Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Do Turismo

jpt, 25.08.23

GettyImages-185268312-57b9f3eb5f9b58cdfded54ef.jpg

Num mural de Facebook - de tipo que tem a cabeça no sítio, e não está a gemer sobre o assunto... - vejo uma série de comentários dos tradicionais imbecis "lisboetas", esses burguesotes ufanos, tão loquazes eles sempre vêm, uns em registo "doutor" outros mais a la "morcão". O dono do sítio coloca uma foto de gente a dormir em estação ferroviária - muito me parece que será a Estação do Oriente, em Lisboa. Por lá passei no dia seguinte ao final das Jornadas Católicas e estava apinhada de dorminhocos. Sorri e quase fotografei, mas segui, resmungando com o calor na minha via para nenhures...
 
Os comentários dos tais atávicos burguesotes lisboetas vêm numa mescla que nem sortido. Entre o apatetado lamento pela desgraça alheia, como se isto fosse um pungente episódio neo-realista. E o muito pior resmungo com os "turistas", esses malvados que vieram perturbar a paz cidadã - num país que nem cresce nem se desenvolve há um quarto de século, de algemado a pruridos e preconceitozitos dos pequenos privilégios e estuporado pelos fazedores de opinião a la Câncios e quejanda gente. E que para se aguentar vai contando, por enquanto, pelo fluxo da rapaziada turista ("de pé descalço", desprezam os desprezíveis) que cá vem ao vinho barato, ao peixe grelhado e ao Sol ("ai, que calor insuportável que está").
 
Leio os patrícios imbecis - os "doutores" e os "morcões", que são a mesma coisa, diga-se - e regurgito perdigotos. Teclo-os. Raisparta isto, fartei-me eu, e tantos da minha geração e decerto que das subsequentes, de dormir em estações ferroviárias por essa Europa afora, mochila nas costas, "pé rapado" que não descalço, a feder de suor e falta de banhos, a rapar a fome do sem taco para comer, turista de inter-rail no bolso. Exactamente como estes mais-novos de agora, aqueles católicos que vi, outros de outros credos... Qual é o mal humanitário disto, a desgraça que impende sobre os assim mal-dormidos? E qual a mácula na Gesta Pátria?
 
As pessoas não se "fazem de estúpidas". São, genuinamente, imbecis. E peroram. Não é legítimo calá-las, censurá-las. Mas é necessário, urgente, obrigatório, insultá-las. O dever cívico do insulto. Burras!

22 comentários

Comentar post