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Dentinho

por jpt, em 12.10.18

dente.jpg

 

Conheci o Paulo Dentinho quando recém-chegados a Maputo, e logo ficámos amigos. Éramos jovens, ele recém-pai eu ainda não, ambos fascinados com o país magnífico, tão interessante e esperançoso, embrenhadíssimos no trabalho, ele correspondente da rtp e eu adido cultural, nisso muito cruzando opiniões e informações sobre o quanto se nos deparava, num constante convívio. Chegámos a viajar juntos no país, quando ele dinamizou a visita de um grupo de artistas encabeçados por Júlio Resende, uma magnífica aventura, e dor de cabeça logística na Ilha de Moçambique de então. Por vezes discordávamos sobre o seu trabalho (ele sempre teve a piedade de não criticar o meu), eu já armado (em) comendador a requerer-lhe uma espécie de "posição de Estado" dada a visibilidade da RTP(África) no país. E ele com uma perspectiva diferente - lembro-me de lhe contestar uma reportagem sobre os habitantes do jardim zoológico da Beira, gente que vivia no local e até nas jaulas, por causa da má recepção que havia tido em Maputo, as pessoas tinham-se sentido aviltadas. O Paulo dizia o contrário, e é evidente que tinha razão, pois tanto a vocação como a deontologia jornalísticas convocavam a reportagem, tão denotativa era aquela situação e não seria a "má impressão" que a RTP poderia colher que o iria fazer suspender o trabalho.
 
Na altura havia muitas visitas políticas portuguesas, em 97 o PR Sampaio e em 98 o PM Guterres com enormes delegações (150-170 pessoas), mas também um constante corropio de ministros, secretários de estado e afins. Vigorava em Lisboa a noção de que "estar no poder" implicava visitar as ex-colónias, coisa também de uma CPLP que começara. O que causava um carrossel de visitas vácuas, impreparadas, de teor algo turístico por vezes, e desprovidas de "sentido de Estado". E o Paulo dava-lhes a atenção que o seu apurado sentido profissional comandava - sendo também que muito do seu trabalho não passava na RTP por critérios da sede, dado o manifesto desinteresse de muitas dessas deslocações. Assim, dado o carácter pouco servil do seu trabalho, muitas vezes o ouvi contestar, "que não era o homem que ali devia estar", diziam ministros e assessores, desgostosos com a "cobertura televisiva" que consideravam obrigatória para a sua micro-pompa de governantes. Pouco lhes importava ser ele, de facto, competente, informado, criativo, analítico. E empenhado. Importava-lhes apenas o de não estar ele de chapéu na mão diante de qualquer chefe de gabinete do sub-secretário de estado ou de um assessor de sua excelência o director-geral. Na responsabilidade de ser correspondente do serviço público, e sem a ligeireza de servir o poder político do dia ...
 
Depois vieram as complexas eleições de 1999, culminadas com semanas de contagem de votos e de agitação política. A situação era surpreendente, explosiva mesmo, pois não eram esperados resultados tão elevados por parte da oposição nem tamanha demora na contagem. Nesse entretanto o Renamo fez uma conferência de imprensa e proclamou a vitória. Na altura só havia duas estações televisivas a transmitir no país, a muito estatizada TVM e a RTP(África). E foi esta que disseminou essa proclamação, o que teve um impacto estrondoso. O Paulo apareceu nessa reportagem com um óbvio nervoso, perceptivel para quem o conhecesse pois traduzido num ricto similar ao sorriso. Foi o quanto baste, o divulgar da versão renamista do processo eleitoral, praticamente inacessível na imprensa estatal local, e o aparente sorriso tornaram-no pessoa malquista. Sucederam-se as ameaças de morte, uma das quais estando eu sentado com ele numa esplanada. O Paulo aguentou, nós amigos dizendo para que se acautelasse que nem tudo é da boca para fora - como o comprovou o assassinato de Carlos Cardoso logo em 2000 e nos anos futuros vários atentados a intervenientes televisivos. Ao fim de algum tempo de contínuas ameaças de morte, e até porque ali vivendo com a mulher e as duas filhas, ele regressou a Portugal. Fui, com vários amigos, levá-lo ao aeroporto. Nessa sua despedida do país ele ia vestido, com tão polissémica ironia, com uma t-shirt do Frelimo. Também a simbolizar o quão absurdo é a demonização do jornalista quando autónomo. Digno.
 
Depois passaram anos, a vida. Eu fiquei em Moçambique, ele por Portugal e Timor (de onde lembro uma magnífica reportagem, a tornar épica a constituição do arquivo nacional por Mattoso). E fui-lhe vendo outros bons trabalhos, profundos, de verdadeiro grande jornalista, daqueles que nos faziam dizer à nossa pequenina filha, meio pirosos, "Carolina anda cá ver, este é amigo dos pais". E foi para correspondente da RTP em Paris, onde soube que estava bem e acreditei, pois deve ser um posto intenso e Paris deve ser uma boa cidade para quem gostar de viver na Europa. E comecei a lê-lo no FB, nos tempos de Passos Coelho e Portas. No seu mural pessoal o Paulo zurzia a política portuguesa e, muito frequentemente, o governo: em tempos de crise, naquele troikismo, motivos nunca faltavam para bater. Tanto o li que um dia lhe enviei uma mensagem "estás farto de Paris?" e ele que nada disso, estava a adorar, a família também, a mulher com emprego, filharada a crescer. "Ouve lá", ripostei-lhe, "continuas a bater assim e eles metem-te como correspondente no Corvo ou num sítio ainda mais ermo ...", que é assim que o poder funciona, e nós sabemos bem disso. E rimos, cada um diante do seu teclado. E ele continuou a criticar, lá na sua página pessoal, "sem dó nem piedade".
 
Passado algum tempo o governo de Passos Coelho actuou mesmo face ao Paulo Dentinho. Eleições à vista retirou-o de Paris, onde escrevia curtas críticas no FB para os seus 3 ou 4 mil "amigos", e meteu-o ... como director de informação da RTP.
 
Passaram anos. Eu pouco vejo tv e nada RTP. Mas nunca li nestas redes sociais grandes críticas à partidarização da informação da RTP (essa que era uma prática constante da casa), tanto a favor do anterior governo como deste. Agora o Paulo é afastado. Dizem que porque escreveu um texto na sua página pessoal com palavrões e um futebolista não gostou. E, aduzem agora para ajudar à justificação, porque houve má cobertura do fogo em Sintra - não sei se estão a captar a indecência, o conselho de administração, subordinado a este governo, afasta alguém com o argumento de que houve má coordenação na cobertura jornalística de um fogo: e isto com a notória descoordenação deste governo nos combates ao fogos . Isto é de uma impudicícia inaudita.
 
E é, acima de tudo, o começo do ciclo eleitoral. Evidenciando também uma enorme diferença das práticas políticas desta geringonça face ao passado recente. Aqueles que assistem à RTP poderão comprovar. Quanto ao Paulo Dentinho presumo que se tenha despedido do posto vestindo a sua t-shirt do Frelimo, nesta polissémica ironia, necessária que é para suportar esta gente.

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45 comentários

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De Sarin a 12.10.2018 às 17:25

Não acompanho regularmente os canais portugueses. Mas ocasionalmente espreito, e a RTP3 é um marco noticioso - obra de Dentinho, ao que sei.

Surpreendeu-me a notícia, pelo inesperado e pela causa invocada. Apreciei ter sido PD a colocar o lugar à disposição - um vão-se lixar, como o li. Há vão-se-lixares que só são possíveis em quem tem coluna.

Maria Flor Pedroso já foi nomeada para o substituir. Não a vejo ser mais servil do que Dentinho (não) foi, por isso aguardo - afigura-se-me que o prurido foi mesmo panteónico e não partidário... Nenhum é justificação.
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De jpt a 12.10.2018 às 18:16

Vamos ver. Ou seja, irão ver. Porventura será no âmbito do "as escolhas de Marcelo"
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De Sarin a 14.10.2018 às 01:26

Penso que Marcelo já escolheu há muito.

(Confesso que estou ansiosa para ver quem serão os candidatos a PR...)

Sobre Flor Pedroso, confio que seja antes quebrar que torcer, ou restarão poucos em quem confiar...
E, caramba, uma pessoa não pode viver desconfiada de tudo e de todos a ver conspirações nos cantos - tem aí exemplos p'los blogues, e veja o resultado, coitados...
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De jpt a 14.10.2018 às 07:35

Eu também acho que o MRS já escolheu à muito. Eu aludia ao nome do programa que ambos faziam - de qualquer forma lembro-me de ler que foi MRS que a afastou do programa que faziam. Se assim foi - e veja-me a filiar-me nas teorias conspiratórias tão seguidas pelo arco fascista-comunista - cheira-me a pirraça do PS ao PR
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De Sarin a 14.10.2018 às 07:48

Percebi as aspas, não tinha percebido tão longo alcance ao tiro...

E nem vejo o porquê de tal negaça, saiu-lhes o PR melhor do que a encomenda.
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De jpt a 14.10.2018 às 07:59

Nisto da política (e não só) não há que dar muita confiança ... isto apesar de ... sim, exactamente como diz, les beaux esprits se rencontrent
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De Sarin a 14.10.2018 às 08:05

Les veaux esprits?

(Bem sei que é agora o seu país de residência, mas veja lá se ao parler estrangeiro não acaba confundido com estrangeiro autor falando de estrangeiras coisas e por isso sem importância para o nacional rame-rameirista...)
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De jpt a 14.10.2018 às 13:39

boa ironia, eu até fui ver se me teria cabido alguma gralha

tenho anos demais fora para que fique agora, já idoso, um estrangeirado ...
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De Sarin a 14.10.2018 às 14:42

Nascida que fui em tempo de guerra, com toda a consideração lhe digo "vá-se lixar com essa do idoso!"
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De Pedro a 12.10.2018 às 17:29

"Há violadas de primeira, violadas de segunda categoria, violadas de terceira categoria, etc. Depende do estatuto delas, mas, sobretudo, do estatuto deles. Questão de perspetiva…Um 'não' de uma p*** - e também ela tem direito a dizer não - vale nada. É mercadoria. E se o violador tiver a auréola de herói nacional, é p*** de certeza, no mínimo dos mínimos, uma aproveitadora sem escrúpulo algum. Logo p***! Os factos, que se f**** os factos. Estava a pedi-las, foi o que foi. Felizmente não é a mamã, a filhota ou o filhote de ninguém. Porque nesta justiça será sempre uma filha ou um filho da p****”, escreveu Paulo Dentinho no Facebook, que acabou por apagar a publicação pouco tempo depois.

Ao Correio da Manhã, Paulo Dentinho explicou porque escreveu a mensagem: "Estava a preparar um programa sobre o aniversário do movimento 'Me Too' e isso, aliado ao facto de ter três filhas, fez-me ter um momento emocional. Não me estava a referir ao caso concreto de Cristiano Ronaldo".

Não contestando a coragem de Paulo Dentinho, deveria, este, ter levado, até ao fim, a coerência e consequência intelectual daquilo que disse. Ao lê-lo sabemos perfeitamente que se estava a referir ao Cristiano Ronaldo....e vamos lá a ver, se bem que é verdade que podermos demonstrar algum grau de paroquialismo ao defender o homem do busto, também não é menos verdade que a posição oposta demonstra outro tipo de paroquialismo - é poderoso, é abusador.
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De jpt a 12.10.2018 às 18:14

Não discuto sequer o postal do facebook. Porque não é matéria relevante. Se tivesse nomes, acusações etc poderia ser considerado difamatório. Assim é uma questão de "gosto", e é um gosto muito peculiar, o do incrementar o controlo sobre a informação
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De Sarin a 12.10.2018 às 19:21

Pedro, os postais "Não é Não" e "Não é, Não" tiveram como base uma pergunta de resposta fechada constante numa plataforma social, exactamente "Um não: é um não; é um sim disfarçado".

Alguém disse que eram referência indirecta a CR7, tal como disseste agora... e eu pergunto: só há esse caso no mundo? Só se pode falar em violação tendo um caso concreto como base?

Como poderás perceber se releres, soube da história do CR7 depois de ter comentado o primeiro "Após um momento #metoo", aqui no DO... há coincidências, acredita.
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De Pedro a 12.10.2018 às 17:35

Jpt também não me pareceu muito ético um Director de Informação se ter autonomeado para entrevistar o presidente de Síria, Bashar al Assad!
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De jpt a 12.10.2018 às 18:11

Sobre isso não vejo qual o problema. Mas não conheço o organograma da rtp e os termos de referência do posto portanto não posso mais do que "achar" ...
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De Anónimo a 12.10.2018 às 18:51

Fico perplexo quando vejo que ainda há pessoas que acreditam na comunicação social, na imprensa, etc. A comunicação tanto pode nos informar como fazer passar a sua mensagem e nos enganar. Os famosos códigos deontológicos, etc, existem para nos enganar, quase tudo violado às escondidas. Verifiquei que do lado direito têm um link para o blogue "Com jornalismo assim, quem precisa de censura?" De facto é assim! Eu com poucas palavras falei muito!
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De jpt a 12.10.2018 às 19:12

Como sempre e em todas as actividades há um pouco de tudo: V. tem no Expresso um texto xenófobo aviltando os brasileiros imigrados em Portugal. Vê alguma crítica a essa indecência? Nada. O problema não são os jornalistas, são os cidadãos. Desprovidos de deontologia de cidadania, para usar os seus termos.
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De Sarin a 12.10.2018 às 19:23

Não gosta, mas


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De Anónimo a 12.10.2018 às 21:36

Se o V. sou eu, está enganado! Depois se há um texto xenófobo no Expresso é porque os jornalistas o colocaram lá, mas os jornalistas não são um problema! O principal problema são os cidadãos pois se há jornalixo é porque isso vende. Fico preocupado quando alguns se preocupam com as pequenas coisas, pois pode indicar que desconhecem a realidade ou que querem fazer passar uma ideia errada. Os jornaleiros são uns santos e o Papa é que ainda não sabe!
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De jpt a 12.10.2018 às 21:51

Eu formulei mal o comentário anterior: "V. tem" no sentido de "você tem, pois está lá, publicaram" ... Quanto ao resto os jornalistas são o que são, mas se o público (a clientela) reagir o teor e o tom muda. Mas as pessoas gostam, compram, clicam, consultam os anúncios, as lérias reproduzem-se. Glosando o que diz, as pessoas (os clientes) são uns santos, o Papa é que ainda não sabe.
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De Anónimo a 12.10.2018 às 23:13

O problema é mais grave porque os jornaleiros dizem que são uns santos, são honestos, são isentos, são independentes, são rigorosos, etc, quando sabem que não é verdade, ou seja há uma intenção de enganar os tontos.
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De jpt a 13.10.2018 às 10:15

Já o Eça resumia o jornalismo ao Palma Cavalão, vera aventesma Há de tudo na profissão No tempo a que aludo neste postal lembro-me de na visita de um importante ministro, já falecido, o seu director geral, de muito boas famílias, nos ter dado o rol resumido dos jornalistas dos "jornais de referência" que recebiam do saco azul de um ministério e que seriam os que divulgariam bons efeitos da política portuguesa em Moçambiquue justificando as despesas tidas. Pronto, assim Claro que ao longo dos anos ao ver alguns dos nomes, daqueles que ainda lembro, nas prosápias de dignidade e autonomia, nas posições de cidadania, e nas obras financiadas e muito patrocinadas ou nos postos de recuo, tipo senadores corporativos, só me dá vontade rir. Mas nem todos são isso
Por isso este postal
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De V. a 13.10.2018 às 01:22

O principal problema são os cidadãos pois se há jornalixo é porque isso vende.

É boa esta. Pensava que era de uma certa estirpe de gente que veio não se sabe de onde e que não tem um pingo de escrúpulos em vender lixo para encherem os bolsos (em detrimento do serviço público que serve de desculpa para continuarem a existir mas que em Portugal só foi feito alguma vez pela Fundação Cal. Gulbenkian até ao momento em que os socialistas tomaram conta daquilo e arruinaram a integridade e da dignidade daquela notável instituição. Nojento. São nojentos).
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De jpt a 13.10.2018 às 04:18

O que eu quero significar é que, em última análise, a responsabilidade sobre o estado do jornalismo recai sobre os consumidores. Nós fartamo-nos de bater em jornalistas e no estado geral da comunicação social, actividade muito criticável e até porque muito visível. Mas ela subsiste no modo que tem devido à receptividade que tem.
Quanto à Gulbenkian que refere nada digo, há muitos anos que desacompanho.
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De Pedro a 13.10.2018 às 09:07

Não sei se será assim. A titulo de exemplo , já por diversas vezes na televisão foram exibidos programas que em teoria seriam para elites que vieram a ser autênticos sucessos de "bilheteria" . Esta coisa da mediocridade da comunicação social é semelhante ao ovo e a galinha. Contudo lembro-me de um bom jornal Correio Diplomático
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De jpt a 13.10.2018 às 10:17

Atenção que eu não me refiro (aliás em estou em registo contra-comentário) apenas à "qualidade". Há um seguidismo, particularmente na informação, que deveria ser motivo para recusa do consumidor (e é, dado que as audiências preferem outra coisa do que a "voz do dono")
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De Anónimo a 13.10.2018 às 11:30

Já na época dos romanos se dizia que o povo gostava de circo e considero que este é o ponto de partida. Ora a comunicação social sabendo disto, explora isto ao máximo dando ao povo o circo que ele gosta a fazendo crer ao povo que as verdadeiras notícias são as do espetáculo. Depois vemos alguns que se divertem a comentar o circo quando deviam impor respeito. Isto é uma bola de neve!

Mas as pessoas não param para pensar que noticia é apenas aquilo que é importante. E que se alguém da Nova Zelândia teve um filho é um assunto que não nos diz respeito. É normal as pessoas terem filhos! E que se alguém da Nova Zelândia levou o filho para a ONU é um assunto que não nos diz respeito. Mas porque razão temos de saber isto? Para dizermos que somos cultos! Será que não há segundas intenções por traz disto? Claro que há!

Um bom livro para lerem "A civilização do espetáculo".
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De Sarin a 13.10.2018 às 14:03

O interesse sobre o filho do neo-zelandês que é levado à ONU depende da importância que cada um atribui ao facto - mera coscuvilhice, ou questão de direitos humanos, de políticas genocidas, de políticas ambientais, de...?

Há quem ande por aqui ultimamente a defender que o que se passa no Brasil ou nos EUA, sejam políticas sejam eleições, nada tem a ver connosco. É essa uma visão miserável do mundo; miserável e umbiguista. Uma visão de quem não percebe que o Mundo é um ecossistema sobrelotado e à beira da ruptura, e que as políticas de cada país importam no equilíbrio.
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De Anónimo a 13.10.2018 às 18:09

O seu comentário deixa-me preocupado, parece viver no seu mundo da fantasia e está a mostrar a sua ignorância ou então é intencional.

Não sei o que o o filho do neo-zelandês tem a ver com direitos humanos, políticas genocidas, políticas ambientais!

Mera coscuvilhice, não é noticia mas assunto para as revistas cor-de rosa.

Se para si tudo depende da importância que cada um atribui ao facto e por isso não critica certas não-noticias, porque razão critica quem acha que certos assuntos de outros países não são importantes para nós? Afinal tudo dependa da importância que cada um atribui ao facto!

Para si noticia é tudo pois pode ser importante para alguém nem que seja para uma pessoa só! Desgraçados dos jornaleiros que têm de noticiar tudo!

Caso não tenha reparado, neste país "sabemos tudo" o que se passa nos outros países mas não "sabemos tudo" o que se passa cá. Isto não se chama informação, mas manipulação.

Você parece que não trabalha e diverte-se a saber tudo o que acontece no mundo pois para si tudo é igual, tudo é importante, que confusão! Vá dizer a quem trabalha, olhe eu seu várias coisas que aconteceram nos EUA, no Brasil, na NZ, etc. excluindo Portugal, tudo importante para nós, quer saber? E veja a resposta!
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De Sarin a 14.10.2018 às 01:18

Pela sua resposta, parece ter havido mesmo um neozelandês que terá levado o filho à ONU por um motivo qualquer - que o anónimo saberá e despreza mas que eu desconheço, o que parece comprovar que há mesmo quem leia notícias por mera coscuvilhice...

Contrariamente ao anónimo, não critico quem lê tudo ou só uma parte ou mesmo nada - mas critico quem critica sem perceber o que lê, como o anónimo, e certamente critico quem, também como o anónimo, tem a arrogância de achar que pode dizer aos outros o que devem ou não fazer com o tempo de que dispõem.
Presumir sobre o tempo de que disponho e se trabalho ou não é apenas (mais uma) palermice sua.
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De jpt a 14.10.2018 às 07:41

Anónimo sendo eu muito pouco simpático ao folclore desta agenda do género tenho que discordar de si - a primeira-ministra neozelandesa levar o filho bebé para a assembleia-geral da ONU é uma notícia. Não será extremamente relevante mas é um apontamento interessante. Até, no meu entender, para zurzir na pacóvia atitude (fosse o sexto filha da senhora e ela não o levaria, aquilo é nitidamente show-off de neo-mãezinha associado a captação de atenções e votos).
Mais ainda discordo do que tem subjacente, a do desinteresse sobre questões internacionais. Um dos problemas tradicionais da imprensa portuguesa é a fragilidade e estreiteza das suas "páginas internacionais", com efeitos na limitação das virtudes do pensamento analítico e comparativo do comum dos cidadãos.
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De Anónimo a 14.10.2018 às 09:20

Não o compreendo, diz "aquilo é nitidamente show-off de neo-mãezinha associado a captação de atenções e votos". Pois sendo assim está a dar-me razão é um assunto para se saber apenas na Nova Zelândia onde podem votar ou não nela.

Já agora Sarin não quer perceber que o problema não é levarem o filho para a ONU, é nós termos de saber que levaram o filho para a ONU como se fosse algo que nos dissesse respeito. Há já me esqueci, agora com a globalização TUDO nos diz respeito! Estamos tramados, será que temos capacidade para sabermos TUDO! Nem vamos ter tempo para dormir, vai ser um problema grave!

Continuando, você também não está a querer perceber, eu não sou contra sabermos sobre questões internacionais. Eu sou contra o ruído, eu sou contra sabermos sobre questões internacionais que não têm interesse nenhum a não ser alimentar o espetáculo de que o povo tanto gosta e que gera vendas e nisto já me deu razão no comentário do V.

Depois eu disse:
Caso não tenha reparado, neste país "sabemos tudo" o que se passa nos outros países mas não "sabemos tudo" o que se passa cá. Isto não se chama informação, mas manipulação.

Mas parece que não leu isto!
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De jpt a 14.10.2018 às 13:43

Não, e não só porque a política é global. A agenda de género é muito sonora no mundo "ocidental" e também alhures, como tal aquele acto de propaganda tem repercussão internacional. V. tem razão se afirmar que muita coisa que é noticiada não tem relevância, que é tratada de forma superficial ou mesmo que a hierarquia/abrangência das temáticas abordadas pela imprensa portuguesa (e pelo serviço público em particular) estão mal calibradas. Mas não tem razão no caso do bebé afixado na arena da ONU e muito menos tem razão no desprimor dado ao noticiário internacional que está patente na sua linha de comentário.
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De Anónimo a 14.10.2018 às 14:15

Mais uma vez digo que NÃO sou contra o noticiário internacional, sou contra o ruído! Se Trump espirrar, temos de saber que ele espirrou! Se Trump disser um disparate, temos de saber que ele disse um disparate para nos rirmos! Quem tem de saber isso são os americanos para na próxima vez votarem diferente.

Nós temos de saber o que é importante para nós e em geral é o que acontece cá, mas há casos em que acontecimentos internacionais são importante para nós e devemos saber.

Só para terminar eu disse mais. Há muitas coisas que são noticiadas que não tem relevância e o objetivo é criar diversões, iludir, etc. e haverá muitas coisas importantes que acontecem cá que NÃO são noticiadas. Ou seja não há uma intenção de informar mas de manipular, enganar, etc. Nunca ouviu falar nas chamadas agendas ocultas dos media?
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De Sarin a 14.10.2018 às 16:00

Reparei, sim, e reparei na sua vontade de querer impôr aos outros o que devem ler ou discutir, tal como reparei na sua facilidade em criticar os outros sem atentar no que escreve, ou mesmo na constante contradição que usa: decida-se, afinal é contra saber-se tudo ou é contra não se saber tudo o que cá se passa?!


"As pessoas não percebem que notícia é o que é importante"
Resumo lapidar de censura!
E é por isto que vai continuar a encontrar quem lhe conteste o argumento e a arrogância.

Em mim, não encontrará mais contestação - o anónimo divaga tanto que cansa tentar sequer apontar-lhe as inconsistências do discurso, quanto mais as vaidades e certezas.

Fique-se com a sua noção totalitarista, por mim vou tentar descobrir o que fez a Neo-Zelandesa na ONU - oxalá tenha dado de mamar em plena Assembleia, um acto como declaração eloquente a favor da amamentação, do direito de amamentar em locais públicos, e da possibilidade de levar os filhos para o local de trabalho sem diminuir a relação progenitor/cria nem inquinar o processo laboral. Ou talvez apenas o não ter conseguido ainda superar o corte umbilical, ou a ama ter adoecido de repente - enfim, só saberei depois de ler :)
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De Anónimo a 14.10.2018 às 23:46

Não quis perceber que jpt concordou comigo em dois pontos quando disse:
1. Aquilo é nitidamente show-off de neo-mãezinha associado a captação de atenções e votos.
2. V. tem razão se afirmar que muita coisa que é noticiada não tem relevância.

Quem tem mantido uma atitude coerente com argumentos válidos sou eu!

Já que têm um link para o "Estado Sentido", veja
Há dias de loucura na comunicação social
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/2466883.html
Onde diz "As prioridades estão todas trocadas", pois é isso que eu tenho dito aqui, mas o pior cego é aquele que não quer ver!

Pelo saneamento básico nacional
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/2262189.html

E divirta-se!

E fico por aqui pois há uma grande frase que diz que não devemos discutir com certas pessoas.
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De V. a 13.10.2018 às 01:16

Ai então o Governo manda na RTP? Fica registado. Pensávamos que era um sítio onde se fazia jornalismo honesto e com uma linha de independência.

Registe-se nesse caso uma pergunta verdadeiramente legítima: por que caraças é que temos de pagar obrigatoriamente por aquilo que é tendencioso? É coisa de um país livre termos de pagar por um instrumento de propaganda?

E se pagamos TODOS à força, por que motivo os directores da referida chafarica (os directores e os jornalistas, que gritam "Golo!" do Benfica, em directo) acham que podem opinar em público só para alguns sem que nada lhes aconteça?

Se tiverem uma única resposta minimamente aceitável para estas coisas nojentas, façam o favor de dizer. Por mim fechava-se já aquilo e sem indemnizações para ninguém porque aquela tropa toda de compagnons de route já nos chulou muito mais do que o suficiente.
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De Anónimo a 13.10.2018 às 09:37

Eu tenho duvidas que haja algum sítio onde se faça jornalismo honesto! O problema é mais grave porque os jornaleiros dizem que são uns santos, são honestos, são isentos, são independentes, são rigorosos, etc, quando sabem que não é verdade, ou seja há uma intenção de enganar. E parece que conseguem enganar muitos! Mas você pode sempre testar a honestidade deles e depois publique o resultado! Mas de facto os grandes culpados são quem consume o "lixo" e se diverte com o "lixo".
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De jpt a 14.10.2018 às 07:43

Respondendo a um comentário anterior já deixei aquilo que entendo sobre a sua posição.
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De jpt a 14.10.2018 às 07:49

A sua questão é sobre se se justifica um canal público. É herança da instalação de um serviço televisivo no país, para cujo investimento foi necessário a intervenção estatal e num período político no qual um processo desses nunca seria permitido se não fosse sob tutela estatal.
Eu penso que é importante ter um serviço público, bem balizado nas suas funções - sejam informativas sejam de indução e divulgação de programas ficcionais (sim, financiamento estatal, tal como o que fez a Capela Sistina, o Calhau de Mafra, as pirâmides egípcias, aquilo do Louvre, aquele piroso rochedo com os presidentes americanos e mesmo a famigerada torre de babel, se esta tivesse existido) ou recreativos. Agora ter uma estação pública a lutar com as privadas no mesmo registo? Aí também acho que é para extinguir. Mas, como julgo que é óbvio, isso é outra questão da que abordo no textito
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De Anónimo a 14.10.2018 às 19:21

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De Anónimo a 13.10.2018 às 05:06

A RTP pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria.
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De jpt a 13.10.2018 às 10:19

Aí refuto o seu comentário. É notório que escasseia, rarifica-se mesmo, já pouco encaracola, as cãs monopolizaram há já anos mas ainda não estou careca
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De Sarin a 13.10.2018 às 23:55

Não será portanto caso para aceitar a carapuça que lhe estenderam... e olhe que a RTP sempre parece usar menos papelotes que as outras, apesar de tudo.
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De Pedro a 13.10.2018 às 11:39

Jpt, bom fim de semana....
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De jpt a 14.10.2018 às 00:55

Obrigado, e reciprocidade

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