Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Descobrir o passado

por Diogo Noivo, em 25.06.19

21490650_a7IEo.jpeg

 

Begoña Urroz tinha 22 meses de idade quando morreu queimada na sequência de um atentado bombista. Foi a 27 de Junho de 1960 na estação ferroviária de Amara, em San Sebastian, no País Basco. Durante décadas o atentado foi atribuído à ETA. Begoña seria, aliás, a primeira vítima mortal do terrorismo basco. Em 2010, a data do atentado foi instituída pelo parlamento espanhol como o dia de homenagem às vítimas do terrorismo.

Um estudo publicado hoje pelos investigadores Gaizka Fernández Soldevilla e Manuel Aguilar Gutiérrez desmente essa tese, provando que a acção foi da responsabilidade do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL), um grupo armado luso-espanhol composto por militantes anti-salazaristas e anti-franquistas. Na sua ala portuguesa, o DRIL contou, entre outros, com Humberto Delgado, Henrique Galvão, Camilo Mortágua e Victor Cunha Rego.

 

21490651_VbbEN.jpeg

 

Muerte em Amara: La violencia del DRIL a la luz de Begoña Urroz”, uma edição do Centro Memorial de las Víctimas del Terrorismo, resgata um pedaço de História contemporânea do canto obscuro onde esteve esquecido. O estudo é fruto de um trabalho de investigação notável assente em muita documentação inédita. E permite vislumbrar o que foi a participação portuguesa em actos de violência política além fronteiras. Só por isso merece atenção por cá. Os interessados podem descarregar a versão em pdf de forma gratuita aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)


16 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 16:47

Nesse tempo (1960) havia uma perceção bem diferente do valor da vida humana daquela que há hoje. A natalidade e a mortalidade eram muito maiores e, por isso, a vida humana tinha muito menos valor, na perceção das pessoas, do que tem hoje. Em particular, a morte de uma criança de dois anos era corrente (a título de exemplo, um primo direito do meu pai teve cinco filhos, dos quais dois morreram na meninice).

Também o terrorismo e a guerra eram vistos de forma bem diferente da atual. Era o tempo dos movimentos de libertação africanos. O terrorismo do Irgun judeu e as guerras israelo-árabes estavam ainda bem presentes. Colocar uma bomba, que atualmente é um gravíssimo crime, seria nesse tempo uma coisa quase corriqueira.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 17:36

Bem verdade! Antigamente na minha aldeia os foguetes eram lançados à mão e o meu avô batia na minha avó. Agora é ao contrário
Perfil Facebook

De Luís Serpa a 25.06.2019 às 17:44

Suponho que depois de enterrarem a miúda os pais deram uma festa de arromba, não? Pôr bombas, perder filhos assassinados eram coisas corriqueiras, ninguém lhes ligava nenhuma.

Aliás, a julgar pela sua expressão (deles, pais) deviam estar fartos da pequena. Aposto que os acordava a meio da noite.

Enfim, no fundo concordo consigo: é preciso contextualizar e relativizar. Hoje, por exemplo, se em vez de ser uma miúda de pouco menos de dois anos a morrer fosse um imbecil ninguém ligaria. É que os há cada vez mais e cada vez mais assustadores.
Sem imagem de perfil

De xico a 25.06.2019 às 20:50

Nesse tempo (antes de 1960), já Camus escrevia o seguinte: "Se um terrorista lança uma granada no mercado de Belcourt frequentado pela minha mãe e ele a mata, serei responsável se, para defender a justiça, eu tiver igualmente de defender o terrorismo. Amo a justiça, mas amo também a minha mãe."
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 21:11

Daí a familia ser um empecilho para os "mercados" ideológicos revolucionários. Pensássemos todos na mãezinha (não te apagues) e ainda viveriamos na monarquia.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 21:23

Quando se mata em nome de um ideal, de uma palavra, mata-se sempre um filho, uma mãe, um pai. Se concordo? Não. Mas é assim. Por hoje, chamados danos colaterais
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.06.2019 às 23:38

"Mas é assim. Por hoje, chamados danos colaterais" Como aconteceu na ex-Jugoslávia (muitos danos colaterais mas aí eram com boa intenção).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.06.2019 às 01:01

Não há danos colaterais. Essa é uma expressão assassina. A retórica não revive mortos. Há danos. Ponto.
Sem imagem de perfil

De FatimaP a 26.06.2019 às 17:48

"Quando se mata em nome de um ideal ..."

Bom, aí depende do ideal... se for um ideal dito de direita, foram praticados cruéis assassinatos, se for um ideal dito de esquerda, aí, sim, foram danos colaterais, coisa de somenos.
Que lógica tão conveniente. E, sim, é a lógica subjacente ao post de LL.
Branqueamento é tudo ...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.06.2019 às 22:55

"se for um ideal dito de esquerda, aí, sim, foram danos colaterais, coisa de somenos."
Falou-se muito de danos colaterais quando os aviões americanos bombardearam a Jugoslávia. Eram de esquerda as forças que bombardeavam??

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D