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Delito de Opinião

Diário semifictício de insignificâncias (1)

José António Abreu, 08.08.16

O calor põe o meu corpo a lutar consigo próprio. Na face interior dos cotovelos e dos joelhos desenvolvem-se áreas vermelhas que ardem como feridas tratadas com álcool. É como se a minha pele fosse tóxica para ela mesma. Ou como se fosse tóxica, tout court (não passa assim tanto tempo encostada a outras peles para que me seja possível ter certezas). O calor faz-me sentir uma rã dos trópicos, húmida e venenosa. (Agora - que estupidez - estou a pensar no filme de animação Rio 2.) E o problema não surge apenas nos cotovelos e nos joelhos: o suor queima-me os olhos; nos ombros surgem-me pequenas crostas. Todo eu pareço exsudar veneno. Entre o desespero e a auto-ironia (a distância é curta), procuro convencer-me de que existe um lado positivo. De que talvez seja terapêutico. De que talvez seja o veneno que vou acumulando ao longo do ano - a bílis fermentada - a sair. Só espero que não destrua o ozono ou faça aumentar o teor de dióxido de carbono na atmosfera.

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