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Do amarelo ao encarnadinho

por Pedro Correia, em 22.12.18

coletes[1].jpg

 

 

Esta frase ontem dita por um indivíduo aos jornalistas destacados no terreno - e que, somados aos polícias, suplantavam os manifestantes em número - resume o fiasco dos "coletes amarelos", versão tuga: «Eu sou solidário com eles... mas tenho de trabalhar.»

Há uma diferença enorme entre os indignadinhos de sofá, sempre prontos a clicar contra o "sistema", seja lá o que isso for, e aqueles que estão dispostos a sair à rua, consequentes com a revolta que dizem sentir. A verdade é que - isso ficou bem demonstrado ontem - não basta copiar o que lá fora se passa nem ser campeão das bravatas em redes sociais. Quando há que dar a cara, assumir a identidade, ter o incómodo de mergulhar no país real, esvai-se a ousadia oculta em pseudónimos na Rede.

 

Se fosse o próprio Governo a organizar este "protesto", não lhe teria saído melhor: duas dúzias de mabecos gritando slogans inconsequentes no Nó de Francos ou na rotunda do Marquês de Pombal, como se ali houvesse sedes de órgãos de soberania. Prejudicando afinal apenas o cidadão comum que diziam representar, enquanto desafinavam penosamente, tentando trautear umas estrofes do hino nacional perante as televisões.

Pretenderam imitar os franceses. Esquecendo que os gilets jaunes não desceram às praças e avenidas numa sexta de manhã, mas em sucessivas tardes de sábado - podendo assim agregar gente que trabalha durante a semana. E escolheram os locais mais emblemáticos das cidades - desde logo Paris - para centro nevrálgico dos protestos. O próprio Marcelo Rebelo de Sousa aludia ontem, ironicamente, à sua passagem episódica pelo Marquês de Pombal, ao fim da tarde, para «observar o que se passava», já que a vasta praça fronteira ao Palácio de Belém fora deixada em sossego apesar de reunir todas as condições para dar visibilidade a qualquer manifestação de rua.

 

Os promotores deste "fiasco amarelo" revelaram a sua inépcia, desde logo, na lista de putativas "reivindicações" que difundiram nas redes: querem, ao mesmo tempo, diminuir a receita fiscal e aumentar a receita pública. Tudo e o seu contrário: menos IRS, menos IRC, IVA mais baixo, salário mínimo a disparar, pensões de reforma e subsídios de desemprego mais elevados. Uma quadratura do círculo que equipara qualquer deles aos mais incompetentes membros da classe política que dizem abominar.

Sou capaz de entender porque não marcaram para hoje os tais protestos: faltam só três dias para o Natal. Imagino-os atarefados, a esta hora, na corrida às grandes superfícies, cartão de crédito na mão. Já não de amarelo, mas de encarnadinho - a cor do Pai Natal.


2 comentários

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De Vorph Valknut a 22.12.2018 às 16:27

Não se protesta, por causa do trabalho...não se vai ao jantar de domingo, por causa do trabalho...não se vota, por causa do trabalho…não se vai ao circo, por causa do trabalho...não se qualquer coisa, por causa do trabalho….

E todos nós sabemos como o nosso trabalhinho é o mais bonito de todos. "Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva"

Magico se esta Invocação do Trabalho, não será um velado pedido de Clemência nacional a uma Bula Papal, pela inaptidão de tomarmos a sério o Sério das coisas. Andamos para aqui como num recreio de 10 minutos

Em portugal as "revoluções", as suas contestações, os seus "raios o partam" são como o "Rio de São Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar, em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou!!"


portugal é o país do Donaninho, faltando sempre um bocadinho, assim...Portugal foi parido num prolongamento, ou, na melhor das hipóteses, ao intervalo.

Post scriptum

É um fartote ver os Comunistas considerarem qualquer manifestação, que lhes fuja do controlo, como artificial, cruel...REACCIONÁRIA e BURGUESA...já nem graça metem, desde que foram metidos na geringonça.

Laracha é também ver como o Sistema Partidário se preocupa em institucionalizar as "vozes do descontentamento social", arrebanhando-as, fagocitando-as, arrotando-as para que tudo continue na mesma, como a lesma.

Não me reporto aos coletes, ou talvez deles também fale...falo no geral e em nada de particular...afinal nem sei que dia é hoje.


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De Anónimo a 23.12.2018 às 01:40

Viu-se o que a Extrema Esquerda fez quando aconteceu a manifestação espontânea por causa dos mortos nos Incêndios.

Apareceram logo na manifestação para intimidar e provocar.

Passando a mensagem que se a manifestação não é controlada pela Extrema Esquerda não há segurança.
Com isto dizem a todos a rua só pode ser da Esquerda.
É o modo da Esquerda ter o monopólio da Violência. Pois uma manifestação é potencialmente a ante camera da violência.

E claro é um exemplo de violência política.
Que claro não é "notícia".

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