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Delito de Opinião

Dez livros para comprar na Feira

Pedro Correia, 07.06.18

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Livro sete: O Visitante da Noite & Outros Contos, de B. Traven

Tradução de Manuela Gomes

Edição Antígona, 2014

235 páginas

 

O cenário é o mesmo em todos os contos: o pobre México rural de meados do século XX, mergulhado nas suas angústias, nas suas crenças rudimentares, na sua singeleza, na sua capacidade de fazer das fraquezas força. O autor é um dos mais misteriosos de que há memória - ao ponto de a sua existência real ter sido posta em causa. Não faltou quem especulasse que B. Traven seria pseudónimo de Jack London ou Ambrose Bierce, por exemplo. Soube-se mais tarde que se tratava de um antigo revolucionário germânico, Ret Marut, que se viu forçado a mudar de país e de continente em 1919, após a malograda tentativa de implantar na Alemanha uma revolução em tudo idêntica à soviética. Mas só houve certezas quando morreu aos 87 anos, em 1969, na Cidade do México e as suas cinzas foram dispersas pelo Rio Chiapas.

No país adoptivo, o anarquista Marut adoptou o pseudónimo literário e passou a viver numa espécie de clandestinidade perpétua, que nem a inesperada popularidade de uma das suas obras literárias, O Tesouro da Sierra Madre, conseguiu modificar. Reza a lenda que terá acompanhado a rodagem do filme homónimo como tradutor do cineasta John Huston, galardoado em 1949 com o Óscar de melhor realizador - enquanto o pai, Walter Huston, recebia a estatueta para melhor actor secundário pela mesma película, rodada no México com Humphrey Bogart como protagonista.

Aventureiro na vida, Traven soube povoar a sua ficção de personagens tão aventureiras como ele. Dispostas a sacrificar conforto, tranquilidade e segurança em nome de causas ou crenças à medida dos seus sonhos, mesmo com risco da própria vida – como estas narrativas documentam. Leia-se o conto que dá nome ao livro, por exemplo. Ou histórias como Na Ausência do Padre, Macario e Amizade. Pequenas obras-primas capazes de empolgar-nos, indignar-nos ou comover-nos. Nenhuma nos deixa indiferente: eis um dos maiores elogios que pode ser feito a qualquer escritor.

 

Sugestão 7 de 2016:

O Bosque, de João Miguel Fernandes Jorge (Relógio d'Água)

 

Sugestão 7 de 2017:

1933 Foi um Mau Ano, de John Fante (Alfaguara)

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