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Dez livros para comprar no Natal

por Pedro Correia, em 01.12.16

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Livro um: Quando a TV Parava o País, de João Gobern

Edição Matéria-Prima, 2016

228 páginas

 

A nostalgia salutar nunca deve confundir-se com saudosismo. Praticá-la é um estimulante exercício da nossa memória mais ligada aos afectos, não podendo confundir-se com a mórbida tentativa de aprisionar o passado no presente, ignorando o curso do tempo.

João Gobern propõe-nos neste livro uma refrescante digressão pelas suas memórias televisivas – que é afinal uma forma de prestar tributo aos primeiros 35 anos de existência da RTP. De 1957, ano da fundação da televisão em Portugal, a 1992, quando surgiu o primeiro canal privado e o serviço público foi ganhando contornos cada vez mais imprecisos.

Jornalista experiente e observador arguto, Gobern não esconde uma predilecção pela RTP, onde mantém presença regular como colaborador. E exprime sérias reservas quanto ao rumo que a televisão tem tomado nas duas últimas décadas entre nós.

“Todos estamos gratos pelo que chegou de bom. Mas não sigamos a avestruz: nunca a TV – mesmo no tempo da Censura, que marcou presença nos seus primeiros 17 anos – foi tão boçal, tão dogmática, tão oportunista, tão selvagem, tão consumista, tão invasora, tão medíocre, tão desleal, como de 1992 para cá”, escreve o autor num contundente posfácio a Quando a TV Parava o País.

A tese é polémica – e, até por isso, justifica reflexão. Mas o fascínio desta obra é proporcionar-nos uma visita guiada à televisão dos tempos pioneiros – e, com ela, esboçar-nos também um retrato impressivo do País. Com as suas luzes, as suas sombras, os seus equívocos, os seus acertos, as suas fugazes vedetas, as suas duradouras celebridades.

É sobretudo um relato geracional – a da geração do autor, que é também a minha, primeira que cresceu em Portugal com um televisor instalado num espaço nobre lá de casa. Tempo do preto e branco, que só em 1980 cedeu lugar à cor. Tempo em que um festival de música ou um episódio de telenovela eram vistos ao mesmo tempo por toda a gente, pondo o País a mirar aquela caixa que mudou o mundo. Nostalgia mais saudável não há.

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8 comentários

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De mlm a 01.12.2016 às 11:34

Bom, e bom livro, mas...e os outros nove? Não eram dez?
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De Pedro Correia a 01.12.2016 às 15:13

Sente-se bem? Que tal beber um chazinho de camomila anti-stress?
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De mlm a 01.12.2016 às 16:24

Prefiro tília. Experimente.
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De Pedro Correia a 01.12.2016 às 16:35

Então beba bastante. E evite ler mais de um livro por dia: pode provocar-lhe cefaleias.
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De rmg a 01.12.2016 às 18:31


Meu caro

"A nostalgia salutar nunca deve confundir-se com saudosismo".

Vou usar esta frase de vez em quando.
Com sua licença, claro.
É que cada vez há mais gente a confundi-las.

Como sabe sou apanhado com frequência a ouvir música dos anos 60 e 70 (talvez porque era boa...) mas não teria qualquer vontade de voltar a ter 15 ou 25 anos, gosto muito dos anos que tenho e de me rir e entusiasmar nas conversas com os filhos quarentões e os netos teenagers.

E ainda menos me passaria pela cabeça achar que eram "os bons velhos tempos" pois, como se sabe, os "bons velhos tempos" na altura não pareciam assim tão bons, a malta que o diz é que era mais nova e agora leva muitas vezes uma vida estúpida.

Este mal está de tal modo espalhado que anda por aí um revivalismo tão pateta que pessoas relativamente novas dizem ter saudades de tempos que nunca viveram.

Seja como fôr, desta televisão aqui retratada lembro-me bem, tinha chegado ao liceu quando ela apareceu.

A de hoje só quase por ouvir contar.
Deixei de ver televisão no princípio de 1993 e cada vez vivo mais feliz com isso: ganho tempo e sobra-me paciência para outras actividades mais interessantes.

Claro que há um aparelho ligado algures aqui em casa e às vezes olho para ele (sem nunca me sentar!) assim como não tenho outro remédio senão olhar de vez em quando para um aparelho ligado num qualquer restaurante pois almoço todos os dias fora.
Mas mesmo esses poucos momentos de "fraqueza" só me confirmam a decisão.

Com a WWW temos acesso a toda a informação que precisamos e podemos escolhê-la, "folhear" todos os jornais do mundo entre a meia-noite e as 2 da manhã é o que eu faço.

Mas perder o tempo que as pessoas perdem sentadas num sofá ou à mesa a ouvir as opiniões dos transeuntes sobre os assuntos mais complexos ou as dos tudólogos sobre os assuntos mais simples deve ser pouco saudável.
Acho eu.

Abraço amigo

PS- Não desconheço que haja quem dispensasse ver TV mas não o possa fazer por razões profissionais ou pessoais (uma revolta familiar, por exemplo).
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De Pedro Correia a 01.12.2016 às 22:08

Meu caro Amigo: cumprimento-o pela reflexão que aqui nos traz. Tenho o gosto em que "use" essa frase e partilho consigo a convicção de que a televisão, tal como o álcool, deve ser consumida com moderação. Claro que há sempre motivos profissional para não abdicarmos dela - é o meu caso, entre tantas outras pessoas.
Noutras circunstâncias, o televisor acaba por ser a melhor e até única companhia de muita gente que desiste da vida antes do tempo. Vejo cada vez mais gente assim, infelizmente.
Achei curiosa a coincidência temporal do seu divórcio da TV com a data em que o João Gobern encerra o ciclo retratado nesta obra. Que termina precisamente com o advento das televisões privadas, em 1992-93. Ele faz uma análise muito crítica do último quarto de século da TV em Portugal - análise que subscrevo em grande parte.

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