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Diálogos gretados

por Pedro Correia, em 03.12.19

 

Ela - Gostaste de ver a Greta em Lisboa?

Ele - Não. Esta Greta não tem garbo.

Ela - Ela é determinada e fofinha. Gosto muito dela. Miúda voluntariosa e bem intencionada. Luta por uma causa que devia ser de todos.

Ele - Eu vejo-a como uma ignorante que se destaca por faltar à escola.

Ela - Incomoda e mobiliza os outros jovens para uma causa justa.

Ele - Apela aos miúdos para fazerem greve às aulas a pretexto da defesa do clima. Assim é fácil ser popularíssima. Qual o miúdo que não sonha ser liderado e manipulado por alguém assim?

Ela - A Greta não sabe o que é ser falso ou dissimulado ou manipulador. Ela é genuína, autêntica.

Ele - O problema nem é ela, mas os oportunistas que a manipulam para se tornarem "celebridades". Como estes velejadores ricaços que lhe deram boleia durante semanas no Atlântico e deliram por terem "milhões de seguidores" nas redes sociais. E os políticos que se vergam à miúda porque assim ficam bem vistos nos meios de comunicação.

Ela - O que ela diz e faz só pode incomodar negacionistas como tu e quem se sente posto em causa como cidadão por não fazer nada ou quem é de direita e imagina que os activistas pró-ambiente são todos de esquerda. Ela é um exemplo para os da geração dela, que vivem alheios a tudo e todos, sempre ligados ao telemóvel.

Ele - Os alarmistas como tu podem achar muito gracinha, mas o lugar de uma miúda como ela é na escola, na universidade. Tem de aprender, estudar, investigar. Aos 16 anos ninguém dá lições ao mundo.

Ela - A geração dela é que levará em cheio com as consequências das alterações climáticas. Portanto tem toda a legitimidade para se manifestar pois quem está no poder não faz nada. Ou não faz o suficiente. Que moralidade tem alguém para criticar a causa destes miúdos? Em última análise estão a lutar pela vida.

Ele - Quem lutou e luta pela vida não é a Greta: é a Malala, que arriscou tudo na defesa do direito das miúdas paquistanesas em frequentar as escolas quando eram perseguidas ou até mortas por quererem instruir-se. Ela levou em 2015 o Governo a aprovar a primeira lei que reconhecia o direito universal à educação lá no país. Foi gravemente ferida, esteve quase à morte, mas não desistiu. Enquanto a Malala defende as meninas nas aulas, a Greta quer tirá-las de lá. Se admiro uma, não posso admirar a outra.

Ela - Que argumento mais manipulador e demagógico! Assim não dá para manter uma discussão com pés e cabeça.

Ele - Deixemos então de discutir. Queres vir ao cinema comigo? Apetecia-me ver O Irlandês.

Ela - Não está no cinema, só dá para ver na Netflix. Vai ser o meu programa para esta noite, mas sem ti. Passa bem.


90 comentários

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De Anonimus a 03.12.2019 às 15:33

Tive essa discussão ao almoço. Comparar o "aCtivismo" da Greta e da Malala, é como comparar um tipo que ficou preso na A1 e passou fome, com um que não tem que comer diariamente.
A Greta é uma pop star. Aprecio muito que defenda causas, acho que faz bem, e não devemos hipocritamente por um lado dizer que os putos só querem saber de net e videojogos, e mandá-los para a escola quando abraçam estas causas.
Daí a dar lições de moral... pois. E o argumento do "ouçam os cientistas". Que saiba, a Greta tem o mesmo cv científico do Trump (quiçá um ou dois anos a mais em idade mental), tem zero de autoridade na matéria.
Adiante.
Li com atenção aquele texto do "blog da semana" acerca da carta do Borboun, ou lá como se chama o fedelho. Descasca de cima a baixo. A malta acha graça, afinal o puto
armado ao pingarelho é um privilegiado que sabe pevide acerca da vida real, e vem para aqui ca*ar sentenças. Imagino o mesmo texto, o mesmo raciocínio, aplicado à menina Greta.
Oh, o discurso de ódio, o homem branco de meia idade a rebaixar a jovem mulher.
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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:02

Não me diga que foi a vossa conversa que eu ouvi...
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De Anónimo a 03.12.2019 às 15:42

Gostei muito, Pedro. Concordo mais com ele do que com ela, mas creio que os dois se complementam. Ela não soube estar, como se verifica no epílogo. Não manipulou, estragou... normal nestes tempos de fundamentalismos.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.12.2019 às 18:04

Saiu anónimo, lamento. :)
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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:08

Foi um filme aparentemente sem final feliz, Maria Dulce. Mas talvez ele e ela voltem cá um dia destes. Já não é a primeira nem a segunda vez que aqui aparecem.
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De Anónimo a 03.12.2019 às 16:37

Excelente texto, Malala a lutadora a admirar.

A.Vieira
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De Luís Lavoura a 03.12.2019 às 17:35

A parte final do diálogo revela que o que ele na verdade quer é ir à greta dela. Mas ela, com pundonor, não deixa!
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De Ana a 03.12.2019 às 17:59

"com pundonor, não deixa!"
Estúpida!
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De Pedro Oliveira a 03.12.2019 às 18:13

Caro Luís Lavoura,
Acho extemporâneo e pouco fundamentado esse raciocínio.
Qual o homem que numa noite de Sporting vs. Benfica, troca esse programa futebolístico por uma ida ao cinema?
Qual a mulher que tem como programa passar três horas e meia a ver um filme como O Irlandês só, desacompanhada
Nem ele é um homem a sério apesar de eu estar de acordo com as suas/dele opiniões, nem ela é uma mulher a sério (basta ouvi-la a argumentar).
Não vejo, portanto, creio que ninguém vê neste diálogo nada que permita chegar à conclusão que tirou.
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De Anónimo a 03.12.2019 às 18:29

O Laboira anda carente!

Ele é pinheiros, lingerie, fraldas em setembro, a greta, ... Caramba, só falta a ourivesaria de Gondomar!

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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:04

O comentador Lavoura anda muito brejeiro.
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De Anónimo a 03.12.2019 às 17:40

Até já há quem diga cá temos um(a), desta vez, 'Gabriela Malagreta' a infernizar muita gente com a destruição do planeta, por os homens tratarem mal a natureza.
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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:09

Malagueta? Sou apreciador.
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De Anónimo a 04.12.2019 às 00:24

Aqui era o feminino de Gabriel Malagrida, o tal que queria convencer as gentes que o terramoto de 1755 tinha sido a fúria de Deus pelos males que se andavam a cometer na terra.
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De Pedro Correia a 04.12.2019 às 00:27

Ah, pois. Só agora percebi.
Mas continuo a preferir a malagueta.
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De Isabel Paulos a 03.12.2019 às 17:50

Muito bom. 😀

(daqui a dez anos...)

Ou comes a sopa ou chamo a Greta!
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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:11

Esse argumento pode virar-se ao contrário, dos filhos para os pais:
- Se me obrigam a comer mãozinha de vaca e rabo de boi, chamo a Greta.
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De Anónimo a 03.12.2019 às 22:09

Mãozinha de vaca, rabo de boi? Hum... talvez não. De repente senti uma grande afinidade com a Greta. Sempre fui gretista, desde pequenina.
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De Isabel Paulos a 03.12.2019 às 22:15

E disléxica.
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De Vorph Valknut a 04.12.2019 às 11:23

Que pena não a ter conhecido mais cedo
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De Zeca Zarco a 03.12.2019 às 18:38

Não acredito que salve o planeta se me abstiver de comer carne de vaca ou se fizer chichi durante o duche como me aconselham os da Quercus.
História do meu primeiro frigorífico:
Há muitos, muitos anos, a tropa mandou-me para Moçambique. Estive lá 3 anos. Nunca tinha tido um frigorífico. Nem tive durante os 2 primeiros anos apesar do calor. No início do 3º ano, um colega da tropa convenceu-me a comprar-lhe um em segunda mão. Fiquei, eu e a família, tão feliz que o trouxe para Portugal. Era coisa preciosa. Durante anos serviu, andou pela minha casa, pela dos meus sogros, voltou para mim e depois para os meus pais. Levaram-no para a aldeia e funcionava tão bem que até os vizinhos pediam licença para pôr lá coisas. Funcionou sempre bem mas, devido ao uso, as prateleiras (de plástico ou coisa parecida) começaram a partir-se. Levou uma pintura por fora mas prateleiras não se encontravam à venda. Era muito difícil acomodar lá as coisas. Entretanto os frigoríficos embarateceram. Um dia o meu pai atirou com ele para um mato (não havia recolha de lixo) e comprou outro novinho e com prateleiras em condições (mas com outras dimensões, não serviam para o velho). O velho foi-se apesar de congelar e bem.
Moralidade. Toda a produção está orientada para o desperdício. A publicidade e o jogo dos preços convence-nos a deitar fora e comprar coisas novas e na moda. Não tenho outro remédio: se deitar fora e comprar novo é mais barato, ou quase, do que consertar. Que hei-de fazer? Chichi durante o duche??
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De Pedro Correia a 03.12.2019 às 21:06

Porque não? Há que começar por algum lado.
(Boa história, essa do frigorífico)
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De Anonimus a 03.12.2019 às 21:14

Ciclos de vida curtos e consumismo. Alicerces do nosso modelo económico.
Os carros hoje poluem e consomem mais do que os de há 50 anos atrás? As fábricas poluem mais? Os electrodomésticos consomem mais electricidade?
Ou a questão está na população total do planeta e do número de pessoas que HOJE têm acesso ao que há meio século era um luxo?
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De Anónimo a 04.12.2019 às 08:12

Vejo muitos de carros com 10 anos e mais em muito bom estado nas nossas estradas. Isso não acontecia há 30 anos, aos 10 anos e 100000km um carro era sucata, os painéis da carrocaria já estavam todos desconjuntados, a ferrugem atacava.

lucklucky
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De Luís a 03.12.2019 às 21:39

A história do frigorífico faz-me lembrar o que me aconteceu com um carro que me durou 22 anos. E mais duraria se não viesse a lei das inspecções e nas oficinas não me gozassem quando eu queria uma certa peça e me diziam com ar jocoso: deite fora que o conserto fica mais caro que o valor do carro. Não tive outro remédio e comprei outro carro. Fazer chichi no duche parece-me muito pouco. Os tipos da Quercus que façam, eu não. Por acaso até acho muita piada às anedotas que contam no programa da TV Minuto Verde (ou coisa parecida). Farto-me de rir apesar de não haver planeta B.
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De Vorph Valknut a 04.12.2019 às 09:21

"Não acredito que salve o planeta se me abstiver de comer carne de vaca ou se fizer chichi durante o duche como me aconselham os da Quercus."

Não acredito
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De V. a 03.12.2019 às 19:24

Essa ideia de que a Greta representa uma geração que está a "lutar pelo futuro" (pela vida) é um logro absoluto. O conhecimento acumulado das Gretas todas é o mesmo que tentar ir à Lua com os diagramas que saíram na Popular Mechanics em 1958.

Todo este ambientalismo é fruto do que escorre dos discovery channels e das aulas de esquerdismo das escolas públicas misturado com chantagem emocional típica dos adolescentes das burguesias dos condomínios privados. Não tem nada de científico nem produz nenhum tipo de soluções viáveis. Impostos talvez produza. E mostra qual vai ser a novilíngua para arranjar empregozões em Bruxelas daqui a 5 anos se é que não garante lugares em grupos-piloto e comités é o raio que o parta.

By the way, os palermas do Governo e os Costas e os Guterres que escrevem à Greta já replantaram as árvores que deixaram arder 2 anos seguidos? Palhaços.
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De Luís a 03.12.2019 às 19:39

" Aos 16 anos ninguém dá lições ao mundo."cartazes
É verdade, mas eu encaro isto como uma operação de propaganda. Há propaganda que é feita, por exemplo, através de cartazes ... e outros meios se podem imaginar. Aqui utilizam-se de uma miúda em vez de afixarem cartazes. Pode questionar-se se é legítimo utilizar crianças para estes fins (ainda por cima sofrendo de um síndroma que nem sei bem o que é). Mas, não sei porquê, ninguém questiona.
Será decente e legal utilizar criança em publicidade?
A propaganda que ela faz pode chamar a atenção de muitos para o problema. Já quando tenta interpretar (ou alguém por ela, não interessa) diz coisas muito duvidosas e acho que mesmo erradas.
Pelos vistos ninguém acha mal: nem os pais nem as autoridades nem as Comissões de Protecção ás Crianças, etc.
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De Ana a 03.12.2019 às 22:39

Ninguém acha mal. Ainda por cima uma criança antipática que chora e ralha aos adultos que, na opinião dela, têm a culpa de tudo. A figura dela naquele discurso na ONU (suponho) foi triste.
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De Vorph Valknut a 04.12.2019 às 09:38

Como triste é fazerem-se piadas de cariz sexual, a resvalar para a ordinarice, sobre uma miúda de 15 anos. Regra geral adopta - se esta estratégia quando os contra argumentos são frágeis ou nulos. Agora até a criticam por ter chegado a Lisboa num veleiro de meio milhão. Queriam que viesse a pé e descalça, querem ver.... O que incomoda os reaccionários, esquecendo o consenso científico sobre as causas das mudanças ambientais, é a solução obrigar a uma mudança nos padrões de consumo....e pronto, são os comunas que estão por detrás de tamanho ardil.

By the way, como "chicha" , mas o meu carro tem 150.000km, consome 5l/100km, mudo de roupa só quando fica rasgada, e só faço a barba e corto o cabelo 2xano. No Natal e no aniversário da minha santa mãe.

Malala é igual a Greta. Ambas miúdas extraordinárias. Os meios culturais, as "histórias de vida" é que são diferentes. Comparar uma com outra, para discredibilizar quem não se gosta, ou se sente "ameaçado , no seu modo de vida, pelas políticas ambientais, inexoráveis, do futuro, é uma estratégia não muito arguta.
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De Anonimus a 04.12.2019 às 10:36

Não era obrigada a vir a pé ou descalça.
Podia... não vir.
Ou vir de avião.
Se calhar fazendo as contas, a pegada de um avião que leva 300 pessoas de um lado para o outro fica ela por ela com um veleiro de luxo.
Argumentos da Greta... prefiro ouvir is cientistas, mesmo.
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De Pedro Correia a 04.12.2019 às 13:43

De avião não dá, por ser poluente.
Mas talvez de asa-delta.

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