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Dignidade

por Pedro Correia, em 10.10.14

Documentário,Malala%20Yousafzai,Campanha%20pela%2

 

Raras vezes o Prémio Nobel da Paz foi tão bem atribuído. Ao contemplar Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa que escapou por um triz a uma tentativa de assassínio talibã por defender o elementar direito à educação a todos os seres humanos, incluindo os do sexo feminino. "Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo", disse Malala em 2013, num comovente discurso pronunciado na sede da ONU, em Nova Iorque.

Impossibilitada de viver no seu país, onde o mais repugnante fanatismo islâmico a condenou à morte física e à morte cívica, Malala vive hoje no Reino Unido, onde tenciona completar os restantes graus de instrução sem pedir licença a nenhum homem, mesmo que use barba e turbante.

Com apenas 17 anos, é a mais jovem laureada até hoje com um Prémio Nobel, repartindo este galardão com Kailash Satyarthi, activista indiano dos direitos das crianças. E será a partir de agora um exemplo ainda mais marcante para milhões de raparigas a quem continua a ser negado o acesso a esse patamar básico de dignidade humana que só a educação proporciona.

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25 comentários

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De Palmas a 10.10.2014 às 12:30

Sempre me impressionou a incrível maturidade revelada pela Malala, atendendo à sua idade. Que a conserve por muitos e bons anos.
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De Pedro Correia a 10.10.2014 às 12:46

Um exemplo de dignidade, sem dúvida. E uma lição para todos nós, que deste lado do mundo imaginamos que existem conquistas "irreversíveis", protegidas pela localização geográfica. É uma ilusão. A barbárie alimenta-se de mil pulsões: a todo o momento corremos o risco de resvalar para lá.
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De bloga-mos a 10.10.2014 às 16:50

Concordando tenho que lamentar que aquelas bestas lhe tenham retirado a meninice para sempre...
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:13

Não podemos chamar-lhe bestas senão logo aparecem por aí os defensores das ditas.
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De Vento a 10.10.2014 às 15:26

É este tipo de revolução que deve ser apoiada, e nunca usada para encobrir outros interesses.
É necessário evoluir no conceito de dignitas, vincando mais os preceitos éticos e também morais que os estatutários também usados na antiga Roma.

Espero que o mundo ocidental seja capaz de imprimir na sociedade, e em seus jovens em particular, aquilo que enaltece noutros de outros quadrantes.
Mas esta impressão da dignitas também deve ter lugar em gerações anteriores.

Por outro lado, não basta instruir, é necessário educar.

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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:22

Inteiramente de acordo com duas ideias que expressa e me permito destacar:

1. O mundo ocidental deve ser capaz de imprimir na sociedade, e em seus jovens em particular, aquilo que enaltece noutros de outros quadrantes.
2. Não basta instruir: é necessário educar.
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De Josand a 11.10.2014 às 17:16

Muito bem!
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De Follow Up a 10.10.2014 às 18:41

Toda a razão,
a ver a presença televisiva e, sobretudo, o exemplo para o Mundo que Malala deu, deixa-me sem dúvidas que, desta vez, o prémio cumpriu o seu objetivo: ser entregue à pessoa que verdadeiramente o merece.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:14

Depois de o Nobel ter galardoado tantas vezes gente que fez muito mais pela guerra do que pela paz, desta vez ao menos distinguiu quem merece.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.10.2014 às 21:34

Eu sou mulher, advogo a inteligência do género feminino e acredito que a expressão " os direitos das mulheres" é uma aberração, não devia existir, nem sequer pôr-se a hipótese de haver " direitos das mulheres".
Na Declaração de Direitos do homem e do cidadão de 1879 , a palavra "homem" abrangia todos os seres humanos e não só o género masculino, que como se veio a constatar, acabou por deturpar uma ideia de igualdade universal.
Não creio que lutar por igualdade seja gritar,ou barafustar ou queimar soutiens.
É, sim, remar contra todas as marés com resignada ponderação e levar a palavra a bom porto. Nisto, Malala foi grande.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:16

Muito provável comentário da semana, Dulce.
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De ze luis a 10.10.2014 às 23:40

Concordo inteiramente e fico muito feliz por ela. O indiano não conheço, a Malala conhecia através do seu livro e os pormenores reveladores daquele fim do mundo entre tantos que nos escapam.

E curioso, para rematar, que isto se passe com alguém do Paquistão. Numa das minhas viagens à Ásia, com transfer em Londres, registei uma vez uma conversa de dois homens ao meu lado: eram do Paquistão e defendiam a validade da Educação como diferenciadora para o futuro no seu País. Alguma coisa melhorou em quase 20 anos desde este episódio que me ficou com agrado. Apesar do radicalismo islâmico hoje inegável, brota uma força incrível de gente anónima que um milagre salvou de uma bala literalmente assassina e salvou para todo o sempre.

Da Malala, do seu exemplo, da conversa dos dois paquistaneses que escutei, para este efeito todo, registo ainda que o pai da Malala é que lhe deu o tónico, encorajou-a a seguir os estudos, era ele mesmo fundador de uma escola privada em terra que julgaríamos de ninguém mas que ela descreve como próxima do Paraíso. O exemplo do pai de Malala sei lá se não era um daqueles paquistaneses à conversa num transfer em Londres?

Isto comove-me.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:19

Excelente evocação. Que vem muito a propósito. Saibamos nós fazer alguma coisa em defesa desses nossos irmãos do único género que conta - o género universal. Escrever linhas como estas já é um primeiro passo.
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De João Campos a 11.10.2014 às 00:37

Era inevitável que um dia o Nobel da Paz voltasse a ser bem atribuído. Esse dia chegou.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 11:20

Em poucas palavras disseste tudo, João.
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De enbft a 11.10.2014 às 11:20

Sem pretender ofender aqueles que ganham um prémio nobel (que é a mesma coisa que ganhar o euromilhões), considero que o referido prémio não premeia quem é bom ou quem é mau. É um prémio que pode sair a qualquer um, tal como o euromilhões ou o totoloto (o totobola já é diferente porque exige reflexão e conhecimento, não se considerando que possa tão facilmente sair a qualquer um). A prova de que o nobel não premeia quem é bom nisto ou naquilo é o facto de ter já sido atribuido a um burro (de nome saramago). A publicidade enganosa feita à volta do nobel leva as pessoas a pensar que quem ganha é bom na área em que foi premiado, mas isso não é verdade. O nobel é uma atribuição tipo roleta, que, como eu já disse, pode sair a qualquer um, bastando apenas apostar para poder ganhar. Ernesto Nuno.
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De M. S. a 11.10.2014 às 12:03

Caro Ernesto Nuno:
Se for criado o Nobel do sectarismo ideológico o senhor será um forte candidato.
Esperemos que a lucidez vença em terras escandinavas, já basta algumas atribuições que envergonham qualquer um onde quer que esteja.
É evidente que tem o direito de manifestar essa opinião, nem pensar querer tirar-lho, nem podia mesmo que me passasse essa tolice pela cabeça, mas eu tenho também o direito de discordar de si.
A atribuição a Saramago fica a anos-luz do escândalo de que se revestiram outras atribuições.
E a burrice não era uma das qualidades (más qualidades) de Saramago, antes outras.
Optou por atirar ao alvo de venda (ideológica) nos olhos: falhou.
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De enbft a 13.10.2014 às 12:21

O sectarismo ideológico não é uma das minhas características, ao contrário de saramago, que, esse sim, era sectário. Apoiava, por exemplo, o regime cubano, onde existem presos políticos. O próprio saramago era um ditador, bastando apenas olhar para o saneamento selvagem de 22 jornalistas, por ele planeado, aquando da sua passagem pelo Diário de Notícias. O júri nobel anda a desbaratar os ideais de Alfred Nobel, dando o prémio Nobel a qualquer cão ou gato. E, o mais grave, é que é feita toda uma publicidade enganosa à volta dessa atribuição, levando as pessoas a pensar que só ganha esse prémio quem é bom. A verdade é que ganha quem calha, e nada mais. O citado júri pode atribuir o prémio a quem quizer. O dinheiro é deles. O que não pode é ser feita publicidade enganosa que leve as pessoas a pensar que o que é nobel é bom. Ernesto Nuno.
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De André Miguel a 11.10.2014 às 11:41

Assino por baixo caro Pedro. Muito bem.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 23:17

Obrigado, André. Um abraço.
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De lucklucky a 11.10.2014 às 20:11

Que disparate.
A Paz só existirá se os Islamistas ganharem* ou se nós ganharmos. Não sei como é que a Malala pode ser um elemento importante em tal.
Que tal um prémio Nobel da Paz à industria de armamento ocidental - pode-se começar pela invenção de armas guiadas a laser, ópticas de grande definição que permitem reduzir erros etc...

*Como totalitário acabam a matar-se uns aos outros como os comunistas.
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De Pedro Correia a 11.10.2014 às 23:47

Não direi que seja uma sugestão pertinente mas é pelo menos original, essa de conceder o prémio da paz à indústria armamentista. Sugiro-lhe que contacte o Comité Nobel nesse sentido.
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De M. S. a 12.10.2014 às 00:31

Caro Pedro Correia:
Este luckluchy costuma brindar-nos sempre com ideias luminosas e muito originais... revolucionárias.
Desta vez não terminou com a revolucionária frase lapidar dos seus raciocínios brilhantes: isto é tudo culpa do socialismo.

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De Pedro Correia a 12.10.2014 às 22:52

É verdade. Também notei esse lapso. Andará adoentado? Espero que não.

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