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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 22.02.24

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José António Abreu: «Pode analisar-se-lhe a sinceridade, as motivações, a oportunidade, a coerência, as consequências (por exemplo: será lamentável se vier a atenuar os efeitos do excelente discurso de Paulo Rangel). Prefiro salientar outro ponto: a utilização do humor. Há falta de humor nos discursos políticos nacionais. Por insegurança (parente muito chegada da arrogância), os políticos portugueses – na verdade, os portugueses em geral – levam-se demasiado a sério, tendo dificuldade em lidar com a ironia, que consideram falta de respeito. Não se passa o mesmo noutros países, em especial nos anglo-saxónicos. Aí, o humor é uma velha e insigne tradição, surgindo nos discursos políticos como sinal de desprendimento e inteligência. Foi isto que Marcelo trouxe ao congresso do PSD.»

 

Eu: «Assim se atinge o patamar supremo do cinismo em matéria de opiniões políticas: chamar-se "indignados" a quem protesta nuns países e "fascistas" a quem protesta noutros, consoante conveniências ideológicas ou de trincheira. Quem assim procede parece que nunca leu Brecht, que tem uns versos aplicáveis à situação actual da Ucrânia"O povo perdeu a confiança do governo / E só à custa de esforços redobrados / Poderá recuperá-la. Mas não seria / Mais simples para o governo / Dissolver o povo / E eleger outro?"»