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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 03.03.24

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Ana Vidal: «Vê-los descobrir a pólvora, mesmo que tarde - perdoamos-lhes tanta coisa em nome do eterno 'mais vale tarde do que nunca' - consola-nos sempre, enche-nos de um estranho, complacente e inexplicável orgulho. Chegamos até a comover-nos, como se eles fossem a criança que na festa da escola consegue superar-se e dizer a sua deixa sem falhas na peça de Natal. Para mal dos nossos pecados e para bem das batotas deles os deuses fizeram-nos assim, atentas e orgulhosas dos progressos dos nossos homens em descobertas que para nós são tão óbvias como dois mais dois. Mesmo reclamando muito, reclamando sempre. É por isso, Henrique Raposo, que a sobrevivência do outro terço nos espanta muito menos do que a si. Mas ainda bem que acordou, que ternura.»

 

José Navarro de Andrade: «Com o noveau roman caminhou Alain Resnais no início e se os seus filmes sobreviveram ao despautério tal se deve à sua crença na narrativa. Uma narrativa que se vai pensando, à maneira kantiana, não é forçosamente uma narrativa que vai estiolando. E a prova ficou nos magníficos “Hiroshima mon amour” (com argumento de Margueritte Duras) ou em “L’Anée dernière à Marienbad" (com Robbe-Grillet). Estes filmes mantêm hoje uma doce frescura porque, tal como Resnais mostrou depois, acreditam no cinema.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Depois de ler a entrevista de Rui Machete ao Público, o "companheiro" Obiang deve exultar com estas imagens do processo de putinização do partido que em nome de Portugal o vai receber de braços abertos na CPLP.»