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Diário semifictício de insignificâncias (2)

por José António Abreu, em 09.08.16

Na segunda temporada da série televisiva Happy Valley, da BBC, há uma mulher que se apaixona por um assassino cumprindo pena. Para ela, um rapaz tão atraente não pode ser um verdadeiro criminoso. Este é o género de problema que me surge quando, nos filmes ou nos livros, as vilãs atraentes são punidas (ainda me lembro da comoção que, há trinta e tal anos, me causou a morte de Milady de Winter, n'Os Três Mosqueteiros). De alguma forma (injusta, eu sei), uma criatura bela por fora não pode ser feia por dentro. Seria um desperdício.

Assisti à final dos 100 metros bruços nos Jogos Olímpicos pensando que devia estar a torcer pela lituana Rūta Meylutitė ou por uma das norte-americanas. O problema é que na pista 5 se encontrava Yulia Efimova, russa, associada a casos de doping - mas dolorosamente bela. Não sendo lituano ou norte-americano, como resistir? (Algum do público presente na piscina conseguiu fazê-lo, vaiando-a à entrada, mas havia por lá muitos nadadores, familiares de nadadores e treinadores de outros países.)

Efimova acabou em segundo lugar, entre as duas norte-americanas. Chorou. Só pode estar inocente.


15 comentários

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De José António Abreu a 10.08.2016 às 20:16

E treino. O génio consegue-se com genes e trabalho.
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De Vento a 10.08.2016 às 23:25

Tocou num aspecto importante. O treino, o trabalho e a vontade. O gene pode sofrer alterações em função do meio. E o meio também pode fazer funcionar os genes.
O célebre gene assassino, que começou por ser estudado em assassinos em série e outros mais, veio a detectar-se também em pessoas ditas normais. A pergunta que se colocou durante anos era a razão de este despoletar-se nesses indivíduos, em assassinos confessos e outros comprovados, e não naqueles outros ditos normais.
O estudo conduziu exactamente ao meio. O meio familiar, os maus tractos que sofreram na infância, mas também os maus tractos no meio escolar e outros mais responderam por esses comportamentos. Significa isto que o gene mau, ou o gene assassino, de que outros são portadores também poderá despertar em qualquer momento, em circunstância. Este gene também é hereditário. Pois os estudos conduzidos permitiram concluir que muitos dos que tinham comportamentos normais possuíam em seus ascendentes casos em que os assassínios tinham sido consumados, e o gene era residente.

Portanto, a sua afirmação é pertinente. Porque a interrogação que se coloca é precisamente se o esforço, a vontade e o trabalho (com apoio) poderão contrariar a tendência genética, no caso do gene mau, e fazer despertar também as virtudes dos genes bons. E tudo parece apontar nesse sentido. Logo, os genes não respondem por tudo. No entanto acredito, por factos conhecidos, que o Sopro de Vida de que o Homem pode beneficiar faz a diferença. E aqui reside a tensão. A ciência pode constatar o facto para o qual não dá resposta, porém não o pode medir. Como só é ciência o que é mensurável, a ciência saía sempre a perder perante esta realidade.

Todavia, a ciência já anda mais científica. Aos poucos e poucos regressa à infância, o despertar da curiosidade. Hoje já existe a área da neuro-teologia, também um braço da neuro-ciência. Em Portugal, como sempre, pouco se divulga estas investigações.
https://www.youtube.com/watch?v=6Xbiesyjzr0

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