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Depois da crise

por Luís Naves, em 28.11.14

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Um País que durante séculos se habituou à impunidade dos poderosos assiste com espanto a uma vaga de inquéritos judiciais. Os altos escalões da administração, a banca, os partidos, tudo isto parecia intocável. E, no entanto, na comunicação social, onde antes se reclamava quase todos os dias por mais transparência e pela remoção imediata das maçãs podres, esta semana quase só se ouviram as vozes daqueles que, sem conhecerem os factos, contestam a actuação dos juízes.

É talvez cedo para se avaliar o impacto das grandes mudanças que Portugal sofreu nos últimos seis meses, sobretudo com o escândalo do BES e a queda da PT, o caso dos vistos dourados, a detenção de José Sócrates. E, no entanto, está em curso uma transformação no regime democrático, que coincide com o fim do período de ajustamento. A opinião pública sai deste longo período de sacrifícios muito mais exigente em relação à transparência do sistema político e ao uso do dinheiro dos contribuintes. Em texto anterior afirmei que Portugal está a sair da crise e a frase foi imediatamente recusada por leitores que nem sequer consideraram a hipótese.

É altura de tentar explicar. Durante três anos, os partidos e os média impuseram à sociedade portuguesa uma narrativa de extremo pessimismo sobre a situação nacional e europeia. Por vezes, Portugal era descrito em tons neo-realistas, como se estivéssemos nos anos 40, outras vezes parecia saído do expressionismo dos anos 20, onde pairavam as sombras fundas do pós-guerra. O naufrágio estava sempre na vaga seguinte.

 

Qualquer indicador favorável era imediatamente desvalorizado ou até ridicularizado. A Europa estilhaçava-se e ia para o caixote do lixo da História. Quem se atrevesse a escrever que as coisas podiam melhorar era considerado louco ou criticado por insensibilidade social. Pessoas que viviam em situação razoável ou boa consideravam que todos os portugueses estavam à beira da miséria.

E, no entanto, o colapso iminente, a espiral recessiva ou o êxodo em massa eram incompatíveis com os restaurantes repletos, o entusiasmo nos festivais de Verão ou as multidões de adeptos nos estádios de futebol. Surgiam também pequenos sinais de recuperação (taxas de juro baixas, emprego a subir, tímido crescimento económico, mais exportações, algum investimento), mas a sua menção era considerada propaganda. Os poderosos mitos em torno da natureza da crise eram difíceis de contrariar.

Por outro lado, cada nova dificuldade na União Europeia é ainda hoje interpretada como estertor final da organização ou negação da utopia. É quase impossível escrever, sem ser acusado de loucura, que na Europa está a ser criado um bloco político poderoso, liderado pela Alemanha, país pela primeira vez na sua história rodeado apenas por nações amigas. A estratégia de Berlim parece ser a de criar uma aliança com França, Itália e Polónia, núcleo duro que terá depois uma integração acelerada, não acompanhada pelos países periféricos que preferirem manter uma relação menos profunda. Entretanto, insistindo na ideia de uma Europa que nunca existiu e não existe, os nossos intelectuais criaram um clima de descontentamento em relação à UE, facilitando o afastamento progressivo do País.

 

A conversa da desgraça iminente já não faz sentido. Nenhuma crise é eterna, o problema está em definir o momento em que ela termina. O que é ‘sair da crise’? No caso português, será o momento em que o rendimento dos portugueses recomeçar a convergir com a média da zona euro, estando a economia europeia fora da recessão. Ou seja, se aceitarmos esta definição, estamos provavelmente a sair da crise no segundo semestre de 2014.

Convergir com a Europa tem de ser um objectivo nacional. Portugal não pode cair num pessimismo estéril ou na discussão monotemática sobre os erros do passado. A sociedade portuguesa ainda não resolveu os seus problemas fundamentais e um deles é sem dúvida a impunidade tradicional dos poderosos, um dos motivos na base da má distribuição de recursos. A longa campanha para as eleições de 2015 será uma altura favorável para se discutirem soluções que permitam eliminar os suspeitos do costume: a baixa produtividade, o desequilíbrio das contas públicas, a dívida, o desemprego, a pobreza, a demografia desfavorável, o deficiente sistema político e a relutância em aceitar a integração europeia. Falar durante um ano sobre os méritos ou defeitos dos casos de justiça não resolverá nenhuma questão relevante da sociedade portuguesa. Temos de começar a discutir o pós-crise, sem demagogia populista ou pessimismo tonto.

 

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20 comentários

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De AntónioF a 28.11.2014 às 13:57

Nos dias de hoje, seria conveniente ter presente uma reflexão de Hannah Arendt:
«Ainda que as verdades politicamente mais importantes sejam verdades de facto, o conflito entre a verdade e a política foi descoberto e articulado pela primeira vez relativamente à verdade racional. O contrário de uma afirmação racionalmente verdadeira é, ou o erro e a ignorância, nas ciências, ou a ilusão e a opinião, em filosofia. A falsidade deliberada, a vulgar mentira, desempenha apenas o seu papel no domínio dos enunciados de facto, e parece significativo, ou melhor, bizarro que o longo debate que incide sobre o antagonismo da verdade e da ploítica, de Platão a Hobbes, aparentemente ninguém tenha acreditado que a mentira organizada, tal como hoje a conhecemos, pudesse ser uma arma apropriada contra verdade.»

In ARENDT, Hannah - Verdade e política. Lisboa : Relógio d'Água, 1995. p. 16
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De Luís Naves a 28.11.2014 às 16:31

Não conhecia este texto e agradeço a referência.
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De Justiniano a 28.11.2014 às 14:19

Daqui, apenas um demente a parabenizar um louco pela persistência em cultuar a loucura!
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De Diogo Moreira a 28.11.2014 às 15:09

Receio que, de tanto me repetir, venha a parecer um disco partido. Mas o Luís supera-me pois continua, contra "ventos e marés", com o melhor dos discursos optimistas a favor do Governo em funções.

A maioria das pessoas não tem esperança no futuro. O que conseguem ver no horizonte é uma imensa carga fiscal, que durará mais duas décadas e que nem o actual líder 'do maior partido da oposição' se atreve a prometer algo diferente. Entretanto, os casos de pessoas conhecidas - familiares, amigos e vizinhos - que continuam a não encontrar emprego são cada vez mais frequentes e banais, tendo os actuais empregados que aceitar certos condicionamentos dos patrões que deveriam ser inadmissíveis em qualquer país minimamente civilizado - o risco potencial do desemprego manda calar e engolir todos os "sapos".

Já as boas notícias que têm passado para a Comunicação Social, essas não aguentam um bom escrutínio. Aliás, se a maioria dos jornalistas fizesse o seu trabalho, em vez de mudar a formatação dos comunicados de imprensa, teríamos notícias muito mais realistas (isto é, de acordo com os números reais). E a realidade não é nada abonatória. Os pequenos sinais de recuperação são um mero "libertar de vapor" da 'panela de pressão' - ex: em vez de férias no Bali ou Bora-Bora, férias no Algarve: continua a ser um luxo à medida do Salário Mínimo Português, mas não é a mesma coisa...

Quanto à Economia, é certo e sabido por todos os Economistas que as crises tendem a resolver-se por si próprias. É só dar-lhes tempo e não atirar com gasolina para a fogueira (infelizmente, coisa que os líderes europeus não têm parado de fazer). Mas era possível evitar este flagelo, com todas as lições que a História nos deixou. "Mas, os maus não seriam condenados?" Os maus foram os Bancos que andaram a fazer investimentos arriscados com o dinheiro dos outros; os que estão a pagar são os contribuintes que não conseguem ter a sua sede fiscal na Holanda ou no Luxemburgo. É isto Justiça?

"Temos de começar a discutir o pós-crise, sem demagogia populista ou pessimismo tonto." Dava jeito discutirmos primeiro a Realidade tal qual ela é. Depois poderemos receitar os remédios necessários e preparar a verdadeira recuperação. Ou, pelo menos, deixar o paciente (que é o mesmo que dizer a Economia Portuguesa) descansar.
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De Mário Pereira a 30.11.2014 às 20:28

Diz que as crises tendem a resolver-se por si próprias, para depois decretar o fim desta.
Quanto à dívida, apenas a refere uma vez, solta, sem qualquer análise ou enquadramento, englobada numa molhada de outras desgraças a que chama com desprezo «suspeitos do costume», como se fossem coisas de somenos.
Este seu discurso diz muito sobre as suas opções políticas, mais do que sobre a verdadeira situação do País. Digamos que é um discurso à medida de um deputado da maioria no parlamento, destinado a ser apreciado apenas por quem é igualmente apoiante dela.
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De Costa a 28.11.2014 às 15:55

"Pessoas que viviam em situação razoável ou boa consideravam que todos os portugueses estavam à beira da miséria."

Sobre todos os argumentos que invoca: os restaurantes, os estádios de futebol, a recuperação de emprego e outros, nada tenho a acrescentar. Já troquei opiniões consigo sobre a valia dessa sua invocação nos termos em que V. repetidamente a faz. Ficou então claro como são bem pouco conciliáveis as perspectivas que um e outro temos sobre isso. E essa troca de pontos de vista chegou mesmo a roçar, recordo, um patamar de trato que não se tomará como referência de cordialidade.

Isto dito, acha você mesmo condenável que "pessoas que viviam em situação razoável ou boa" tenham olhos e ouvidos, vejam o que crescentemente se não pode deixar de ver e ouvir à sua volta e tenham o despautério (pelo seu critério, parece) de o apontar?

Acha mesmo justo reduzir a opinião de quem pensa - e fundamenta esse pensamento, não se trata aqui, por muito que você insista na qualificação, de pessimismo cego; nem será pessimismo necessariamente, antes realismo - de modo diferente a um exagero simplista e que considera que "todos os portugueses estavam à beira da miséria", assim desconsiderando intelectualmente o seu oponente? Não são todos os portugueses, evidentemente (alguns até bem pelo contrário e por formas estranhas e, até ver, largamente impunes), mas nega você que ocorreu entre nós um empobrecimento muito sério, uma severíssima destruição de expectativas (e acredite, por muito que lhe custe, nem todas deslumbradas e merecedoras do mais severo castigo público, ou pelo menos das paternalísticas e reiteradas repreensões de quem nos pastoreia), um aumento inegável da objectiva pobreza (e pior, da desonra, tantas vezes absolutamente imerecida e fruto de uma verdadeira traição do Estado sobre o cidadão), e uma selvagem queda do poder sobre os cidadãos, sob a forma de demissão drástica das funções por si exercidas, acompanhada por uma pressão fiscal, em termos materiais e de direito, abjecta?

Você dirá - e terá alguma razão (e nessa razão talvez o que mais doa, o que moralmente a invalide, seja o comportamento verdadeiro indigno do estado português: cortando a direito, friamente, os fins justificando os meios, "disciplinando" sem dó nem piedade o cidadão - o contribuinte, que é o que releva para o poder -, enquanto protege as suas clientelas e se revelava e revela arrogantemente insusceptível de uma auto-disciplina minimamente moralizadora: veja-se o caso das subvenções, admissivelmente irrelevante em termos quantitativos, mas cristalinamente revelador da casta que nos espreme sem escrúpulo e do seu "pensamento") - que não havia outra saída.

Mas quando o tratamento implica uma séria amputação, a perda irreversível no horizonte da vida de capacidades importantes para o doente, eu creio que o médico usa em todo o processo de uma linguagem moderada, não exactamente triunfalista e minimizadora, desprezando-os ou desrespeitando-os, dos sentimentos do paciente.

E o "médico" aqui, neste blogue e neste figurado sentido, é você. Continuando essa analogia, você poderá ter sido um brilhante estudante de medicina, ser sob o ponto de vista científico e técnico um profissional de primeira água, ser incrivelmente certeiro no diagnóstico e no tratamento. Poderá. Mas permita-me o atrevimento de lhe dizer que a sua relação com o paciente é algo a melhorar drasticamente.

E a falta não é do doente.

Costa

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De francisco cruz a 28.11.2014 às 16:13

Há por aí grandes equívocos. Na Justiça não mudou quase nada, só saiu o Pinto Monteiro...
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De Luís Naves a 28.11.2014 às 16:28

Não quero entrar muito na crítica aos comentários, mas parece que o texto toca num nervo qualquer. Tentei sublinhar os seguintes pontos: o país sofreu uma transformação radical nos últimos seis meses, a situação económica não é tão séria como a pintam e, num momento qualquer do nosso futuro, vamos sair da crise, tendo proposto uma forma de medir essa saída, o regresso à convergência com o rendimento médio europeu. Diogo Moreira escreve esta frase, que parece confirmar tudo o que escrevi sobre o clima de pessimismo criado em Portugal: "a maioria das pessoas não tem esperança no futuro". É uma frase reveladora, todo um programa. Para este leitor, o meu texto é a favor do governo (o que aceito, embora o governo não seja referido) e as boas notícias escondem a realidade. Julgo que isso, sendo fácil de refutar, apenas confirma a tese do texto, as pessoas perderam a esperança e deixaram de acreditar no seu próprio futuro, por ter sido criado um clima de pessimismo artificial que será muito difícil de combater.
O leitor Costa, ignorando igualmente a questão da saída da crise, prende-se a uma referência às pessoas que estando em boa situação acham que todos os outros sofrem. Não tem nada a ver com desonestidade intelectual, mas com a natureza humana e (lá está mais uma vez) com o pessimismo criado artificialmente. Concordo com a "severíssima destruição de expectativas" e não neguei em nenhum ponto do texto que tivesse ocorrido um empobrecimento. O PIB caiu cerca de 6% e levará anos a recuperar o nível anterior. Isto não chega para se falar em "perda irreversível no horizonte de vida de capacidades importantes para o doente". Lá aparece uma frase tremenda que só confirma o que escrevi.
Negar a crise grave que atingiu o país seria uma imbecilidade. Escrevi uma coisa muito diferente, considero que os problemas foram agravados por um clima artificial que visava tornar mais difícil a sua resolução. Estamos neste momento a sair da crise e a discussão pública tem de avançar para outros temas. É difícil, eu sei, contraria os mitos instalados, mas é preciso ter coragem para enfrentar os factos. A sociedade portuguesa resistiu à tormenta, não houve naufrágio. Todas as previsões de desastre falharam.
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De Diogo Moreira a 28.11.2014 às 16:53

As expectativas foram baixadas pelo próprio Primeiro-Ministro com os discursos dos portugueses viverem acima das suas possibilidades, da necessidade de todos empobrecerem e do imperativo nacional de sair da zona de conforto e emigrar, entre muitos outros.

A situação económica é mais séria do que a pintam. Uma coisa é uma avaliação dita de 'stocks' - como a fotografia do momento actual - e outra é a avaliação de dita de 'fluxos' - em que os dislates a vários níveis, da educação à saúde, passando pela justiça, entre outros, farão mossa por largos anos.

A perspectiva económica a nível interno e externo continua a focar-se nas causas erradas (défice e dívida públicos) e receita "mais do mesmo" - austeridade! Quem sofre são as pessoas que continuam a pagar cá impostos, reduzindo ainda mais o poder de compra e piorando as perspectivas de retorno do potencial investimento das empresas.

Valha-nos Draghi que deu uma pedrada no charco! E a actual 'chief economist' da OCDE parece que também é uma realista. Será isso suficiente para terminar este calvário? De acordo com os ventos que vêm da Alemanha, não.
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De Costa a 28.11.2014 às 17:37

Diz o meu caro que estamos a sair da crise. Admita-se. O OE para o próximo ano se algo faz é agravar a carga fiscal, dá (bem pouco) com uma mão e tira (bem mais, até porque tira onde a elasticidade da procura é bem limitada, graças a esse exercício de desvergonha demagógica chamado fiscalidade verde: ao menos tenha-se a honestidade intelectual de dizer que é necessária mais receita e não se pode, não se consegue, não se quer, avançar pela despesa; o fisco é neutro, ou melhor, tem por objectivo sacar sempre mais; o fisco não tem estados de alma ecologistas, por amor de Deus!) e o crescimento da receita fiscal é, percentualmente, confessadamente superior ao crescimento da economia.

Mas você sustenta que estamos a sair da crise. Seja. O fisco chamará um figo, como se usa dizer, a essa convergência de rendimentos que você invoca, não tenhamos ilusões. É necessária muita credulidade para tomar o estado como pessoa aprioristicamente de bem e creio cada vez mais firmemente que isso de dizer, tudo simplificando, que se todos pagarmos, cada um pagará menos é um exercício de grande ingenuidade. Mais tenha para tirar, mais o estado tirará. Este estado, esta gente (e a outra que lá esteve antes, bem sei) é pelo menos incapaz, dolosamente incapaz, de atacar os verdadeiros vícios do estado. Mais haja, mais rendimento haja, mais o estado chamará a si, mais crescendo onde não o deveria. Mais mirrando onde não deveria faltar.

Chame-me pessimista sem redenção. Você, parece, e entristece-me dizê-lo, será dos que se regozijam com os anunciados recordes de penhoras, com as trinta e tal casas por dia entregues aos bancos (e que, perversamente, nem assim desobrigam quem as entrega). Você, dir-se-ia, achará muito bem que altas figuras da administração pública ufanamente anunciem publicamente tais recordes com a satisfação de uma máquina fiscal insaciável e de um estado que desavergonhada e metodicamente reduz aí as garantias dos cidadãos (cobardemente, muda-se a lei para mais enfraquecer a parte por natureza mais fraca).

Eu tenho o imperdoável (está visto) pessimismo de acreditar que o estado se deveria antes perguntar porquê tal recorde de penhora, porquê tantas casas entregues aos bancos? Seremos nós dez milhões de potenciais perdulários sem perdão, ou estará o estado a falhar reiteradamente?

E, veja bem, eu acho que a honra e a casa (para ficarmos por estes exemplos), perdidas assim, ingloriamente, com o odioso da qualificação de devedor incumpridor a cair sobre o visado, a mancha das "listas negras" e todo o restante cortejo de humilhação, sendo irrelevante que o seja porque o salário foi reduzido severamente, o emprego desapareceu, o fisco não tem travão, o novo emprego - havendo-o - é um brutal retrocesso remuneratório, num sacrifício muito longe de ter fim à vista, são de facto "perda irreversível no horizonte de vida (...)". Um naufrágio - para usar seu qualificativo - de milhares e milhares de pessoas. Um país, meu caro, é mais do que a abstracta entidade "estado". Um país é, veja lá, os seus cidadãos.

Um estado saudável (como se estivesse sequer perto disso!), alimentando-se, para tanto, de uma população que suga insaciavelmente, servindo-se dela em vez de a servir, é uma perversão demoníaca. E seria bom, a ter inevitavelmente que passar por uma tal fase, que ao menos quem conduz o estado tivesse a honestidade de o reconhecer, em vez de se louvar em triunfalismos obscenos.

Para si, não é assim. O demagogo serei eu, está visto. Visões bem diferentes, de facto, as nossas.

Costa

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De Luís Naves a 28.11.2014 às 18:49

Mas antes da crise não havia impostos, penhoras e entregas de casas aos bancos? São fenómenos novos? Em relação ao novo emprego ser um "brutal retrocesso remuneratório", trata-se de um lugar comum, até bastante nocivo, pois não há um desempregado que hesite em aceitar o "brutal retrocesso remuneratório". Acabamos com esses empregos, é isso?
Podemos preferir o tipo de tiradas retóricas a que nos habituaram os neo-realistas de serviço no comentário televisivo, mas estes génios falharam sistematicamente nas suas previsões, recomendando às pessoas que se atirassem da ponte na primeira ocasião, pois não havia esperança, era tudo absurdo e ridículo, o país ia desaparecer.

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De Diogo Moreira a 28.11.2014 às 19:32

"Mas antes da crise não havia impostos, penhoras e entregas de casas aos bancos? São fenómenos novos?"
Não são fenómenos novos. O que é novo é o grau: aumentaram os impostos brutalmente (excepção feita agora ao IRC), aceleraram a execução de penhoras e de entregas de casas aos bancos.

"Em relação ao novo emprego ser um "brutal retrocesso remuneratório", trata-se de um lugar comum, até bastante nocivo, pois não há um desempregado que hesite em aceitar o "brutal retrocesso remuneratório". Acabamos com esses empregos, é isso?"
Chama-se desespero. Uma pessoa sem rendimentos e sem riqueza sujeita-se ao ordenado que conseguir encontrar para continuar a por pão na mesa (especialmente se tiver dependentes). As empresas e a administração pública estão a substituir pessoas com ordenados mais elevados (como os jornalistas de carreira no Jornal Público) por jovens a ganhar muito menos (especialmente em regime de Estágio Profissional - seguindo o mesmo exemplo, os estagiários até assinam conjuntamente as suas peças, numa aparente violação das regras da profissão).
Acabar com esses empregos? Ou 8 ou 80... O bom seria que os empresários tivessem escrúpulos (ou o que o Costa chama "honra"). Esses empregos com baixas remunerações ou em regime de Estágio Profissional são necessários para os mais jovens ganharem experiência e não para explorarmos outros seres humanos.

Uma pergunta pessoal: como é que o Luís se sentiria se fosse despedido amanhã e, para o seu posto, fosse lá colocado uma pessoa a ganhar 1/3 (ou menos) do seu ordenado?

Ninguém está a recomendar às pessoas que se atirem da ponte abaixo. Quando muito (e inserindo aqui uma tirada bem demagógica), está-se a alertar as pessoas para atirarem com os políticos que nos têm nesta camisa de forças dessa ponte abaixo.

O país é bom, é lindo e recomenda-se; a classe política actual podia sair da sua zona de conforto e emigrar.
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De Costa a 28.11.2014 às 19:38

"Mas antes da crise não havia impostos, penhoras e entregas de casas aos bancos? São fenómenos novos?". Evidentemente que não o são, conceda-me um módico de inteligência. Sempre houve gente negligente, gente imprudente, gente dolosamente incumpridora; sempre houve azar, puro e simples; sempre houve, há e haverá um elemento de risco inevitável em praticamente tudo o que fazemos na vida. Sempre houve responsabilidade, mesmo não havendo culpa; diferença conceitual que tantas vezes é convenientemente esquecida.

Mas quer V. fazer-nos crer - porque a forma como coloca a questão apenas autoriza tal presunção - que não há qualquer relação de causa e efeito naquilo a que hoje assistimos? E que essa causa é em grande medida uma actuação deliberada do estado, seja ao permitir no passado recente que as coisas chegassem onde chegaram, seja ao optar pela terapêutica escolhida para alegadamente as sanar. Quer que acreditemos que o patamar fiscal escabroso a que chegámos, face ao retorno proporcionado, ou o número de penhoras e entregas de casas a que assistimos são meras necessidades da vida saudável de um estado, não mais do que fruto do normal, do banal risco de viver, de comprar, vender, comerciar? Que nada disso é verdadeiramente patológico?

"(...) pois não há um desempregado que hesite em aceitar o "brutal retrocesso remuneratório". Acabamos com esses empregos, é isso?" Pois não há. Que pode ele fazer, o desempregado, quando manifestamente não tem escolha? Coloquemos questões com seriedade, peço-lhe. E quanto a esses empregos, não, não se acabe com eles; mas não festejemos se é só isso o que conseguimos criar. Uma legião - sim eu sei, para si um termo catastrofista - de pobres com emprego, essa classe social, que não é nova (descanse que eu sei disso) mas parece crescer vigorosamente, vergados pelo medo e embrutecidos pela sobrevivência (mas "empregados" nas estatísticas, pois claro!) - será esse o seu ideal de uma sociedade próspera, feliz?

"(...) recomendando às pessoas que se atirassem da ponte na primeira ocasião (...)", ou seja, quem não louva o que temos é culpado de incitamento ao suicídio colectivo. A propósito de tiradas retóricas (como aquela de que o país está melhor, os portugueses é que não, famosa há uns tempos), estamos meu caro com esta servidos...

No plano substantivo, V. não refuta uma só das questões que suscito, minimiza-as, como se fossem irrelevantes no grande esquema das coisas. Só que as coisas aqui são pessoas (aqueles que nos governam até se arrogam de uma perspectiva humanista, personalista).

Minimiza-as e verbera-me por suscitá-las. Mate-se o mensageiro, pois.

Costa

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De lucklucky a 28.11.2014 às 18:09

"coincide com o fim do período de ajustamento."

O autor continua incapaz de olhar para números e compreender o que querem dizer.

O ajustamento nem sequer começou. Isso só acontecerá quando a dívida começar diminuir. Está a crescer.

Não estamos a sair da crise. A nova dívida continua maior que o crescimento.

Pela maneira de pensar do autor nunca o Governo Sócrates teria de pedir ajuda, afinal teve sempre crescimento.

Ainda não entendeu que crescer menos que o Endividamento não é sustentável.
Não há novos recursos suficientes para pagar.
É como alguém que é promovido e passa a ganhar 3mil euros em vez de 2 mil, e por causa disso endividou-se para comprar um Ferrari em vez de um Fiat.

O facto de os mercados da dívida esterem todos manipulados pelas intervenções dos bancos centrais não muda o problema. Na prática o que estão todos a fazer incluíndo os EUA que patéticamente muitos elogiam é seguirem o Japão. Um fantástico endividamento continuado. Como por outras razões a inflação directa não explode na cara, os políticos podem jogar esse jogo, até ao dia...
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De Vento a 28.11.2014 às 19:10

Luís,

li com bastante atenção o seu texto, e fui um dos que contrariou, e contrario, a temática sobre a saída da crise. Coincidimos certamente em muitas teses e muitas verdades, eu refiro-me às verdades, àquilo que é palpável.

Sempre ambicionei ver Portugal um país com autoridade. E desejei-o porque Portugal desde a família, passando pelas "associações" de vizinhos (sendo também visível nas relações de condomínio), pelas empresas e na relação entre colegas com diferentes ocupações, nos serviços públicos, todos englobados, até nos mais básicos como é a saúde, não passa de um país com autoritarismos e poderzinhos de capoeira. Esta postura é reflectida também no centro das decisões políticas. E quem age assim em regra é egoísta e prepotente e pouco importância atribui ao seu semelhante ou companheiro de percurso. Por isto mesmo, por termos como referências estas atitudes, que até contrariavam o sentido moral apregoada na praça pública, transformamo-nos num país de oportunistas procurando estar sempre em vantagem (por favor, não me fale nas excepções porque responder-lhe-ei que estas não constituem argumento).
E o que temos vindo a assistir desde Julho tem sido muito confortante para a aspiração supra referida. Hoje, apesar de cauteloso, sinto que a autoridade e não o autoritarismo emerge de onde não se esperava. E sobre este aspecto não comentarei mais para além do que já aqui tinha referido, dizendo que "percepciono estes acontecimentos como um aviso à navegação".
Gostaria de referir-lhe que em matéria de poder considero este existir em função da atribuição e importância que cada um confere. Como nunca, mas nunca mesmo, dei importâncias a poderes e pseudo-poderosos, sob um aspecto individual só me queixo dos danos criados através daqueles (muitos) que sempre viveram segundo esta bitola, isto é, com medo e até mesmo sem carácter. Não obstante, respeito os fracos, aqueles que se refugiam em hipocrisias de poderes, porque reconheço que muito desse veneno resulta de uma falsa educação, de traumas e/ou de perturbações que afectam a auto-estima. E quem não se estima não pode respeitar os outros.

Vamos agora à crise, penso que está um pouco influenciado pelo discurso de Passos Coelho ontem na RTP1. Sim, os juros caíram, mas caíram de imediato logo após a invasão russa na Crimeia, porque os agiotas perderam mercados. Sim, a Alemanha tem vindo a moderar-se, mas só porque verifica que o centro de gravidade, em matéria de aliança, mudou para a Polónia. Anteriormente eles preparavam-se para asfixiar a parte ocidental e tentar as velhas expansões para leste e com a Rússia. Esqueceram que o dinheiro não compra a segurança dos outros e hoje vivemos com o ordenamento que todos conhecemos.
Mais ainda, Passos Coelho que tanto se bate pela "efectiva" redução da taxa de desemprego, engasgou-se nas explicações sobre o também ligeiro aumento em Outubro, e já lhe referi aqui elementos sobre esta matéria.
Continuando, a estratégia da asfixia financeira mudou logo após a Rússia ter reagido como reagiu também na Ucrânia. Podemos dizer que, não obstante não termos saído desta crise, melhorámos somente por inversão das tendências. Resta agora que estas tendências se apresentem sólidas para a melhoria da economia, quer em termos de exportação, cujo défice melhora por descida das referências das importações (e assim poderá continuar acontecer em 2015 se o petróleo continuar em baixa) mas também para que o encapotamento do défice público por via do aumento da carga fiscal seja debelado. Devo referir-lhe ainda que é necessário saber se o que eles dizem sobre a eficácia fiscal não passa de um mero aumento da colecta por via de maior consumo externo. Não esqueça que Portugal aumentou o numero de visitantes (turistas) e até prova em contrário essa dita eficiência fiscal deve-se somente a este factor. Basta comparar o aumento da colecta em comparação com este aumento de visitantes. Quanto à dívida, andamos a trocá-la para posteriores pagamentos e o que até agora amortizámos será descompensado pelo juros vencidos e vincendos.
Aqui tem o que eu penso, e desejo que alguém me chame à atenção para qualquer erro de raciocínio.
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De Diogo Moreira a 29.11.2014 às 01:28

Li o seu texto com agrado e aponto apenas três pormenores (não erros de raciocínio, apenas um outro ponto de vista):

1- refere que a queda dos juros da dívida pública foi influenciado pela perda de mercado dos agiotas aquando a invasão da Crimeia. Do que consigo perceber, a tendência sempre foi de queda desde o pico de 2012 após a entrada em cena do BCE como garante de último recurso. Analisando a evolução das yields da Dívida Portuguesa (ou Espanhola ou Italiana), não penso que a evolução geo-política no conflito na Ucrânia tenha sido decisiva. Deixo aqui o link para uma ferramenta do Jornal de Negócios onde poderá avaliar a tendência que referi: http://www.jornaldenegocios.pt/cotacoes/divida.html

2- sugere que a Alemanha abrandou a asfixia financeira fruto do conflito na Ucrânia. Os discursos na Alemanha não abrandaram quanto ao cumprimento do Tratado Orçamental ou quanto ao alívio do sofrimento da Europa: http://www.businessinsider.com/german-bundesbank-president-jens-weidmann-warns-about-qe-2014-11 Uma única voz alemã clama no deserto, Wolfgang Münchau, mas esse não tem poder de influência. Eis o que ele diz dos seus colegas Economistas Alemães:
"The Germans have a name for their unique economic framework: ordoliberalism. Its origins are perfectly legitimate - a response of Germany's liberal elites to the breakdown of liberal democracy in 1933. It was born out of the observation that unfettered liberal systems are inherently unstable, and require rules and government intervention to sustain themselves. The job of the government was not to correct market failures but to set and enforce rules.
After 1945, ordoliberalism became the dominant economic doctrine of the centre-right. In the 1990s, the Social Democrats started to embrace it, culminating in Gerhard Schröder's labour and welfare reforms in 2003. Today the government is ordoliberal. The opposition is ordoliberal. The universities teach ordoliberal economics. In the meantime, macroeconomics in Germany and elsewhere are tantamount to parallel universes."

3- aponta o Turismo como motor da eficiência fiscal. Os maiores ganhos em termos de receita fiscal foram nas rubricas do IRS e do IVA (este último foi influenciado pelo consumo dos turistas). Penso que a sobretaxa de IRS tem muito mais peso nesta eficiência fiscal (não consigo encontrar um link relevante e baseio-me apenas na minha memória das notícias).
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De Vento a 29.11.2014 às 13:07

Obrigado pelas perspectivas que me envia, Diogo. Convém esclarecer alguns pormenores no seu comentário:

1 - Na realidade quando o BCE entrou na compra das dívidas os juros baixaram e a agiotagem moderou-se- Mas o Diogo, no caso português, situa-se a partir de 2012, ano em que Portugal ainda estava sob a dependência da troika, os pagamentos fluíam e as taxas de juro fixadas eram as acordadas com estes organismos. Assim sendo, o quadro que me apresenta refere-se a Novembro de 2014, o que é um grande desfasamento em relação aos acontecimentos na Crimeia, e não pode servir de contraponto ao meu raciocínio.
Relativamente a esta questão melhor será anexar este link de 03-03-2014 (nota: os únicos aumentos fizeram sentir-se ao nível dos prémios de risco):

http://expresso.sapo.pt/dez-impactos-da-crise-da-crimeia-nos-mercados-financeiros=f859070

Recomendo também que use valores das taxas nos mercados secundários, mas a partir da crise da Crimeia. Verificará que logo após a invasão os juros caíram. Aliás, em vésperas da abertura das bolsas, num diálogo aqui estabelecido com um comentador de nome rmg, eu alertei para este facto (por antecipação). Os agiotas, ou os ditos mercados, funcionam da seguinte forma: carregam nos juros nos fragilizados para poderem negociar taxas baixíssimas nos mercados onde as solicitações de empréstimos atingem montantes elevados e, consequentemente, com maior ganhos por causa do volume de negócios. Era o que estava a acontecer. Como houve uma brusca quebra deste negócio eles optaram por manter o mesmo nos mercados fragilizados descendo os juros. Portugal fez emissões tímidas em Maio/Junho e Julho de 2013 ainda sob a protecção da troika:

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3327100

Mas veja este também:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3327410

Aliás, as taxas de juros que o Diogo deve fixar devem ser as que se encontravam em vigor também neste período:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3327529

Se reparar bem, o efectivo regresso de Portugal aos mercados só ocorreria em 2014. Por isto mesmo, se começar a associar dados e factos dos mercados em paralelo com a crise da Crimeia e Ucrânia certamente aceitará os meus argumentos.

2 - Não sugiro, Diogo, afirmo. Uma coisa é o discurso outra é a realidade. E a realidade revela que Schauble e Merkel tiveram de render-se ao quantitative easing (injecção de capital nos mercados europeus) não só porque o BCE ganha maior importância mas porque a economia alemã balança e balança muito. Para o situar: A Europa é o maior mercado mundial, com 500 milhões de consumidores, com uma China que só revela a sua pujança económica com base nas exportações, que agora caem, e aponta um decréscimo no consumo interno, e os EUA a protegerem os seus produtos e com 20% das receitas vindas da Europa, a única alternativa para o mundo é uma Europa economicamente forte. E perante estes factos não ligue aos discursos dos alemães, porque os gajos em matéria de humildade não são referência. Importa sim olhar para o que está a acontecer com a discussão em Bruxelas sobre a revitalização da Europa através da injecção de 300 mil milhões de euro.

3 - A eficiência fiscal foi uma ironia da minha parte. Eu devia ter colocado entre aspas a palavra eficiência. O que pretendi dizer foi isto: os tipos andam a ver se assustam com inspecções, penhoras e mais não sei quê, e como na realidade a colecta aumentou pretendem revelar que são bons a fazer pagar impostos e dizem-nos que esse aumento da colecta se deve a essa tal "eficiência". E o que eu digo é que para além do aumento da carga fiscal as receitas vindas dos turistas (que são externos) ajudaram também a esse aumento da colecta. Logo, essa conversa sobre "eficiência" não tem base nenhuma científica.
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De Vento a 29.11.2014 às 22:32

Deixe-me só acrescentar aqui umas palavritas que são de justiça. Ali mais abaixo ou mais acima, num post do Sérgio, eu "mandei" todos, com excepção de Paulo Macedo e Paula Teixeira da Cruz, de quem muito gosto, fazer uns cursitos de Vida Activa; e "mandei" bem.
Mas a justiça é que o Adolfo Mesquita está a fazer um excelente trabalho no Turismo. Tem promovido bem o país. Aliás, um beirão que não entenda de Turismo é uma falsificação. Tenham a profissão que tiverem os beirões têm de entender de turismo. Pois as beiras são um berço de bem receber, sem desprimor para os demais. Mas bons são os beirões. Pena tenho que aquela região das Penhas Douradas e Penhas da Saúde não esteja melhor aproveitada.
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De cristof a 29.11.2014 às 01:46

O exagero, excesso de profetas da desgraça tem ajudado a indiferença com que os cidadãos já escutam os politicas e as suas profecias desprestigiadas. Cada um deve saber das suas razoes,mas não prestigia a politica ter-se assistido a todas as revisões da troika ser antecedida de semanas de "que agora é que vamos chumbar" e todo o coro de que nao vamos poder pagar, segundo resgate, saída do euro...
Na verdade a vida sofrida dos portugueses comuns continua como sempre foi e a fauna urbana mais sortuda continua a discutir o sexo dos anjos e os mexericos do diz que disse , como os escritores do secXIX e XX nos mostram . Mas as alterações e consequências políticas talvez não sejam fortes porque somos muito governados por Bruxelas(Berlim?).
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De Manuel a 29.11.2014 às 04:41

A frase chavão do nosso 1º ministro peca pela provocação que para além de carregar uma índole de condenação, consegue magoar cada um dos 10M de portugueses - fazendo com que todo o desgraçado deste país se sinta responsabilizado pelos desgovernos e pilhagens que desde sempre condenaram Portugal ao estatuto mais reles de todos, o de lixo. Portanto não me parece uma frase de todo apropriada. Talvez bastasse trocar "portugueses" por «Portugal viveu/vive acima das suas possibilidades» para ser um tiro no alvo.
Pessoalmente, a única esperança que começo a sentir não tem origem na economia; nos mercados; no desemprego(...) mas sim na Justiça que ultimamente parece andar a treinar a pontaria para a muche do alvo.
Do discorrido aqui, concordo com algumas razões e discordo com outras, mas isso é assim mesmo, ninguém é dono e senhor da razão. De todas as razões, a que mais partilho da dificuldade em aceitar e que mais me lixa a esperança, é trazida aqui pela mão de Diogo Moreira:..." os que estão a pagar são os contribuintes que não conseguem ter a sua sede fiscal na Holanda ou no Luxemburgo."

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