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Direitos sem obrigações

por Paulo Sousa, em 22.09.19

Ontem um cão de um vizinho conseguiu passar a rede que separa as duas propriedades e matou a nossa galinha preta. Chamávamos-lhe Unita. Quem não conhece o símbolo deste partido angolano achava que o nome era "bonita", o que também era verdade. Quando soube do desaparecimento dela fui perguntar pelo cão ao vizinho. Antes de chegar à porta dele encontrei logo o bicho no seu jardim a deliciar-se com a pobre da Unita.

Além da questão patrimonial que acabou por se acertar, questionei-me se a minha Unita, um dos nossos animais de companhia - com uma quase insignificante pegada de carbono - tinha perdido direitos pelo facto de ter sido atacada por um outro animal de companhia.

A lei protege-a de maus-tratos perpetrados por um humano. Li algures que um dos founding fathers dos EUA, corrijam-me se estiver errado no autor, disse que num sistema legal justo o mais fraco dos homens não tinha o que temer do mais forte e poderoso de entre os seus semelhantes.

O cão tem o direito de não ser mal tratado mas é inimputável quando dá largas ao seu instinto de caçador.

O que é que os founding fathers do animalismo têm a dizer sobre isto?


7 comentários

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De Vorph Valknut a 22.09.2019 às 18:36

Paulo, os ecossistemas determinam a frequência, a predominância, entre as diferentes espécies, tendo como "objectivo" a sua sobrevivência. Ou seja, se a espécie A come a B, a uma velocidade e voracidade superior à regeneração da última, ameaça a sua própria sobrevivência. Embora reinante, a pressão a que submete o seu habitat pode determinar a sua própria vida . Ou dito de outra forma. A sua perfeição pode levar à sua extinção. Obviamente que isto é uma simplificação, mas serve para demonstrar que as preocupações ambientais humanas devem, têm em conta a sobrevivência dos "outros" , porque deles depende a nossa existência. A não ser que se julgue que a ciência resolverá, o que nunca ainda se viu. A libertação do Homem das leis fundamentais da vida e da física
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De Paulo Sousa a 22.09.2019 às 18:50

Gostava que os animalistas assumissem que entendem o mundo como se houvesse uma hierarquia que define a importância das diferentes espécies de animais. Depois disso eu vou querer saber qual o seu critério.
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De Vorph Valknut a 22.09.2019 às 19:00

Mas é claro que há critérios. E somos nós humanos, animais triunfadores que os determinamos. Os primeiros critérios deverão ser assegurar a sobrevivência da nossa espécie. Os outros, sujeitos a debate, embora seja o Homem um animal especial, por duas ordens de razão. É um animal que tendo criado a ciência, e acreditando no evolucionismo, se julga um não animal, um meio anjo, e portanto fora dos ditames das leis científicas. E é o único animal que é capaz de se sacrificar, dar a vida, por ideias não naturais, por abstracções, ou seja por "coisas" inexistentes no mundo natural. E somos nós racionais!!
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De Paulo Sousa a 22.09.2019 às 19:10

Sobre a nossa posição nessa hierarquia não tenho dúvidas, embora os animalistas se possam questionar na comparação entre um chimpazé e um humano em coma. A minha questão é sobre a hierarquia dos demais animais. A minha opinião é que o critério implícito dos julgamentos que fazem é baseado na utilidade de cada uma dessas espécies, psicológica que seja. E isso é totalmente antropocêntrico, o que não deixa de ter piada enquanto critério animalista.
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De Vorph Valknut a 22.09.2019 às 19:40

Concordo com os animmalistas numa coisa. O que nos define como seres humanos é muito mais a mente que o corpo. Dou - lhe um exemplo pessoal. Tenho um familiar, muito próximo, com Alzheimer que já não reconhece ninguém, nem o filho. O corpo, a máquina física está lá, funcionando, sobre uma cama, mas a pessoa já abalou. Define-nos muito mais a nossa forma de pensar do que a forma do nosso ser. E nesse aspecto um chimpanzé, em coma, é semelhante, fisiologicamente a um humano, em coma. A distinção, que existe, é simbólica e não médica. A partir de uma dada complexidade biológica aquele instante que antecede a morte é traduzido sempre pelo mesmo olhar. Medo. Há sempre e em todos esse instante mortal. E dando tempo um corpo morto, seja de vaca, ou desse ser, meio chimpanzé, meio angelical, emana cheiro igual.

Quanto ao critério, talvez numa situação extrema, a utilidade material seja prima. Mas há também no Homem uma utilidade imaterial. Sem Beleza, sem Transcendência, não havendo esta, sem aquela, não há Humano. Há apenas um animal esperto. E falando por mim, a Vida sem Beleza não merece ser vivida. Não é vida humana, é existência .
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De Paulo Sousa a 22.09.2019 às 20:26

É uma questão que podendo ser difícil de avaliar, no fim das contas a circunstancia do humano não lhe retira a humanidade. Um humano com capacidades diminuídas não deixa de ser um humano. Podíamos também estar a falar de alguém em estado vegetativo, que já tive na família, e no fim de contas considero que a circunstância não lhe retira a humanidade. Por mais habilidades que um chimpanzé possa fazer nunca será um humano.
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De Vorph Valknut a 22.09.2019 às 20:49

Claro que um chimpanzé não é humano. Penso que fui claro no meu comentário. Não sendo animalista, sou animista.

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