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Delito de Opinião

Delitos poéticos (7)

Adolfo Mesquita Nunes, 07.07.14

Andy Warhol, Eggs (1982)

 

 

Omeleta

 

Quando se mis­tu­ram gema e clara,

se trans­forma o branco em ama­relo e o ama­relo

em branco, e a púr­pura do meio se con­funde

com um raio de sol, invento um canto

para que o ovo se não que­bre. Então, vejo-o

ficar sus­penso no equi­lí­brio do poema. De

um lado, dá-lhe a luz do sol; do outro, a pali­dez

da lua rouba-lhe o bri­lho. Gira

sobre si pró­prio: e a sua rota­ção sobrepõe-se

ao movi­mento da terra. Depois, com um gesto brusco,

parto-o: para que a sua gemada se espa­lhe pelo chão.

e o som do poema se mis­ture com os seus pedaços

- ali­te­ra­ções duras como as cas­cas, vogais

divi­di­das pela sime­tria do ovo.

 

Nuno Júdice

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