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Divisões na Europa

por Luís Naves, em 13.02.15

AriadneDionysusPan.jpg

 

Após trinta anos sem perturbações de maior, o consenso nacional em torno da política europeia foi ontem desfeito. Uma carta assinada por notáveis provocou mais barulho do que a análise serena dos factos. O texto era suficientemente lírico e impreciso, mas levou a um enorme clamor de críticas contra o Governo. Os signatários não tinham elementos sobre o plano grego (se aceita ou não o resgate) ou sobre os pormenores dos bastidores, mas presumiram que a posição portuguesa em Bruxelas era errada. Chegou a parecer neste debate que os nossos interesses na cimeira seriam defendidos com maior eficácia por uma delegação estrangeira.

Nas últimas duas semanas, a estratégia portuguesa foi a de separar o problema da Grécia do problema português. A estratégia de Alexis Tsipras e do seu ministro das Finanças foi a inversa: ligar o problema de Atenas aos restantes países resgatados, incluindo o nosso. Os dirigentes gregos fizeram declarações hostis, susceptíveis de criar excitação nos mercados e de fazer subir o custo do financiamento da dívida portuguesa. Lisboa respondeu com dureza semelhante, deixando bem claro que o problema grego não era o nosso e que tinha de ser discutido isoladamente.

 

 

O problema grego é mesmo diferente do nosso e foi discutido isoladamente. Atenas está a negociar um eventual terceiro resgate e, mais tarde ou mais cedo, terá talvez de negociar uma saída da zona euro, calamidade que equivale à melhor maneira de cumprir um programa radical de esquerda. A Grécia não consegue regressar aos mercados, não consegue pagar as dívidas nem fazer as reformas exigidas, embora tenha obtido substanciais descontos e complacência dos credores. O dinheiro que recebe dos europeus mantém o Estado a funcionar, mas sem alterações de fundo. Não será o novo governo a fazer as reformas, pelo que o problema não tem solução visível. Para os europeus, existe também um dilema: mantém-se o país a flutuar ou faz-se a ruptura? A segunda hipótese pode resolver de vez a crise de confiança no euro, mas também pode afundar a moeda única. O risco é substancial e há indicações de que alguns países querem tentar esta possibilidade.

Ao longo da crise, sempre com enormes sacrifícios, Portugal conseguiu demonstrar que tem uma situação diferente da grega: terminou com êxito o programa de ajustamento e a sua dependência da troika é ligeira (continuam credores, mas há margem de manobra para lhes desobedecer). Portugal financia-se nos mercados a baixo custo, ou seja, a estratégia da credibilidade funcionou e pode prolongar-se por anos, até que o crescimento seja substancial e reduza o rácio da dívida. No ano passado, a economia portuguesa cresceu 0,9%. O valor vai acelerar este ano.

Lembro-me do tempo em que a Grécia recebia sempre mais dinheiro em subsídios europeus do que Portugal. Aliás, a Grécia recebia sempre mais dinheiro per capita do que qualquer outro país. Lembro-me do tempo em que a lamentável classe política grega, não contente por ter levado o seu país à falência, travou todas as reformas exigidas por quem lhe emprestava dinheiro. Lembro-me do perdão de dívida, dos sinais de corrupção, da histeria dos mercados, dos governos instáveis, da incerteza política e do efeito de arrastamento do Sul com que os gregos sempre sonharam. Tudo isto foi esquecido ontem em Portugal, no dia em que as tácticas e as ambições internas acabaram com um consenso de 30 anos na política europeia do país.

 

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8 comentários

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De Portugal é a Grécia! a 13.02.2015 às 17:26


13 de Fevereiro de 2015

Os juros da dívida grega a 10 anos descem 96 pontos base para 9,06%, afastando-se já de forma mais expressiva da barreira dos 10%.

A "yield" das obrigações do Tesouro (portuguesas) a 10 anos está a descer 13 pontos base para 2,34%, tendo já esta manhã tocado nos 2,307%, o que se situa abaixo do anterior mínimo histórico (fixado a 23 de Janeiro nos 2,326%).

9,06=2.34
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De da Maia a 13.02.2015 às 21:26

Dedicado aos junkies do crédito:

- A quanto é que compras?
- 2.34
- Ganda negócio!
- Não foi fácil, tive que pôr os velhos a passar fome - exigência do Al Manhas.
- Então, e o teu mano, deixou a escola?
- Claro. Agora está a arranjar carros, na garagem do Al Manhas.
- Sabes que o Greco está a tentar deixar?
- Sei, estás armado em puto. Um lunático, ele era o maior agarrado!
- Pois, mas já tinha os velhos a pedir na rua, e já não manda em casa.
- Sim, sim... sabes a quanto é que o Manhas lhe vende?
- Quanto?
- 9.06, quatro vezes mais caro!
- Mas... se ele vai largar, o que é que isso interessa?
- Interessa que eu compro mais barato!
- Estás cada vez mais agarrado!

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De Justiniano a 14.02.2015 às 08:23

Caro da Maia, apenas para enaltecer o seu comentário alegórico e referir, de si, uma vez mais, que muito lhe aprecio a forma e a argúcia (sei que os personagens andam à coisa de 4 anos num programa de desintoxicação. Andam a metadona.)!!
Mas eu já sei, ao contrário do Almada, o que é a coisa! Ou, pelo menos, penso saber o que é a coisa! A coisa é o trigo!! Também sei que, multiplicado por dois e dividido por três, não chega. Há-de, certamente, haver outra maneira de me salvar. Até lá, vou-me havendo com a raiz quadrada da terça parte do produto da multiplicação.
Um bem haja,
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De da Maia a 14.02.2015 às 18:43

Obrigado pelas palavras, Justiniano.

Sim, Mete a Dona! - Merkel é nome ocasional, emprestado.

Quanto à coisa, não sei se alcanço o pim.
O trigo aumentou a tribo (que é declinação latina de três).
O trigo divide a tribo, quando não se divide pela tribo.
Este pim é para mim trigo limpo.
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De 2020 a 14.02.2015 às 14:55

A metadona ao virar das eleições ..............mas já andam nos drunfos pelo meio para ver se passa a ressaca mais depressa...............
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De tric a 13.02.2015 às 18:32

as politicas da união europeia a afastar os povos de Portugal e da Grécia, ainda por cima no actual contexto mundial, em especial no Levante...!!!??? quando é que a União Europeia implode ! atirar à cara dos Gregos o quanto Portugal ajudou a Grécia...A diferença entre Portugal e a Grécia é que Portugal pode ir aos mercados e a Grécia não...os mercados da divida ditarem a relação entre os povos da Grécia e de Portugal...um Primeiro-Ministro de Portugal que não percebe que as relações entre o povo grego e o povo português estão acima dos interesses dos mercados da divida...qual é o papel de Portugal na Europa ?...dar o aval ao ataque contra os Ortodoxos Greco-Russos !!?? Portugal aliar-se aos Protestantes-Israelitas-Turcos-Sauditas para atacarem os Ortodoxos Greco-Russos na Europa!!!?? sim, porque esta guerra já tem alguns anos no mediterrânico sul ...só há pouco tempo foi trazida para a Europa pelos Israelitas-whaabis-Turcos na Região da Ucrânia...uma "União Europeia" que financeiramente é controlada pelos Israelitas e whhabis, eles ditam as regras dos mercados ...
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De lucklucky a 13.02.2015 às 20:05

Grécia país pobre, vs Portugal país rico.

Números aproximados - Forças Armadas:

F16: 156 vs 30
F4, Corsair, Mirage 2000 130 vs Zero

Helicopteros >160 vs 25

Aviões AEW-Elint 6 vs Zero
Aviões de Patrulha: 6 vs 10
Aviões de transporte 22 vs 13
UAVs 20 Vs 0

Tanques: 1000( e mais 600 em reserva) vs 45(+ 100 em reserva)

Veiculos Blindados: > 4000 vs 500

Mísseis anti aéreos: 100 médio alcance + 500 ligeiros Vs Zero + < 100.

Fragatas 13 Vs 5

Corvetas lança mísseis 19 vs Zero

Submarino 11 Vs 2

Não estão aqui incluídas armas do Chipre Grego.
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De amendes a 13.02.2015 às 20:13

Este comentário do TRIC... só pode ser respondido com um sonoro TRAC!

Que confusão de m****!

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