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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 24.05.24

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Helena Sacadura Cabral: «Eles mandam reflectir. Eu queria reflectir. Mas não tem sido possível porque não tenho feito outra coisa que não seja "topar" com espanhóis que me perguntam onde ficam os Jerónimos e os pastéis de Belém. Eu queria reflectir mas meti-me no carro e não passei da segunda velocidade tal a fila de trânsito que reflectia a quantidade de vizinhos que aqui se encontram. Eu queria reflectir e por isso decidi ir à Basílica da Estrela para encontrar algum sossego. Mas nem aí pude fazê-lo porque o corrupio de visitantes não deu tréguas ao meu esforço.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Em Portugal é "dia de reflexão". Em Macau vota-se desde as 8h da manhã. E amanhã, salvo algum cataclismo, continuar-se-á a votar. Isto quer dizer que fora de Portugal os eleitores não precisam de reflectir. Ao fim destes anos todos, os partidos continuam a tratar os cidadãos-eleitores como menores sujeitos a tutela ou mentecaptos. Em qualquer caso, como uns desgraçados que necessitam da protecção do Estado no dia que antecede os actos eleitorais para poderem votar em consciência. Os partidos prestariam um serviço a todos se acabassem com ele. Se há coisa mais anacrónica, sinal maior de um perene e intransponível atavismo, é esta coisa do dia de reflexão. Melhor seria chamá-lo dia da estupidez.»