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Do óbvio

por Rui Rocha, em 24.06.17

É óbvio que o que aconteceu em Pedrógão Grande é uma tragédia de enormes dimensões e que dela têm de ser retiradas responsabilidades políticas. É óbvio que muitas coisas correram mal e é óbvio que, ao contrário do que afirmou extemporaneamente o Senhor Presidente da República, era possível ter feito mais. É óbvio que perante um acontecimento desta gravidade a existência de responsabilidades políticas é a única forma de assegurar que estes temas são geridos no futuro com seriedade. É óbvio que a inexistência de responsabilidade política seria um gravíssimo sinal de laxismo e cumplicidade colectiva com uma situação insustentável. É óbvio que a gestão da floresta e a prevenção e combate a incêndios acumulam décadas de más decisões e de decisões tomadas por motivos errados. É óbvio que nenhum dos sucessivos governos dessas décadas está isento de censura e que os partidos que os integraram (PS, PSD e CDS) são parte da situação a que se chegou. É óbvio quem tem de assumir a responsabilidade política pois de todos esses partidos é óbvio quem está agora no poder e é óbvio que essa responsabilidade política tem de incidir sobre a equipa do Ministério da Administração Interna.


1 comentário

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De Cusca, a Ovelha Negra a 24.06.2017 às 15:59

É óbvio e também é óbvio que, por muito que uns saiam e outros entrem, todos parecem ter os mesmos objectivos e a mesma "preocupação", com o "melhor" para os cidadãos.

A Humanidade parece sofrer da síndrome de Estocolmo ou da síndrome de Oslo, neste caso, um mecanismo que também pode ser de defesa grupal, onde se fantasia ter o controle da situação quando, há muito tempo que já não controlamos absolutamente nada e, eles todos, sabem disso.
Rodam no Poder e todos o querem mas, para não faltar o dinheiro (bago, milho, massa, grana, cacau, arame, cobre, gaita, nota, quintuques ...), só têm de obedecer aos "controladores externos" e, sabendo que os euro-deputados Não Podem Propor nem Vetar leis, digamos que o "teatro" está a ficar, a cada dia, menos convincente.

Não que os discursos tenham mudado mas, parecem quase insultuosos porque, muitos, sem o saber, estão a "acordar" da doença. Só precisam sair do conforto da imposta infantilização e virarem adultos responsáveis, passando a controlar as suas próprias vidas e o Meio que os rodeia porque, os "papás", nem sequer são padrastos, apenas gente que só se preocupa em manter as suas mordomias, com sintomas visíveis de uma psicopatia em que pensam ser como Deus, onipresente, onipotente e onisciente, isto para ser simpática porque há quem pareça ter ADN de senhor de engenho.
Por mim, podem discursar, prometer, mentir à descarada porque isto de, consecutivamente, cair no jogo do costume, tem limites e, comigo, acreditar em mais fantasias?
Como dizia o "outro"..."jamé" e até me apetecia imitar ainda "outro", aquele que no Parlamento fez um gesto "taurino"... porque, "lá de cima", têm sido incansáveis a dar... tantos e tão "bons" exemplos.

Depois deste vídeo que já deixei neste blogue:
https://www.youtube.com/watch?v=0k4pXwmis7A
The Myth of Authority (Video Contest Winner)

Deixo mais um:
https://www.youtube.com/watch?v=Auf1rehiA-4
How They See You

Porque, uma coisa é certa, esta doença não é "caseira" mas é a nível global, só que alguns estão a ficar curados, o problema são aqueles que, realmente, sendo os nossos iguais, nos obrigam a continuar a sofrer da mesma doença. Portanto, quando olharem para os números da abstenção, seja em outubro de 2016, os 59,1% nos Açores ou, mais recentemente, os 51% na França (mais os brancos e nulos), em vez de pensarem que eles estão do lado errado, uns preguiçosos que não vão votar... se calhar... deviam chamar-lhes os curados, os restabelecidos ou os sarados

Ter deixado de ver os perigos ou vê-los e esperar que alguém, venha resolver a situação, há várias hipóteses, já vos amestraram, infantilizaram ou vivem no mundo da fantasia e, neste caso, agarrem no smartphone e criem mais uma app para não cansarem os neurônios mas, deixando de pensar, alguém estará sempre pronto para pensar por nós só que, depois, não se admirem se não gostarem dos resultados. No fundo, querem algo que já a minha avó dizia não ser possível: "Simultaneamente, ter Sol na Eira e Chuva no Nabal" mas, aposto que há quem acredite ser possível... basta um político prometer.

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