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'Destroikando' em miúdos

por José António Abreu, em 21.02.15

Quem ganhou? Acima de tudo, a Grécia perdeu. O governo aceitou quase todas as exigências e o país está hoje pior do que estava há três meses. Sobra a retórica imbatível de Varoufakis, o sexy e sincero, que conseguiu uma provável descida do objectivo para o excedente primário e que «a Troika» fosse substituída no léxico oficial por «as Instituições».

O acordo é para levar a sério? Sem sombra de dúvida, talvez. Para já, é preciso concluí-lo e para isso as medidas a apresentar pelo governo grego na próxima segunda-feira têm de ser credíveis (nada menos certo). Depois, ninguém estranhará se for desrespeitado nos meses seguintes, através da aplicação de medidas não previstas ou da recusa em corrigir eventuais desvios orçamentais. Hipótese mais divertida: não passar de um estratagema para ganhar tempo e preparar a saída do euro.

Porquê quatro meses e não seis? Porque em Julho e Agosto a Grécia tem de efectuar pagamentos de quase 7 mil milhões de euros e um bocadinho de pressão extra sobre Tsipras e Varoufakis só pode ajudar nas negociações para um novo plano de financiamento. Porque Portugal e Espanha têm eleições antes do fim do ano e convém ter o governo grego domesticado – ou a Grécia fora do euro – a tempo dos eleitores perceberem a inutilidade que é votar em Syrizas.

E por cá? Tem piada ver bloquistas a comemorar.


10 comentários

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De Carlos Duarte a 21.02.2015 às 11:04

Caro José António Abreu,

No meio disto tudo, quase ninguém ganhou (talvez excepção feita para o Presidente do Eurogrupo, que conseguiu levar um barco a meter água por todos os lados se não a bom porto, pelo menos a meter menos água).

- A Grécia cedeu em quase toda a linha, com algumas victórias morais (fim semântico de "Troika" e "Progama de Assistência) e duas victórias práticas, mas que se podem virar contra os próprios (têm liberdade condicionada para definir as medidas que querem implementar, desde que o efeito financeiro seja quase neutro e, o quase neutro, podem deslizar este ano na meta de excedente orçamental). Veremos Segunda-Feira exactamente o que vai ser proposto.

- A Alemanha (com Schaüble) ficou na fotografia como o verdadeiro dono da UE e agindo como tal. Se as coisas não se endireitarem (a nível europeu) daqui para a frente as culpas vão ser percepcionadas como inteiramente teutónicas.

- França e Alemanha ficaram reduzidos a inutilidades diplomáticas, nem quente nem frio. O que reforça o ponto anterior.

- Portugal fez figura de urso. Somos acusados de sermos PIORES que a Alemanha e termos sido nós (com a Espanha) a tentar o tudo por tudo para bloquear o acordo. Acabámos oficialmente promovidos a cães-de-fila dos alemães ou a grandes admiradores das Sombras de Grey (ou ambos).

- A Espanha, teremos que ver. Ao contrário de nós, a Espanha TINHA de agir assim, para tentar conter o Podemos. Agora depende do "spin" que estes últimos consigam dar. Não é líquido que não consigam tornar uma falha grega no resultado da intransigência Germano-Ibérica.

No fim, e no global, a UE apesar de tudo ganhou um pouco. Ganhou a cultura do compromisso, mesmo a ferros e à força.
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De DF a 21.02.2015 às 12:16

- A Alemanha (com Schaüble) ficou na fotografia como o verdadeiro dono da UE e agindo como tal. Se as coisas não se endireitarem (a nível europeu) daqui para a frente as culpas vão ser percepcionadas como inteiramente teutónicas.

Julgo que essa é a ideia com que se fica cá em Portugal, mas nos outros países apesar da visão de que a Alemanha tem poder ser real, as suas posições são igualmente alinhadas com esta, e muito criticas da Grécia, fazendo inclusive grandes manchetes nos jornais nacionais, sem pudor (como o já tinham feito com Portugal e afins). Porém isso não quer dizer subserviência como aqui se pinta (a nossa política é assim, fraquinha fraquinha, o que demonstra o grau de exigência de quem "os" ouve), mas sim um pensamento que apesar de perceber que nem tudo está bem há coisas que simplesmente não são aceitáveis, e uma delas é a dos governos nacionais raramente assumirem os seus erros e os dos seus cidadãos - olhar para dentro doi, é mais fácil apontar o dedo.

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De José António Abreu a 21.02.2015 às 23:22

Apreciadores das Sombras de Grey é que não, carago. Troque-me lá isso pelas obras de von Sacher-Masoch (na literatura) ou por "Maîtresse", de Barbet Schroeder, com Depardieu e Bulle Ogier (no cinema). Até porque, tanto quanto sei, o masoquismo das sombras de Grey é muito light.
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De rmg a 21.02.2015 às 15:42


Também não vejo onde é que os outros países não alinharam todos pelo mesmo diapasão da Alemanha, a atacar esta ou Portugal falta lá meter os outros todos.

Cheguei a ler que a Áustria se tinha tornado um forte aliado quando não foram ditas mais que umas frases de circunstância logo desmentidas pelos factos.

É claro que quem só lê os jornais portugueses (também leio) não pode ír além de raciocínios redutores das questões, limitados ao que lhes impingem (ou melhor, deixam que lhes impinjam).

A Alemanha é, como já disse aqui, o substituto dos EUA no anti qualquer coisa primário europeu, um continente de populações envelhecidas e acomodadas na sua grande maioria e que, como tal, tem que arranjar desculpas para as suas impotências (não há Viagra para "levantar" a moral...).

Com a eleição do Sr. Obama, 1º prémio de uma corrida (a do Nobel da Paz) que não chegou a correr nunca (e não ganharia) mas que muita gente não lhe leva a mal, isto acalmou muito e já ninguém se lembra (ou quer lembrar) que a crise em que estamos enterrados foi criada lá e que são os EUA quem mais está a beneficiar económica e financeiramente dos nossos problemas.
Seja eleito um republicano "duro" a seguir e lá voltam eles a ser a fonte de todos os males.

Portanto que a Alemanha se comporte muitas vezes como DDT não ponho em causa, mas que TODA a Zona Euro e quase TODA a UE a apoiem é um facto (até a GB, que desde que entrou está para saír o fez implícitamente).
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De Anónimo a 21.02.2015 às 22:44

Pela sua lógica, apenas se pode votar nos mesmos de sempre, daqueles que nos levaram ao caos, porque os outros, não passam de figurões armados em políticos. Piada de mau gosto, é a ministra das finanças portuguesa, estar ao lado dos alemães. Não tem nada de piada, tem sim, tudo de vergonhoso.
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De José António Abreu a 21.02.2015 às 23:03

Pode votar em quem quiser. Os venezuelanos, por exemplo (a Venezuela é inspiração confessa para Tsipras e Iglesias, do Podemos), votaram em Chávez e Maduro. Mesmo com petróleo e sem euro, está a ser um sucesso.
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De Anónimo a 22.02.2015 às 01:16

Desculpe, mas não compare Maduro a ninguém porque é uma comparação de extremo mau gosto. Maduro é um parvo alegre, sem instrução nenhuma e que de política está abaixo de zero. Estas peças de mau gosto, aparecem quando os iluminados do costume, arrasam com as pessoas.
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De José António Abreu a 22.02.2015 às 01:29

Espero que não esteja a tentar separar as políticas de Chávez e Maduro porque elas são iguais. A Venezuela estaria na situação em que está, ainda que Chávez estivesse vivo.
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De Anónimo a 22.02.2015 às 02:22

Maduro é seguidor de Chavez, com uma pequena diferença entre eles é que Chavez ainda sabia estar, Maduro é a desgraça total. Repito, estas peças de mau gosto, aparecem quando os iluminados põem os seus súbditos de rastos. É aqui que temos de ter atenção, mas desvalorizamos tudo e tentamos enrolar as pessoas, até ao dia, em que a saturação atingiu o auge e aí há Maduros e outros que tal...........
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De lucklucky a 22.02.2015 às 00:43

Só faltava mais um post inteligente...

Então você que critica quem levou a Europa ao "caos" com o endividamento record - e muito bem - mas considera que votar em quem se está nas tintas para o nível de endividamento e quer manter as politicas anteriores de crescimento do endividamento é alternativa.



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