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Diário do coronavírus (6)

por Pedro Correia, em 03.04.20

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Estado de emergência? Que estado de emergência? Há um mês que não via tanta gente na rua. E até o famigerado "estacionamento em segunda fila" - nome elegante para parqueamento selvagem, à margem das regras - regressou à Avenida da Igreja, como se estivéssemos num filme a andar para trás.

Operários executam obras na via pública, em atmosfera de estrita normalidade e sem o menor respeito pela regras de distância sanitária em vigor. Os cordões higiénicos que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar há dias, da noite para a manhã, foram arrancados em todos os bancos de jardim e de rua por onde circulo, não faltando pessoas ali sentadas, algumas até em amena cavaqueira.

Vejo muito mais transeuntes de máscara. Mas abunda quem não saiba ou não queira usar as ditas como deve ser. Uma senhora comerciante está de máscara 3M, mas mantém o nariz de fora. Chamo-lhe a atenção para o facto. Resposta pronta: «Tenho de estar assim, senão falta-me o ar e nem consigo respirar.»

 

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Emergência à portuguesa, pois. Uma para consumo oficial, plasmada nas palavras solenes e graves do Presidente da República e do primeiro-ministro. Outra, a do País real - que salta à vista nesta sexta-feira que antecede a mais insólita Semana Santa das nossas vidas. 

Encontro aberta uma loja de reparação de electrodomésticos. Anoto os contactos. Dá imenso jeito numa fase destas, de reclusão sine die. Se nos avaria um fogão, um frigorífico, uma máquina de lavar ou até um esquentador ficamos com o quotidiano doméstico virado do avesso e a quarentena forçada torna-se ainda mais penosa. 

 

Dizem-me que a partir de agora haverá "controlo rigoroso" da aplicação das normas decretadas pelo Chefe do Estado e especificadas pelo Governo - com coimas e até detenções por crime de desobediência neste tempo de supressão de direitos em atmosfera de quase unanimidade nacional. Incluindo o exercício dos direitos constitucionais à greve e à resistência, tornados letra morta pelo menos até 17 de Abril. Sendo previsível que a anómala situação em curso, superiormente justificada pelo combate à pandemia, seja prorrogada pelo menos mais uma vez. E outra. E talvez outra ainda.

Só me interrogo sobre a falta de coerência evidenciada pelo Governo, que por um lado endurece o discurso, ameaçando com detenções, e por outro abre as portas dos estabelecimentos prisionais, alegadamente para evitar a propagação do coronavírus lá dentro: os cidadãos que a partir de agora forem detidos beneficiarão também de perdão de penas, de um regime especial de indulto e da antecipação da liberdade condicional, à semelhança do que sucederá com cerca de 10% da actual população prisional?

Interrogo-me ainda se estas medidas, que a ministra da Justiça justifica por serem «fundamentais para proteger a saúde dos reclusos e de todos os que exercem funções no sistema prisional», não deveriam aplicar-se, por maioria de razão, aos impropriamente chamados "lares de idosos", onde já se registam centenas de casos de Covid-19. Que lógica nos leva a soltar delinquentes enquanto mantemos os velhos em reclusão ao abrigo da mesma emergência sanitária?


100 comentários

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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 12:27

Confirmo. Ontem vi muita gente na rua. Amanhã decerto veremos o preço da liberdade e do combinação combustível do chico - esperto com o macho latino.

Quanto às máscaras são ridículas as contradições entre a comunidade médica. E já dizia o outro. Para obedecermos é fundamental haver confiança.

Máscaras sem óculos e sem luvas não faz sentido. Usei luvas um dia e dei por mim a ser mais desleixado
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 12:42

Pois. Eu vejo gente, na rua, a pôr e a tirar a máscara. Tiram a máscara para fumar, para falar - e até já vi uma fulana tirar a máscara para tossir.
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 13:28

Pedro, mantenha a distância sanitária. As luvas parecem - me indicadas quando usadas no supermercado, durante o uso de uma ATM, etc. Máscaras só devem ser usadas, na minha opinião, se houver sinais gripais como tosse e corrimento nasal.

Atenção. As luvas são descartáveis e devem ser substituídas com frequência, ou seja quando se sai de um ambiente de risco (já vi pessoas a coçarem a cara com luvas calçadas).

Mas parece - me que a medida mais prática e mais eficiente é a manutenção da distância social e claro não andar na rua a passear cães imaginários
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 13:32

Também não convém andar na rua a passear carrinhos de supermercado, como tenho visto. E menos ainda atirar luvas usadas e máscaras usadas para o chão, como tenho visto infelizmente também.
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 17:30

Sim, usar luvas no supermercado é extramente útil. Principalmente, se atendermos ao facto de que depois de levamos as embalagens e os sacos para casa, como que por milagre, todos os possíveis vírus terão morrido durante o trajecto. Brilhante.
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 19:59

Compra uma caixa...de supositórios
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 22:17

Mais uma vez, brilhante! Se pudesse, promovia-o a conde de Gouvarinho!

Bem haja!
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De Anónimo a 03.04.2020 às 13:19

a pergunta que vou fazer é potencialmente estúpida, mas se o uso de máscaras de banalizou na China depois da epidemia de 2003 (li por aí, não sei se é verdade, admito que sim), e se as máscaras protegem tanto como se diz, por que razão os chineses tiveram de optar pela quarentena e isolamento social? não deviam, por utilizarem máscara, estar à partida mais protegidos contra este tipo de surtos?

certamente está a escapar-me algo de muito óbvio.

quanto às luvas, o desleixo é recorrente sobretudo nos supermercados.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 13:32

É uma boa pergunta, essa que deixo aqui.
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De Miguel a 03.04.2020 às 14:15

A recomendação é utilizar a máscara quando se tem sintomas, algo que parece ser geralmente cumprido pelos asiáticos, mas infelizmente este vírus pode ser transmitido por pessoas assintomáticas. Isto deve ser parte da explicação. Acresce que o uso da máscara diminui a probabilidade de contaminar outras pessoas, mas não a reduz a zero.
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 22:50

"(...) mas infelizmente este vírus pode ser transmitido por pessoas assintomáticas. Isto deve ser parte da explicação. Acresce que o uso da máscara diminui a probabilidade de contaminar outras pessoas, mas não a reduz a zero."

Raciocínio cristalino. Coincidente com o meu. Além do mais, que encontra fundamento nos números de que vamos dispondo de Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Macau. Vejam os números por milhão de habitantes aqui https://www.worldometers.info/coronavirus/ (total de mortos e total de infectados) e tirem as vossas conclusões.

Vejam também a norma emitida hoje pela DGS, que alarga as recomendações para o uso de máscaras
https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0192020-de-03042020-pdf.aspx

Em posts anteriores neste blogue já tinha defendido o uso obrigatório de máscaras em todos os recintos fechados.

Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/aprender-como-nao-se-faz-11450367#comentarios .

Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/lavouradas-da-semana-11428650#comentarios .
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 14:21

Os chineses começaram a usar máscaras nos 90's não por causa da pandemia mas por causa da poluição. A China é líder em doenças do foro respiratório. Considerando que as partículas poluentes em suspensão são maiores do que os vírus veja bem a utilidade das máscaras. Aliás, os vírus de uma forma geral se apresentam capacidade infectante por via nasal /bucal têm também capacidade para usar a via ocular como meio de transmissão. Veja, mais uma vez a pertinência das máscaras. "Máscaras verdes" de cirurgia não são eficazes na retenção de partículas virais, mas sim na retenção de agentes bacterianos, bem maiores do que os vírus
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De Anónimo a 03.04.2020 às 14:28

em resumo, a discussão em torno das máscaras é mais política do que científica.
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 16:07

"em resumo, a discussão em torno das máscaras é mais política do que científica."

Não. É por não haver ainda grandes conhecimentos. Há recomendações que contudo devemos seguir.

A medicina está transformada numa ciência social. Cheia de interpretações.
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De Anónimo a 03.04.2020 às 16:36

"É por não haver ainda grandes conhecimentos"

É isto que eu não percebo. Como é que não há grandes conhecimentos e pode haver tantas dúvidas se há países cuja população usa frequentemente máscara desde os anos 90? E como é que nesses países surgem surtos desta dimensão e gravidade? A máscara não protege a 100% e não protege toda a gente. Mas não devia diminuir a intensidade do surto, como alegam agora (segundo li por aí), por exemplo, os Checos? Volto assim à minha pergunta inicial: tendo os Chineses o hábito de usar máscara não deviam estar um bocadinho que seja mais protegidos contra estes surtos do que acontece noutros países?

Repare, uma coisa é haver dúvida sobre que tipo de máscara usar e se há máscaras mais adequadas para vírus ou bactérias (ou o que seja), ou se há actividades que devem sempre usar máscara e outras apenas às vezes, etc. Outra coisa completamente distinta é esta discussão que se instalou de usar ou não máscara. Neste sentido, e tratando-se de uma mudança do nosso modo de vida e da relação que estabelecemos com as outra pessoas em contexto social, parece-me que há aqui muita política à mistura.
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 17:10

Percebo - o. Há quem diga que a indústria tem dedicado biliões em investigações médicas fúteis, associadas a "colesterois" , antidepressivos, a poções de combate ao envelhecimento, à engenharia genética com propósitos eugénicos, etc, e pouco milhões ao que faz realmente diferença (antibióticos, antivirais, enfim medicamentos que CURAM) . Parece que o objectivo é ficarmos todos doentes de alguma coisa qualquer, real ou imaginada.

Já pensei que não faz sentido a investigação médica estar sob controlo do volúvel e fútil empenhamento do interesse Privado (muita da investigação é subsidiada através de fundos estatais, mas os lucros, futuros, são distribuídos pelos shareholders) mais dos clamores do mercado ocidental (classe média, alta, com tristezas profundas fincadas em coisas de nada)
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 17:46

Pois, mas os vírus não se deslocam pelos seus próprios meios. Utilizam antes as gotículas e os aerossóis que expelimos naturalmente quando respiramos, falamos, tossimos, etc. E as gotículas e os aerossóis (partículas que permanecem em suspensão no ar) constituem a fonte primária de infecção.

Logo, o uso de máscaras impede em grande medida a disseminação do agente causador da infecção.

Com um tão grande número de casos assintomáticos (números verificados no terreno apontam para entre 30% a 75% dos casos), mais importante se torna o uso obrigatório de máscara em todos os espaços fechados.

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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 20:00

Já desisti. Filtros, tipos de máscaras, haver ou não sintomatologia, distância sanitária....
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 14:29

https://www.fastcompany.com/90483762/why-masks-arent-better-at-protecting-us-from-viruses

in a standard surgical mask (by far the more common type of mask) reduces transmission of bacteria. Both bacteria and viruses are microscopic microbes, but they differ greatly. Bacteria are living cells, while a virus is a particle that requires a host cell to replicate. A coronavirus virion (particle) is spherical, averaging around 125 nanometers in diameter. Compare that to bacteria’s 1,000-nm size. It’s a grape compared to a grapefruit. A surgical mask whose purpose is to block bacteria will do little to prevent passage of the smaller coronavirus particle.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 14:32

Muito bem, Vorph. Serviço público.
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De Miguel a 03.04.2020 às 14:41

Vorph, certo, mas será que uma fracção significativa dos vírus é expelida e transportada em gotículas, vulgo perdigotos? Se for o caso, a máscara não diminuiria o espalhamento do vírus em virtude de ser um filtro capaz de reter vírus, mas porque retém gotículas repletas de vírus. Eu não sei a resposta, a pergunta é genuína.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 14:49

O melhor, nisto como em tudo o resto, é ir à fonte mais autorizada.
Eis o que diz a Organização Mundial de Saúde:
https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/when-and-how-to-use-masks

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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 15:12

Concordo. Mas no site da OMS não se fala nos vários tipos de máscaras. Surgem apenas as cirúrgicas (verdes, com a parte de cima dotada de um pequeno filamento de arame, que não se ajusta, justapõe, adequadamente ao nariz (fica sempre um pequeno espaço entre o bordo superior da máscara e a cara)
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 16:16

Pedro, quer ficar baralhado? Leia

https://www.google.com/amp/s/amp.theatlantic.com/amp/article/609235/

Procuramos saber não para dar a resposta acertada mas para fazermos a pergunta adequada. Ad aeternum
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 18:19

Essa é a mesma organização que não permite a entrada de Taiwan no seu seio, nem mesmo como observador, fruto do veto chinês?

A mesma organização que se refere a Taiwan, como "Taipei e arredores, China"?

A mesma organização que afirmava, segundo um "estudo" chinês, não existirem provas da transmissão do vírus entre humanos, quando já aqueles médicos de Wuhan tinham alertado para a existência de uma epidemia?

A mesma organização que, por essa altura, não defendia a proibição de ligações aéreas com a China?

A mesma organização que os japoneses designam por "organização chinesa de saúde"?

E podia continuar com as ligações da Etiópia à China, com o facto do presidente em exercício da referida organização ser etíope, com os indícios de corrupção que vão aparecendo avulso, com o criticismo de que está a ser alvo pela resposta tardia, etc. Mas acho que deu para entender.

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De Anónimo a 04.04.2020 às 00:38

"O melhor, nisto como em tudo o resto, é ir à fonte mais autorizada.
Eis o que diz a Organização Mundial de Saúde:"


Haha. Por se seguir acriticamente as asneiras da OMS é que estamos assim.


lucklucky
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 15:08

Nota : não sou de infecto - contagiosas

Mas, sim Miguel. Contudo as "gotículas" "rapidamente assentam" , não ficando ao nível das vias de contágio/transmissão, (aéreas /ocular/bucal) . Mas para isso é fundamental respeitar as regras de distância sanitária.



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De Elvimonte a 03.04.2020 às 18:26

«Contudo as "gotículas" "rapidamente assentam"» nas superfícies sólidas onde podem os vírus nelas transportados ficar activos durante horas, ou mesmo dias, dependendo do tipo de superfície (já há estudos, é só procurar).

Todavia, os aerossóis permanecem em suspensão no ar e neles o vírus pode ficar activo até 3 horas (também já há estudos, é só procurar).
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 20:06

Já desisti. Ganhou. Saia de casa de fato de mergulho.

Procure : dose infectante mínima viral

Se todos cumprirem as regras preconizadas minoramos o contágio. Se nos comportarmos como umas bestas, não. E pelo que tenho visto da janela talvez tenha razão
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De Ricardo Abreu a 03.04.2020 às 15:09

Partilho da mesma duvida, do mesmo modo que o virus precisa de um hospedeiro para se multiplicar também precisará de um meio auxiliar de "transporte" e as gotículas / aerossóis expelidos pelo infetado ou assintomatico terão dimensão suficiente para ficar retidas numa máscara (eventualmente até nas mascaras simples de tecido).
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 15:36

Errado. Só ficarão retidas se forem espelidas por exemplo através de secreções nasais ou bucais, via tosse ou espirro. Aliás a OMS recomenda o seu uso no caso desta sintomatologia estar presente. Agora se o vírus for expelido pelo cone normal de expiração (infectados assintomáticos) é garantido que não fica retido na máscara. Relembro ainda o espaço que se forma entre a cara (grosseiramente entre a zona malar /cânula nasal) e a dita máscara verde cirúrgica. É estreito, diz? Meu caro, falamos em nanómetros, o Luís ou o Miguel que expliquem, mas acredito que saiba.

É um milionésimo de milímetro!!!!!

É perigoso fazer uso de um equipamento sem haver nenhum tipo de conhecimento e experiência.

Distância sanitária, regras de higiene, confinamento. Prático, simples e eficaz

Nota :ontem, no Drive do Mcdonalds o funcionário usava galhardamente máscara sem usar luvas. Imagino dar trouco, o cartão multibanco, teclas do mostrador da caixa, etc, uma confusão do caraças. Eu estava no carro, paguei com MB móvel, e estava de luvas.

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De Anónimo a 04.04.2020 às 00:54

Que tal te informares Vorph....
Mesmo uma máscara trivial pode impedir a passagem do coronavirus. Basta um virus "colar-se" a uma partícula no ar que pode ser logo bloqueado. A própria carga viral depende da quantidade e logo tem influência directa na dimensão.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2662779/

https://smartairfilters.com/en/blog/coronavirus-pollution-masks-n95-surgical-mask/


lucklucky



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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 11:49

Que tal te informares luck.

Presentemente quem está exposto a cargas virais altas são os profissionais de saúde/de risco . As cargas virais estão também associadas à replicação viral ocorrida pós infecção, relacionadas, por sua vez, com uma inadequada resposta do sistema imunitário à presença do vírus e não apenas à "quantidade" inicial infectante do vírus (dose inicial infectante).

Uma máscara trivial (cirúrgica), como um "penso higiénico" , não impede a passagem de uma partícula viral. Uma partícula viral é milhares de vezes mais pequena que uma bactéria. As máscaras estão apenas indicadas para doentes covid positivo e pessoas com sinais gripais (corrimento nasal, com presença de tosse e espirro - responsáveis pela formação de gotículas, respingo, etc).

Repare o equipamento de segurança dos profissionais de saúde - dois pares de luvas, dois tipos de máscaras (ex:Máscaras N95, ou outras, com filtro HEPA).

Boa descrição.
https://youtu.be/ZjqFZrEjdOw

Recomendo que saia assim para dar uma volta abaixo de Braga :

https://youtu.be/9HsGqQCLzLU



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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 12:25

"Presentemente quem está exposto a Cargas Virais AMBIENTAIS Altas são os profissionais de saúde/de risco (bombeiros, etc)"

Lavar mãos. Manter distância sanitária. Se for comprar alimentos não me parece adequado ir a espaços pequenos. Não entrar em superfícies comerciais com muitos utentes embora já hajam limites impostos quanto ao número de consumidores que podem estar presentes (levar luvas e saber calçá-las e descalçá-las) e desinfectar as mãos com regularidade.

Evitar sair à rua. Com "máscaras" , as pessoas deixam de dar importância ao que realmente está recomendado e comprovado, andando por aí como se já nada houvesse.
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De António Santos a 04.04.2020 às 15:13

Eu por acaso só ainda fui à farmácia. Drives para mim, cria-me urticária. Principalmente quando depois vejo as embalagens que foram atiradas pela janela do carro. E preferia que a farmacêutica não usasse luvas e a cada cliente, lavasse as mãos ou as desinfectasse. Assim se não muda de luvas a cada cliente, seja o troco ou o multibanco, ainda fica o vírus mais agarrado. Só se com luvas não levamos as mãos à cara (olhos, nariz e boca).
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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 20:39

É verdade. Já há algum tempo afirmei que a contenção seria impossível. O que será possível é um controlo, no tempo, do número de casos. E as medidas mais adequadas serão aquelas que quando postas em prática têm menos possibilidades de serem mal implementadas por aqueles a quem elas se dirigem. Uma coisa é estar habituado a usar este tipo de equipamento (as pessoas têm noção como se devem calçar umas luvas cirúrgicas? A colocar uma máscara? A vestir uma bata cirúrgica? )

https://vorph.blogs.sapo.pt/necessitamos-como-pao-para-a-boca-de-365636

Mas cada um que endoideça à sua vontade. Até podem limpar as patas dos cães após o passeio
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 16:02

Ricardo, existem vários tipos de máscaras conforme a ameaça /agente.

Ex: Máscaras cirúrgicas (de tecido /fibras sintéticas, de cor verde, azulada, etc ) que mais comummente vemos na rua e outras, como por exemplo as N95 (com filtro e capazes de uma justaposição perfeita).

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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 15:21

Adenda, Miguel :

Respeitar distância e também regras de higiene e educação (espirrar/tossir não para a mão e muito menos para o "ar")
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De Elvimonte a 03.04.2020 às 23:16

A resposta encontra-se nos números de infectados e óbitos por milhão de habitantes de países como Taiwan, Coreia do Sul, Japão e Macau. onde o uso de máscaras é generalizado e mesmo obrigatório, no caso de Macau, em todos os recintos fechados.

A evidência encontra-se nesses números que podem ver aqui https://www.worldometers.info/coronavirus/ .

Na Repúblca Checa, desde há cerca de 2 semanas, e agora também na Áustria, o uso de mascára já é obrigatório em determinadas circunstâncias (desconheço os detalhes).

E a nossa querida DGS emitiu hoje mesmo norma a largar substancialmente o seu uso https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0192020-de-03042020-pdf.aspx .
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De Anónimo a 04.04.2020 às 00:33

As máscaras são essenciais como já venho a dizer desde inicio, só a estupidez da OMS e o desastre que é a DGS.

As máscaras evitam
- expelir
- receber, e receber parcialmente, mesmo que se seja infectado através de uma máscara a carga viral será menor porque parte ficará na máscara e pode ser a diferença entre um caso grave e um caso menor.

Também não existe o aviso para cortar as unhas rentes.

Ah a máscara nem é bem colocada... muitos não lavam as mãos como se deve , mas isso não impede de se avisar para lavar as mãos.

É preciso barreiras, são imperfeitas são, mas o conjunto de barreiras imperfeitas todas somadas pode ser significativa.

----
OMS - organização que se recusa a comunicar os resultados positivos de Taiwan e as lições do país. Organização Mundial de Saúde . Saúde o que é que isso interessa?

lucklucky
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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 02:01

Sim, luck, até acho estranho não ter aproveitado a ocasião para criticar o combate ao Covid-19, tomando - o como exemplo do discurso hipócrita, marxista, das organizações internacionais, marxistas, dedicadas à protecção da natureza, marxista, e espécies em risco, marxistas. Afinal, o COVID-19 tem tanto Direito à Vida como o Ser Humano e o Mexilhão-Lapa-Peregrino (lapus mexia paracrinus) .
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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 02:36

"- receber, e receber parcialmente, mesmo que se seja infectado através de uma máscara a carga viral será menor porque parte ficará na máscara e pode ser a diferença entre um caso grave e um caso menor."

If you have a high viral load, you are more likely to infect other people, because you may be shedding more virus particles. However, in the case of covid-19, it doesn’t necessarily follow that a higher viral load will lead to more severe symptoms.

https://www.newscientist.com/article/2238819-does-a-high-viral-load-or-infectious-dose-make-covid-19-worse/
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De Vorph Valknut a 04.04.2020 às 02:49

Dr Michael Skinner, Reader in Virology, Imperial College London:

It is unlikely that higher doses that would be acquired by being exposed to multiple infected sources would make much difference to the course of disease or the outcome. It’s hard to see how the dose would vary by more than 10 fold. (Although differences have been seen in lab animal infections with some viruses, those animals are inbred (genetically similar to respond in the same way). It’s unlikely that we’d see the differences as statistically significant in out-bred humans.)
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De Cristina Torrão a 03.04.2020 às 12:31

Este seu diário é um "must", Pedro.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 12:43

Um diário bastante irregular, Cristina. Ao sabor da inspiração quotidiana.
Grato pelo incentivo.
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De Luís Lavoura a 03.04.2020 às 12:32

Que lógica nos leva a soltar delinquentes e manter os velhos em reclusão?

É a mesma lógica fosca que nos levou a fechar as escolas ao mesmo tempo que mantemos as fábricas abertas.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 12:43

Ou seja: lógica nenhuma.
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De Luís Lavoura a 03.04.2020 às 12:49

Exatamente.
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De Luís Lavoura a 03.04.2020 às 12:36

O cordão higiénico que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar há dias, da noite para a manhã, foi arrancado em todos os bancos de jardim e de rua

Esse cordão higiénico dizia (pelo menos num jardim perto de minha casa) que era devido a terem aplicado nos bancos de um desinfetante (hipoclorito de sódio).

É normal que as pessoas esperem que esse desinfetante passe e depois voltem a sentar-se nos bancos.

A CML não dizia que fosse proibido as pessoas sentarem-se, somente que era devido à aplicação de desinfetante. Tratar-se-ia portanto de uma recomendação para não-uso temporário.

Penso eu de que.
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De Luís Lavoura a 03.04.2020 às 12:40

Há um mês que não via tanta gente na rua.

Fazem as pessoas muitíssimo bem. Não é proibido andar na rua. Eu todos os dias tenho andado na rua pelo menos uma hora, sem que jamais alguém me tenha tentado impedir de o fazer.

As pessoas podem e devem andar na rua, mas ter cuidado de não respirar para cima umas das outras e de se manterem afastadas umas das outras. E de não tocar com as mãos em qualquer superfície.
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De Inês a 03.04.2020 às 16:40

Não é proibido andar um bocadinho na rua todos os dias, mas não é, de todo, recomendável ficar na rua, muito menos se houver outras pessoas e muito menos em amena cavaqueira e sem os cuidados adequados. Se não, de que serve a quarentena?
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 13:19

Adenda :

Excelente reflexão
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De Anónimo a 03.04.2020 às 13:41

Utilizei hoje o meu saco de serapilheira e o chocalho. Não deu resultado. Curiosos e comentários interessantes abundaram.

Amanhã vou vestido de pintor com uma lata de tinta aberta!



Smoreira
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 14:32

Isso usava-se antigamente, para assinalar os leprosos.
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De Anónimo a 03.04.2020 às 14:04

Eu também tenho reparado na minha área de residência que há cada vez mais pessoas na rua e que algumas mantém o trabalho ou retomam a ele como nada se passa-se.
Eu contínuo a trabalhar porque aí isso estou obrigado (moralmente também) apesar de ter em casa membros de um grupo de risco embora faça tudo para evitar contacto ...
Quanto ás distâncias de segurança tento mantê-las dia-a-dia mas no trabalho é impossível mesmo.
Embora o holandês tivesse sido repugnante e a voz do dono, obviamente Portugal não tem estaleca para efectivar qualquer recolher obrigatório / estado de emergência, basta analisar o passado recente com as catástrofes anuais dos incêndios, falta sobretudo disciplina, método e gente capaz não escolhida por laços partidários / familiares (não sei se é ao contrário) nos lugares de chefia.
Atendamos por exemplo o estado calamitoso das nossas FA e forças de segurança.
Estamos quase no 25 de Abril, que nos trouxe a democracia, cada vez mais um verbo de encher pois para o português comum, a democracia é confundida com laxismo, o deixar andar e quem vier a seguir que resolva. Ainda por cima calhou-nos nesta altura e uma vez mais um prodigioso governo xuxalista acolitado num PR que não tem noção do ridículo, o anterior PR era ainda pior, aliás a qualidade da "democracia" tem vindo a descer desde o 25 de Abril.


WW

P.S. - Num outro post do Pedro Correia (comentário da semana) disse que havia na minha área de residência pelo menos uma agência da CGD fechada devido ao covid-19 e que só atendiam por marcação e teriam de ser assuntos urgentes (muitíssimo), ora isto não pode ser... ou haver autarcas que mandam mais que ministros ou directores gerais e autarcas vizinhos com opiniões / acções diametralmente opostas só porque têm agendas pessoais.
Depois os paladinos da democracia rasgam as vestes quando o povo (os povos) não votam da maneira que eles acham correcta e tentam até ao ultimo momento torpedear a vontade do povo intoxicados (os paladinos da democracia) pela sua alegada superioridade intelectual e moral.
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De Pedro Correia a 03.04.2020 às 14:38

Parece-me importante, o alerta que deixa no seu P. S. Não apenas no que se refere à CGD mas também (e sobretudo) no que se refere aos autarcas, numa altura em que vários deles parecem alinhar numa espécie de concurso público para se perceber quem toma medidas mais musculadas.
Pena que alguns deles não tenham tomado as medidas profilácticas adequadas quando se impunha.
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De Isabel Paulos a 03.04.2020 às 15:01

Pelo Porto também vejo uma certa normalidade na rua. E também não consigo arranjar explicação lógica para os indultos. Ainda que seja questão de perigo sanitário e de superpopulação não haja dúvida que são escolhas do microclima mental que nos governa e preside.
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De Vorph Valknut a 03.04.2020 às 16:28

Também na Maia
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De Bea a 03.04.2020 às 15:42

Por acaso reparou se algum familiar tentou ir buscar o seu idoso ao lar? E viu a estatística dos que fizeram tal? Se é que alguns o fizeram e fui eu que não dei por tal. Não sei como serão recebidos em casa os prisioneiros, mas quase que adivinho o não lugar dos velhos. E agora o covid faz o resto do serviço. Que tristeza!
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De o cunhado do acutilante a 03.04.2020 às 16:50

Cara senhora Bea.
Talvez os pri... ex-prisioneiros não tenha nenhum interesse em ir para casa. Vão para a rua, de preferência criar ajuntamentos a fim de uma "proveitosa" disseminação do vírus, dado que quanto mais bicho houver menores probabilidades de encarceramento terão. :)
Não sei, acho.
Um excelente fim-de-semana.
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De o cunhado do acutilante a 03.04.2020 às 17:58

Não tenham, soa melhor.
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De Bea a 03.04.2020 às 22:39

Só se forem malucos. Passados dos carretos. Doidos varridos. O vírus mata. Pode escrever: ninguém o quer.
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De o cunhado do acutilante a 04.04.2020 às 00:50

Claro. Foi só uma piada, ou pretensão a sê-la.

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