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Diário semifictício de insignificâncias (28)

por José António Abreu, em 08.07.17

Tenho medo de muitas coisas, mas em nada revelo mais cobardia do que no meu pessimismo. Em momentos cruciais, ainda penso que o melhor vai acontecer.


5 comentários

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De Anónimo a 08.07.2017 às 23:22

Boa noite. Salvo melhor opinião, esta é das melhores.
António Cabral
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De Helena Sacadura Cabral a 08.07.2017 às 23:27

Não penses muito nisso. Digo-te eu que sou otimista!
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De Politicamente Incorrecta a 09.07.2017 às 03:54

Quando o desconforto do pensamento não conduz a qualquer tipo de acção e a maioria acredita ou espera que alguém, algures, vai dizer ou fazer alguma coisa por eles é, precisamente, nesta altura que o meu pessimismo avisa que o pior vai mesmo acontecer e começo a ver todos os sinais dos "portões do curral" a fecharem-se.
Quando a mudança para melhor fica paralisada pelo medo da própria mudança e, o pessimismo que devia convidar à acção é transformado em ilusão ou num desejo confortável se, a maioria pensar da mesma maneira, está garantido que o pior vai mesmo acontecer.
A infantilização da população, criando dependências do Estado como se fosse um papá eterno que ensina a irresponsabilidade e a culpar os outros pelas próprias acções ou escolhas individuais, nada disto aconteceu por acaso e, a cada dia, estamos mais enfiados na boca do lobo que está prestes a "apertar os dentes" e, desta vez, a nível global.

https://www.youtube.com/watch?v=GTtHBrMqSGk
NCREDIBLE: What India Just Did Will GUARANTEE A Global Cashless Socety!

Algo que podia ser simples, vai-se transformar no nosso maior e eterno pesadelo, isso divaguei por aqui como Politicamente Incorrecta ou P.I.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sugestao-um-livro-por-dia-9385461

ou como em muitos outros comentários
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-seguranca-e-defesa-do-governo-9386973

Com um mínimo de Liberdade, em conjunto e, mesmo dentro deste "Sistema", poderíamos superar todas as dificuldades mas, num tipo de Ditadura que estão a preparar a nível Global, com a ajuda da tecnologia e de políticos que se preocupam mais com as suas próprias Agendas, não se iluda, estamos mesmo a ficar entre a espada e a parede e, depois, de ilusões ou medos, o pior chega sempre no fim... o arrependimento e o velho Se...

Em 60 anos, o último feito este mês, no mesmo dia do Dalai Lama, se a Mudança matasse eu já não tinha dedos para contar quantas vezes tinha morrido.
Mete medo?
Talvez um friozinho no estômago mas, se não confiarmos em nós próprios, nunca confiaremos em ninguém.
Os meus últimos anos têm sido o meu maior desafio, o desapegar-me do materialismo, cada vez tenho menos mas, cada vez me sinto mais aprisionada pelas tralhas que me obrigam a ter para subsistir.

Ainda me lembro em miúda de ir à aldeia do meu avô, a água era de borla, bastava ir à fonte, a luz não tinha impostos, velas e candeeiros a petróleo, a casa não pagava IMI, vendiam as batatas, os enchidos, o queijo da Serra e não tinham IRC nem IRS. Cada um tinha o seu porco, com sorte uma vaca e o seu pedaço de terra, com vegetais sem químicos nem geneticamente modificados.
Quando era preciso matar o porco ou apanhar as batatas, todos se ajudavam mutuamente, em troca do almoço e iam rodando até estar tudo apanhado.
Nos fogos tocavam o sino da igreja e não esperavam nem havia "falhas" em cascata.
Aos 14 anos, mesmo tendo nascido em Lisboa, nas férias ajudei a apagar um incêndio, apenas com ramos porque a solução está na prevenção e na rapidez de acção, não em meios sofisticados.
Nada estava ao abandono e a terra era preciosa.
Trabalhavam muito?
Hoje é mais apreciada a preguiça, não o prazer de saber fazer.
Comemos m**** que só nos faz adoecer e, em vez de chegar aos 90 anos como os meus avós, tios, ainda tenho a imagem da minha tia com 87 anos que, pela fresca, ia com o sacho às costas para ir tirar as ervas ou regar as batatas e, inacreditavelmente, sorridente. Agora temos gente que, Se chega àquela idade, fica de pantufas, glúteos enterrados no sofá, hipnotizados com as chachadas da televisão, convencidos que uma dúzia de comprimidos, ao dia, fazem milagres.

Não é por acaso que famílias jovens americanas, com filhos pequenos estejam a voltar à terra e a viver Off-the-grid. Estão fartos de alimentar, desde os mamões, às grandes Corporações, cujos objectivos não são o nosso bem estar mas, a nossa exploração até ao tutano e, para isso, precisam de dependência absoluta, nem é por acaso que estejam a patentear as sementes e, quase nada nos deixam fazer sem pagar taxas ou licenças, só falta uma para respirar ou dar um p****, maior a taxa conforme a graduação do mau cheiro e, cada vez, o ser humano está mais insatisfeito e, nem sabe porquê mas, exige, faz greve e, em vez de fazer, berra... por enquanto...
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De Anónimo a 09.07.2017 às 16:08

"Ainda me lembro em miúda de ir à aldeia do meu avô, a água era de borla, bastava ir à fonte, a luz não tinha impostos, velas e candeeiros a petróleo, a casa não pagava IMI, vendiam as batatas, os enchidos, o queijo da Serra e não tinham IRC nem IRS. " Diga-me em que país viveu. Tenho 80 anos, quase sempre em Portugal mas as minhas recordações são horríveis. Era miséria mas a sério.
Portugal progrediu nos últimas 30 anos o que outros países da Europa conseguiram em 60.
"Comemos m**** que só nos faz adoecer e, em vez de chegar aos 90 anos como os meus avós, tios, ainda tenho a imagem da minha tia com 87 anos que, pela fresca, ia com o sacho às costas para ir tirar as ervas ou regar as batatas e, inacreditavelmente, sorridente." Ou é muito jovem ou não sei em que país viveu.
Olhe que a esperança de vida à nascença aumentou brutalmente, a mortalidade infantil desceu imenso. As doenças da minha juventude (bexigas, garrotilho, colera desapareceram. A guerra colonial já não existe.
Talvez a verdadeira diferença esteja o no estrato social de onde viemos. Portanto vemos as coisas de ângulos completamente distintos.
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De Politicamente Incorrecta a 09.07.2017 às 20:09

Nasci no tempo da Ditadura, o meu pai era operário e, quase como toda a gente tinha família na aldeia, tias (irmãs do meu avô), a casa onde eu ficava, por baixo morava o porco, não sei de que estrato social fala.
Tive Sarampo e uma série de coisas que só sabia que ficava de cama, enquanto a febre fazia o que tinha a fazer e, depois estava novamente boa, também tive bexigas, bastava seguir os preceitos antigos e não deixavam marca.
No entanto, o meu pai trabalhava no emprego de dia e depois de sair ia para outro, o meu avô idem e a minha mãe se pudesse no emprego fazia horas extraordinárias, a única que ficava em casa era a minha avó. Eu e o meu irmão andávamos na escola pública, eu lembro-me de sair da escola e ir almoçar aquilo que a minha avó cozinhava e sopa não faltava.
Continuei a estudar porque depois dos exames da 4ª classe como tive notas altas no exame que me dava para entrar no Liceu, como no exame para entrar no ensino técnico, já não me lembro se era este nome porque acabei por entrar no Liceu mas, fui logo avisada pelo meu pai que ele não fazia sacrifícios para eu andar a passear os Livros. Fui a 1ª da família a entrar na Universidade e o meu irmão o 2º.
Aos 17 anos (porque tive que levar com o "Serviço Cívico" do pós 25 de Abril, uma maneira de atrasar a minha entrada na Universidade Pública), enquanto estudava e não havia mesadas, fazia artesanato e revendia roupa de um armazém, roupa de bebé porque o resto eram meias, cuecas, peúgas, lenços e tudo o que aparecesse.

Morria gente é verdade mas, a natureza tem uma coisa chamada selecção natural e, quanto à pobreza, ninguém estava proibido de trabalhar a dobrar ou a triplicar mas, agora, castigam quem trabalhar mais: Paga mais impostos o que, digamos, incentiva a preguiça e a exigir obtendo mais, sem esforço.
Em teoria é tudo muito bonito mas uma sociedade que amolece e espera almoços grátis, acaba sempre mal.
Enfim, isto de olhar para os outros e até invejar, sem nunca olhar o esforço que essas pessoas fazem, foi outro efeito pernicioso desta nossa igualdade e, em vez de incentivar o esforço incentivaram a inveja.
Trabalhei anos por conta própria e, férias?
Zero, no entanto, vi muitos com muito menos a pedir empréstimos para viajar enquanto eu tentava acelerar o pagamento ao Banco da minha casa e, ainda bem porque com a crise de 2008 foi o que não me levou ao fundo, nunca caí no goza agora e paga depois.
Acabei por fechar a minha Firma, fartei-me de me levantar às 5 da manhã para alimentar mamões. Pedi os reembolsos do IRC e fiz tudo direitinho, pagar Iva do que não vendi, escritura de fecho, registo do fecho, bem pedi o retorno do IRC, passados 5 anos mandaram o papelinho que eu não devia nada e eles também não (tempo do Sócrates).
Sempre fui responsável por todas as minhas acções mas, neste tipo de sociedade basta ver que nem isso é premiado e, contra a minha consciência moral ainda tenho de pagar os abortos das outras e respectivas férias e não estamos a falar de excepções, estamos a falar daquelas que ninguém obrigou a abrir as pernas.
Fiz muita coisa na vida e ainda estou a aprender para tentar outra e agradeço todas as dificuldades que passei, porque fizeram aquilo que sou e poucas coisas me deitam abaixo,como aquela da minha filha pelo skype dizer que tem muito orgulho da mãe que tem. Apesar de me ter quase arrancado o coração, não a prendi e até incentivei a aceitar o emprego a 5700Km de distância. Já lá vão 9 anos, casou com um americano, faz dois anos que também é e, tenho 2 netos americanos. Tenho a tarefa de acabar de criar o mais novo de 16 anos, bom aluno que na escola é admirado por professores e funcionários pelo respeito e educação porque, cá em casa, não há facilidades nem paninhos quentes e é assim que se aprende a saber viver. No ano passado quando disse querer seguir matemática A para ser engenheiro informático, os colegas andavam na psicóloga da escola sem saber o que escolher, culpa deles?

Como dizia o outro em 1975: "olhe que não, olhe que não"
Já morreram os dois, o ouro do Banco de Portugal se estiver metade estamos com sorte, o Banco de Portugal por portas e travessas é uma sucursal do BCE (Privado) e estamos com uma Dívida em relação ao PIB que cresce diariamente e vai nos 138,02%.
O que realmente aumentou foram as moscas ;)

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