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Diário do coronavírus (5)

por Pedro Correia, em 29.03.20

20200322_133806.jpg

 

Saio de casa para uma longa volta a pé. Cerca de uma hora a desentorpecer as pernas. Curioso: noto mais gente na rua agora, que vivemos em estado de emergência, do que naqueles dias de reclusão voluntária, antes de ser emitido o decreto presidencial. Se não é, parece. Também o tráfego automóvel aumentou a olhos vistos. Para alguns portugueses, o "exercício físico" esgota-se nos passos que dão para chegar ao carro. 

Há várias mudanças visíveis aqui no bairro - desde logo o encerramento de grande parte dos estabelecimentos comerciais. Outros, como a emblemática geladaria Conchanata, só vendem para fora. Noto, pela primeira vez desde o início da crise sanitária, um par de farmácias sem clientes à porta. Vejo enfim gente nas varandas - algo impensável até há poucas semanas nestes bairros burgueses de Lisboa que mantêm uma relação esquiva com a rua.

Vão surgindo letreiros nas fachadas dos apartamentos, anunciando que estão para arrendar. Há pouco mais de um mês havia enorme pressão da procura, fazendo subir os preços no mercado de arrendamento. Agora a pressão ocorre em sentido inverso. Como as coisas mudam...

 

As pessoas vão reformulando hábitos enraizados. Liga-me um amigo distante, cuja voz é sempre bem-vinda mas há muito não escutava. Lembrou-se de fazer um telefonema por dia a antigos companheiros de várias lides - hoje tocou-me a vez. Palramos mais de meia hora ao telemóvel. Felicito-o pela iniciativa. Vale a pena ser replicada. 

Oportunidade também para pôr leituras em dia. No meu caso, continuando a revisitar autores portugueses do século XX - quase sempre com grande proveito, no capítulo estético e no domínio das ideias. Um destes livros é o magnífico O Malhadinhas, de mestre Aquilino, com a sua saborosíssima e original linguagem vinda dos confins de um Portugal que já morreu: «O bicho homem, quem quer que seja e o quer que faça, tem sempre consigo a mesma peçonha. E esta peçonha sabes o que é? É nunca estar contente com a sua sorte. Quanto mais tem mais apetece, deseja e torna a desejar para logo ou amanhã aborrecer. Como não há-de cansar-se da vida nesta alcatruzada de aborrecer e desejar?»

 

Na minha caminhada matutina, vejo algo inusual: alguém a transportar um gato pela trela. Conheci em tempos um cavalheiro, ali para as bandas do Liceu Camões, que todos os dias dava uma volta assim com o seu tareco. E em Tavira há outro, que até já fotografei. É curioso ver os bichanos domésticos imitarem com tanta fleuma felina os seus rivais canídeos nestes passeios higiénicos. 

Observo cada vez mais gente com máscara. Mas alguns insistem em trazê-la no alto da testa ou descem-nas até ao queixo, como se fosse uma atitude cool ou fashion. Neste põe-e-tira, como se aquilo fosse brinquedo, vão afinal baixando a guarda no combate ao vírus assassino.

Noto ainda que as pessoas tendem a desviar o olhar das outras ao passar por elas. Como se o Covid-19 se transmitisse por contágio visual. É fatal que muitos dos nossos pequenos comportamentos quotidianos perdurem muito para além da presente crise. Arrisco prever que não será para melhor.

 

Mas subsistem sinais de esperança. Num piso térreo, estende-se um lençol com pinturas feitas por crianças que nos garantem: «Vai ficar tudo bem.» Logo depois, no frondoso parque do Inatel, cruzo-me com um jovem casal de sorrisos estampados nos rostos, alheados das dores do mundo.

Vão de mãos dadas, o que me leva a concluir: serão estes os novos gestos subversivos a partir de agora.


37 comentários

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De Nada a 29.03.2020 às 11:43

As pessoas começam a já nem saber o que era a sua rotina diária. As inconsistências destes dias tem sido incrível (ainda não estou a passear o gato pela rua, mas também já estive mais longe).
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 13:59

Em Macau, habituei-me a ver todos os dias habitantes locais a passear passarinhos em gaiolas. Já estivemos mais longe de fazer o mesmo.
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De Nada a 30.03.2020 às 11:23

Eu só preciso de arranjar o passarinho...a gaiola...e estou pronta!
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De Pedro Correia a 30.03.2020 às 11:32

Na gaiola estamos todos nós agora.
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De Cristina Torrão a 29.03.2020 às 11:54

Obrigada pelo texto e pela imagem, Pedro.
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 13:59

Obrigado eu, Cristina.
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De Vorph Valknut a 29.03.2020 às 12:02

Um excelente "Diários" (como estamos de escrita? Lembro-me que o Pedro "prometia" , há tempos, um livro)

Sobre o trecho de Aquilino, há uma outra passagem, parecida, de José Mário Branco, Inquietação :

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 14:00

A escrita marcha, meu caro
(Agora marchou um tinto Cabriz 2016. Excelente relação qualidade-preço.)
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De Pedro Oliveira a 29.03.2020 às 13:46

Por estes dias, normais, para mim, apenas com menos trânsito, tenho estado reler a "Nave de Pedra" de Fernando Namora.
Médico e escritor, cidadão e pensador.
Um abraço de verde que tanta falta nos faz, queixava-se Fernando, aludindo às árvores que são/que foram cortadas para construir essas Avenidas Novas que falas, Pedro.
Gente que antes se esquivava da rua estão na varanda, parece-me uma excelente definição para estes tempos.
Quanto ao "vai ficar tudo bem"; Oxalá, se Deus quiser, se o Pedreiro universal assim o permitir e como diriam os ecologistas em 2020: "Que o vírus não me atinja (eles são individualistas) que não entre por nenhuma Greta do meu corpo"
Abraço (virtual) forte e solidário
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 14:06

Bem sei o que é esse desprezo autárquico pelas árvores na capital menos arborizada da Europa, caro Pedro. Há dez anos insurgi-me aqui mesmo contra o vereador Zé "Faz Falta" Embargador Sá Fernandes por mandar arrancar dezenas de laranjeiras na Praça de Alvalade, para ali "plantar" placas de cimento.
A "cidadania" alfacinha encolheu os ombros e esteve-se nas tintas. Como é de regra.
'Nave de Pedra': homenagem de Namora a Monsanto, aldeia a que deu projecção nacional em vários dos seus livros. Gostaria muito que fossem revalorizados - sobretudo 'Retalhos da Vida de um Médico', 'A Noite e a Madrugada' e 'O Trigo e o Joio', os meus preferidos.
Forte abraço, reiterando os votos que te enderecei há dias.
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De Pedro Oliveira a 29.03.2020 às 15:24

De todos "O Trigo e o Joio" é o meu preferido.
O que estou a ler agora é interessante, artigos, pensamentos, entrevistas, uma carta a Alves Redol, pensamentos, palavras para lermos e meditarmos.
Zé "Faz Falta" Embargador é muito, muito bom.
Agora como temos um governo de esquerda e um túnel que não faz falta nenhuma, não há trânsito, podia embargar-se o Marquês de vez.
(Ficávamos com umas galerias subterrâneas no centro da cidade para um ataque nuclear ou assim)
Retribuo o abraço e quantos aos votos está tudo a correr bem (por enquanto)
Obrigado
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De O SÁTIRO a 29.03.2020 às 17:03

O Zê faz falta pode ser muito bom....
Mas fartou se de cometer ilegalidades. ...e bem graves
Sorte os media viverem em fanatismo e sectarismo de esquerda. ..teria sido esmagado na praça pública
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 18:16

O Zé não faz falta nenhuma. Como sempre suspeitei e não tardei a confirmar.
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 18:09

'O Trigo e o Joio' também é o que prefiro. Estou a elaborar a lista dos 50 melhores romances portugueses do século XX: já cá está, em lugar de destaque.
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De Anónimo a 29.03.2020 às 14:04

Tão bonito o que escreveu, Pedro.
E como é que o Aquilino sabia que nós somos mesmo assim?
A maioria pelo menos é.

Quando eu vim aqui para a aldeia os meus pais tinham um gato que vinha cá tomar as refeições. Claro que o adoptei logo e passou a dormir dentro de casa e comecei a chamar-lhe Francisco (nada a ver com o Papa, foi há muitos anos).
Eu e a minha mãe gostávamos de dar uma volta pelos campos a seguir ao almoço, e o Francisco começou a querer ir connosco.
Só que como estava muito calor ele ficava cansado e o filme terminava sempre do mesmo modo: o Francisco todo contente num dos meus ombros, como quem vai à janela, sendo que esse ombro ficava sempre menos bronzeado que o outro - sim, porque esses passeios também serviam de vã tentativa para manter o bronzeado do sudoeste alentejano (e não me devem ter feito nada bem, pois o sol desta zona é inclemente).
O Francisco viveu até aos 14 anos e foi um grande amigo de quatro patas. Morreu num dia de Natal, deixando-nos profundamente tristes - penso que foi uma das raras vezes que vi o meu pai chorar.
Ah, o Francisco era um gatinho amarelo, muito parecido com o Bob, aquele gato londrino que usa cachecol.

Desculpe a seca, Pedro.
Tudo a correr bem por aí :))

🐈
Maria
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 14:13

Não foi seca nenhuma, Maria. Gostei muito desta partilha.

Em minha casa, desde criança, sempre houve animais. De várias "raças".
O melhor são as lições (até de vida) que eles nos dão, todos os dias. O pior acontece quando os vemos morrer. Mas também aqui, de algum modo, nos dão uma lição de vida. Porque a morte faz parte integrante da vida, por mais que a pós-modernidade neo-adolescente nos pretenda distrair desta evidência.

Ando a pensar numa série sobre romances ou novelas que nos falem de animais.
Talvez possa dar-me sugestões. Serão bem-vindas.

Desejo muito que o malfadado vírus não lhe bata à porta. Haja saúde, acima de tudo.
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De Anónimo a 29.03.2020 às 16:00

Claro que sim, Pedro, com prazer.
Para não falar nos mais óbvios (à vista em qualquer hipermercado), estou-me a lembrar de 'Uma gata, um homem e duas mulheres' do Junichiro Tanizaki, do 'Platero e Eu' do Juan Ramón Jiménez (Nobel 1956) e de 'O Velho e o Gato' de Nils Uddenberg.
O Manuel Alegre também escreveu um livro sobre um cão, cujo nome não recordo agora.
Mas há mais...
:-)
Maria
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 18:11

Obrigado pelo contributo, Maria. 'Platero e Eu' (com a originalidade de tratar-se dum burrinho) vai figurar, de certeza. Tal como 'Cão Como Nos', um livro do Manuel Alegre de que gostei muito.
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De João Pedro Pimenta a 29.03.2020 às 19:05

Na literatura portuguesa temos o óbvio "Os Bichos", do Torga. E estou-me a lembrar do "Reverendo Bonifácio", o gato de estimação de Afonso da Maia.
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 20:10

Sim, 'Os Bichos'. Fundamental, João Pedro.
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De Isabel Paulos a 29.03.2020 às 19:29

Metendo o bedelho: tem o 'Timbuktu' , de Paul Auster. Li-o há doze anos e achei de uma humanidade comovente.
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 20:11

Excelente sim, Isabel. Está na minha lista. Obrigatório.
(Vou aproveitar para reler.)
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De marina a 29.03.2020 às 23:41

"homens e bichos" de Axel Munthe. gostei muito , de miúda.
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De Pedro Correia a 30.03.2020 às 11:34

Coincidência: tenho aqui à mão para ler muito em breve. (Gosto de coincidências. )
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De o cunhado do acutilante a 29.03.2020 às 14:10

Se bem compreendi, o caro Pedro Correia contribuiu, e de maneira assaz desmesurada, para - não lhe vou chamar fazedor, mas sim espalhador do vírus, - ao passear-se sem quaisquer preocupações de contaminar inocentes na rua que andavam a tratar das suas vidas.
E depois vem aconselhar os outros a manterem-se voluntariamente prisioneiros em casa.
Tá, bom, tá!
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 14:28

Contribuí apenas para a não-estagnação da nossa economia, meu caro. Fazendo compras, de permeio, num supermercado e num quiosque - eu sou daqueles que continuam a comprar jornais, incentivando não apenas as empresas jornalísticas mas alguns postos de venda, que são cerca de quatro mil a nível nacional.

Quanto ao resto, mantive a distância sanitária (não "distanciamento social", como agora se diz, o que é um oxímoro) e não "interagi" (como agora também se diz, palavra feia) com ninguém. Excepto saudar um amigo e alguns conhecidos, mas sempre dentro das normas agora em vigor.

Caminhar faz bem. Ao corpo e à mente. E não é proibido, antes incentivado, pelo decreto presidencial em vigor.
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De Makiavel a 29.03.2020 às 21:59

Não nota, nos tempos que correm, um crescimento de ditadores de comportamentos, de dedo em riste acusatório, socorrendo-se de supostas normas que nem sequer estão na lei da excepção em vigor? E ainda vamos só com 7 dias.
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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 22:17

Receio que essa tendência se vá acentuando à medida que se sucedam os dias e as semanas. O decreto presidencial funciona como pretexto. Mas convém não exorbitar do que lá está.
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De Makiavel a 10.04.2020 às 23:43

Receia bem, como se confirma o estado de insanidade colectiva persecutória sobre quem faz um simples passeio à beira-mar, sozinho/a numa praia deserta. Ou naquelas imagens de um drone a gritar "Fiquem em casa" numa Santo Amaro de Oeiras vazia. Ou na ideia peregrina que se vai ouvindo de que só podemos levantar as medidas restritivas quando houver zero casos positivos.
Espero bem que António Costa os tenha no sítio e comece a aliviar gradualmente a actividade económica em Maio. O presidente Marcelo, esse, julga que está a governar. Até já vem explicar as medidas tomadas pelo ministério da educação quanto ao resto do ano lectivo.
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De o cunhado do acutilante a 30.03.2020 às 12:36

Makiavel
Noto mais a ausência de discernimento inteligente para compreender o mais básico de humor.
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De o cunhado do acutilante a 29.03.2020 às 15:04

Ai os animais em casa, Pedro Correia: os gatos.
Foi ela quem o trouxe para casa, numa saída a dois para o campo que tudo o indiciava, prometedora; quando ouviu, mais do que um miado, um débil gemido vindo lá de um buraco.
Um recém-nascido, - vá-se lá saber porquê, abandonado pela mãe, - que um monte de pulgas deixava ver de gatinho.
Cresceu e fez-se um gatarrão de oito quilos e meio. Nunca respeitou ninguém, nem a mim que tratava dele, mas respeitava a dona que nunca lhe mudou a areia. Essa sim! para ela tudo, para mim e filhas, soberano desprezo e arranhões.
Nunca mais saiu dos pés dela quando ela se confinou ao leito, quase um ano, e quando ela saiu para não mais voltar, nunca se afastou da porta que se abrira para ela sair.
Morreu dois meses depois enrolado numa saia dela, a pesar menos de quilo e meio.
Ainda hoje, doze anos passados, rezo e choro por ambos.
Estou firmemente convencido que os animais também vão para o Céu. Porque se não, como compreender os sentimentos de amor e dedicação.
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De marina a 29.03.2020 às 16:16

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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 18:15

Assim são, de facto, meu caro. Dando-nos lições a todos nós, os supostos racionais. Incluindo a tantos "donos" que não são dignos deles.
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De s o s a 29.03.2020 às 21:55

primeiro o meu contentamento por reencontrar o PC. Nas ultimas evidencias do DO na janela do sapo, , tem sido de colegas mas nao o PC.

Portanto, para mim, tem estado ausente, mas agora está (present ) ! Mesmo se confinado.

E volto a elogiar o humanismo, alias carateristico de quem anda a pé.

Tambem eu as vezes acho que há mais pessoas ou carros, e tambem eu me digo, talvez sejam o meu olhos a preconceituar. Embora o PC queira distinguir entre o antes e agora durante.

Boa, essa de telefonar aos amigos. E o post contribui para lembrar e incentivar o gesto.

Sem intuito competitivo, aqui vai sobre gato, no meu bairro proletario : vizinha chegou a passear o gato mas sem trela. . E outro vizinha que tem 2 caes lulus passei-os pela trela e tambem com um gatinho junto.

Se nao houver futuro, e PC diz só que sera diferente, mais esta : gaivotas na rua a fazerem voo ( a atacarem ) cao, em andamento.

Essa de passar a ser subversivo andar de maos dados, está genial.

Tudo de bom. Cada dia é o futuro.

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De Pedro Correia a 29.03.2020 às 22:26

«Cada dia é o futuro.»
Bela frase. Gosto.
Haja saúde.
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De Teresa Ribeiro a 31.03.2020 às 20:19

Estou a gostar muito deste teu diário :)

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