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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 02.07.24

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João André: «O mundo necessita de um repensar da universidade. Neste aspecto não falo do óbvio relativamente ao digital e online, mas antes perante a cada vez maior disseminação de graus académicos. Ao contrário do passado, há hoje tantas pessoas com estudos superiores que se torna difícil distinguir aqueles que têm uma formação de facto superior dos que simplesmente têm um diploma na parede. Isto não se refere apenas a diferenças entre bacharelatos, mestrados, doutoramentos e outros que tais. Entre dois doutoramentos as diferenças podem ser abissais.»

 

José Maria Gui Pimentel: «O Governo Sombra – que começou na rádio em 2008 e entretanto se estendeu à televisão – tem vários méritos. É um programa despretensioso e bem-humorado, que, sendo embora mais leviano do que projectos alternativos, tem a enorme qualidade de dar a conhecer pontos-de-vista que normalmente ficavam de fora dos programas de comentário político tradicional (já tinham tido alguns espaços, lembrarão os leitores mais velhos do que eu, mas estavam na sombra – justamente – nos últimos anos). Para além disso, e de novo ao contrário da maioria dos programas do género, o Governo Sombra consegue manter-se fresco.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Recortado na luz e na sombra, a imagem do apóstolo que só acreditou na ressurreição de Cristo quando lhe tocou na carne, regista o Santo como uma pessoa normal, rodeada pela sobriedade, como um homem cuja vida é igual à dos outros. Pintado por volta de 1663, São Tomás com uma lança é um produto da arte de Georges de La Tour, que viveu entre 1593 e 1652. O quadro faz parte da sua série de pinturas dedicadas aos apóstolos. Tem a particularidade de estar assinado e ter no canto superior direito uma inscrição em latim dando conta de que foi o próprio quem o pintou.»

 

Eu: «Em Julho de 2013, em entrevista ao canal Q, Joaquim Furtado -- um dos mais prestigiados jornalistas portugueses -- punha o dedo na ferida: ao trocarem a notícia pelo comentário, muitos profissionais da informação transmitem uma má imagem do jornalismo. Ouvi estas palavras, que subscrevo, e logo as relacionei com duas datas: 2 e 3 de Julho de 2013, dias negros para o comentário político em Portugal, dias em que se sucederam nas antenas televisivas as mais delirantes teses pronunciadas por jornalistas a propósito do desenrolar da crise governativa então ocorrida. De repente, a realidade dava lugar aos "cenários" -- segundo uma escola muito popularizada, desde os remotos anos 70, por Marcelo Rebelo de Sousa. Mas em cima destes "cenários" foram-se construindo outros, e mais outros, e mais outros, formando uma espécie de tela virtual sem a menor correspondência com a realidade. Na ânsia de suplantarem a capacidade efabulatória de certos "analistas políticos", com morada permanente nos canais informativos da televisão, vários jornalistas acabaram por prestar um mau serviço ao jornalismo. Tomando o incerto por certo, confundindo desejos com realidades, imaginando que bastam alguns tijolos para construir um edifício argumentativo capaz de resistir ao confronto com os factos.»