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Em Bloguítica, Paulo Gorjão defendera esta escolha muito antes dos outros. Carlos Moedas tem tudo para ser um bom comissário europeu. Infelizmente, tirando alguns exemplos de lucidez, o debate político gerado pelo anúncio deste nome insiste na pobreza habitual, que em vários casos revela desconhecimento do próprio funcionamento interno da União Europeia. Há pessoas que imaginam uma Europa que não existe e, por isso, continuam a não perceber a realidade. Como diria Robert Heinlein, “a vida é o que é e não perdoa a ignorância”.

O que mais me espanta, neste caso, é o argumento de que devia ter sido escolhida uma mulher e, de preferência, uma mulher socialista; a pasta atribuída ao país seria assim muito melhor. A ser verdade, isto era inadmissível, pois os comissários são escolhidos pelos governos. Existe negociação, é certo, envolve o perfil das pessoas e as suas competências, mas esta é uma atribuição dos Estados. A imposição de um perfil seria mais um passo no sentido do directório. Ninguém imagina o presidente da comissão a fazer este número com a chanceler Merkel: "envie uma mulher e recebe uma pasta melhorzinha".

O novo presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, acha que é inovador, a ponto de considerar que as eleições europeias lhe davam legitimidade para o cargo, e agora queria inovar em matéria de comissários, estabelecendo quotas para género e eventualmente para credos religiosos, minorias étnicas e outras novidades. Portugal recebia um doce se enviasse uma mulher, mas apesar dos abracinhos e beijinhos, isso não era bem assim, a negociação foi mesmo sobre lugares para os países: os grandes ficam com as pastas importantes e os outros repartem o que sobra.

Os socialistas portugueses, em campanha interna, aproveitaram a escolha de Moedas para agitar o consenso europeu e defendem uma tese do outro mundo, que devia ter sido escolhida uma mulher socialista, embora o governo seja de centro-direita e tenha disponível uma pessoa competente da sua área política.

Os que criticam Passos Coelho por alegada submissão aos poderes da Europa são afinal os mesmos que queriam ver o Governo português a ceder a uma sugestão que certamente nunca foi feita aos Estados mais fortes da UE: "se mandarem uma mulher em vez de um homem, a vossa pasta é muito melhor".  


11 comentários

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De da Maia a 01.08.2014 às 16:08

A consagração do ridículo.
Qual será a pasta... Marchand d'art?
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De João a 01.08.2014 às 16:10

Está UE, é o caos na incompetência. Onde é Carlos Moedas competente? Em dizer amém, a tudo e a todos que nos querem devorar? Se é isso, estamos conversados. É que ainda não se viu nada que esse senhor tenha feito, a bem, da sociedade portuguesa, a não ser ajudar a defraudar todos aqueles que trabalham, trabalharam ou querem um trabalho e por mais que procurem não vêem nada. Passos Coelho é em tudo, um governante criticável e péssimo em toda a sua governação.......
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De da Maia a 01.08.2014 às 20:30

Primeiro escolhem-se os competentes, depois inventam-se as competências.
Primeiro os palhaços, depois o circo.
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De tric a 01.08.2014 às 16:11

"Carlos Moedas tem tudo para ser um bom comissário europeu."
.
sem dúvida! para quem defende que Portugal deve abdicar de mais soberania para a Europa, é uma excelente escolha! foi uma boa escolha para a defesa dos interesses Europeus em Portugal, mas uma "criminosa" escolha para a defesa dos interesses portugueses na Europa e na defesa do Estado Nação Cristão de Portugal!
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De Luís Naves a 01.08.2014 às 17:23

O comissário europeu não defende interesses nacionais na Europa, nem sequer pode fazer isso, mas pertence a um órgão colegial que protege os interesses colectivos de todos os estados membros
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De jo a 01.08.2014 às 18:03

Então só falta alguém ir dizer ao sr. que Portugal também é estado membro.
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De tric a 01.08.2014 às 18:31

Carlos Moedas é um fanático europeu...não representa Portugal! representa uns interesses estrangeiros em nome de Portugal ! Silva Peneda, o presidente da CES, era o melhor candidato para defender os interesses de Portugal na Europa...mas enfim, enviaram para a Europa um fanático europeu, que coloca os interesses da Europa acima dos da Nação Portuguesa! Portugal é masoquista...
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 02.08.2014 às 13:26

Quando diz que Moedas ou quem quer que seja, põe os "interesses da Europa acima dos da Nação Portuguesa", está a falar de quê? importa-se de explicar quais são os "interesses da Europa" versus "os da nação Portuguesa"?
Já agora o que é "um fanático europeu"?
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De João a 01.08.2014 às 22:44

O problema é que Moedas vai defender os interesses dos outros e não, os nossos, para assim, ascender mais um degrau no poleiro.

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 01.08.2014 às 18:49

Talvez um dia se conheça o verdadeiro papel que Carlos Moedas teve nos contactos e negociações diárias com a troika nos últimos três anos. Tal como o Paulo Gorjão eu também não o conheço de lado nenhum. Mas por razões que não vêm ao caso, conheço razoavelmente bem a competência e a intransigente defesa do interesse nacional com que ele desempenhou o cargo de principal responsável pelos contactos com a troika. E posso dar aqui testemunho do seu papel na procura das melhores soluções quando em inúmeras vezes "o caldo se estava a entornar"; em grande parte lhe devemos a ele não termos seguido o caminho da Grécia.
A cacafonia comentarial que hoje inundou os media a criticar a escolha de Carlos Moedas, a começar pelo PS e por Mª João Rodrigues que se andou a oferecer publica e despudoradamente para o cargo, ajudam a explicar porque é que este país parôlo e invejoso não sai da cepa torta.
A "Lesboa" bempensante não gosta de Carlos Moedas, se calhar porque ele é de Beja; um Alentejano ser Comissário Europeu custa a gramar por certas cabecinhas. Habituem-se...
P.S. Já agora ó licenciados pelo ISCTE, vejam lá o currículo do homem...
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De João a 02.08.2014 às 15:46

Qual é a diferença entre Portugal e a Grécia? Uma é certa, é que eles têm o salário mínimo mais alto que o português, quanto ao resto, somos tão infelizes quanto eles............ O currículo dele, é igual ao de tantos outros que esperam por emprego e emigram senão morrem esperando. De teóricos que tudo fazem para obtenção dum lugar ao sol, está Portugal cheio, venha gente humilde e com prática e que tenha um pingo de pudor porque enquanto aos seus compatriotas, tudo lhes é retirado, ele, vai usufruir de 20 000€ mês. Isto sim, é gozar com os tristes.........

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