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Descobrir o passado

por Diogo Noivo, em 25.06.19

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Begoña Urroz tinha 22 meses de idade quando morreu queimada na sequência de um atentado bombista. Foi a 27 de Junho de 1960 na estação ferroviária de Amara, em San Sebastian, no País Basco. Durante décadas o atentado foi atribuído à ETA. Begoña seria, aliás, a primeira vítima mortal do terrorismo basco. Em 2010, a data do atentado foi instituída pelo parlamento espanhol como o dia de homenagem às vítimas do terrorismo.

Um estudo publicado hoje pelos investigadores Gaizka Fernández Soldevilla e Manuel Aguilar Gutiérrez desmente essa tese, provando que a acção foi da responsabilidade do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), um grupo armado luso-espanhol composto por militantes anti-salazaristas e anti-franquistas. Na sua ala portuguesa, o DRIL contou, entre outros, com Humberto Delgado, Henrique Galvão, Camilo Mortágua e Victor Cunha Rego.

 

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Muerte em Amara: La violencia del DRIL a la luz de Begoña Urroz”, uma edição do Centro Memorial de las Víctimas del Terrorismo, resgata um pedaço de História contemporânea do canto obscuro onde esteve esquecido. O estudo é fruto de um trabalho de investigação notável assente em muita documentação inédita. E permite vislumbrar o que foi a participação portuguesa em actos de violência política além fronteiras. Só por isso merece atenção por cá. Os interessados podem descarregar a versão em pdf de forma gratuita aqui.

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16 comentários

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De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 21:23

Quando se mata em nome de um ideal, de uma palavra, mata-se sempre um filho, uma mãe, um pai. Se concordo? Não. Mas é assim. Por hoje, chamados danos colaterais
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De Anónimo a 25.06.2019 às 23:38

"Mas é assim. Por hoje, chamados danos colaterais" Como aconteceu na ex-Jugoslávia (muitos danos colaterais mas aí eram com boa intenção).
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De Anónimo a 26.06.2019 às 01:01

Não há danos colaterais. Essa é uma expressão assassina. A retórica não revive mortos. Há danos. Ponto.
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De FatimaP a 26.06.2019 às 17:48

"Quando se mata em nome de um ideal ..."

Bom, aí depende do ideal... se for um ideal dito de direita, foram praticados cruéis assassinatos, se for um ideal dito de esquerda, aí, sim, foram danos colaterais, coisa de somenos.
Que lógica tão conveniente. E, sim, é a lógica subjacente ao post de LL.
Branqueamento é tudo ...
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De Anónimo a 26.06.2019 às 22:55

"se for um ideal dito de esquerda, aí, sim, foram danos colaterais, coisa de somenos."
Falou-se muito de danos colaterais quando os aviões americanos bombardearam a Jugoslávia. Eram de esquerda as forças que bombardeavam??

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