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Dez meses, nove mil mortos

por Pedro Correia, em 19.01.21

Dez meses de COVID-19 provocaram mais mortes em Portugal do que as baixas militares que sofremos em três palcos de guerra em África, entre 1961 (ano do início do conflito armado em Angola) e 1974.

Segundo as estatísticas de óbitos divulgadas pela Direcção-Geral da Saúde, desde Março de 2020 até ontem faleceram 9020 pessoas vitimadas pelo novo coronavírus no nosso país. O que já supera os 8830 militares portugueses mortos, de causas diversas, naqueles 13 anos em Angola, Guiné e Moçambique.

Cifras que falam por si. Com mais expressão dramática do que mil discursos. Contrariando as frases pias do género "vai ficar tudo bem", o folclore delicodoce das palminhas à varanda ou as bravatas do segundo vulto na hierarquia do Estado português armado em macho man: «Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?»

São tempos de calamidade, que necessitam de governantes realmente à altura das circunstâncias, sem venderem ilusões como a do putativo "milagre português" que em dois tempos nos devolveria às praias, às plateias dos espectáculos e a festivos "drinques" ao pôr-do-sol.


46 comentários

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De Carlos Sousa a 19.01.2021 às 01:01

No ano de 2020 morreram 122000 pessoas.
É evidente que a pandemia existe, é evidente que é grave, mas as medidas utilizadas sem qualquer rigor científico agravaram não o número de mortes covid mas o número de mortes não covid.
A abordagem adoptada é errada, geradora de ódios, e em nada contribui para a solução do problema.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:17

Que a abordagem é errada, nenhuma dúvida.
Que a navegação é errante e patética, sem leme nem rumo, também.
Desvalorizar as alarmantes estatísticas das vítimas Covid e o rombo sem precedentes que a pandemia está a provocar na rede hospitalar do País é que não pode ser.

Neste momento Portugal é notícia em todo o mundo, a cada minuto que passa. Pelo pior dos motivos. O mesmo que já nos levou a apontar o dedo a outros países, acusados de incompetência, negligência, irresponsabilidade, leviandade, etc.
Esse é precisamente o dedo que os outros agora apontam na nossa direcção.
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De Carlos Sousa a 19.01.2021 às 12:14

Porque é que não se faz uma requisição civil aos hospitais privados?
Porque é que se sujeita um país inteiro a normas repressivas e absurdas com os hospitais privados a funcionar normalmente?
Porque é que se empobrece um país inteiro mas não se pode tirar um bocadinho de lucro aos hospitais privados?
Há dois pesos e duas medidas; a uns pode-se tirar tudo, passar por cima da constituição, vale tudo. A outros, a constituição é sagrada, a constituição não permite e se for preciso até se tiram fotocópias e mostram na televisão.
Não, assim não vamos lá, com este tipo de gestão que só fomenta ódios e divisões, a única coisa que conseguem é qualquer dia desatar tudo à porrada.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:21

Os hospitais privados têm estado a cuidar da esmagadora maioria dos doentes não-covid, ao longo destes meses. Ao abrigo dos protocolos entre o Estado e os seguros privados já subscritos por quase 3 milhões de portugueses.
"Requisitá-los" para quê?
Para também eles deixarem os doentes não-covid sem tratamento?
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De Carlos Sousa a 19.01.2021 às 17:36

Para não criarem o alarme social que estão a criar. Se todos cuidarem dos doentes covid já sobra espaço para todos cuidarem dos doentes não covid.
Não faz sentido uma consulta com historial num hospital público passar para um hospital privado para um médico completamente alheado.
Porque é que se estão a agravar as medidas de contenção se a maioria dos casos se está a dar em lares?
Haverá por acaso mortes de idosos após tomarem a primeira dose da vacina?
É que os médicos que tomaram a primeira dose estão a acusar positivo ao vírus, não haverá aqui uma tentativa de passa culpas?
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 19:26

Fiquei preocupado. A senhora terá algum problema de saúde?
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De Carlos Sousa a 19.01.2021 às 20:59

Se calhar foi até alfândega da fé investigar o lar aonde apareceu um surto de 50 infectados após tomarem a vacina.
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De Anónimo a 20.01.2021 às 12:23

Alarme social por causa disso? Agradeça à Marisa Matias, Ana Gomes, João Ferreira e a todos os miúdos do BLOCO.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 20.01.2021 às 09:52

As mortes não covid resultam dos doentes internados por covid. Qual é o mistério? Ninguém decide, por si, ser internado. São os médicos que o fazem. As mortes não covid não resultam das medidas de confinamento,pelo contrário. É óbvio que o confinamento ajuda a diminuir o contágio. Não é preciso ser um génio para saber que, se o meu vizinho estiver doente, assintomático, e eu em minha casa a probabilidade de transmissão é próxima de zero. A proximidade entre as pessoas importa. Portanto é uma treta virem dizer que ao confinamento falta confirmação. Toda esta situação faz-me lembrar o stress pós traumático, antes de haver RMf. Os psiquiatras, usando a lógica, diziam que havia. Os políticos, não (o reconhecimento da doença implicava gastos estatais/despesa), porque os psiquiatras não apresentavam dados palpáveis (ex: análises ou exames que a provassem). Como disse, depois veio a RMf e as amígdalas do tamanho de ameixas.
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De Carlos Sousa a 20.01.2021 às 15:58

" É óbvio que o confinamento ajuda a diminuir o contágio ".
É por isso que na Alemanha já estão a criar centros de detenção para meter os infectados.
Os centros de detenção devem ser a forma eufemistica dos campos de concentração, digo eu.
Não será melhor utilizar a cabeça em vez de ir atrás do rebanho?
Já falta pouco para andarmos com uma estrela ao peito, depois não digam que eu não avisei.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 19.01.2021 às 08:13

É tudo e todos. Ainda hoje peço, já não indignado,mas triste "D. S. pode pôr a máscara?" Ou "Se o senhor entrar no elevador,eu saiu". E havendo culpa em todos,no final a culpa não sobrará para ninguém. É triste. É o nosso fado. Como fatal será dentro de pouco uma crise económica de criar bicho. Parece que o País se finou em 2008 e ninguém ainda o cheirou.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:13

Dizia o outro, em tom de gozo, que não vinha diabo nenhum... Pois o diabo chegou mesmo e agora esse tal anda a levar com ele todos os dias.
O pior é que nós levamos também.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:18

Foi preciso sair alguma vez?
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 19.01.2021 às 16:55

Claro. Somatizo as bestas. Dão-me ânsias. Sabe como é. Vómitos.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 19:27

Sei muito bem como é, sim.
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De Marques Aarão a 19.01.2021 às 08:33

Eles agem por navegação à vista e só apertam o gatilho para tiro instintivo.
Na prevenção à moda de Cabrita, se o policia incomoda e o cão ladra, despeja-se o policia.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:12

O problema já nem é a navegação à vista. O problema é o barco estar furado.
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De Marques Aarão a 19.01.2021 às 15:34

A febre das Escolas abertas dá vida ao Covid. O Albergue para indigentes está com vagas.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 19:28

Fecham para a semana. Parece lema deste Governo: correr sempre atrás do prejuízo.
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De balio a 19.01.2021 às 09:26

É normal, as doenças sempre causaram mais mortes do que as guerras. Mesmo nas guerras, morrem em geral mais soldados de doenças, de fome ou de acidentes vários, do que atingidos pelo fogo adversário.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:11

Parece uma frase do Ricardo Araújo Pereira.
Espero que ele passe por cá para sacar ideias.
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De balio a 19.01.2021 às 09:28

o putativo "milagre português" que em dois tempos nos devolveria às praias

No verão passado eu fartei-me de ir à praia, aliás até consegui arranjar lugar em hotéis junto a praias em agosto, porque eles estavam com poucas marcações devido ao medo da doença. E no próximo verão espero bem voltar a ir à praia.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:10

Continue a andar por aí sem máscara - ou com máscara fora de prazo, o que dá no mesmo - e tem fortes probabilidades de adiar para sempre o reencontro com as conchinhas.
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De Robinson Kanes a 19.01.2021 às 09:51

Fico triste por ter dito aquilo que disse quando começaram alguns dos episódios que fala... Quando alguns diziam que estava a delirar. Não que tenha adivinhado o futuro, não é por isso que fico triste, mas sobretudo triste por não me poder retratar e agora ter que fazer o papel daquela besta que diz: "eu não disse?".

Grande Abraço,
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:09

Pois, meu caro. Ter razão antes do tempo, muitas vezes, não dá jeito nenhum. E não é só na política.
Abraço. Saúde.
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De Anonimus a 19.01.2021 às 10:02

O mais triste? É que as coisas vão melhorar quando a época "gripal" terminar, e voltamos ao mesmo.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 11:08

As coisas vão melhorar... para quem não ficar pelo caminho, para os familiares dos que se forem entretanto e para aqueles que, tendo sido infectados, não ficarão com sequelas permanentes deste vírus.
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De ShakaZoulou a 19.01.2021 às 13:29

Para quem continua é mau sinal a Proteção dos Direitos Humanos e da Dignidade do Ser Humano na Aplicação da Biologia e da Medicina não estar a ser respeitada, e mais triste é de quem morreu neste último ano, não poder tido oportunidade de usufruir desses direitos nos seus últimos meses de vida, como se fosse possível adiar a vida para um amanhã que nunca chegou para estas pessoas
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:18

Nem mais. Essa é uma tragédia dentro da tragédia.
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De Anonimus a 19.01.2021 às 13:39

Como diria o marquês, tratar dos vivos.
Lá para finais de Junho andaremos a discutir idas à praia (radius em volta da toalha, idas ao banho por turno), abertura de esplanadas e corredores aéreos. E se o GP de motociclismo deve ter 1, 2 ou 3 terços da lotação.
Com um bocado sorte, também se falará de helis e aviões para combate aos incêndios.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:17

E a Festa do Avante, convém não esquecer.
Além de que ninguém irá mascarado ao próximo 25 de Abril.
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De Anonimus a 19.01.2021 às 15:24

A título de excepção que se comemore o carnaval, halloween e 25 de Abril num só dia. Assim podem ir todos mascarados.
Não haverá abóboras, mas uns quantos levam melões, como habitual.
Até o Alberto João faz uma aparição, não como assombração, mas como rei momo. Não confundir com o deputado mama (na teta da República).
O Passos vai vestido de Diabo. Bem vistas as coisas, podiam ir todos, para o diabo que os carregue.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 17:29

Parece uma boa sugestão.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 19:28

Ferro iria trajado de si próprio.
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De Anónimo a 19.01.2021 às 12:48

1-Esta comparação dos mortos de covid com os mortos de ultramar pode-se de facto fazer pois estamos a falar do número de mortos.

Mas para mim são cenários diferentes em que a guerra é muito mais violenta e sofrida,(não podemos esquecer o número de feridos, doentes e baixas adversárias...) quantos jovens soldados portugueses daquele tempo não dariam por não ir a guerra.
Hoje o covid mata e muito e de facto em menos de um ano já bateu o número de mortos de ultramar pelo lado português.

Mas nesta comparação: existe uma grande diferença nas gerações da década de 60/70 com as de agora e sem querer generalizar, hoje os mais jovens ou menos jovens estão se nas tintas para os valores de cidadania e de solidariedade aliás mais uma vez bem demonstrada neste fim de semana em que todos vimos o contraste do sofrimento de muitos com a indiferença total de outros em total incumprimento das regras. Pertenço a geração mais nova dos menos jovens e é triste assistir a toda esta indiferença,envergonha-me.

2-Se o Sporting for campeão esse é que é o verdadeiro milagre Português.

Rui Silva

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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:16

Rui Silva: respeitando opiniões contrárias, eu não misturo futebol com esta calamidade que se abateu sobre o nosso país.
No momento em que escrevo, Portugal é notícia em todo o mundo. Pelo pior motivo possível: temos o maior número de vítimas mortais com Covid por milhão de habitantes.
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De Anónimo a 19.01.2021 às 13:20

Tem razão. A propósito, alguém sabe o que se passa com o Rui Rio? Desapareceu...
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 13:35

Alguém o viu há uns dias a correr. Foi trancar-se em casa.
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De ShakaZoulou a 19.01.2021 às 13:23

Quantos anos de vida se perderam num caso e noutro, é que comparar mortes na primavera da vida não tem muita comparação com mortes no inverno da vida, por muito que se lamente as mortes, muitas das pessoas que morreram com Covid já estavam na rampa de lançamento.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 15:14

Se começamos a estabelecer gradações entre vidas humanas em função da idade e do boletim clínico, abrimos a porta a toda a espécie de abominações.
No fim, apenas sobrevivem os mais fortes e os mais aptos.
Como na selva.
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De João Silva a 19.01.2021 às 17:23

"r mortes na primavera da vida não tem muita comparação com mortes no inverno da vida,"
Acho que tem alguma razão apesar das considerações de Pedro Correia que também me impressionam.
Mas o meu ponto é outro. Quando se contam os mortos e feridos da guerra colonial, nunca entram na contagem os mortos do lado dos guerrilheiros. Ora eles são humanos como nós, diferencia-os não a idade mas a etnia, diferença que nada vale. Se os contarmos, quantos mortos e feridos são consequência da guerra colonial?
Não sei mas gostava de saber.
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De Pedro Correia a 19.01.2021 às 19:33

Também nestes dados da pandemia não estamos a contar os mortos e feridos dos outros países.
Nem contabilizamos os mortos ocorridos nas guerras civis pós-independência nesses três países, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
Só em Angola, meio milhão de civis:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Angolana

Se começamos a misturar tudo, jamais chegamos a conclusão alguma.

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