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Dizer mal e dizer bem

por Pedro Correia, em 26.12.19

Escrevo textos de opinião, ininterruptamente, há mais de 30 anos. Ao longo de todo este tempo, nunca me esqueci de uma recomendação que, era eu jovem jornalista, me fez um camarada de profissão curtido em sabedoria e experiência: «Nunca digas tanto mal de alguém de quem possas vir a dizer bem nem tanto bem de alguém de quem possas vir a dizer mal.»

As lições mais simples, muitas vezes, são as que mais perduram.


32 comentários

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De Anónimo a 26.12.2019 às 13:22

A recomendação precisa de correcção
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 17:27

Corrigido. Agradeço o reparo.
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De Isabel s a 26.12.2019 às 16:46

Desculpar-me-á mas não concordo com a lição que refere. Pessoalmente, ficar-me-ia pelo « nunca digas mal de alguém ». É sempre um bom princípio, em especial para um jornalista. Em minha opinião, este deve criticar o que for criticável na opinião ou comportamento de quem quer que seja, justificar a sua crítica mas....dizer mal de alguem? Não me parece ser a função de ninguém e muito menos de quem tem a responsabilidade de um opinion maker.
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 17:28


Criticar não é dizer mal?
Será que é dizer bem?

Elogiar não será dizer bem?
Será dizer mal?
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De Isabel s a 26.12.2019 às 18:13

O mal e o bem não devem ter nada a ver com jornalistas. Esses são conceitos da religião ou para os filósofos.
Claro je há histórias e histórias. Mas, mesmo assim, eu entendo que a apreciação de um jornalista - quando não lhe é exigida a objectividade possível - deve ser orientada mais para o campo das ciências políticas ou sociais e, excepcionalmente, psicológicas.
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 22:50

Engano seu, se me permite.
Mal e bem têm a ver com jornalismo, na medida em que têm a ver com a vida. E o jornalismo, se não tiver a ver com a vida, não é digno de se qualificar desse modo.

De qualquer modo, como me parece ter ficado claro, utilizo a expressão coloquial "dizer mal" no sentido de criticar e a sua antítese, "dizer bem", no sentido comum de elogiar. Não me referindo aqui a categorias religiosas, ideológicas ou filosóficas.
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De Isabel s a 27.12.2019 às 00:02

Desde a folha que cai até ao foguetão que vai à lua , tudo tem a ver com a vida. Aí, o jornalista está na posição de tudo o que existe.
Eu vejo semanalmente debates de várias tv’s europeias entre jornalistas, políticos e intelectuais de grande categoria com ideias e práticas políticas diferentes, que se atacam profundamente sem nunca dizerem mal de ninguém nem um do outro. Onde há crítica intelectualmente honesta e com boa fé, não há maledicência. Elogiar, quando não se está a fazer pura propaganda, é fazer uma crítica positiva e justa. Nenhum caso destes tem a ver com o bem ou com o mal. Podemos dizer que há mau jornalismo quando este é, consciente ou mesmo inconscientemente, usado para manipular as opiniões. O que é bem diferente do jornalismo « engagé » que declara ou faz conhecer previamente ao que vem.
Enfim, é uma matéria que ocupa horas de debates, de conferências para além de milhares de livros, a começar, em minha modesta opinião, pelo americano do princípio do século passado «  a frabrica do consentimento » ( se não me engano no nome ).
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De Pedro Correia a 27.12.2019 às 10:23

Isabel, não é preciso "ver semanalmente debates de várias televisões europeias" (presumindo a exclusão de Portugal, como se não estivéssemos na Europa) para encontrar exemplos de bom jornalismo.
Felizmente também existem cá, o que nos recoloca nas minhas linhas iniciais sobre o "dizer mal" e o "dizer bem".
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De Isabel s a 27.12.2019 às 15:24

Lamento dizer-lhe que me parece que está enganado. Eu não sou jornalista, claro. Mas sou grande consumidora de jornalismo em quatro línguas e tenho a minha opinião. É diferente da sua? Nada mais normal, não acha?
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De Pedro Correia a 27.12.2019 às 21:31

Esperava que me confirmasse ou desmentisse aquilo que me pareceu no comentário anterior: que só "lá fora" encontra jornalismo competente. Usou uma formulação algo ambígua, mas pareceu-me apontar nessa direcção.
Continuarei à espera da confirmação ou do desmentido.
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De Isabel s a 28.12.2019 às 14:13

Entendeu mal. Nunca me atreveria a dizer que cá ou em qualquer outro país não se encontra jornalismo competente. Não tenho em qualquer caso conhecimento que me permita formular tal julgamento.
Porém, continuo a dizer que jornalismo só tem a ver com relato rigoroso de factos e opiniões, sempre subjectivas e susceptíveis de contraditório, relativas a ideias e práticas de pessoas consideradas relevantes ( opinião também susceptível de ser contraditada ). O jornalista não é juiz, é testemunha.
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De Pedro Correia a 28.12.2019 às 16:30

Precisamente por ser testemunha é que se vê algo que está mal tem não apenas o direito mas o dever de dizer que está mal. Ou bem, consoante os casos.
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De Isabel s a 28.12.2019 às 17:12

Tenha paciência mas essa sua teoria é perigosa. A realidade só existe como representação. Algo está mal ou bem consoante quem observa, ou seja, consoante as regiões do globo, as épocas, as culturas vividas, os grupos sociais a que se pertence, etc etc, etc. Só os intolerantes reduzem as experiências da vida ao »está bem e ao está mal ». Não me diga que é esse o seu caso?
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De Pedro Correia a 28.12.2019 às 18:39

Que coisa tão rebuscada: "a realidade só existe como representação".
À luz desse critério, se eu vir um fulano agredi-la na rua, deverei evocar esse axioma antes de escrever com todas as letras que essa agressão é de todo inaceitável - não vá você chamar-me "juiz" e, quem sabe até, "intolerante" por criticar o seu agressor.
E se tentar defendê-la, o seu agressor dir-me-á, encolhendo os ombros: é mera "representação". Como num teatro.
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De Isabel s a 28.12.2019 às 21:23

A realidade como representação ao tem nada a ver com teatro. Tudo o que respondeu está fora do contexto. Desisto.
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De Pedro Correia a 28.12.2019 às 21:45

Fora de contexto parece-me o seu relativismo, procurando subordinar a axiologia a coordenadas geográficas e culturais. Como se não houvesse valores absolutos. Mas há.
E em função dessa escala de valores nunca o olhar jornalístico - seja ou não "representação do real" - pode ficar equidistante entre o bem e o mal, algures a meio da ponte.
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De Nuno P. a 26.12.2019 às 19:32

" nunca digas mal de alguém ». É sempre um bom princípio, em especial para um jornalista."
Não é um bom princípio excepto se se pretender acabar com a crítica e voltar ao respeitinho. Muito menos para um jornalista. É como a crítica que na opinião de alguns deve ser construtiva. Não deve. Por muitas razões e dou só um exemplo. Posso detestar uma obra de arte (um filme) mas não significa que eu saiba fazer melhor. Então limito-me a dizer: isto é horrível e muito mau. Sou contra as limitações à crítica. Sou contra as limitações à caricatura. Qualquer um pode dizer e repetir: é uma vergonha, é uma vergonha.....
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 23:01

O que eu escrevi não tem nada a ver com respeitinho e ainda menos com limitações ao livre exercício da crítica.
Se reler com mais atenção perceberá isso.
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De Isabel s a 27.12.2019 às 00:40

Como escrevi atrás em resposta ao Pedro Correia, pode pôr de rastos as ideias de alguém apresentando ideias diferentes e melhor fundamentadas do que as do tal alguém, sem ofender. Assim como pode deitar abaixo uma determinada política, apontando efeitos perversos, eventualmente sugerindo alternativas sem atingir a pessoa cujas políticas está a atacar. Não são as pessoas que estão em questão, são as suas ideias e as suas práticas. Que até se podia ter achado péssimas há dez anos aquando da discussão de determinado tema e que hoje parecem óptimas a propósito de problema diferente.
O que acabo de escrever não pressupõe qualquer limitação à liberdade de criticar. Pessoalmente defendo o conceito de democracia anglo-saxao que coloca a liberdade como valor primeiro, ao contrário dos Franco/nórdicos que dão mais valor à igualdade, quando não ao igualitarismo.
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De o cunhado do acutilante a 26.12.2019 às 17:29

Boa lição, sem dúvida. Se bem que eu pense que "nem tanto bem de alguém de quem possas vir a dizer mal" estaria mais acertada.
Em todo o caso quer de uma ou de outra maneira afigura-se-me que o Pedro Correia não aproveitou bem a lição.
Sempre quero ver como vai, um dia,- que tudo o indicia a breve trecho chegará, - falar bem do deposto depois do que andou para aí a falar mal dele.

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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 22:57

Elogio leões com juba verdadeira. Também enalteço aves de grande porte, embora sinta enorme repugnância pelas necrófagas. Quase tanta como sinto pelas toupeiras.
E apelo à libertação dos seres emplumados que se encontram oprimidos, para gáudio de multidões acéfalas. Sem merecerem a solidariedade do partido animalista. Que só se preocupa com uns circos, esquecendo outros.
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De Anonimus a 26.12.2019 às 17:35

Essa lição (?) de vida, entretanto reciclada na internet com o epíteto de "coerência", é um dos problemas da nossa sociedade.
Analisamos pessoas, e não acções. Dividimos o mundo, o nosso, entre bons e maus, burros e inteligentes, como se boas pessoas não fizessem coisas estúpidas e vice-versa.
Um exemplo é o falecido pai da democracia, de quem era impossível proferir uma palavra contra, dado o seu passado. Já os mal-amados se-lo-ão até ao fim dos seus dias.
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 22:51

Contra os maniqueus, contra a visão da vida e do mundo e da gente a preto e branco.
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De Manuel Sousa a 26.12.2019 às 18:26

Citando um malandreco...: "Diz mal de todos. Não te enganarás !"
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 22:51

Quem é esse malandreco? O actual PR?
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De gato a 26.12.2019 às 21:14

Nota que tomei esta manhã:
Conferir:
Pedro Correia, em 26.12.19
«Nunca digas tanto mal de alguém de quem possas vir a dizer bem nem tanto mal de alguém de quem possas vir a dizer mal.»
__________

Afinal não sou só eu o incomodado.
Eu até tenho evitado escrever no DO, não vá ofender o dono.
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De Pedro Correia a 26.12.2019 às 22:59

Pela amostra aqui vertida, aconselho-o a evitar guiar a esta hora.
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De jpt a 27.12.2019 às 00:00

Não há dúvida que não sou jornalista (mas o conselho foi avisado, concedo)
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De Anónimo a 27.12.2019 às 20:55

Este parece um daqueles ensinamentos da Imitação de Cristo. Do género: "Sê simples como as pombas e prudente como as serpentes".
Não gosto de jogar à defesa.
Gosto de ser genuíno, sem calculismos.
Pão pão, queijo queijo. Nem que, entretanto, passe a ser queijo queijo, pão pão. Qual é o prolema, se o sabor é o mesmo, apesar da troca dos elementos...
Além disso, não há coerência absoluta, porque a vida, ela própria, não é coerente.
Se fosse jornalista, agiria em conformidade.
Isto não é mais um princípio que pretenda substituir o do post.
É apenas o meu princípio, que, de resto, nem sempre sou capaz de cumprir

João de Brito
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De Pedro Correia a 27.12.2019 às 21:38

Faz muito bem em seguir os princípios em que acredita.
Eu procuro fazer o mesmo. Não aqui ou acolá, mas sempre.

Quanto a jogar à defesa, podemos sempre citar Jesus (o outro): um bom ataque ganha um jogo, uma boa defesa ganha campeonatos.
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De Anónimo a 27.12.2019 às 21:49

Dizer mal sem olhar a quem?
ou
"Desconfia sempre de quem concorda, em tudo, contigo".
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De Pedro Correia a 27.12.2019 às 22:17

Não soa tão bem, mas também serve assim.

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