agora pela de Varoufakis". Boaventura Sousa Santos, do alto da sua cátedra coimbrã, imaginou o líder do Syriza equiparado a Charles de Gaulle em 1944: "A vitória do Syriza teve o sabor de uma segunda libertação da Europa." Já Catarina Martins, fiel aos clássicos, optou por parafrasear Marx: "Hoje vira-se uma página na Europa. Hoje começa-se a colocar a austeridade no caixote do lixo."

 

Eram os tempos da tenebrosa "senhora Merkel" que, qual vampira, nos sugava até à última gota de sangue. A mesma que, ao visitar Lisboa, foi crismada de assassina a nazi. "Queríamos queimar a Merkel viva", gritaram vozes num incendiário directo televisivo. Francisco Louçã, com o seu sofisticado vocabulário político, chamava-lhe "assaltante" e "pirata".

Mas as coisas mudaram. A "austeridade" não só não terminou na Grécia como se tornou ainda mais dura e draconiana, com um novo  programa de resgate e um referendo inútil que Tsipras convocou para logo o deitar para o lixo, para utilizar a elegante expressão da líder do Bloco de Esquerda.

O pintor Moura não voltou a pronunciar-se sobre os supostos atributos estéticos do duo Tsipras-Varoufakis, aliás desfeito numa das primeiras curvas do sinuoso caminho da governação que o Syriza tem experimentado. Um partido afinal igual aos outros mal segura as rédeas da governação, numa Europa hoje assolada por um sem-fim de novos problemas - do terrorismo às migrações maciças, passando pelo espectro da sua própria desagregação devido à onda dos populismos emergentes, quase todos de matriz identitária, parentes próximos dos que devastaram o continente noutras épocas, de péssima memória.

 

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 Varoufakui e Tsipras: um duo volatilizado

 

Com o espaço comunitário sob a ameaça da desagregação, na sequência do referendo britânico de Junho passado, e o cenário da tomada do poder por forças extremistas em França ou na Holanda, além da crescente tendência dos europeus de Leste para rejeitarem a política comunitária, sem esquecer as pulsões anti-imigratórias que já se estenderam à península escandinava, ninguém voltou a falar de Tsipras.

Varoufakis volatilizou-se.

A "segunda libertação da Europa" não passou de um sonho de uma noite de Inverno de um simpático sociólogo de Coimbra.

E Merkel tornou-se a última legítima herdeira da sólida aliança entre democratas-cristãos e sociais-democratas que garantiu sete décadas de paz, prosperidade e progresso ao continente europeu. Passou a ser elogiada por muitos que ainda há pouco a detestavam.

Não por acaso, é cada vez mais contestada em casa pelo populismo vociferante, em perfeita identificação com o ar dos tempos.

 

A vitória eleitoral do Syriza aconteceu apenas há dois anos mas parece ter ocorrido há uma eternidade. Comprovando que, quando se fala em política, o nosso planeta parece girar muito mais rapidamente em torno do seu eixo.


62 comentários

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De jo a 25.01.2017 às 15:49

Claro que economicamente a solução que a Grécia foi forçada a seguir não resultou, o país continua na bancarrota.
Mas evitou-se o mal maior: que se tentassem outras soluções, quando já temos uma que sabemos que não funciona.
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 17:30

Funcionou como vacina?
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De Luís Lavoura a 25.01.2017 às 16:13

quando se fala em política, o nosso planeta parece girar muito mais rápido em torno do seu eixo

Não é só em política que isso acontece. A economia e a tecnologia (entre outras coisas) também evoluem hoje muitíssimo mais rapidamente do que outrora.
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De Alienado a 25.01.2017 às 16:14

"garantiu sete décadas de paz"
Jugoslávia - 1991-1995, mais de 1/4 de milhão de mortos, fora todas as atrocidades cometidas.

Os milhares que têm morrido no mediterrâneo, consequência das politicas externas e internas da UE, representadsa, também, pela Alemanha.
Enquanto os EUA não seguiram as politicas de austeridade (criticadas por Krugman, Stiglitz, Rubini, e Obama), a Alemanha tem sido o principal defensor dessas mesmas politicas mantendo os ilegais superavits e prolongando a anemia económica de muitos outros países.

O "mérito da Europa" tem sido esconder os seus próprios problemas (como em Portugal), tapando-os com milhares de milhões de euros e não fazendo a tão apregoada reforma do sistema. O problema surgirá quando os milhões acabarem. Esses não voltarão, ao passo que os problemas cá ficarão.

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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 17:33

Como é óbvio, "a sólida aliança entre democratas-cristãos e sociais-democratas que garantiu sete décadas de paz, prosperidade e progresso ao continente europeu" forjou-se no quadro das instituições comunitárias.
Tanto quanto sei o marechal Tito e seus sucessores pós-comunistas da Jugoslávia desmembrada não eram sociais-democratas nem democratas-cristãos, e muito menos pertenciam à União Europeia.
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De Alienado a 25.01.2017 às 18:57

Sem "Europa não há União Europeia". A União Europeia é apenas um projecto económico. Quando falo em Europa não me refiro ao espaço geográfico mas ao sistema de valores, herdados da Revolução Francesa e da Gloriosa Revolução. Sem "esta" Europa não pode haver União Europeia
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 19:41

A União Europeia é também um projecto político. Assente na democracia liberal, numa carta de direitos cívicos e políticos, e no chamado Estado Social, que trouxe benefícios inéditos aos seus habitantes.
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De lucklucky a 25.01.2017 às 19:24

"Os milhares que têm morrido no mediterrâneo."

Fruto dos socialismo àrabes e socialismos africanos que décadas depois de independência continuaram a destruir.

"Austeridade"
Então está a favor do que criou a crise...

"criticadas por Krugman, Stiglitz, Rubini, e Obama"

Que belo quandrunvirato de gente desonesta. Você pode começar por se actualizar. Krugman agora que Trump é Presidente já mudou o discurso e os défices já interessam.
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 19:43

Só sumidades: Roubini, Stiglitz e Krugman. Não há festas nem festanças sem aparecer o trio de Donas Constanças.
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De Alienado a 25.01.2017 às 21:11

Ironia?! Ponha aí também o Piketty (talvez, como o nosso Egas, um dia lhes queiram retirar os Nobéis)
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 21:29

Esse é o quarto "moscateiro".
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De Alienado a 25.01.2017 às 20:56

"Fruto dos socialismo àrabes e socialismos africanos que décadas depois de independência continuaram a destruir"

Mas quais socialismos? Ditaduras, nepotismos, corrupções, gamanços...

Já uma vez lhe disse. Uma coisa é ser, outra dizer-se que se é. E de uma à outra uma distância. Olhe como o PS. Eles dizem-se socialistas, mas nunca o foram, nem "nunca" o serão. Ou como o Pedro Chagas Freitas. Ele diz-se escritor, mas...
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De lucklucky a 26.01.2017 às 06:31

Sudão, Líbia, Tunisia, Argélia, Tchade, tiveram governos sempre apoiados pela Esquerda e Extrema Esquerda Europeia.
Podemos adicionar o Partido Baath no Iraque e na Síria...
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De Alienado a 26.01.2017 às 11:34

Veja bem, no tempo a que se refere vivíamos em guerra fria. Os EUA faziam da América do Sul - Doutrina de Segurança Interna e o perigo vermelho; o bonapartismo burguês e a sua aliança ao exercito para contenção das revindicações populares - e da Europa Ocidental a sua área de influência e a URSS, o Oriente (com a queda do Império turco e com as revoluções que depuseram reinos fantoches sob comando do mundo ocidental) e o leste europeu (como consequência da IIGG).
Na América do Sul são exemplos:

A ditadura de Alfredo Stroessner - responsável por ter dado guarida a inúmeros facínoras nazis - e os golpes militares na Argentina (1976), Chile (1973), Uruguai (1973) e Brasil (1964). Esses regimes prolongam-se até os anos 80.

As alianças criavam-se mais sob uma lógica não de comunhão de princípios ideológicos, mas de inimizades comuns - "inimigo do meu inimigo meu amigo é (veja-se a titulo de exemplo a aliança entre os FreiKorps e os comunistas contra os socias democratas alemães). E isso aconteceu no médio oriente também - os soviéticos e o chamado mundo ocidental apoiavam todos eles ditadores, ou regimes não livres. A preocupação dos "ocidentais" era apenas conter a mancha vermelha, nada mais, assim como gerir sob a forma de protectorados reinos árabes importantes na região - ex: Rei Faruk no Egipto, um joguete dos britânicos. Nasser e Naguib revoltaram-se e pediram apoio aos únicos que o podiam dar - URSS.

De resto é difícil argumentar consigo pois para si 99,99% dos partidos políticos são socialistas....embora goste da peleja




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De lucklucky a 26.01.2017 às 21:36

A diferença é que enquanto a Esquerda apoiava Kadafi, Assad & co. de alma e coração os EUA estavam-se nas tintas desde que os regimes não fossem Comunistas. Até preferia que fossem Democracias, veja-se como nos anos 80 os EUA forçaram Marcos a abdicar nas Filipinas.
E voce ao referir vários dos ditadores sul americanos verá que tem pouco em comum com os EUA. Por cá os EUA também apoiaram Salazar até certo ponto mas não havia mais do que um interesse comum anti comunista.

Enquanto quer a URSS, quer a Líbia de Kadhafi eram Ditaduras.
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De Alienado a 25.01.2017 às 21:08

"Então está a favor do que criou a crise..."

Não. Bem sei que era necessário apertar o cinto. Mas estou contra a retórica que foram os portugueses que viveram acima das suas possibilidades como causadores da crise (PSD e PPC). Se me dissessem que foi a "fartança" vilanagem de partidos, políticos, autarquias locais e os seus clientelismos (a cabeça do polvo), bancos e empresas então sim tirava o chapéu. Não vejo é como será possível, não havendo investimento público (o sector privado em Portugal está descapitalizado em grande parte pelos prémios pagos aos accionistas e aos rendimentos desajustados, face à realidade do mercado nacional, dos "supostos" CEO), e apenas austeridade, crescermos para pagarmos a divida.

"Krugman agora que Trump é Presidente já mudou o discurso e os défices já interessam"

Krugman, Nobel da Economia ( a minha opinião ao pé da dele vale 0), o que tem afirmado é que deve existir economia para além do deficit.
(Pela maneira como o Luck escreve até parece que Krugman é um trumpista)

Quanto à desonestidade, sou como eles, para si. Desonesto e formatado pelo jornalismo socialista.

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De lucklucky a 26.01.2017 às 06:25

"Mas estou contra a retórica que foram os portugueses que viveram acima das suas possibilidades"

É claro que foram os portugueses, foram os portugueses que desde o 25 de Abril atiraram dinheiro para a veia. E ficaram viciados. Por isso tivemos sempre défice durante 40 anos.
Isso é culpa de quem? você não pode só acusar os políticos em 40 anos numa democracia, foi toda a cultura portuguesa e quem a construiu: Jornalismo, Pais, Mães, Escola.
De 15% de Dívida Publica para 135%.
O emprego na Câmara, o emprego na RTP/RDP, na Agência, na Comissão, no Observatório , no Sindicato, no subsídio ao empresário, na CGD, no Banco de Portugal, na comissão de festas, pode adicionar 100, 1000 ...
E claro como você diz quem tem mais poder tirou o seu quinhão...

" Não vejo é como será possível, não havendo investimento público"
O investimento publico e a promoção do crédito a rodos é que trouxe a crise.
Hoje com Costa e não com PPC estamos no mais baixo nível de de Investimento Publico, mas ninguém grita "Austeridade". Como é bonito ter jornalistas de esquerda a escreverem notícias...

(o sector privado em Portugal está descapitalizado em grande parte pelos prémios pagos aos accionistas e aos rendimentos desajustados, face à realidade do mercado nacional, dos "supostos" CEO)

Se você pensa que o sector privado são as empresas cotadas então vê-se mesmo que só tem a noção do país pelo que vem nas notícias.
Não se esqueça quando você fala das empresas cotadas está falar das empresas mais politizadas em Portugal.

"Krugman, Nobel da Economia ( a minha opinião ao pé da dele vale 0), o que tem afirmado é que deve existir economia para além do deficit."

Eu confio mais na sua opinião que no Krugman, pelo menos não teria a lata para escrever isto:
Krugman 08 Agosto 2016 Time to Borrow
Krugman 09 Janeiro 2017 Deficits Matter Again

Krugman na eleição de Trump: "If the question is when markets will recover, a first-pass answer is never."

Notícias recentes:
"Dow Jones industrial average eclipses 20,000 for the first time; cheers from the floor of the New York Stock Exchange."

Nota:Claro na mimha opinião isto é tudo mais uma bolha que vai rebentar...

"Pela maneira como o Luck escreve até parece que Krugman é um trumpista"

O Trump parece ser mais honesto, mantém que os défice não interessam ou interessam pouco...
Krugman concorda com ele quando só quando os Democratas estão no poder...


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De JSC a 26.01.2017 às 10:13

Deixe-me só acrescentar que para além dessa dívida pública que menciona, deve-se falar também da dívida privada que é cerca de 325% do PIB. Portanto claramente os Portugueses no geral contribuíram para este estado de decadência sem dinheiro (nosso) para cantar um cego.
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De Alienado a 26.01.2017 às 11:38

A dívida empresarial bruta é aproximadamente 108,5% do PIB. O que é que isto tem a ver com as famílias portuguesas, exceptuando, claro está, a dos as famílias numerosas dos capitalistas?
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De Alienado a 26.01.2017 às 11:47

"É claro que foram os portugueses, foram os portugueses que desde o 25 de Abril atiraram dinheiro para a veia. E ficaram viciados. Por isso tivemos sempre défice durante 40 anos"

A dívida empresarial bruta, actualmente em 108,5% do PIB (onde estão os tugas aqui metidos?)

"Pais, Mães"

Fale dos seus. Os meus e eu próprio temos 0% de divida, mas contraímos crédito e pagámo-lo. Por isso não admito que falem em nome dos portugueses.

"Se você pensa que o sector privado são as empresas cotadas então vê-se mesmo que só tem a noção do país pelo que vem nas notícias"

Bem sei que grande parte do tecido empresarial português são microempresas, mas essas fazem um esforço homérico para se manterem abertas. Admiro todo o microempresário que decide abrir uma empresa em Portugal e mantê-la viável. Não é nada fácil neste país.

As empresas cotadas pouco são afectadas pela crise (nomeiam ex ministros de direita que vã para as ditaduras socialistas fechar negócios). O seu negócio de eleição são as rendas, não contribuindo em nada para a inovação empresarial e consequentemente para o aumento da produtividade em Portugal (através da ID e criação de novos produtos de alto valor acrescentado)






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De Justiniano a 26.01.2017 às 14:32

Caro Alienado, o Luck tem um ponto! Sem dúvida, e sem o habitual exagero! A legitimidade democrática ficciona em absoluto a responsabilidade dos Portugueses pelos Governos de Portugal e, consequentemente, pela Administração Pública (Vide BdP, CMVM e tutti regulador existente)!! Será mesmo indiferente empregar o absurdo " eu nem votei", ou a ficção "eu nem devo nada a ninguém"!! Já Aristoteles concluía do significado de comunidade política e destino comum!!
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De Alienado a 26.01.2017 às 15:39

Peço desculpa Justiniano, mas não o entendo. Está a ser irónico com o Luck?

Quem concedeu crédito aos ditos portugueses? Os bancos são um conjunto de gaiatos inexperimentados? Aquando da contração de crédito não são necessários cumprir um conjunto de requisitos (falo em bancos, não em agências de crédito/agiotagem)? O perigo surge quando são as grandes empresas as"donas" dos bancos havendo um claro conflito de interesses (os empréstimos são muitas vezes concedidos sob pressão, independentemente da viabilidade do projecto/empresa)

Quanto ao absurdo "eu nem votei!" - O absurdo está em alguém, sem pudor, afirmar, em alto e bom som, não ter ido votar. Há culpa provem quer da acção, que da inação. O Voto deveria, num país despolitizado como o nosso, ser obrigatório.

Ficção - "não devo nada a ninguém" - Mas qual ficção? É por acaso da AT, e tem acesso a meu cadastro fiscal, ou dos meus familiares?

Mais responsáveis dos que não vão votar, são os que votam, por clubismo, nos mesmos que ao longo de 40 anos nos têm governado. Ou naqueles que tendo ideias e possibilidade não formam movimentos cívicos-politicos que constituam verdadeiras alternativas - ao contrário dos países norte da Europa e EUA.

Sou militante do Bloco de Esquerda porque sinto que é obrigação de todo o Cidadão não se demitir das suas responsabilidades sobre o destino do país. Sou o tal animal politico de Aristóteles. Não votei no 2º mandato de Sócrates (um neoliberal, e mais qualquer coisa que agora se sabe), não votei em Coelho (já sabia o que ele era e o que representava - um tipo sem qualquer honestidade politica, muito semelhante, em carácter, a Sócrates). Votei Manuel Monteiro (veja bem, aos 18 anos), e depois por motivos de morada não pude cumprir a minha obrigação de cidadão durante uns a anos.






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De Justiniano a 26.01.2017 às 16:33

Caro Alienado, qual foi a parte do meu comentário que não percebeu!? E a que propósito esse tom aparente de indignação por tão curial comentário! Verdadeiramente, o que é que lhe passou ao lado?!
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De Alienado a 26.01.2017 às 17:03

Peço desculpa, Justiniano. Há coisas que para serem bem entendidas só à mesa de um café. Limitações da realidade virtual. Bem haja!
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De lucklucky a 26.01.2017 às 21:44

Para que é que voce leva o caso para a sua pessoa?

Há muitos mais portugueses do que voce que não tem dívida ou as tem e as vão pagar.. E depois?
E há portugueses nas mesmas condições como voce que votaram do PCP ao CDS e quando cada um destes partidos esteve no Governo fez sempre défice.

Logo não são responsáveis? E são a maioria dos portugueses logo qual o problema de lhes chamar portugueses?
Os 135% de dívida publica é em nome de tosos os Portugueses. Até de milhares, (milhão?) que ainda não nasceram.

A não ser que me diga que um regime democrático sem direito de objecção de consciencia não é legitímo e aí talvez concordemos em alguma coisa...



PS: não tenho til no teclado por isso pode soar errado algumas palavras.
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De Alienado a 27.01.2017 às 12:36

Os teclados com til são socialistas?
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De Alienado a 25.01.2017 às 16:18

O problema do Syriza foi querer jogar com as regras do sistema, que o levaram à àquela situação. Mas não havia outra forma, pois esta implicaria - o abandono das regras vigentes - o sacrifício de milhares de vidas e isso numa democracia é impensável (apenas as ditaduras conseguem saltar fora dos sistemas, pois aqui a opinião publica e o voto de nada valem - a tal interrupção necessária da democracia que Ferreira Leite tão bem viu que seria a única solução pra Portugal sair do pântano)
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 17:34

Extraordinário pensamento, esse de Ferreira Leite: "suspender a democracia".
Só ferido por absoluta falta de originalidade.
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De Alienado a 25.01.2017 às 18:59

Pedro, acredita mesmo que as mudanças necessárias para corrigir os erros da globalização se vão fazer com "conversações e tratados/referendos"? Tal como ela, a Globalização, nos foi imposta, também a sua reforma o será (na prática de forma não democrática)
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 19:44

A globalização é um facto incontornável. O século XXI seria inimaginável sem ela.
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De Alienado a 25.01.2017 às 21:14

Nos 80 vivíamos muito bem sem globalização - a realidade que existia era só uma. Porventura melhor. O que a globalização nos trouxe, de mais imediato e generalizado, foram as PizzaHut, Pitta Shoarma, e o crédito fácil. Bendito progresso
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 21:17

Nos anos 80 vivíamos bem sem telemóveis nem computadores portáteis nem multibanco nem via verde. Mas as coisas são o que são.
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De Tiro ao Alvo a 26.01.2017 às 09:08

Está-me a parecer que não vale a pena discutir com o alienado, pois tudo indica que ele está mesmo alienado. Se assim for, só com internamento...
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De Alienado a 26.01.2017 às 11:48

Ensine-me algo!
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De Justiniano a 26.01.2017 às 15:07

A conversa sobre a globalização é relativamente complexa (este termo, conversa, não sei de onde me surgiu). A questão não reside na ontologia da coisa mas apenas no grau. Neste sentido a globalização dos anos 80 era, todavia, globalização (naquele estrito sentido de existirem trocas comerciais mundializadas, ainda que corrigidas pela natureza cambial espontânea e por tarifas aduaneiras influentes e relevantes).Aproveitava mais, a dita de 80, como exemplo, em prosperidade e bem estar social, a alguns estados, como a de 2017 aproveita, hoje, mais a outros (este aproveitamento pode ser complexo de explicar, e medir, em termos de bem estar social mas será evidente em termos de produção industrial relativa comparada e nível de independência económica) Esta será a questão pertinente, hoje! Sabemos, do que lemos e ouvimos por aí, existir um grande apelo político, sedutor, quase nostálgico, a um regresso à globalização anterior à dos idos de 90 do século passado.
Quando nos referimos a uma "globalização" com o pressuposto da liberdade de circulação de pessoas, migração, trabalho e liberdade de circulação de capitais a coisa terá um outro ponto de análise uma vez que é inédita na história. Inédita no sentido em que a história universal carece de exemplos de concessão de direito à liberdade de circulação e à migração como posição jurídica aberta com tutela de recepção do estado recipiente, ou seja muito para além da clássica imposição peremptória, através da força ou outro elemento de poder persuasor, da presença do outro no território, até então, daquele! Eventos que vão erodindo a noção de Estado Nação histórico e que não devem ser liminarmente desconsiderados ou, pior, interpretados como algum tipo de vício ou degeneração ética!
Um bem haja a todos,
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De lucklucky a 26.01.2017 às 21:50

"A Globalização é a melhor maneira de ver como o Estado e a sua burocracia custa e quem vive das rendas. "

Enquanto um aspirador custa hoje bem menor que um ordenado minímo enaunto nos anos 80 eram mais e isto incluíndo hoje impostos record, colocar uma criança numa escola bate records de custos e a melhoria de qualidade é?
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De Anónimo a 25.01.2017 às 16:49

A Grécia bateu o pé.
Por aqui dizia-se que estava feita ao bife. Que nós, os coelhos, bons alunos, é que estávamos no caminho certo.
Não fosse o Costa, e as reformas e as pensões estariam ao nível da Coreia do Norte (para baixo ou para cima do paralelo... quantos?!).
Felizmente, não foi assim.
Mais uma vez, estávamos certos.
Modéstia à parte.
João de Brito
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 17:36

Ainda recordo a voz fremente da eurodeputada Ana Gomes: "Pela Grécia passa a salvação da Europa!"
Não aconteceu nada disso. E nós, portugueses, ainda nos vingámos dos gregos conquistando em 2016 a Eurocopa que eles nos tinham vindo cá ganhar em 2004.
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De WW a 25.01.2017 às 17:38

Aqui no Delito não se dizia que a Grécia estava feita ao bife, DESEJAVA-SE ARDENTEMENTE ....
Quanto ás sete décadas de Paz, deve ser para rir, os croatas tinham o apoio dos alemães e os sérvios dos franceses, era novo mas lembro-me disso, sobretudo dos sniper´s...
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 18:15

"Feita ao bife" é o quê?? Render-se ao charme britânico?
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De Justiniano a 26.01.2017 às 15:10

...os Sérvios dos Franceses..??!! Era novo, mesmo!!
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De WW a 26.01.2017 às 16:22

Eu quando me refiro a apoio, quero dizer diplomático pois de outro tipo (militar) não tenho provas mas fica um "link".

With the war still ongoing when the deadline expired, Germany presented its decision to recognize Croatia as its "policy and duty". German position was fully supported by Italy and Denmark, while France and the UK attempted to prevent German recognition by drafting a United Nations resolution requesting that no country take unilateral actions which might cause the situation in Yugoslavia to get worse. Ultimately, France and the UK backed down during the Security Council debate on the matter on 14 December, when Germany appeared determined to defy the UN resolution

https://en.wikipedia.org/wiki/Croatia%E2%80%93Germany_relations

Isto serve para demonstrar uma vez mais a palhaçada que é esta UE e quanto mais é necessário acabar com ela e voltar á primazia do Estado-Nação...
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De Alienado a 25.01.2017 às 17:17

Esqueci de referir que o problema da Jugoslávia só sr resolveu porque os EUA intervieram. Caso contrário a Europa nada tinha feito. Os problemas na Europa acabam por eles mesmos, dificilmente por acção directa dos seus líderes, ou das suas opiniões públicas
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 17:38

Os EUA salvaram a Europa várias vezes ao longo dos últimos cem anos. Erro de paralaxe da drª Ana Gomes, que em 2015 imaginou a Grécia nesse papel.
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De Alienado a 25.01.2017 às 19:01

Foi a Grécia que falhou, ou factores externos (UE, Comissão, Ecofin, Banco Mundial, FMI, etc) que impediram que ela tivesse "êxito"?
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 19:45

A Grécia falhou desde que aderiu à CEE, em 1981. Nunca cumpriu os objectivos. E teve a suprema deselegância de nos primeiros anos vetar a adesão de Portugal e Espanha.
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De Alienado a 25.01.2017 às 21:49

"Nunca cumpriu os objectivos"

Suponho que com o desconhecimento da Comissão Europeia
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 22:04

A Comissão Europeia sabia, claro. Com o senhor Papandreu a espatifar milhões de fundos europeus, jogando como arma de troca a importância geopolítica da Grécia nesses tempos da Guerra Fria.
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De Justiniano a 26.01.2017 às 15:12

Caro Alienado, o que seria o éxito da Grécia, verdadeiramente!? E a Europa necessitava de ser salva de quê?
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De Alienado a 26.01.2017 às 16:18

O Êxito seria conseguirem melhorar os índices económicos com outras politicas que não as ditadas pela troika - privatizações de sectores estratégicos (as tais rendas para os privados), cortes no Estado Social, cortes nas reformas, abaixamento de impostos às empresas e aumento nos do trabalho,flexibilização laboral, etc e tal. Quanto à Europa generalizei abusivamente. Queria dizer Portugal, que a Europa...kaput
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De Francisco Albino a 25.01.2017 às 18:52

Pedindo desculpa pelo atrevimento, creio que seria mais correcto escrever: "...o nosso planeta parece girar muito mais rapidamente em torno do seu eixo".
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 18:56

Grato pela sugestão, que adopto com gosto.
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De lucklucky a 25.01.2017 às 19:13

E tivomos o elogio à extremista da Merkel, assim como a muito outros extremistas para começar os Unionistas.
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 19:45

Merkel é extremista? Então o Farage, por exemplo, deve ser moderado.
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De JSC a 25.01.2017 às 20:28

A Europa favoreceu os grandes latifundiários franceses pondo a descoberto todos os outros, agora nenhum pais Europeu é capaz de ser auto-sustentável, conseguiram o que queriam a total dependência do sistema, esta sim a grande verdade sobre a Europa e o seu grande crime.

Europa (aqui é para ser entendida por CEE/UE)
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De Pedro Correia a 25.01.2017 às 21:16

Países interdependentes: este é o genuíno espírito europeu. O resto são bravatas soberanistas, apropriadas às histórias do Asterix e a gritinhos do Ipiranga.
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De WW a 26.01.2017 às 16:25

Nada como a Inglaterra para nos ensinar algo e mostrar o caminho por antecipação..
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De Alienado a 26.01.2017 às 17:06

Sempre tiveram do lado dos vencedores!
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De Alienado a 26.01.2017 às 17:07

Perdão: Estiveram
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De Justiniano a 26.01.2017 às 15:48

Caro Pedro Correia, eu estava verdadeiramente convencido de que a austeridade tinha acabado na Grécia!! Mais, que a tragédia humanitária de então, era hoje história e miolo de lendas do tempo da maldade!! A fome acabou! O Estado já chega hoje onde, então, ficava àquem! É pelo menos assim que hoje me dizem ser!
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De Pedro Correia a 31.01.2017 às 13:37

Meu caro, na Grécia abundam os mitos. E não é de agora.

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